O
perigo dos 'milagres' da internet para tratar doenças como a diabetes
A
promessa de um chá que controla o açúcar no sangue ou de uma fórmula natural
que recupera o fígado parece uma solução simples e acessível para problemas de
saúde complexos. Encontradas facilmente em vídeos e postagens nas redes
sociais, essas supostas curas milagrosas viralizam e atraem milhões de pessoas
que convivem com doenças crônicas, como a diabetes.
O apelo
dessas soluções está na simplicidade e na esperança de uma melhora rápida, sem
os custos ou os efeitos colaterais de tratamentos médicos convencionais. A
ideia de que produtos naturais são sempre seguros e isentos de riscos é um mito
poderoso, que alimenta a busca por alternativas fora dos consultórios.
Vídeos
com relatos pessoais emocionantes e listas de supostos benefícios criam uma
falsa sensação de eficácia e segurança. Essa percepção é reforçada pela
desconfiança que parte do público tem na indústria farmacêutica, o que torna as
promessas de curas naturais ainda mais atraentes.
<><> Os perigos de trocar o tratamento médico
O
principal risco de acreditar nessas soluções da internet é o abandono do
tratamento médico prescrito. Para um paciente com diabetes, por exemplo, deixar
de usar a insulina ou os medicamentos de controle glicêmico pode levar a
consequências graves e imediatas, como picos de açúcar no sangue, danos a
órgãos vitais e até a cetoacidose diabética e o coma.
Além
disso, o uso de chás e suplementos sem orientação profissional pode mascarar
sintomas importantes. A pessoa pode sentir um alívio temporário, enquanto a
doença progride silenciosamente, atrasando um diagnóstico correto e o início de
um tratamento eficaz. Muitas ervas e compostos naturais também podem interagir
de forma perigosa com remédios de uso contínuo, anulando ou potencializando
seus efeitos.
Esses
produtos vendidos livremente na internet não passam pelo mesmo controle de
qualidade e segurança dos medicamentos aprovados pela Anvisa e outras agências
reguladoras. Não há garantia sobre a pureza, a dosagem ou a real composição do
que está sendo consumido. Portanto, qualquer alteração na rotina de tratamento
de uma doença crônica deve ser sempre discutida e acompanhada por um
profissional de saúde qualificado.
• Agir no pré-diabetes reduz mais de 50%
as chances de morte e hospitalização
De
acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 30 milhões de
brasileiros vivem com pré-diabetes no país. A doença, apesar de silenciosa,
aumenta em 15% o risco de alguns tipos de câncer, em 20% o risco cardiovascular
e em 67% o de complicações renais. Com o intuito de informar e conscientizar a
população, a Merck apresentou, na semana passada, dados inéditos do Congresso
da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) sobre a condição.
A
apresentação foi mediada pela médica anestesista e apresentadora Thelma Assis,
que explicou, de forma clara e com base em estudos, que normalizar a glicemia
em pacientes pré-diabéticos, alcançando a remissão da condição, pode reduzir em
mais de 50% o risco de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência
cardíaca (IC) e em mais de 40% o risco de mortalidade por todas as causas.
“É
necessário falar de prevenção e disseminar informação de qualidade. O
pré-diabetes já é uma doença e precisa ser levado a sério. É uma fase da
condição, mas é uma fase reversível. O pré-diabetes é algo que deve preocupar,
porque estou a um passo de desenvolver uma doença devastadora”, explica Thelma.
Ela
acrescenta que o rastreio do pré-diabetes é simples e que, na maioria dos
casos, a mudança de hábitos alimentares e a incorporação de atividades físicas
regulares são capazes de evitar o desenvolvimento do diabetes tipo 2, uma
doença crônica, irreversível e progressiva. Em situações específicas, ou quando
a mudança de estilo de vida não é adotada adequadamente, o uso de medicação
pode ser necessário para normalizar a glicemia.
<><>
Recomendações e alertas
Reforçando
a explicação de Thelma, a endocrinologista e especialista em tratamento do
diabetes Denise Franco confirma que a modificação do estilo de vida, incluindo
a redução de peso com dieta saudável, o aumento da atividade física, a inclusão
de vegetais na alimentação, além de medidas como cessar o tabagismo, reduzir o
consumo de álcool e tratar a síndrome dos ovários policísticos em mulheres, é
essencial e recomendada para prevenir o diabetes tipo 2 em pessoas que estão no
estágio inicial da doença. “Essa junção de fatores é o que traz o maior
impacto”, afirma.
Ela
lembra, no entanto, que apenas 2% das pessoas conseguem manter essas mudanças
de forma efetiva. “Mas combinar estratégias é o caminho para virar o jogo, e é
a medida mais eficaz para a prevenção. A terapia farmacológica também pode ser
utilizada e está prevista nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes”,
explica Denise.
A
médica reforça que, sem a adoção das medidas recomendadas pelos profissionais
de saúde, o desfecho clínico pode incluir polineurite distal, neuropatia,
doença cerebrovascular, retinopatia, neuropatia sensorial, complicações
macrovasculares, doenças cardiovasculares, cegueira, amputação de membros e
mortalidade geral.
Denise
alerta ainda que as pessoas devem ficar atentas aos índices glicêmicos no dia a
dia. “O que pode ser considerado normal é acordar com a glicemia abaixo de
100mg/dL e ter uma hemoglobina glicada menor ou igual a 6,5%. Caso os valores
em jejum estejam entre 100mg/dL e 126 mg/dL, isso pode ser considerado
pré-diabetes; acima disso, já é diabetes".
Os
sintomas podem ser silenciosos. Entre os primeiros sinais estão sede e fome
excessivas, vontade frequente de urinar e cansaço. Outros sintomas iniciais
incluem perda de peso inexplicada, visão embaçada e feridas que demoram a
cicatrizar.
Fonte:
Correio Braziliense

Nenhum comentário:
Postar um comentário