A
França de Macron e a encruzilhada política da única potência nuclear da Europa
Ocidental
Nas
últimas semanas, o presidente francês Emmanuel Macron deu declarações
descoordenadas sobre o quadro do Oriente Médio, sempre tomando o cuidado de
tomar a posição ocidental. Macron – que muito fala, mas nada diz – deixará de
ser presidente do seu país no ano que vem, enquanto na última semana viu
eleições municipais mandarem sinais trocados: nada radicalmente diferente de
2020, ano do último pleito, mas com algumas nuances. Ainda assim, o público
brasileiro se concentrou nas eleições das grandes cidades francesas, que pouco
ou quase nada dizem. Os quase 70 milhões de franceses vivem em cidades
pequenas. Paris tem pouco mais de dois milhões de habitantes – e caindo! – e é
a única cidade com mais de um milhão de habitantes – Marselha gira em torno de
870 mil almas, para se ter uma ideia. E, nas cidades com menos de 100 mil
habitantes, a vida tem dramas diferentes.
A
França que emergiu das urnas basicamente viu a direita comum ter uma excelente
votação, acima do centro e da esquerda, mas muitos leram o resultado pífio da
extrema direita como um alento para as presidenciais de 2027. Isso, no entanto,
nos parece um erro. Na França, como no Brasil, eleições municipais possuem
dinâmicas diferentes do nacional. No caso francês, eleitores tendem menos aos
polos em escala local. Há seis anos, a participação eleitoral foi bem
menor, com 44,66% versus os atuais 57%. A França estava muito menos polarizada,
com 25% dos eleitos para chefiar o poder local classificados como “sem rótulo”,
diferentemente do momento atual. No cenário da última semana, as esquerdas
saíram de um quarto dos votos para cerca de um terço, mas as direitas, ainda
que a de setores moderados, cresceram, chegando a quase 40%. O que isso
quer dizer?
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A França polarizada
Primeiramente,
o cenário municipal não muda o fato de que a extrema direita francesa segue na
liderança das próximas eleições presidenciais, muito mais forte do que em 2022.
Com seu sistema político caótico, os franceses elegem suas lideranças locais a
cada seis anos, enquanto as presidenciais são a cada cinco anos. Dito isso, as
últimas municipais, em 2020, mostraram um quadro muito menos radicalizado do
que as presidenciais de 2022. Nada mudou muito radicalmente entre 2020 e
2022, e salvo um agravamento da situação mundial, nada deve mudar tanto assim
entre 2026 e 2027; apenas que talvez o cenário nacional francês influa mais
sobre o local do que o contrário – no que o país europeu talvez se pareça com o
Brasil. Mas as direitas avançaram e os eleitores que consignaram apoio nas
urnas a algum conservador democrático podem, muito bem, votar na extrema
direita no ano que vem.
Em
Paris, é verdade, pouco ou nada mudou com a centro-esquerda socialista
vencendo. Mas essa hegemonia estabelecida desde o início deste século não tem
se repetido em escala francesa. Em 2022, apesar da candidata presidencial
socialista ser a própria prefeita parisiense reeleita, a socialista Anne
Hidalgo, ela teve apenas pouco mais de 2% dos votos, ficando em uma vexatória
sexta colocação na capital francesa. Nacionalmente, boa parte dos eleitores
socialistas nas municipais de 2020 preferiram o centro liberal com Macron ou a
esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon. Depois disso, nas eleições legislativas
seguintes, seja em 2022 ou naquelas convocadas pela dissolução da Assembleia
Nacional por Macron em 2024, as esquerdas resolveram se reunir em um único bloco,
criando uma divisão em três no parlamento. De lá para cá, Macron impôs
primeiros-ministros, apesar de seu bloco parlamentar ser o menor dos três, e da
esquerda ter maioria relativa. As pesquisas mostram que a extrema direita se
fortaleceu de 2024 para cá e, independentemente dos resultados de 2026, ela
avançaria mais ainda no parlamento, passando de quase 30% para cerca de 36% do
total, roubando votos da direita tradicional e mesmo do centro.
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O que a extrema direita francesa diria? E para onde a França vai?
Enquanto
Macron foi pérfido com o genocídio dos palestinos, é ambíguo com Donald Trump,
declarando, em particular, apoio à jornada anti-Irã do atual presidente
americano, mas sem enviar suas tropas para o Oriente Médio – muito embora o
posicionamento revelado, de forma desastrada, do Charles de Gaulle,
indique que ele mantém sua marinha dando algum tipo de apoio a americanos e
israelenses.
A
extrema direita francesa, no entanto, se reinventou nos últimos anos ao
abrandar excessos retóricos, enquanto se mantém contra imigrantes, busca
narrativas democráticas para sua islamofobia, mas abandona um certo ideário
desenvolvimentista para a economia, enquanto flerta com neoliberais para gerir
a economia. A burguesia francesa, que antes via com um misto de desprezo e medo
seus fascistoides, hoje achou um espaço para ela. O mais importante é que
Marine Le Pen, antes candidata do seu partido e hoje inelegível, agora flerta
com Israel, em uma ironia muito bizarra e curiosa que parece se repetir entre a
extrema direita europeia. Já a esquerda francesa parece ser incapaz de se unir
para o que importa, as presidenciais, mas fatores geopolíticos contam bastante,
com os socialistas e alguns verdes defendendo de forma moderada, ou não se
opondo, à barbárie ocidental no Oriente Médio.
