O
dilema de Donald Trump no Irã
O
presente ensaio reflete sobre o dilema estratégico dos Estados Unidos na guerra
contra o Irã a partir da constatação de que o recurso à força militar, embora
taticamente eficaz na destruição de alvos, não assegura por si só a obtenção de
resultados duradouros e não converte superioridade militar em ganhos
geopolíticos. O argumento central sustenta que a entrada americana no conflito
decorreu de uma combinação entre erro de avaliação estratégica, confiança
excessiva no poder aéreo e pressão política vinculada tanto à aliança com
Israel quanto à dinâmica interna de Washington.
A
reflexão desenvolvida mobiliza autores como Robert Pape e John Mearsheimer para
sustentar que a superioridade aérea e a destruição seletiva de alvos encontram
limites severos quando não são acompanhadas de objetivos políticos claros e de
capacidade de transformação efetiva da realidade estratégica.
Nessa
linha, o texto argumenta que a campanha americana reproduz uma lógica
recorrente de sedução pelo uso da força, marcada pela expectativa de obtenção
de ganhos rápidos por meio de bombardeios, ações cirúrgicas e pressão militar
escalonada. Uma vez frustrada a promessa de vitória rápida, a guerra tende a
adquirir dinâmica própria, alimentando a chamada armadilha da escalada, além de
se tornar cada vez mais custosa dificultar a possibilidade de encerramento das
hostilidades.
O
ensaio sugere que os Estados Unidos se encontram diante de uma encruzilhada
estratégica. De um lado, a retirada sem solução para problemas como a segurança
da navegação no Estreito de Ormuz implicaria custos de prestígio e de
credibilidade internacional. De outro, a abertura de uma campanha terrestre
aprofundaria a intervenção e lançaria Washington em uma guerra prolongada, um
atoleiro estratégico de elevado custo humano, material e político.
O texto
conclui que a guerra já produz pressões que ultrapassam a decisão inicial de
iniciá-la e que, sem definição precisa dos objetivos estratégicos a serem
alcançados, a escalada militar tende a ampliar a distância entre os objetivos
inicialmente pretendidos e um possível fracasso estratégico.
Para
compreender a guerra que os Estados Unidos e Israel empreendem contra o Irã, a
primeira questão consiste em entender por que esses dois Estados decidiram
atacá-lo. A resposta comporta diferentes interpretações e, por envolver
diversos atores, interesses e níveis de análise, não pode ser reduzida a uma
simples causa sem que se incorra em grave reducionismo.
Esse
ponto inicial é importante porque permite reconhecer que Estados Unidos e
Israel não entraram nessa guerra exatamente pelos mesmos motivos, e mesmo que
se reconheçam convergências estratégicas entre ambos, existem objetivos
distintos, vinculados às suas posições, percepções de ameaça e cálculos
políticos próprios.
Pensar
nas causas da guerra nos permite refletir para até onde ela pode ir e imaginar
até onde os atores envolvidos podem estar dispostos a chegar, e quanta dor
estão dispostos a aguentar. Um ponto central da teoria de Carl von Clausewitz –
para quem a guerra é um confronto de sociedades; e que, em última análise, a
lei moral é a que define a guerra, posto que é a manutenção da disposição de
lutar que é determinante para a vitória – consiste na ideia de que a
intensidade e o esforço empregados na guerra devem guardar proporção com o
valor do objetivo político perseguido, condicionando, em última instância, a
própria decisão de ir ou não à guerra.
Provavelmente
Donald Trump jamais tenha estudado Carl von Clausewitz e, a julgar pelas poucas
luzes de seu Secretário de Guerra, não parece haver grande apreço pelos estudos
estratégicos no núcleo mais próximo ao dirigente americano. Independentemente
disso, a posição de Donald Trump faz com que suas decisões produzam
consequências graves sobre a política internacional. Dada sua inclinação para
decisões fortemente personalistas e a oscilação de declarações, o risco é de
que o emprego da força passe a obedecer menos a uma estratégia coerente do que
à tentativa de preservar sua autoridade política e aparência de controle.
