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contribuições da milenar cultura persa para nossa vida cotidiana
"O
mundo persa é responsável por muitas das ideias que temos no Ocidente",
afirma o professor José Cutillas, que estudou e lecionou no Irã.
"Do
nosso ponto de vista, achamos que tudo é eurocêntrico, que tudo tem sua origem
no mundo greco-latino e que ali se deu o pontapé de saída de todas as
ideias", explica o professor de Língua Persa e Cultura Iraniana da
Universidade de Alicante, na Espanha.
Mas, no
período persa pré-islâmico, surgiram conceitos aos quais "estamos muito
acostumados. Existe uma infinidade de elementos provenientes desse mundo dos
quais nos apropriamos".
Quando
estudamos como as sociedades europeias foram se estruturando em nível político
e administrativo, por exemplo, encontramos características claramente
estabelecidas no gigantesco Império Persa aquemênida (550 a.C-330 a.C.).
No
setor religioso, o monoteísmo estava presente no antigo Irã há cerca de 3,5 mil
anos, quando Zaratustra fundou o zoroastrismo.
"Os
conceitos de anjos, profetas, encontramos no zoroastrismo", segundo o
acadêmico, da mesma forma que de céu e inferno.
Para o
historiador Tom Holland, "a Pérsia é, pelo menos, tão influente na
história mundial quanto Atenas, se não mais".
O
escritor participou da palestra intitulada What Have the Persians Ever Done For
Us? ("O que os persas já fizeram por nós?", em tradução livre),
organizada pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de
Londres e pela Sociedade Iraniana britânica.
Ele
contou que o historiador grego Heródoto (485 a.C.- 425 a.C.), conhecido como o
pai da história no Ocidente, era admirador dos persas.
"Ele
tem uma frase famosa que diz que os persas ensinam três coisas: disparar com o
arco, montar a cavalo e dizer a verdade".
Para os
reis do Império Persa, a verdade estava imersa em "uma grande batalha
cósmica" contra a mentira, como a luz contra a escuridão, o bem contra o
mal.
Prepare-se
para uma viagem fascinante pela Pérsia, antes e depois do Islã, com oito
contribuições da sua cultura milenar.
1.
Vestir calças
Entre 5
mil e 2 mil anos atrás, homens de diferentes civilizações vestiam saias:
sumérios, assírios e gregos, segundo o Instituto Arqueológico Alemão no
documentário The Invention of the Trousers ("A invenção das calças",
em tradução livre).
Os
romanos, por exemplo, iam para a guerra com as pernas descobertas e uma túnica.
Definir
exatamente onde e quando foram inventadas as calças é algo extremamente
complexo.
Mas
muitos especialistas acreditam que povos nômades se envolveram no seu
desenvolvimento, como os citas, de origem iraniana, que floresceram nas estepes
euroasiáticas.
"Perto
do ano 600 a.C., na arte grega, as calças se tornaram símbolos dos arqueiros
estrangeiros, especialmente citas, persas e amazonas", escreveu Adrienne
Mayor no artigo Who Invented Trousers? ("Quem inventou as calças?",
em tradução livre), publicado pela revista Natural History.
Vasos
gregos mostram guerreiras e a maioria delas "veste túnicas e calças
similares às dos homens citas", destaca a historiadora.
Segundo
o Museu Arqueológico da Grécia, Heródoto contou que os persas "usavam
gorros soltos na cabeça", túnicas com mangas e "calças".
Eles
usavam calças devido à sua ascendência, segundo o professor Lloyd
Llewellyn-Jones, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, no vídeo do Museu
Britânico Persia and Greece — Objects in Focus: Oxus Treasure Figures
("Pérsia e Grécia — objetos em foco: figuras do tesouro de Oxus", em
tradução livre).
"Os
persas são originários das estepes da Eurásia e eram nômades, que montavam a
cavalo", explica o professor.