O
macronismo está rachado entre sua ala mais liberal e moderna, e um certo
conservadorismo moderado liderado por Édouard Philippe, prefeito reeleito de Le
Havre e ex-premiê sob a presidência de Macron – que procura se apresentar, no
entanto, como nem de esquerda nem de direita, e tampouco de centro, em uma
fórmula tão manjada quanto universal das eleições das democracias
representativas.
Com a
política de cerco e pressão sobre a Rússia em frangalhos – sobretudo pela
dependência agora redobrada da energia russa para a Europa –, e os avanços
nacionais contra as práticas neocoloniais em África, a França, cuja importância
para o mundo contemporâneo é central, parece em compasso de espera para uma
grande tempestade. Só resta a voz digna de Mélenchon, o último dos tribunos do
povo a talvez espernear contra o inevitável.
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Países da OTAN não são parceiros, mas dispensáveis para
EUA, reconhece político francês
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quer mais garantir a
viabilidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), disse à mídia
Philippe de Villiers, ex-deputado francês do Parlamento Europeu.
Villiers
salientou que os Estados Unidos consideram os
países-membros da OTAN apenas como peças descartáveis.
"A
OTAN está à beira da morte e precisamos explicar o motivo. Como o pai fundador
não deseja mais essa união, ele não reconhecerá seu filho. A OTAN, porém, é seu
filho, filho dos EUA, criado para escravizar a Europa", ressaltou.
Segundo
ele, um dos motivos da virada de Trump foi a deterioração de suas relações
com as elites europeias, em particular com a presidente da Comissão Europeia,
Ursula von der Leyen.
Nesse
contexto, o ex-deputado apontou que alguns eventos se tornaram fatais ou
desastrosos para a OTAN.
Conforme
detalhou o político, houve um "jogo de golfe" com Ursula von der Leyen, que o aplaudiu com
seu clube, mas em quem ele agora está batendo, impondo taxas alfandegárias.
Em
outras palavras, Villiers concluiu que os países da OTAN não são mais
parceiros, mas sim dispensáveis para Washington.
Em meio
ao conflito no Oriente Médio, a OTAN enfrenta uma
grave crise. Trump chamou a OTAN de "tigre de papel" sem os Estados
Unidos e criticou duramente os aliados do bloco militar por não apoiarem
Washington no confronto com Teerã.
A
Alemanha e a França também se recusaram a participar de operações para
desbloquear o estreito de Ormuz, e a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas,
afirmou que os países da União Europeia não estão prontos para enviar uma frota
para a região.
De
acordo com o chefe do Ministério da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, Trump
decidirá sobre o futuro da OTAN após o fim do conflito com o Irã.
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OTAN
pode chegar ao fim nos próximos 10 anos, diz ex-chefe do bloco
A
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não existirá necessariamente
para sempre, e não é um fato que a aliança ainda existirá daqui a dez anos,
disse à mídia dinamarquesa o ex-chefe da OTAN Jens Stoltenberg.
Stoltenberg
lembrou que em 2018, durante seu primeiro mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retirar o
país da OTAN.
"Não
é um fato que a OTAN estará sempre presente. Ela não permanecerá
necessariamente nos próximos dez anos", ressaltou.
Nesse
contexto, ele salientou que, durante a primeira presidência de Trump, os Estados Unidos permaneceram na
OTAN, mas isso não se repetirá necessariamente desta vez. Além disso, o
funcionário enfatizou que ninguém pode dizer com certeza qual é a
probabilidade de os EUA se retirarem da OTAN.
No
entanto, Stoltenberg concluiu que, quando o presidente norte-americano faz tais
declarações, elas devem ser levadas a sério. No dia 1º de abril, Trump
anunciou que estava considerando seriamente retirar o país da OTAN, depois que
a aliança se recusou a ajudar Washington em sua operação contra o
Irã.
Ele
chamou a reação dos aliados ao pedido relevante de "mancha indelével"
e ressaltou que os Estados Unidos não precisam da ajuda dos países da
OTAN, que, segundo ele, estão fazendo de tudo para não a fornecer.
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Ataque da Ucrânia atinge estrutura petrolífera ligada aos
EUA, afirma Rússia
Suspensas
as negociações trilaterais para pôr fim às hostilidades, enquanto o mediador,
Estados Unidos, segue afundado em sua agressão contra o Irã, a guerra travada por Rússia e
Ucrânia continua seu curso.
Na
madrugada de 6 de abril, a Rússia atacou com mísseis e drones várias regiões da
Ucrânia, com bombardeios concentrados nas regiões de Dnipropetrovsk e Kharkiv.