Mohammed
Ayoob (2026) sustenta que a decisão de Donald Trump decorreu de uma grave
incompreensão dos interesses americanos no Oriente Médio, porque o presidente
acreditava que o uso da força militar traria uma solução rápida, de sorte que o
ataque foi empreendido primordialmente por um erro de avaliação. Como Robert
Pape (2004) salienta, especialmente o poder aéreo exerce uma lógica sedutora,
porque promete guerras rápidas, com baixo custo humano para quem ataca e com
grande capacidade de infligir danos ao adversário. Porém, o limite do poder
aéreo emerge quando a superioridade da mesma destrói alvos, mas não consegue
transformar esses efeitos em ganhos políticos, momento em que o êxito tático
pode coexistir com fracasso estratégico, como explica Pape.
Nesse
mesmo sentido, Stanley McChrystal (2026) – general da reserva dos Estados
Unidos, ex-comandante das forças americanas no Afeganistão, que também serviu
no Iraque – conserva uma perspectiva crítica acerca das seduções do uso do
poder militar como promessa de solução relativamente fácil para problemas
estratégicos complexos. McChrystal (2026) destaca três grandes seduções do uso
da força, a saber, a ação encoberta – realizada por ações de inteligências,
espionagem ou operações psicológicas – , a operação de forças especiais e o
poder aéreo – incluindo o emprego de munições guiadas de precisão lançados de
outros modais –, porque todas elas oferecem a expectativa de atingir objetivos
militares relevantes sem o dispêndio de grandes contingentes de tropas.
O
problema, para McChrystal (2026), consiste no fato de que tais expedientes
podem até produzir danos importantes ao inimigo, mas não se mostram eficazes
quando este conserva disposição moral para prosseguir lutando. Nessas
circunstâncias, a decapitação, a intimidação e a destruição seletiva de alvos
encontram limites severos, sobretudo porque não bastam para consolidar
objetivos políticos mais amplos.
Como
exemplo, McChrystal (2026) destaca que no Iraque, foi possível bombardear e até
derrubar o governo com relativa facilidade, sem que isso tivesse significado a
transformação direta da realidade do controle do território. De modo
semelhante, afirma que, no Afeganistão, o bombardeio não produziu a submissão
do inimigo, mas contribuiu para ampliar a oposição aos americanos, e, como se
sabe, causou o envolvimento de milhares de tropas por quase vinte anos,
resultando em um fracasso estratégico depois de todo esforço.
De modo
semelhante, Mearsheimer (2001) enfatiza o primado do poder terrestre e das
capacidades militares convencionais para se conquistar o controle do território
e da população – isto é o controle social do inimigo –, condição central para
alterar de modo duradouro uma determinada realidade e se atingir objetivos
políticos e estratégicos, algo que não se obtém por meio de ações seletivas e
ataques de precisão. Mearsheimer (2001), inclusive, dedicou parte importante de
seu livro mais famoso, The Tragedy of Great Powers Politcs, para
evidenciar os limites do poder aéreo e do bombardeio estratégico.
Essa
perspectiva torna mais evidente que a condução da estratégia militar americana
é gravemente problemática, porque reincide em expedientes que prometem rapidez,
baixo custo e precisão, mas que, na prática, tendem a produzir custos
cumulativos, agravar problemas já existentes e favorecer um envolvimento
militar progressivo. O general Wesley Clark (2026), ao seu turno, adverte que,
quanto mais tempo um conflito dura, mais difícil se torna sair dele, fazendo
com que a escalada militar adquira dinâmica própria.
De modo
semelhante, Robert Pape (1996, 2004, 2026) traz acerca dos limites do poder
aéreo isolado, que raramente produz colapso político no inimigo, que
estratégias de decapitação não se mostraram eficazes e mesmo as munições
guiadas de precisão não suprimiram esse limite. Isso leva ao que Pape (2026)
chama de “armadilha da escalada”, que ocorre quando a fratura esperada do
adversário não ocorre, de modo que a decisão natural é de ampliar a lista de
alvos, elevar o ritmo dos ataques e o volume do gasto de munições, o que torna
as opções mais custosas recorrentes e gera o prolongamento da guerra, num ciclo
retroalimentado pela intenção de atingir os objetivos pensados na aposta
inicial, que propunha resultado estratégicos rápidos a partir de ações
cirúrgicas.