Esta
atividade era fundamental na sua vida. E, para proteger o corpo e para
comodidade ao percorrer longas distâncias, eles vestiam calças.
É muito
possível que os persas tenham ajudado a propagar esta peça de roupa.
Em
persa, existe uma palavra que significa "cobertura de pernas": pā[y]ǧāme.
Segundo
o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o dicionário de espanhol da Real
Academia Espanhola (RAE), dessa palavra saiu outra em hindi, pā[e]ǧāma, e, dela, outra em
inglês e francês: pyjamas.
No
sentido de "roupa para dormir", pyjamas se popularizou no final do
século 19, quando os britânicos viram os habitantes da Índia vestirem blusas e
calças folgadas.
E foi
daí que surgiu em português e espanhol a palavra "pijama".
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2. A 'primeira' declaração sobre o direito dos povos de viverem em liberdade
Em
setembro do ano passado, durante uma conferência da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi apresentada uma
iniciativa para fomentar os princípios apresentados em um objeto de mais de 2,5
mil anos atrás.
Conhecido
como o Cilindro de Ciro, trata-se de uma peça de argila onde foram gravadas, em
escrita cuneiforme, as reformas de um rei persa que "muitos especialistas
consideram a primeira declaração dos direitos humanos conhecida".
O ano
era 539 a.C. E Ciro, o Grande (c.600 a.C.-530 a.C.), acabava de conquistar a
Babilônia e viria a liderar o primeiro grande império mundial.
Ciro
não só deu a liberdade aos cativos escravizados, como também permitiu que eles
voltassem às suas terras. Ele respeitou as tradições e religiões de dezenas de
comunidades étnicas.
O
ex-diretor do Museu Britânico Neil MacGregor recorda, na palestra TED Talk 2600
Years of History in One Object ("2600 anos de história em um objeto",
em tradução livre), que a entrada de Ciro "sem luta" em Babilônia foi
"um grande momento da história do povo judeu".
Graças
ao rei persa, os judeus puderam regressar a Jerusalém, que havia sido saqueada
pelos babilônios.
O
império liderado por Ciro foi "o primeiro Estado multicultural e
multirreligioso em larga escala", uma potência que atingiu 200 anos de
estabilidade.
O
legado de Ciro chegou à Europa, onde foi tomado como exemplo.
O
historiador grego Xenofonte (c.430 a.C.-354 a.C.) escreveu um livro sobre Ciro,
que "foi um dos grandes textos que inspiraram os pais fundadores da
revolução americana", conta MacGregor.
"Este
objeto é uma das grandes declarações da aspiração humana. Ele aparece na
Constituição dos Estados Unidos. Sem dúvida, ele diz muito mais sobre as
liberdades reais do que a Magna Carta", assinada pelo rei João da
Inglaterra, em 1215.
O
Cilindro de Ciro, hoje, nos recorda o "direito dos povos de viverem juntos
no mesmo Estado, com diferentes credos, em liberdade".
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3. Os jardins e o paraíso
"A
razão por que a maioria das casas tem um jardim ou pátio, provavelmente, se
deve aos persas", segundo Jonny Thomson no artigo Five Ways Ancient Persia
Shaped our Modern World ("Cinco formas em que a Pérsia antiga moldou nosso
mundo moderno", em tradução livre), publicado pelo portal Big Think.
O
filósofo destaca que, embora os egípcios tivessem oásis e os babilônios, os
Jardins Suspensos, foram os persas que popularizaram os jardins.
Eles
não eram apenas espaços para desfrute dos governantes, mas para o restante da
população, na busca de harmonia com o cosmos.
O
Jardim Persa entrou para a lista do Patrimônio Mundial da Unesco.
"Caracterizado
pela sua divisão em quatro setores e pela onipresença da água como elemento de
irrigação e ornamentação, o Jardim Persa foi concebido como símbolo do Éden e
dos quatro elementos zoroástricos: céu, terra, água e o mundo vegetal", destaca
a organização.
