Paola
Jochimsen: O Neo-Messianismo - o uso do sagrado pela extrema direita
A
imagem que circula amplamente nas redes sociais de Donald Trump, e que vale a
pena ser descrita com cuidado antes de qualquer análise, porque cada detalhe
dela é um argumento. Trump aparece no centro da composição vestido com túnica
branca e manto vermelho, numa cena de cura miraculosa: um homem doente está
deitado e recebe o toque de suas mãos, das quais emana uma luz dourada. Ao
redor, figuras em posição de reverência, entre elas uma mulher com as mãos
postas em oração, um soldado com o olhar erguido, uma enfermeira. Ao fundo, a
bandeira americana, a Estátua da Liberdade, fogos de artifício, jatos
militares, águias de asas abertas, e no alto, soldados ascendendo ao céu em
glória.
A
composição lembra menos os grandes mestres do barroco católico e mais os
folhetos das Testemunhas de Jeová, aquela luz amarelada irradiando do centro,
as figuras em semicírculo com expressão de êxtase contido, a cena de cura com
toque das mãos, tudo numa estética deliberadamente popular, feita para
convencer e não para contemplar. A mistura de símbolos militares americanos
exala o teor cafona patriótico-religioso e tem sua própria lógica
emocional.
Escrevo
isso como alguém que foi formada no catolicismo e que se tornou ateia com o
passar dos anos, o que talvez me dê um lugar de fala específico nessa
discussão: não olho para a religião de fora sem nunca ter pertencido a ela, mas
de dentro de uma tradição que conheço bem, e é justamente por isso que consigo
identificar o que está sendo distorcido. O que a extrema direita faz com a
linguagem religiosa está longe de ser um ato de fé. Trata-se do uso de símbolos
religiosos vazios de seus valores.
O
messianismo não nasceu com Trump nem com Bolsonaro. No Velho Testamento, a
figura do profeta, de Moisés a Isaías, de Elias a Jeremias, é a do homem
convocado por Deus para uma missão que transcende sua vontade pessoal, que fala
em nome do divino a um povo desorientado, que indica o caminho no deserto. Essa
estrutura narrativa tem uma potência extraordinária porque resolve de uma só
vez vários problemas políticos difíceis: legitima a autoridade do líder sem
necessidade de argumento racional, transforma a obediência em virtude religiosa
e a dissidência em pecado, e oferece ao seguidor não apenas uma causa política,
mas uma identidade espiritual, uma sensação de fazer parte de algo maior, de
estar do lado certo numa “batalha celestial” entre o bem e o mal.
A
extrema direita contemporânea conhece bem essa gramática e a usa com
consciência. O slogan de Bolsonaro, “Brasil acima de tudo, Deus acima de tudo”,
não era uma declaração de fé pessoal, era uma arquitetura política que
posicionava o candidato dentro de uma ordem divina, acima da política comum. O
batismo no Rio Jordão em Israel, a aliança construída com a bancada evangélica,
a presença constante em eventos religiosos, tudo isso compõe uma encenação
cuidadosa que converte o palanque em púlpito. Quando Trump declarou que
sobreviveu ao atentado porque Deus ainda tinha planos para ele, a lógica é a
mesma: se o líder é ungido por Deus, quem o combate está contra o próprio Deus,
e a oposição deixa de ser política para se tornar heresia.
O que
torna esse neo-messianismo particularmente interessante de analisar é a
distância entre o que é evocado e o que é praticado. O Jesus dos Evangelhos,
independentemente de qualquer crença, é uma figura de contornos bastante
específicos: come com os excluídos e os desprezados, defende publicamente a
mulher que seria apedrejada, afirma que é mais fácil um camelo passar pelo
buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, e resume sua
doutrina no amor ao próximo, estendido explicitamente até ao seu inimigo. A
mensagem é de uma radicalidade que as igrejas institucionais passaram séculos
tentando domesticar e agora a extrema direita simplesmente ignora.