No porto de Odessa, um míssil ou fragmento do mesmo atingiu um edifício
residencial, causando a morte de três pessoas e 17 feridos. Os projéteis
russos também caíram sobre a cidade de Sloviansk, o que segundo especialistas
seria parte dos preparativos para um dos pontos-chave da ofensiva das tropas
russas nos próximos meses.
A
Ucrânia, por sua vez, lançou drones contra os portos do território russo de
Krasnodar: Novorossiysk, Anapa, Gelendzhik e Sochi, na costa do mar Negro.
Segundo o governador de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, seis edifícios
multifamiliares e duas casas sofreram danos, resultando em oito pessoas
feridas. “Caíram fragmentos de drones abatidos em algumas empresas”,
acrescentou.
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Guerra de informação por ofensiva contra-petrolífera
Uma das
infraestruturas petrolíferas do porto de Novorossiysk tornou-se, no dia 6 de
abril, o principal alvo dos ataques
ucranianos,
em meio a informações confusas sobre qual instalação foi atingida.
O
Ministério da Defesa russo informou que a Ucrânia atacou instalações do
Consórcio de Gasodutos e Oleodutos do Cáspio. Formado por Rússia (31% das
ações), Cazaquistão (21%) e, o restante, por empresas privadas, entre elas a
estadunidense Chevron (com 15%), o consórcio administra cerca de 80% do
petróleo que o Cazaquistão exporta.
“O
regime de Kiev atacou de forma deliberada as instalações da empresa
internacional de transporte de petróleo, Consórcio de Gasodutos e Oleodutos do
Cáspio, com o objetivo de infligir o máximo dano econômico a seus principais
acionistas: empresas dos Estados Unidos e do Cazaquistão”, indicou a pasta
russa em comunicado. O governo do Cazaquistão assinalou, porém, que “como
resultado do incidente, o volume de exportação de petróleo” cazaque não foi
afetado.
De
acordo com Olga Stefanishina, embaixadora ucraniana em Washington, citada pela
imprensa de seu país, em janeiro passado a Casa Branca pediu a Kiev que não
bombardeasse infraestruturas energéticas onde houvesse “interesses
estadunidenses”.
O
comando militar da Ucrânia sustenta que seus projéteis atingiram o terminal
petrolífero Shejsaris, no mesmo porto de Novorossiysk, que é utilizado pela
empresa russa TransNeft, acompanhando seu relatório com vídeos que mostram um
grande incêndio. Um agente do Serviço de Segurança Ucraniano assegurou à
agência Reuters que seis das sete plataformas do terminal
Shejsaris sofreram danos, assim como o centro do sistema de dutos e a estação
de medição.
Além
disso, o comandante-chefe das forças de aeronaves e navais não tripuladas do
exército ucraniano, Robert Brovdi, afirmou ter atingido a fragata lançadora de
mísseis Almirante Makarov, o navio de guerra russo mais importante na região
desde o afundamento, em abril de 2022, do Moskva, até então o navio-insígnia da
Marinha russa no mar Negro. O Ministério da Defesa não confirmou a informação.
O mesmo
funcionário ucraniano disse que foi destruída uma plataforma marítima de
extração de gás, em um ataque de acordo com a estratégia de Kiev de minar as
capacidades de refino, armazenamento e exportação tanto de gás quanto de
petróleo, que constituem sua principal fonte de receitas para financiar sua
“operação militar especial”.
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Putin oferece ao Irã mediação da Rússia para solução
diplomática com EUA-Israel
Ao
falar por telefone no dia 12 de abril com seu homólogo iraniano, Masoud
Pezeshkian, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, “reiterou a disposição de
Moscou de seguir contribuindo para a busca de uma solução política e
diplomática para o conflito”, provocado pela agressão dos Estados Unidos e de
Israel contra o Irã. Além disso, segundo o comunicado divulgado pelo escritório
de imprensa do Kremlin, o mandatário russo se dispôs a “realizar esforços de
mediação no interesse de estabelecer uma paz justa e duradoura no Oriente
Médio”.
“Com
esse propósito, a Rússia continuará de modo ativo os contatos com todos os seus
parceiros na região”, acrescentou Putin.
Por sua
vez, o presidente do Irã declarou: “Ao comentar as negociações entre Irã e
Estados Unidos que ocorreram em Islamabad em 11 de abril, expressou seu
reconhecimento pela posição de princípios da Rússia, no âmbito internacional,
para alcançar uma desescalada da situação”. Pezeshkian “também agradeceu a
ajuda humanitária concedida pela Rússia ao povo iraniano.”
Os
presidentes “se mostraram favoráveis a continuar fortalecendo todos os aspectos
das relações de boa vizinhança entre Rússia e Irã.”
Pezeshkian
felicitou Putin e todos os cristãos ortodoxos da Rússia, por ocasião da Páscoa,
que foi celebrada na nação russa no dia 12 de abril.
Fonte:
Opera Mundi/Sputnik Brasil/Diálogos do Sul Global

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