Abril
reforça cultura de segurança do paciente nos hospitais
Abril
marca um período de mobilização em torno da segurança do paciente na Bahia, no
Brasil e no mundo. Instituições hospitalares, sociedades médicas e o próprio
Ministério da Saúde intensificam, ao longo deste mês, ações educativas, revisão
de protocolos e estratégias para reduzir riscos durante o cuidado. A iniciativa
está alinhada a movimentos globais liderados pela Organização Mundial da Saúde,
que incentivam práticas seguras e o monitoramento contínuo da qualidade
assistencial. A campanha reforça diretrizes do Programa Nacional de Segurança
do Paciente em todo o país.
Nesse
contexto, o Hospital Mater Dei EMEC, em Feira de Santana, acaba de renovar o
Selo UTI Top Performer, concedido pela Epimed Solutions, que reúne dados de
mais de mil UTIs no país, permitindo comparações entre serviços e identificação
de boas práticas. A certificação se baseia em indicadores assistenciais e
aponta unidades com alto desempenho no atendimento a pacientes críticos.
“Segurança
do paciente não é um evento de calendário, é a razão de ser do nosso trabalho
todos os dias. O selo confirma que estamos no caminho certo, com processos
consistentes e foco permanente na qualidade assistencial”, afirma o
neonatologista Samir Nahass, diretor técnico do hospital. O reconhecimento
considera critérios como mortalidade ajustada por risco, adesão a protocolos de
segurança, prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e
desfechos clínicos.
Dados
da Organização Mundial da Saúde indicam que eventos adversos evitáveis estão
entre as principais causas de danos em serviços de saúde no mundo, afetando
milhões de pacientes. No Brasil, o Ministério da Saúde coordena estratégias
para reduzir esses riscos por meio de protocolos e políticas públicas.
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Indicadores
Em
UTIs, o acompanhamento sistemático de dados é apontado como um dos principais
caminhos para reduzir falhas e melhorar desfechos. “O reconhecimento recebido
pelo Mater Dei EMEC reflete consistência e revela uma rotina estruturada, com
protocolos bem definidos e uma equipe alinhada em torno do mesmo objetivo:
oferecer o melhor cuidado possível”, pontua o coordenador da UTI Geral do Mater
Dei Emec, João Victor do Vale.
Na UTI
da unidade de saúde, a assistência é organizada a partir de protocolos clínicos
integrados e atuação multiprofissional contínua. A unidade dispõe de
monitorização hemodinâmica avançada, suporte ventilatório completo, terapia
renal substitutiva e equipe formada por médicos intensivistas, enfermeiros,
fisioterapeutas, farmacêuticos clínicos, nutricionistas e assistentes sociais,
com atuação 24 horas.
A
campanha de abril reforça um princípio contínuo: reduzir riscos e qualificar a
assistência. Na prática, especialistas apontam que medidas como adesão a
protocolos, comunicação entre equipes e monitoramento de indicadores seguem
como estratégias centrais para tornar o cuidado mais seguro no dia a dia
hospitalar.
• Lei reforça direitos do paciente no
Brasil
Na hora
em que mais precisa de cuidado, o paciente brasileiro passa a contar,
oficialmente, com um conjunto mais claro de garantias legais. Foi promulgada a
Lei nº 15.378/2026, que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente e
estabelece princípios que devem orientar o atendimento em serviços de saúde
públicos e privados em todo o país.
A nova
legislação chega em um cenário marcado por queixas recorrentes: falta de
informação, decisões médicas pouco compartilhadas e negativas de tratamento. Ao
transformar esses pontos em direitos expressos em lei, o Estatuto busca
equilibrar a relação entre pacientes, profissionais e instituições de saúde.
Para a
advogada Sabrina Batista, sócia do BSF Advogados, a mudança é significativa
porque reposiciona o paciente no centro do cuidado. “O Estatuto deixa claro que
o paciente não é um sujeito passivo. Ele tem direito à informação, à escolha e
ao respeito. Isso fortalece a autonomia e reduz práticas que, infelizmente,
ainda são comuns no dia a dia”, afirma.
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Mais autonomia
Entre
os pontos centrais da nova lei está o direito à informação clara e acessível
sobre diagnóstico, riscos e alternativas de tratamento. Isso inclui a
possibilidade de o paciente participar ativamente das decisões sobre sua
própria saúde, inclusive recusando procedimentos, desde que esteja devidamente
orientado.
O
advogado Fábio Freire, também sócio do BSF Advogados, destaca que essa previsão
enfrenta um problema histórico. “Ainda vemos muitos casos em que decisões são
tomadas sem o consentimento adequado do paciente. A lei reforça que isso não
pode acontecer. O consentimento informado deixa de ser apenas uma recomendação
ética e ganha ainda mais força jurídica”, explica.
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Sigilo e respeito
Outro
eixo importante do Estatuto é a proteção das informações médicas. O sigilo
passa a ser reafirmado como direito fundamental, garantindo que dados sobre
saúde só possam ser compartilhados com autorização do paciente ou em situações
previstas em lei.
