sexta-feira, 17 de abril de 2026

Alzheimer: 7 sinais de alerta que não devem ser ignorados pela família

O recente pedido de interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acatado pela Justiça de São Paulo devido ao avanço do Alzheimer, trouxe à tona uma realidade que muitas famílias enfrentam. A doença neurodegenerativa progride de forma silenciosa e, por isso, reconhecer os primeiros sinais é fundamental para buscar ajuda médica e garantir mais qualidade de vida ao paciente.

O Alzheimer afeta principalmente a memória, o pensamento e o comportamento. Com o tempo, os sintomas se agravam a ponto de interferir nas tarefas diárias mais simples, tornando o diagnóstico precoce um passo decisivo no manejo da condição.

<><> Sinais de Alzheimer que merecem atenção

Identificar os primeiros sintomas pode ser um desafio, pois eles são facilmente confundidos com o processo natural de envelhecimento. No entanto, alguns comportamentos recorrentes servem de alerta para a família.

1. Perda de memória que atrapalha o dia a dia: esquecer informações recém-aprendidas, datas ou eventos importantes e perguntar a mesma coisa repetidamente são alertas. É diferente do esquecimento ocasional relacionado à idade.

2. Dificuldade para resolver problemas: ter problemas para seguir um plano, como uma receita culinária, ou para lidar com números e finanças, como pagar contas mensais, pode ser um sintoma inicial.

3. Problemas para executar tarefas familiares: dificuldades em dirigir para um local conhecido, gerenciar um orçamento no trabalho ou lembrar as regras de um jogo favorito são sinais importantes.

4. Confusão com tempo ou lugar: perder a noção de datas, estações do ano e da passagem do tempo é comum. A pessoa pode esquecer onde está ou como chegou até ali.

5. Dificuldades com a linguagem: parar no meio de uma conversa sem saber como continuar ou repetir o que já foi dito são manifestações comuns. Lutar para encontrar a palavra certa também é um sinal.

6. Trocar o lugar das coisas: colocar objetos em locais incomuns, como um controle remoto dentro da geladeira, e depois não conseguir refazer os passos para encontrá-los, é um comportamento característico.

7. Mudanças de humor e personalidade: a pessoa pode se tornar confusa, desconfiada, deprimida, medrosa ou ansiosa com facilidade. Também pode se irritar facilmente em casa, no trabalho ou com amigos.

<><> Quando procurar ajuda médica?

Ao identificar um ou mais desses comportamentos de forma persistente, é fundamental procurar uma avaliação especializada. Neurologistas e geriatras são os médicos mais indicados para investigar os sintomas e realizar um diagnóstico preciso. A confirmação precoce da doença permite iniciar tratamentos para aliviar os sintomas e, principalmente, planejar o futuro com mais segurança e cuidado para o paciente e a família.

<><> Exercícios leves protegem o cérebro do Alzheimer em idosos, aponta estudo

Um estudo realizado pela Mass General Brigham sugere que atividades físicas, mesmo em níveis moderados, é um escudo poderoso para a proteção do cérebro contra a doença de Alzheimer em idosos com alto risco de desenvolver a condição.

O ponto mais significativo da pesquisa é que o estilo de vida pode impactar as fases mais precoces da doença, sugerindo que alterações comportamentais podem adiar o surgimento dos sintomas cognitivos. A pesquisa observacional analisou participantes com níveis elevados da proteína beta-amiloide no cérebro, substância associada ao Alzheimer, e concluiu que o aumento de passos diários está diretamente ligado a um ritmo mais lento de declínio cognitivo.

Pessoas sedentárias, que a pesquisa considerou como aqueles que caminhavam menos de 3.000 passos por dia e tinham níveis elevados de beta-amiloide, apresentaram um declínio cognitivo mais rápido e um acúmulo acelerado de proteínas tau no cérebro, em comparação com indivíduos mais ativos.

Os pesquisadores conseguiram quantificar o tempo médio de atraso no declínio cognitivo baseado na contagem diária de passos:

•        Atraso de 3 anos: Pessoas que caminhavam apenas entre 3.000 e 5.000 passos por dia experimentaram um atraso médio de três anos no declínio cognitivo.

•        Atraso de 7 anos: Para aqueles que caminhavam entre 5.000 e 7.500 passos por dia, o atraso no declínio cognitivo foi de sete anos em média.

Essa descoberta reforça a mensagem de que "cada passo conta" e que pequenos aumentos nas atividades diárias podem gerar mudanças sustentadas na saúde cerebral.

O estudo não apenas observou a correlação entre atividade física e cognição, mas também investigou a proteína tau, que tem como objetivo estabilizar os microtúbulos dos neurônios, garantindo o transporte e a estrutura adequada das células nervosas.

A partir dos dados encontrados, sugere-se que a maior parte dos benefícios da atividade física associados à lentidão do declínio cognitivo foi impulsionada pelo retardamento do acúmulo de proteínas tau. A proteína tau forma "emaranhados" no cérebro e seu acúmulo está fortemente ligado à manifestação dos sintomas do Alzheimer.

Em contraste, nas pessoas com baixos níveis iniciais de beta-amiloide, houve pouquíssimo declínio cognitivo ou acúmulo de tau ao longo do tempo, e nenhuma associação significativa com a atividade física

A pesquisa analisou dados de 296 participantes com idades entre 50 e 90 anos, que faziam parte do Harvard Aging Brain Study. Todos estavam cognitivamente sem comprometimento no início do estudo.

•        Monitoramento: Os pesquisadores usaram scans cerebrais para medir os níveis basais de beta-amiloide e tau. A atividade física dos participantes foi avaliada usando pedômetros de cintura.

•        Acompanhamento: Os participantes receberam avaliações cognitivas de acompanhamento anuais por um período que variou de dois a 14 anos (média de 9,3 anos

Se os estágios iniciais do Alzheimer são como um relógio que marca o tempo até o declínio cognitivo, o estudo sugere que a atividade física moderada atua como um mecanismo de "câmera lenta", diminuindo a velocidade de acúmulo das proteínas tau, o que efetivamente compra anos de função cognitiva preservada para aqueles que já carregam os marcadores de risco. Para o futuro, os cientistas planejam investigar quais aspectos da atividade física são mais importantes, como a intensidade do exercício e os padrões de atividade longitudinal.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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