A
associação do jardim com um paraíso na terra leva à origem da palavra.
Segundo
o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra "paraíso" provém
do latim paradisus ("jardim próximo à casa"), que se originou do
grego parádeisos, ("jardim, parque dos nobres e reis persas").
Já os
gregos tomaram esta palavra de pairidaēza, do idioma avéstico (um dialeto do
iraniano antigo), que fazia alusão aos jardins reais, segundo o Dicionário da
Língua Espanhola da RAE.
Além da
etimologia, a Unesco destaca como o jardim persa foi "a principal
referência para o desenvolvimento do projeto de jardins na Ásia ocidental, nos
países árabes e mesmo na Europa".
"A
geometria e a simetria da arquitetura, ao lado do complexo sistema de gestão da
água, parecem ter influenciado o projeto de todos estes jardins."
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4. Serviço postal formal
Thomson
conta que os egípcios e assírios mantiveram serviços de mensageiros, mas foram
os persas que deram ao mundo "a primeira rede de entregadores e agências
postais".
Na
época, o império era liderado por Dario 1° (550 a.C.-486 a.C.), que chegou ao
poder no ano 521 a.C.
O
acadêmico conta que os mensageiros percorriam longas distâncias a cavalo e
chegavam a locais determinados para descansar.
Na
manhã seguinte, eles comiam, pegavam outro cavalo e prosseguiam seu caminho.
"Era
muito mais rápido, mais seguro e muito mais eficaz do que qualquer sistema
anterior", explica o professor.
Cutillas
nos recorda a vastidão do Império Persa, que chegou a se espalhar por três
continentes.
"Para
se comunicar, eles precisaram inventar o correio. Era a forma de ter todas as
regiões do império conectadas e isso chegou até os nossos dias."
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5. Seus famosos tapetes
Em
1929, uma descoberta deslumbrou os arqueólogos.
Após
uma escavação na Sibéria, eles encontraram túmulos com corpos mumificados, um
carro fúnebre e diversos objetos com quase 2,5 mil anos de idade.
"De
todos os tesouros encontrados em Pazyryk, o mais importante talvez seja um
grosso tapete multicolorido, tecido com uma técnica especial", escreveu
Mariya Zavitukhina (1926-2001) no artigo Pazyryk; a Nomad Way of Life
"Deep-Frozen" for 25 Centuries in Siberian Mountain Tombs
("Pazyryk: uma forma de vida nômade 'congelada' por 25 séculos nos túmulos
das montanhas da Sibéria", em tradução livre).
"Na
sua superfície quase quadrada (cerca de 2 x 2 metros), estão representados
cavalos e cavaleiros, cervos pastando, grifos e plantas estilizadas",
descreve ela.
"Este
tapete, o mais antigo do mundo do gênero, desperta justa admiração pela
habilidade dos tecedores iranianos."
Segundo
seu artigo, publicado no Correio da Unesco, é possível que os nômades daquela
região trocassem gado e metais preciosos por tapetes e roupas de lã
"confeccionadas no estilo característico do Irã", que chegavam pela
Ásia central.
É muito
difícil especificar quando e onde nasceu o tapete, mas tudo indica que seu
desenvolvimento se deu em uma ampla região conhecida como o cinturão dos
tapetes, que cobre a Ásia central e o Oriente Médio, incluindo o território
onde hoje fica o Irã, segundo a professora Margaret Squires, do Instituto de
Arte Courtauld, em Londres.
"A
arte de tecer tapetes tem pelo menos 2,5 mil anos, provavelmente muito
mais", destaca ela à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC). Mas,
independentemente de onde a arte terá nascido, o Irã foi fundamental para o seu
desenvolvimento.
"Sem
dúvida, o tapete persa é a exportação cultural iraniana mais reconhecida em
todo o mundo. Ele remonta ao século 16, quando era usado como presente
diplomático durante o período safávida [1501-1736]", explica a professora.
