sexta-feira, 17 de abril de 2026

O perigo dos 'milagres' da internet para tratar doenças como a diabetes

A promessa de um chá que controla o açúcar no sangue ou de uma fórmula natural que recupera o fígado parece uma solução simples e acessível para problemas de saúde complexos. Encontradas facilmente em vídeos e postagens nas redes sociais, essas supostas curas milagrosas viralizam e atraem milhões de pessoas que convivem com doenças crônicas, como a diabetes.

O apelo dessas soluções está na simplicidade e na esperança de uma melhora rápida, sem os custos ou os efeitos colaterais de tratamentos médicos convencionais. A ideia de que produtos naturais são sempre seguros e isentos de riscos é um mito poderoso, que alimenta a busca por alternativas fora dos consultórios.

Vídeos com relatos pessoais emocionantes e listas de supostos benefícios criam uma falsa sensação de eficácia e segurança. Essa percepção é reforçada pela desconfiança que parte do público tem na indústria farmacêutica, o que torna as promessas de curas naturais ainda mais atraentes.

<><>  Os perigos de trocar o tratamento médico

O principal risco de acreditar nessas soluções da internet é o abandono do tratamento médico prescrito. Para um paciente com diabetes, por exemplo, deixar de usar a insulina ou os medicamentos de controle glicêmico pode levar a consequências graves e imediatas, como picos de açúcar no sangue, danos a órgãos vitais e até a cetoacidose diabética e o coma.

Além disso, o uso de chás e suplementos sem orientação profissional pode mascarar sintomas importantes. A pessoa pode sentir um alívio temporário, enquanto a doença progride silenciosamente, atrasando um diagnóstico correto e o início de um tratamento eficaz. Muitas ervas e compostos naturais também podem interagir de forma perigosa com remédios de uso contínuo, anulando ou potencializando seus efeitos.

Esses produtos vendidos livremente na internet não passam pelo mesmo controle de qualidade e segurança dos medicamentos aprovados pela Anvisa e outras agências reguladoras. Não há garantia sobre a pureza, a dosagem ou a real composição do que está sendo consumido. Portanto, qualquer alteração na rotina de tratamento de uma doença crônica deve ser sempre discutida e acompanhada por um profissional de saúde qualificado.

•        Agir no pré-diabetes reduz mais de 50% as chances de morte e hospitalização

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 30 milhões de brasileiros vivem com pré-diabetes no país. A doença, apesar de silenciosa, aumenta em 15% o risco de alguns tipos de câncer, em 20% o risco cardiovascular e em 67% o de complicações renais. Com o intuito de informar e conscientizar a população, a Merck apresentou, na semana passada, dados inéditos do Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) sobre a condição.

A apresentação foi mediada pela médica anestesista e apresentadora Thelma Assis, que explicou, de forma clara e com base em estudos, que normalizar a glicemia em pacientes pré-diabéticos, alcançando a remissão da condição, pode reduzir em mais de 50% o risco de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca (IC) e em mais de 40% o risco de mortalidade por todas as causas.

“É necessário falar de prevenção e disseminar informação de qualidade. O pré-diabetes já é uma doença e precisa ser levado a sério. É uma fase da condição, mas é uma fase reversível. O pré-diabetes é algo que deve preocupar, porque estou a um passo de desenvolver uma doença devastadora”, explica Thelma.

Ela acrescenta que o rastreio do pré-diabetes é simples e que, na maioria dos casos, a mudança de hábitos alimentares e a incorporação de atividades físicas regulares são capazes de evitar o desenvolvimento do diabetes tipo 2, uma doença crônica, irreversível e progressiva. Em situações específicas, ou quando a mudança de estilo de vida não é adotada adequadamente, o uso de medicação pode ser necessário para normalizar a glicemia.

<><> Recomendações e alertas

Reforçando a explicação de Thelma, a endocrinologista e especialista em tratamento do diabetes Denise Franco confirma que a modificação do estilo de vida, incluindo a redução de peso com dieta saudável, o aumento da atividade física, a inclusão de vegetais na alimentação, além de medidas como cessar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool e tratar a síndrome dos ovários policísticos em mulheres, é essencial e recomendada para prevenir o diabetes tipo 2 em pessoas que estão no estágio inicial da doença. “Essa junção de fatores é o que traz o maior impacto”, afirma.

Ela lembra, no entanto, que apenas 2% das pessoas conseguem manter essas mudanças de forma efetiva. “Mas combinar estratégias é o caminho para virar o jogo, e é a medida mais eficaz para a prevenção. A terapia farmacológica também pode ser utilizada e está prevista nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes”, explica Denise.

A médica reforça que, sem a adoção das medidas recomendadas pelos profissionais de saúde, o desfecho clínico pode incluir polineurite distal, neuropatia, doença cerebrovascular, retinopatia, neuropatia sensorial, complicações macrovasculares, doenças cardiovasculares, cegueira, amputação de membros e mortalidade geral.

Denise alerta ainda que as pessoas devem ficar atentas aos índices glicêmicos no dia a dia. “O que pode ser considerado normal é acordar com a glicemia abaixo de 100mg/dL e ter uma hemoglobina glicada menor ou igual a 6,5%. Caso os valores em jejum estejam entre 100mg/dL e 126 mg/dL, isso pode ser considerado pré-diabetes; acima disso, já é diabetes".

Os sintomas podem ser silenciosos. Entre os primeiros sinais estão sede e fome excessivas, vontade frequente de urinar e cansaço. Outros sintomas iniciais incluem perda de peso inexplicada, visão embaçada e feridas que demoram a cicatrizar.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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