O
produto que a extrema direita oferece não é amor, mas a identificação de um
inimigo. O imigrante, o comunista, o globalista, a chamada ideologia de gênero,
o juiz, o jornalista, o intelectual, a lista varia conforme o contexto mas a
estrutura é sempre a mesma: há um inimigo interno que corrompeu o corpo da
nação, e há um líder capaz de expurgá-lo. O messianismo serve precisamente para
sacralizar esse ódio, para transformar o ressentimento em missão divina.
O
fenômeno também não é exclusivamente cristão, o que reforça a ideia de que
estamos diante de uma estrutura política que se veste com qualquer roupa
religiosa disponível. Até mesmo o culto à personalidade soviético tinha uma
dimensão claramente messiânica, com Lenin embalsamado como relíquia sagrada.
Movimentos nacionalistas ao redor do mundo recorrem a figuras proféticas de
suas próprias tradições. O que varia é a iconografia, mas a lógica permanece a
mesma: um povo eleito, uma missão sagrada, um inimigo a ser vencido, e um líder
que encarna tudo isso.
Há algo
de genuinamente tragicômico em tudo isso. Uma das tradições religiosas mais
expansivas da história como o cristianismo, nasceu em teoria como crítica a um
poder estabelecido e tinha na figura do carpinteiro galileu executado pelo
Estado seu símbolo central. Agora tornou-se o verniz ideológico preferido de
bilionários e demagogos. Não é necessário crer em Jesus para reconhecer a
contradição, basta observar os fatos com alguma atenção.
Voltando
à imagem de Trump curando um enfermo, com luz saindo das mãos, cercado de
águias e bandeiras, numa estética extremamente duvidosa e alheia a qualquer
tradição artística séria, temos talvez o documento mais honesto que a extrema
direita produziu nos últimos anos, não sobre aquilo em que crê, mas sobre
aquilo que deseja fazer com os outros.
No fim,
o neo-messianismo da extrema direita não serve para aproximar ninguém de Deus.
Serve para blindar líderes, santificar o poder e converter ressentimento em
devoção. A fé deixa de ser experiência espiritual e se torna outra forma de
controle. E talvez esse seja o aspecto mais sinistro de todos: não se trata de
crença demais, mas de consciência de menos.
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Trump ataca o papa e abre crise com a Itália
Políticos
e setores da Igreja na Itália manifestaram apoio ao papa Leão XIV após os
ataques feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pontífice.
As declarações ofensivas do mandatário provocaram repercussão imediata em Roma
e colocaram a primeira-ministra Giorgia Meloni diante de um cenário delicado,
diante de sua proximidade com o governo estadunidense de extrema-direita e da
relevância do Vaticano no país. As informações são da agência Reuters.
Em
publicação nas redes sociais, Trump classificou o papa como
"terrível" e "fraco", além de criticar suas posições sobre
as agressões dos EUA e de Israel no Oriente Médio. Em resposta, Leão XIV
afirmou que não teme o governo dos Estados Unidos e indicou que continuará
defendendo pautas ligadas à paz, incluindo críticas à guerra envolvendo o Irã e
à política migratória.
Meloni
divulgou nota em apoio ao papa, destacando o papel do líder religioso na
promoção da paz, mas evitou citar diretamente o presidente dos Estados Unidos.
A postura foi interpretada por adversários políticos como uma tentativa de
equilibrar interesses.
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Pressão sobre Meloni
A
omissão de críticas diretas a Trump gerou reação de opositores. O deputado
Angelo Bonelli afirmou estar indignado com a postura da premiê diante do que
classificou como blasfêmia contra o papa e o mundo católico.
Por
outro lado, o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini também se manifestou sobre
o episódio e criticou o ataque ao pontífice. Ele afirmou que Leão XIV é uma
liderança espiritual global e que atacá-lo "não parece sábio nem
útil".
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Críticas e simbolismo histórico
O
episódio reacendeu os debates sobre o impacto político de confrontos com o
papado. O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi afirmou que o ataque representa um
gesto grave e defendeu a importância de proteger a figura do pontífice.