Além
disso, o texto estabelece o direito a um atendimento digno e humanizado, livre
de discriminação, negligência ou tratamento desrespeitoso — um ponto que
dialoga diretamente com denúncias frequentes em unidades de saúde.
Segundo
Sabrina Batista, a formalização desses direitos pode ajudar a mudar práticas
enraizadas. “Muitos pacientes ainda se sentem inseguros, desinformados ou até
constrangidos durante o atendimento. A lei cria um parâmetro mais claro para
cobrar condutas adequadas e responsabilizar abusos”, diz.
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Na prática
Embora
boa parte desses direitos já estivesse prevista de forma dispersa em outras
normas, o Estatuto organiza e consolida essas garantias em um único marco
legal, facilitando o acesso à informação por parte da população.
Na
avaliação de Fábio Freire, o desafio agora é fazer a lei sair do papel. “O
Brasil já tem um arcabouço jurídico robusto na área da saúde, mas o problema
muitas vezes está na efetividade. O Estatuto é um avanço, mas precisa ser
conhecido pelos pacientes e respeitado pelas instituições”, pontua.
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Desafios
Especialistas
apontam que situações como negativas indevidas de tratamento, falta de
transparência e falhas na comunicação ainda fazem parte da realidade de muitos
brasileiros. A nova lei surge justamente como instrumento para enfrentar essas
distorções.
Para os
advogados do BSF, o papel da orientação jurídica também ganha destaque nesse
contexto. “O Direito não atua apenas quando o problema já aconteceu. Ele pode
prevenir conflitos, orientar o paciente e garantir que decisões sejam tomadas
de forma consciente e segura”, afirma Sabrina Batista.
Com a
promulgação do Estatuto dos Direitos do Paciente, o país dá um passo importante
para tornar o cuidado em saúde mais transparente e equilibrado. Resta saber
como e em que velocidade essas garantias
vão se refletir na prática cotidiana de hospitais, clínicas e consultórios.
• Alternativas à saúde privada avançam na
Bahia
Sem
conseguir pagar um plano de saúde e tentando evitar a demora do sistema
público, um número crescente de baianos tem recorrido a modelos alternativos de
assistência médica, que prometem atendimento mais rápido e custos reduzidos. A
expansão desse tipo de serviço reflete um cenário conhecido: mensalidades
elevadas na saúde suplementar e filas prolongadas no SUS.
Nesse
contexto, empresas que operam fora do modelo tradicional de planos ganham
espaço ao oferecer consultas, exames e telemedicina com menor custo e menos
burocracia. A proposta tem atraído principalmente trabalhadores informais,
autônomos e famílias das classes B, C e D, que buscam soluções intermediárias
entre o sistema público e os planos privados.
Uma
dessas iniciativas é a Cheque Saúde, empresa baiana que começou a operar
nacionalmente neste mês de abril e aposta em um modelo de assistência baseado
em rede aberta e coparticipação reduzida. A companhia acaba de firmar parceria
com a Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), com
foco em ampliar o acesso à saúde para familiares de servidores que não possuem
plano.
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Novo formato
Diferentemente
dos planos tradicionais, o modelo permite que o paciente escolha onde deseja
ser atendido e receba reembolso parcial dos custos. Segundo a empresa,
consultas presenciais podem sair por cerca de R$50, com cobertura de parte do
valor total.
“A
ideia é democratizar o acesso à saúde de qualidade, sem as barreiras
tradicionais de custo e burocracia. A pessoa não precisa esperar meses por
atendimento nem arcar com valores altos para uma consulta particular”, afirma o
CEO da empresa, Jordal Matos, conhecido como Joca.
Além
das consultas presenciais, o serviço inclui telemedicina 24 horas, terapias
online e reembolsos para exames e medicamentos, com processos digitais
realizados por aplicativos de mensagens e transferências instantâneas.
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Demanda crescente
O
avanço desse tipo de solução acompanha a dificuldade de acesso à saúde
suplementar no país. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
indicam que milhões de brasileiros permanecem fora dos planos privados, seja
pelo custo ou pela perda de vínculo empregatício.
Nesse
cenário, alternativas mais flexíveis tendem a preencher lacunas, especialmente
em regiões metropolitanas como Salvador, onde a demanda por especialistas é
elevada.
“A
gente resolve um problema real: o tempo de espera e o custo. O paciente
consegue atendimento rápido e paga um valor acessível, sem ficar preso a uma
rede limitada”, diz Matos.
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Tendência de mercado
Especialistas
apontam que o crescimento de soluções alternativas deve continuar, impulsionado
por mudanças no mercado de trabalho e pelo aumento do custo da saúde privada.
Modelos híbridos, com coparticipação e uso sob demanda, passam a ocupar um
espaço antes pouco explorado.
Embora
ainda em expansão, essas iniciativas levantam discussões sobre regulação,
qualidade do atendimento e sustentabilidade a longo prazo, temas que tendem a
ganhar mais espaço à medida que o setor cresce.
Fonte:
Por Carla Santana - Assessora de Imprensa:

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