Alguns
tapetes foram objetos de luxo. Magistralmente desenhados por artistas e tecidos
à mão, eles serviram de presentes para reis e instituições religiosas.
Com o
passar dos séculos, os tapetes persas se transformaram em mercadoria e em
manifestação artística reconhecida internacionalmente.
"Em
um contexto ocidental, cristão, esta ideia de que os tapetes marcam um espaço
se materializaram vividamente ao se colocar um tapete persa embaixo do caixão
papal, durante o enterro dos três últimos papas", prossegue Squires.
"Ele marcou um espaço sagrado."
E não é
algo novo. Os tapetes persas são encontrados em recintos religiosos desde o
século 14, segundo a pesquisadora.
"Ele
esteve em igrejas católicas de muitos países e já vi tapetes persas no pé do
altar", conta Squires. "Estamos tão acostumados a vê-los no nosso dia
a dia que não percebemos suas conexões culturais."
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6. Enciclopédia médica monumental
Em
1913, O médico canadense William Osler (1849-1919), considerado o pai da
medicina moderna, ministrou algumas conferências intituladas A Evolução da
Medicina Moderna, na Universidade Yale, nos Estados Unidos.
Osler
falou sobre "um dos nomes mais importantes da história da medicina":
Ibn Sina (c. 980-1037), conhecido no Ocidente como Avicena.
"Ele
é o autor do livro de medicina mais famoso escrito até hoje", conta ele.
"Pode-se afirmar com certeza que o Cânone permaneceu como bíblia médica
por mais tempo que qualquer outra obra."
Osler
se referia a O Cânone da Medicina, uma enciclopédia em cinco volumes que o
médico persa, um gigante da era de ouro do Islã, começou a escrever em 1012.
Avicena
resumiu nessa obra o conhecimento de fontes gregas, romanas, indianas, persas,
islâmicas e incluiu suas próprias observações e experimentos.
Seu
Cânone foi fundamental para o ensino da Medicina nas universidades europeias,
"especialmente durante o Renascimento", segundo a Universidade de
Nova York, nos Estados Unidos.
"Mesmo
com o auge da anatomia e as novas descobertas científicas, o Cânone continuou
sendo estudado, o que reflete sua profunda integração à medicina
acadêmica."
As
faculdades de Medicina europeias adotaram a obra até meados do século 17. Na
Universidade de Pádua, na Itália, ela chegou a ser utilizada até 1715.
Dois
outros eruditos persas, Al-Razi (865-925) e Al-Majusi (930-994), também
escreveram textos médicos considerados magistrais. Mas os especialistas
destacam o método científico de Avicena, adotado no Cânone, como claro e
sistemático.
O
pensamento de Avicena era tão vasto que há quem considere que sua influência
mais transcendental se deu na filosofia.
Para
Tony Street, professor emérito da Universidade de Cambridge, no Reino Unido,
Avicena, no final da vida, "havia suplantado Aristóteles como o filósofo
mais importante de todos os tempos, pelo menos para os eruditos
muçulmanos".
E tudo
começou quando ele era adolescente. Depois de curar um sultão, Avicena ganhou
acesso à majestosa biblioteca dos samânidas (819-999), uma dinastia iraniana
que promoveu a educação.
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7. Equações cúbicas
É muito
possível que você já tenha ouvido falar de Al-Khwarizmi (c.780-c.850),
conhecido como o pai da álgebra.
Foi
graças a um livro deste matemático persa que o Ocidente conheceu o sistema
numérico indo-arábico.
Ao lado
da vírgula decimal, ele é a base dos números que utilizamos hoje em dia. Tanto
é verdade que o nome de Al-Khwarizmi deu origem à palavra algarismo.
Al-Khwarizmi
emigrou da Pérsia oriental para Bagdá, hoje capital do Iraque. Ali, ele dirigiu
a Casa da Sabedoria, uma academia extraordinária fundada durante a era de ouro
do Islã.