Renzi
declarou que o papa atua como "construtor de pontes", em contraste
com Trump, a quem atribuiu a deterioração de relações internacionais. Ele
também citou um provérbio italiano que sugere consequências negativas para
líderes que enfrentam o papado.
Especialistas
também analisaram o episódio. O historiador Alberto Melloni afirmou que
confrontos desse tipo tendem a se voltar contra líderes políticos ao longo do
tempo. Já o padre Antonio Spadaro avaliou que as críticas ao papa indicam a
relevância de sua atuação no cenário global.
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Líderes europeus criticam falas de Trump contra Leão XIV
A
primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou como
"inaceitáveis" as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump,
sobre o papa Leão XIV. Para ela, "é correto e normal" que o chefe da
Igreja Católica "peça a paz e condene todas as formas de guerra".
As
críticas de Trump foram publicadas nas redes sociais no domingo (12), quando
líder estadunidense afirmou não apoiar um papa que considere aceitável que
o Irã possua armas nucleares. O líder da Igreja Católica já havia se
posicionado contra o conflito envolvendo o país, defendendo o fim da violência.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez,
também reagiu, afirmando que, enquanto há quem incentive conflitos, o papa
promove a paz. Ele ainda declarou que será uma honra receber o pontífice no
país nas próximas semanas.
Após as
acusações, o pontífice rebateu as declarações e enfatizou que não fazia um
ataque direto contra o presidente norte-americano. Leão XIV também
acrescentou não ter "medo do governo Trump".
"Lamento
ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo
hoje. Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as
pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a
buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível", afirmou Leão à
agência de notícias Associated Press.
A Confederação Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB) também
manifestou apoio ao pontífice sobre a posição em relação ao conflito no Oriente
Médio. Para a entidade católica, o papa Leão XIV "não se oriente pela
lógica do confronto político, mas pela fidelidade ao Evangelho", além de
defender a paz e o diálogo entre os povos.
"Nesse
espírito, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil une-se a Sua Santidade,
Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a unidade em torno desses valores
evangélicos que iluminam a consciência cristã e sustentam a esperança da
humanidade", afirmou em nota.
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'Postura corajosa', diz líder do parlamento iraniano
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher
Ghalibaf, também se manifestou sobre as críticas de Trump e elogiou a
"postura corajosa" do Papa Leão XIV.
"Isso
ecoa enquanto ele condena os crimes de guerra de Israel e dos EUA. Esse lema
ilumina o caminho de todos que se recusam a permanecer em silêncio diante da
morte de inocentes. Sua liderança inspira milhões, obrigado por essa
luz", disse nas redes
sociais.
Em
janeiro, dias após o ataque a invasão dos Estados Unidos contra a Venezuela, o
líder católico manifestou preocupação com a crise. Durante a oração do
Angelus, na Praça de São Pedro, em Roma, Leão XIV defendeu que a soberania
venezuelana deve ser respeitada e que o bem-estar da população precisa
prevalecer sobre interesses externos e atos de violência.
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Trump publica imagem em que aparece como Jesus Cristo
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem nas redes
sociais em que aparece representado como Jesus Cristo, poucos minutos após
fazer críticas ao papa Leão XIV. A montagem, com forte simbologia religiosa e
militar, foi divulgada após o pontífice realizar uma oração pela paz mundial na
Basílica de São Pedro.
Antes
de compartilhar a ilustração, Trump criticou o papa Leão XIV, afirmando não ser
“grande fã” do líder religioso. “Ele é uma pessoa muito liberal, e é um homem
que não acredita em parar o crime”, declarou o presidente norte-americano.
Na
imagem publicada, Trump surge vestindo uma túnica nas cores vermelha e branca,
em uma cena que remete à iconografia cristã. Ele aparece realizando um gesto de
cura em uma pessoa, enquanto, ao fundo, soldados flutuam no céu como se fossem
anjos. A composição também inclui elementos simbólicos como águias, aviões de
guerra, uma criança em oração, uma enfermeira, além da bandeira dos Estados
Unidos e da Estátua da Liberdade.