A noção
de buscar um resultado estratégico de forma rápida também pode ter sido
fortalecida pelos sucessos militares mais recentes dos EUA, como a percepção de
que operações militares rápidas e circunscritas poderiam produzir ganhos
estratégicos relevantes. Como destaca Fontaine (2026), parece ter sido
reforçada, no entorno decisório de Donald Trump, tanto pelo bombardeio ao
programa nuclear iraniano em 2025, quanto pela captura de Nicolás Maduro, de
modo que esses antecedentes favoreceram maior disposição ao recurso renovado à
força.
A
estratégia americana sob Donald Trump parece retomar, sob novas condições,
traços centrais da política externa estadunidense do período Bush,
especialmente em um quadro de exercício unilateral do poder, de relativo
afastamento das instâncias multilaterais e de uso recorrente da presença
militar no Oriente Médio como instrumento de contenção regional.
Conforme
Trizotto (2018, p. 22-24), esses elementos podem ser compreendidos a partir da
Doutrina Wolfowitz, voltada à projeção de força para impedir o surgimento de
novos pólos de poder no Sistema Internacional, sob a justificativa da promoção
da democracia e do liberalismo. Sob Donald Trump, esse unilateralismo reaparece
de forma ressignificada, adquirindo nova inflexão por meio de uma postura de
coação sobre aliados e de um reposicionamento estratégico baseado de modo mais
direto na projeção de força militar. Essa orientação se expressa em ataques
preventivos, na destruição seletiva de alvos e no emprego do bombardeio
estratégico como forma de testar os limites do poder aéreo na obtenção de
ganhos geopolíticos.
Parece
razoável supor que Donald Trump não imaginava que, após um mês de guerra,
marcado por constantes bombardeios e pela destruição sistemática de alvos
iranianos, se encontraria diante da situação em que agora se encontra, isto é,
em grave encruzilhada entre admitir o fracasso estratégico de seu intento –
recorrendo à invenção de alguma narrativa fantasiosa que possa ser apresentada
como vitória – ou insistir em uma campanha militar que se encaminha para um
atoleiro, com o perigoso potencial de se converter em guerra prolongada e de
desencadear uma crise na economia mundial sem precedentes neste século.
Do
ponto de vista estritamente militar, o Irã não dispõe de meios para derrotar os
Estados Unidos em confronto direto. Não há nenhuma surpresa em constatar que a
assimetria de capacidades militares é elevada, e isso ajuda a explicar por que
os americanos têm obtido resultados militares consistentes e conseguido golpear
alvos iranianos com relativa facilidade, demonstrando notável capacidade na
destruição de múltiplos alvos (Amoah; Bazilian; Matisek, 2026). De modo
semelhante, o prolongamento da ofensiva aérea poderá, inclusive, degradar de
forma ainda mais severa as capacidades militares iranianas e energéticas, a
ponto de, em algum momento, surgir a avaliação de que os objetivos militares
compensadores já teriam sido atingidos.
Entretanto,
o que parece estar no centro do dilema estratégico americano é a navegação pelo
Estreito de Ormuz, que interconecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e
constitui um ponto de estrangulamento essencial para as rotas comerciais que
atravessam a região. A posição geográfica do Irã em relação ao estreito lhe
confere capacidade direta de ameaçar a navegação, seja por meio de mísseis,
drones, minas ou ataques a embarcações em trânsito. Ainda que se possa
questionar a real capacidade de Teerã de impor um bloqueio absoluto e
duradouro, a mera possibilidade de que ocorram ataques e uma embarcação seja
atingida já basta para elevar drasticamente o risco da navegação e produzir
efeitos econômicos imediatos.
Sem um
acordo entre Teerã e Washington sobre Ormuz, dificilmente restará uma
alternativa aos Estados Unidos que não desobstruir o Estreito com o uso de
força militar, e isso não será nem fácil, nem rápido (Betts; Bidlle, 2026).
Ademais, o prolongamento da guerra corrói essa margem de escolha (Clark, 2026),
dado que enquanto o estreito permanece sob ameaça, a economia mundial continua
pressionada.