Outro
eminente matemático daquele período foi Omar Khayyam (1048-1131), natural de
Nishapur, um centro intelectual iraniano.
"Omar
Khayyam e a ciência e a matemática persa em geral sofreram profunda influência
de todo o desenvolvimento que ocorria no mundo árabe", declarou à BBC News
Mundo o professor de Matemática Marcus du Sautoy, da Universidade de Oxford, no
Reino Unido.
"Khayyam
foi um dos pioneiros no uso da álgebra, a nova linguagem matemática introduzida
pela Casa da Sabedoria e por Al-Khwarizmi, que nos ajudou a entender como os
números funcionam", explica o professor.
Com seu
revolucionário Tratado de Álgebra, Khayyam ampliou este campo para as equações
cúbicas, relacionadas a problemas envolvendo volumes e figuras tridimensionais.
Para
ele, a álgebra era o caminho para solucionar problemas de geometria e
aritmética. Khayyam chegou a identificar 14 tipos diferentes de equações
cúbicas e ofereceu métodos para resolver algumas delas.
Fields,
considerada o prêmio Nobel de Matemática, foi a iraniana Maryam Mirzakhani
(1977-2017). A imagem mostra a primeira página dos jornais iranianos um dia
depois da sua morte, em 15 de julho de 2017, vítima de câncer.
Há quem
atribua a Khayyam ter sido o primeiro a apresentar uma teoria geral das
equações cúbicas e a realizar uma pesquisa científica sistemática a este
respeito.
"Omar
Khayyam foi original ao resolver este tipo de equação quando não havia um
procedimento para fazê-lo", explica o professor de Matemática Alfonso J.
Población, da Universidade de Valladolid, na Espanha.
Foi
apenas no século 16, 500 anos depois, que houve progresso neste campo na
Europa.
Quando
você observar x³ em uma equação, talvez se lembre de Khayyam. Esta incógnita ao
cubo aparece em uma infinidade de problemas em diversos setores, como a
economia, a engenharia, a computação e muitos outros.
Até ao
observar um almanaque você poderá evocar o matemático. Seus cálculos ajudaram a
conceber o calendário persa, considerado um dos mais precisos da história —
muito acima do gregoriano.
É
possível que você tenha conhecido Khayyam através de algum dos seus poemas.
Muitas pessoas no Ocidente conhecem o matemático pela sua obra Rubaiyat.
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8. Superalimento
O
espinafre foi cultivado pela primeira vez na Pérsia, mais de 2 mil anos atrás.
Acredita-se
que os chineses consumissem a verdura no século 6 e que, perto do século 11, os
árabes a tenham levado para a Espanha, segundo a Universidade de
Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
"No
século 14, o espinafre já havia se espalhado para o resto da Europa e chegou à
América com os primeiros colonos."
A
palavra espinafre provém do árabe isbānaẖ
ou isfānaẖ, que surgiu do persa
espenāẖ.
E, se
você preparar um delicioso escabeche de espinafre, lembre-se de que esta
palavra também tem origem persa (sekbā).
Preciso
encerrar esta reportagem porque, só de pensar na comida iraniana, fiquei com
fome. Mas não posso deixar de mencionar um alimento para o espírito que encanta
gerações de iranianos e estrangeiros há séculos: a poesia do país.
Versos
do poeta iraniano Saadi (1210-1291) foram bordados em um tapete persa que está
na sede das Nações Unidas. O poeta mereceu a admiração de Voltaire, Goethe e
Victor Hugo.
A
tradução em português abaixo é baseada na versão em espanhol publicada pela
Embaixada iraniana no México:
"Os
seres humanos são membros de um mesmo corpo
Criados
de uma mesma essência e alma
Se um
membro sente dor
Os
demais não podem permanecer tranquilos
Se você
não sente compaixão pelo sofrimento humano
Não
merece ser chamado de ser humano."
Fonte:
BBC News Mundo

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