A
publicação ocorreu logo após o papa Leão XIV conduzir uma oração do terço pela
paz global, no sábado (12), na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A sequência
de declarações e a divulgação da montagem chamaram atenção pela combinação de
críticas religiosas e representação simbólica do próprio presidente em um papel
associado à figura de Cristo.
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Após enxurrada de críticas, Trump apaga imagem de IA em
que aparecia como Jesus
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apagou uma imagem gerada por
inteligência artificial após uma onda de críticas emn funççai de associar a sua
pessoa a uma representação religiosa. O conteúdo provocou reações de aliados,
adversários políticos e figuras do movimento conservador, levando à exclusão do
post nas redes sociais.
De
acordo com o G1, a retirada da
imagem foi confirmada pela imprensa estadunidensena tarde desta segunda-feira.
Questionado sobre o caso, Trump negou que a montagem tivesse conotação
religiosa. “Não era uma representação disso. Eu publiquei, e achei que era eu
como médico. Tinha a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz
Vermelha, que nós apoiamos — e só a imprensa falsa poderia inventar essa
interpretação”, afirmou.
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Imagem gerada por IA gerou controvérsia
Na
ilustração, Trump aparecia vestindo uma túnica branca, semelhante à forma como
Jesus é tradicionalmente retratado, enquanto abençoava um homem doente. O
cenário incluía elementos simbólicos como a bandeira dos Estados Unidos, a
Estátua da Liberdade, aviões de guerra, aves e figuras que remetiam a
divindades.
A
repercussão foi imediata e atingiu diferentes setores. O jornalista Aaron
Blake, da CNN Internacional, destacou que “até mesmo alguns aliados de Trump
classificaram [a imagem] como blasfêmia”.
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Críticas vieram até da base conservadora
Entre
as reações mais duras, a ex-deputada Marjorie Taylor Greene afirmou que a
imagem “é mais do que blasfêmia, é o espírito do anticristo”. Outras figuras
influentes do conservadorismo, como Joey Jones, Brilyn Hollyhand e Riley
Gaines, também criticaram a publicação.
No
campo político, o deputado Jim McGovern repudiou a postagem nas redes sociais.
Já o governador da Califórnia, Gavin Newsom, comentou a exclusão do conteúdo
com a frase: “Agora delete sua presidência”.
<><>Aliados
saem em defesa de Trump
A
influenciadora Laura Loomer, que atua como conselheira, minimizou a
controvérsia ao declarar que “pessoas surtando por causa de um meme precisam se
acalmar”.
Até a
última atualização, a Casa Branca não havia se manifestado oficialmente sobre o
episódio.
A
polêmica ocorre em um contexto de forte apoio religioso ao presidente. Trump
conquistou ampla maioria entre eleitores cristãos nas eleições de 2024 e
ampliou sua base entre católicos, segundo análise do cientista político Ryan
Burge. Após sobreviver a uma tentativa de assassinato em julho daquele ano,
parte de seus apoiadores interpretou o episódio como um sinal de proteção
divina.
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Ataques ao papa
Em
publicação nas redes sociais, neste final de semana, Trump classificou o papa
Leão XIV como "terrível" e "fraco", além de criticar suas
posições sobre as agressões dos EUA e de Israel no Oriente Médio. Em resposta,
Leão XIV afirmou que não teme o governo dos Estados Unidos e indicou que
continuará defendendo pautas ligadas à paz, incluindo críticas à guerra
envolvendo o Irã e à política migratória.
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"Não tenho medo do governo Trump", rebate Papa
Leão XIV
O Papa
Leão XIV respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
afirmando que não teme o governo norte-americano e que seguirá defendendo a paz
e o diálogo internacional, destacando que sua missão está centrada nos valores
do Evangelho e não em disputas políticas. A declaração foi feita durante voo
para a Argélia.