Além
disso, quando o poder aéreo já não converte destruição em solução, e existe uma
clara necessidade estratégica inegociável, a lógica da guerra tende a demandar
ainda mais ações militares. E é nesse ponto que a guerra já não é travada
apenas porque Washington decidiu iniciá-la, mas porque passa a própria guerra
produzir problemas estratégicos novos que exigem novas respostas.
As
consequências de um fracasso estratégico americano implicarão numa indubitável
perda de prestígios dos Estados Unidos no Sistema Internacional, o que pode
fazer com que os americanos adotem uma postura ainda mais coercitiva sobre seus
aliados e ainda mais agressiva nas Américas, tornando ações militares como a
invasão à Cuba ou intervenções militares na América do Sul hipótese críveis, o
que seria demasiadamente prejudicial para a estabilidade sul-americana.
Acrescente-se que a retirada estratégica do Oriente Médio implicaria na
continuação da instabilidade na economia, especialmente no aumento do preço do
barril do petróleo, que poderia até mesmo permitir uma rápida recuperação da
economia iraniana e fortalecimento da Rússia.
Os
Estados Unidos se encontram em um momento decisivo da guerra, marcado pela
necessidade de decidir sobre o eventual emprego de tropas no terreno, ou “boots
on the ground”. Outrossim, com base em análises como as de Robert Pape e
John Mearsheimer, sustenta-se que os Estados Unidos chegaram a um ponto em que
não obtiveram ganhos decisivos e que a insistência no prolongamento do conflito
pode produzir consequências negativas de tal magnitude que afetariam a sua
posição como potência hegemônica.
Dessa
forma, é razoável afirmar que sem a consolidação dos objetivos por tropas
terrestres, quaisquer eventuais ganhos militares dificilmente seriam
transformados em ganhos estratégicos ou em efeitos políticos duradouros, e
mesmo com uma campanha terrestre exitosa, é muito difícil sustentar que esses
objetivos compensariam possíveis perdas de soldados e os outros custos.
Outro
aspecto a ser considerado diz respeito à forma como as populações dos Estados
Unidos e do Irã percebem essa guerra. Por exemplo, ao tomar por base a noção da
trindade clausewitziana, segundo a qual a guerra envolve a sinergia entre
Estado, população e forças armadas (Clausewitz, 1976), a compreensão da
disposição de uma sociedade em suportar os custos humanos e os efeitos
econômicos de um conflito é decisiva para avaliar os objetivos políticos e
estratégicos.
Dessa
maneira, pondo em contraste a sociedade norte-americana e a iraniana, é muito
claro que existem limiares bastante distintos de tolerância aos custos da
guerra, sobretudo diante da possibilidade de um conflito incerto e prolongado.
Tal diferença repercute diretamente tanto na disposição moral dos soldados para
continuar combatendo quanto na própria estabilidade do governo para sustentar a
persecução de seus objetivos militares, especialmente em uma guerra que não
conta com o amplo apoio da população americana (Lange, 2026).
A
guerra, nessa perspectiva, não deve ser reduzida ao confronto material entre
forças armadas, – embora as capacidades materiais, o nível tecnológico dos
armamentos, os sistemas de armas e as plataformas militares tenham importância
evidente – a dimensão humana permanece fundamental para a percepção da
relevância estratégica do conflito. Assim, fica claro que, na sociedade e
conjuntura atual norte-americana, a perda de vidas humanas em um conflito
incerto como esse traria imensas consequências para a sociedade do país e para
a sustentabilidade do governo de Donald Trump (Lange, 2026), comprometendo, em
larga medida, a capacidade de se suportar os custos de uma guerra prolongada
sem comprometer sua coesão interna.
Por
essa razão, a opinião pública assume peso decisivo na condução do conflito,
principalmente após a Guerra do Vietnã (1959-1975), pois interfere tanto na
legitimidade política da guerra quanto nas condições efetivas de sua
continuidade.
Ademais,
a própria disposição dos soldados norte-americanos em combater e em aceitar o
risco de morte inerente ao conflito constitui um fator que não pode ser
negligenciado, sobretudo quando a guerra não apresenta objetivos estratégicos
suficientemente claros. Sob esse aspecto, o conflito atual guarda comparações
relevantes com as campanhas do Afeganistão, do Iraque e do Vietnã, nas quais
muitos veteranos – que inclusive ocupam postos de liderança atualmente –
passaram a criticar a atuação militar e a sustentar a percepção de que seu
sacrifício individual ocorreu em pró de uma guerra vazia.
