sexta-feira, 17 de abril de 2026

Engasgos e paradas cardíacas em crianças: causas e prevenção

Engasgos e paradas cardiorrespiratórias em crianças pequenas são mais comuns do que muitos imaginam e, em diversos casos, estão ligados a acidentes domésticos que podem ser prevenidos com informação e cuidado adequados.

Diferente dos adultos, cujas paradas cardíacas geralmente têm origem em problemas do coração, nas crianças a principal causa é a insuficiência respiratória. Ou seja, o coração para de bater porque faltou oxigênio no corpo. Essa falta de ar é frequentemente provocada por engasgos, afogamentos ou sufocamentos, situações que podem ocorrer rapidamente dentro de casa.

A anatomia dos pequenos explica parte do risco. Suas vias aéreas são mais estreitas e o reflexo de tosse ainda não está totalmente desenvolvido. Além disso, crianças de até quatro anos têm o hábito natural de explorar o mundo com a boca, levando objetos e alimentos direto para lá, sem ter a coordenação motora necessária para mastigar e engolir tudo de forma segura.

<><> Principais causas e como evitar

Os engasgos lideram as emergências. Alimentos com formatos redondos e consistência firme, como uvas, tomates cereja, nozes e pedaços de salsicha, são os maiores vilões. Para evitar acidentes, o ideal é cortar esses alimentos em pedaços pequenos, sempre no sentido do comprimento, e supervisionar a criança durante toda a refeição.

Brinquedos com peças pequenas, baterias, moedas e outros objetos que cabem na boca representam um perigo constante. A recomendação é manter esses itens fora do alcance e verificar sempre a indicação de idade dos brinquedos. O mesmo cuidado se aplica a sacolas plásticas e objetos que possam causar sufocamento durante o sono no berço.

Afogamentos também são uma causa significativa de parada respiratória. Bastam poucos centímetros de água para que uma criança pequena se afogue, o que pode acontecer em baldes, banheiras ou piscinas. A supervisão atenta e constante de um adulto é a única forma de prevenção eficaz.

<><> O que fazer em uma emergência

Saber como agir pode salvar uma vida. Caso a criança engasgue e não consiga tossir, respirar ou chorar, o procedimento de desengasgo, conhecido como Manobra de Heimlich, deve ser aplicado imediatamente. As técnicas variam para bebês e crianças maiores, e conhecer a forma correta de execução é fundamental.

Em qualquer suspeita de parada cardíaca, o primeiro passo é acionar o serviço de emergência, como o SAMU (192), o mais rápido possível. Iniciar as compressões torácicas, caso possua treinamento, pode ser vital para manter o fluxo sanguíneo até a chegada do socorro especializado.

•        5 dicas para prevenir e tratar a constipação em crianças

A constipação intestinal, também chamada de prisão de ventre, é um incômodo frequente entre crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, quando o organismo está se adaptando a novos hábitos alimentares e comportamentais. Embora possa parecer um problema simples, costuma gerar dor, ansiedade e até resistência da criança em ir ao banheiro, o que tende a agravar o quadro com o passar do tempo.

De acordo com a Dra. Karinna Faro, pediatra e professora do curso de Medicina da Unic Beira Rio, os fatores que levam à constipação infantil são diversos e frequentemente associados a mudanças na alimentação, à baixa ingestão de líquidos e até a aspectos emocionais.

“Um dos momentos mais delicados é o início da introdução alimentar, quando o bebê passa a consumir alimentos sólidos. Outro fator comum é o período de retirada das fraldas. Nessa fase, a criança pode segurar as fezes por medo ou insegurança, o que leva ao ressecamento e desconforto ao evacuar”, explica.

Sintomas da constipação intestinal em crianças

A médica explica que os pais devem ficar atentos a sintomas da constipação intestinal nas crianças, como diminuição na frequência das evacuações (menos de 3 vezes por semana), fezes ressecadas ou muito volumosas, dor abdominal recorrente, irritabilidade ou choro ao tentar evacuar e fezes com sangue devido a fissuras anais.

Complicações causadas pela constipação intestinal

Se não identificada e tratada, a constipação intestinal pode afetar a saúde das crianças de outras maneiras. “A constipação persistente pode levar a complicações como fissuras anais, incontinência fecal e até infecções urinárias, já que o intestino muito cheio pode pressionar a bexiga. A uretra, que é o canal por onde sai a urina, fica muito próxima ao orifício anal, podendo acontecer uma translocação bacteriana, ao levar bactérias do intestino para as vias urinárias”, alerta a Dra. Karinna Faro.

Prevenção e tratamento da constipação intestinal

A pediatra esclarece que, geralmente, o segredo para a prevenção e o tratamento da constipação intestinal em crianças está nas mudanças no estilo de vida. Veja!

1. Alimentação rica em fibras

A alimentação rica em fibras deve ser com baixa ingesta de carboidratos e açúcares. As fibras ajudam a regular o trânsito intestinal, tornando as fezes mais macias e fáceis de evacuar, enquanto uma dieta equilibrada fornece os nutrientes necessários para um bom funcionamento do sistema digestivo.

2. Rotina intestinal

Desde pequeno, é essencial criar o hábito de ir ao banheiro pelo menos uma vez ao dia para ser criada a rotina evacuatória e para a criança entender que se trata de um mecanismo natural para o bom funcionamento do organismo.

3. Hidratação adequada

A desidratação pode levar ao ressecamento das fezes, o que causa dor e desconforto. É importante consumir a quantidade de água suficiente, lembrando que não se deve incluir suco na dieta de crianças menores de um ano.

4. Atividade física regular

A prática de exercícios pode diminuir o inchaço na barriga e o desconforto abdominal, pois facilita a digestão dos alimentos pelo estímulo dos músculos abdominais.

5. Orientação emocional

O estresse e a ansiedade, em qualquer idade, podem resultar em constipação. Quando ocorrem em crianças, são capazes de gerar um bloqueio e criar traumas, impedindo que estas tenham uma recorrência saudável na hora de evacuar.

“Em alguns casos, pode ser necessário o uso de laxativos prescritos pelo pediatra, mas o ideal é que o intestino funcione naturalmente, com alimentação balanceada e hábitos saudáveis”, conclui a Dra. Karinna Faro.

 

Fonte: Correio Braziliense/Portal EdiCase

 

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