O
pontífice falou a jornalistas enquanto se deslocava de Roma para a África e
reagiu diretamente às críticas feitas por Trump em uma publicação nas redes
sociais. O presidente norte-americano havia classificado o Papa como “liberal
demais” e questionado sua atuação.
Durante
a conversa com a imprensa, Leão XIV foi enfático ao afirmar: “Não tenho medo do
governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que
acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer”.
Ele também ressaltou a diferença entre o papel da Igreja e o da política
institucional: “Não somos políticos, não lidamos com assuntos externos sob a
mesma perspectiva que ele pode compreender, mas acredito na mensagem do
Evangelho como promotor da paz”.
O Papa
também evitou ampliar o confronto direto com o líder americano. Em declaração à
agência Reuters, afirmou: “Não quero entrar em um debate com ele”. Na mesma
linha, criticou o uso indevido da mensagem cristã: “Não acredito que a mensagem
do Evangelho deva ser usada de forma indevida como algumas pessoas estão
fazendo”.
Reforçando
seu posicionamento, Leão XIV destacou que continuará atuando contra conflitos
armados e em defesa da cooperação internacional. “Vou continuar me posicionando
de forma firme contra a guerra, buscando promover a paz, incentivando o diálogo
e relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para
os problemas”, disse.
Ao
abordar o cenário global, o pontífice chamou atenção para o sofrimento causado
por guerras: “Muitas pessoas estão sofrendo no mundo hoje. Muitas pessoas
inocentes estão sendo mortas. E acredito que alguém precisa se levantar e dizer
que há um caminho melhor”
Ele
concluiu reafirmando a essência de sua atuação religiosa: “A mensagem da
Igreja, a minha mensagem, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os
pacificadores. Não vejo meu papel como político, como um homem político”.
As
declarações do Papa ocorrem após críticas públicas de Donald Trump. Em postagem
na rede Truth Social, o presidente afirmou que Leão XIV deveria ser “grato” por
sua eleição e sugeriu que sua escolha teria sido influenciada pela
nacionalidade americana. Trump também declarou a jornalistas que “não é um
grande fã” do pontífice, classificando-o como “muito liberal” e questionando
suas posições sobre segurança e política internacional.
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CNBB defende papa Leão XIV após críticas de Trump
A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) saiu em defesa do papa Leão
XIV após críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ressaltando
que o pontífice atua guiado pela promoção da paz, da dignidade humana e do
diálogo entre os povos. A entidade também reforçou sua comunhão com o líder da
Igreja Católica em meio à repercussão das declarações.
Em nota
oficial, assinada pelo presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, e outros
integrantes da entidade, os bispos destacaram que a autoridade do papa “não se
orienta pela lógica do confronto político”, mas pela fidelidade ao Evangelho.
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Críticas de Trump ao papa
As
declarações da CNBB foram motivadas por críticas feitas por Donald Trump ao
pontífice. Em publicação nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos
classificou Leão XIV como “fraco” e questionou suas posições em temas
internacionais.
“O papa
Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (...) Eu não
quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um
papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não
quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, afirmou Trump.
Não há
registros de que o papa tenha defendido a posse de armas nucleares pelo Irã,
como sugerido pelo presidente estadunidense.
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Resposta do papa e atuação internacional
Diante
das críticas, o papa Leão XIV evitou o confronto direto e reiterou seu
posicionamento. “Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um
debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz”, declarou.
Nos últimos dias, o pontífice tem intensificado apelos por cessar-fogo em
diferentes regiões do mundo, incluindo conflitos no Oriente Médio e guerras em
países como Líbano, Ucrânia e Sudão.
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Nota da CNBB reforça unidade
Na
manifestação oficial, a CNBB reiterou apoio ao papa e destacou valores
considerados centrais pela Igreja Católica. “A Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil une-se a Sua Santidade, Papa Leão XIV, reafirmando a comunhão e a
unidade em torno desses valores evangélicos que iluminam a consciência cristã e
sustentam a esperança da humanidade”, afirma o texto.
Fonte:
Brasil 247/Sputnik Brasil

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