Essa
percepção traz a ideia de que tais conflitos não produziram ganhos estratégicos
para os Estados Unidos, tampouco contribuíram para uma melhora efetiva da
situação do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que implicaram custos humanos de
grande magnitude, com muitas mortes, danos duradouros à integridade física dos
combatentes e graves comprometimentos psicológicos decorrentes da experiência
combatente.
Uma
campanha terrestre escalará o conflito para um patamar muito perigoso, e
provavelmente faria com que a guerra se estendesse por um período que pode ser
insuportável para a economia mundial. A própria geografia montanhosa e
acidentada do Irã favorece fortemente a defesa e cria condições particularmente
propícias para formas de guerra irregular e assimétrica, circunstância que
tende a beneficiar o ator defensor já estabelecido no terreno, demandando uma
campanha demorada e com grande emprego de tropas, vide a Guerra do Vietnã.
Barbara
Tuchman (1984) nominou essa (i)lógica da escalada e da voragem da guerra como “Marcha
da Insensatez”, descrevendo a dinâmica de prolongamento dos conflitos. A
voragem da guerra, já explicada por Clausewitz (1976), também é sustentada por
Mearsheimer (2025), que enfatiza que a lógica militar não se confunde com a
lógica da política internacional, pois uma vez iniciado o conflito, os
objetivos estratégicos passam a ser perseguidos com relativa autonomia, no
interior de estruturas militares fundadas na hierarquia e na disciplina.
Nesse
sentido, a decisão de escalada na guerra, especialmente a decisão de empregar
ou não tropas terrestres parece ainda permanecer em aberto, mas ela só poderia
ser considerada estrategicamente oportuna se os Estados Unidos tivessem clareza
quanto aos objetivos estratégicos e eles constituíssem uma necessidade
incontornável. Até onde é dado saber ao público geral, tais objetivos não são
claros e nem se trata de uma guerra para garantir uma necessidade vital ao
interesse estratégico americano.
Assim,
sem uma definição precisa do que se pretende alcançar, torna-se impossível
avaliar se o emprego de forças no terreno é admissível, proporcional e
politicamente compensador. O fato de que essas decisões estejam sendo tratadas
de forma altamente centralizada, sem debate adequado e sem um fluxo minimamente
transparente de informações, é particularmente preocupante, ainda mais
considerado o histórico recente do governo de Donald Trump.
Isso é
ainda mais relevante para aqueles que se envolvem diretamente nos combates, já
que a clareza sobre os objetivos da guerra e sobre as razões do sacrifício
exigido constituem elemento fundamental de sustentação moral da guerra,
especialmente quando ela implica o sacrifício de vidas.
Sair da
guerra neste momento certamente não será fácil para os Estados Unidos, que se
veem entre a escalada militar e a retirada estratégica. Mesmo que os custos não
sejam desprezíveis, o que importa é que essa possibilidade ainda existe, embora
se torne mais difícil à medida que o Irã impõe mais custos e a voragem da
guerra se torna mais forte. Por certo, a retirada americana da conflagração sem
a abertura do Estreito de Ormuz implicará grave perda de prestígio por parte
dos Estados Unidos, com consequências que não devem ser menosprezadas a sua
condição de potência hegemônica.
Por
outro lado, a abertura de uma campanha terrestre colocaria Washington sob a
lógica própria da escalada e lhe comprometeria de forma definitiva em uma
guerra prolongada, empurrando-o para um atoleiro estratégico de custos humanos,
materiais e políticos potencialmente elevados.
Uma vez
iniciado esse movimento, a guerra tenderá a produzir novas exigências
militares, novas pressões por aprofundamento da intervenção e novas
dificuldades de recuo. Em tal hipótese, esses custos só poderiam ser
considerados aceitáveis diante de objetivos compensatórios e claramente
definidos, o que, até o momento, não parece ser o caso.
Fonte: Por Fernando Martini e Helena
Magnabosco Camillo, em A Terra é Redonda

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