Alzheimer:
7 sinais de alerta que não devem ser ignorados pela família
O
recente pedido de interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
acatado pela Justiça de São Paulo devido ao avanço do Alzheimer, trouxe à tona
uma realidade que muitas famílias enfrentam. A doença neurodegenerativa
progride de forma silenciosa e, por isso, reconhecer os primeiros sinais é
fundamental para buscar ajuda médica e garantir mais qualidade de vida ao
paciente.
O
Alzheimer afeta principalmente a memória, o pensamento e o comportamento. Com o
tempo, os sintomas se agravam a ponto de interferir nas tarefas diárias mais
simples, tornando o diagnóstico precoce um passo decisivo no manejo da
condição.
<><>
Sinais de Alzheimer que merecem atenção
Identificar
os primeiros sintomas pode ser um desafio, pois eles são facilmente confundidos
com o processo natural de envelhecimento. No entanto, alguns comportamentos
recorrentes servem de alerta para a família.
1.
Perda de memória que atrapalha o dia a dia: esquecer informações
recém-aprendidas, datas ou eventos importantes e perguntar a mesma coisa
repetidamente são alertas. É diferente do esquecimento ocasional relacionado à
idade.
2.
Dificuldade para resolver problemas: ter problemas para seguir um plano, como
uma receita culinária, ou para lidar com números e finanças, como pagar contas
mensais, pode ser um sintoma inicial.
3.
Problemas para executar tarefas familiares: dificuldades em dirigir para um
local conhecido, gerenciar um orçamento no trabalho ou lembrar as regras de um
jogo favorito são sinais importantes.
4.
Confusão com tempo ou lugar: perder a noção de datas, estações do ano e da
passagem do tempo é comum. A pessoa pode esquecer onde está ou como chegou até
ali.
5.
Dificuldades com a linguagem: parar no meio de uma conversa sem saber como
continuar ou repetir o que já foi dito são manifestações comuns. Lutar para
encontrar a palavra certa também é um sinal.
6.
Trocar o lugar das coisas: colocar objetos em locais incomuns, como um controle
remoto dentro da geladeira, e depois não conseguir refazer os passos para
encontrá-los, é um comportamento característico.
7.
Mudanças de humor e personalidade: a pessoa pode se tornar confusa,
desconfiada, deprimida, medrosa ou ansiosa com facilidade. Também pode se
irritar facilmente em casa, no trabalho ou com amigos.
<><>
Quando procurar ajuda médica?
Ao
identificar um ou mais desses comportamentos de forma persistente, é
fundamental procurar uma avaliação especializada. Neurologistas e geriatras são
os médicos mais indicados para investigar os sintomas e realizar um diagnóstico
preciso. A confirmação precoce da doença permite iniciar tratamentos para
aliviar os sintomas e, principalmente, planejar o futuro com mais segurança e
cuidado para o paciente e a família.
<><>
Exercícios leves protegem o cérebro do Alzheimer em idosos, aponta estudo
Um
estudo realizado pela Mass General Brigham sugere que atividades físicas, mesmo
em níveis moderados, é um escudo poderoso para a proteção do cérebro contra a
doença de Alzheimer em idosos com alto risco de desenvolver a condição.
O ponto
mais significativo da pesquisa é que o estilo de vida pode impactar as fases
mais precoces da doença, sugerindo que alterações comportamentais podem adiar o
surgimento dos sintomas cognitivos. A pesquisa observacional analisou
participantes com níveis elevados da proteína beta-amiloide no cérebro,
substância associada ao Alzheimer, e concluiu que o aumento de passos diários
está diretamente ligado a um ritmo mais lento de declínio cognitivo.
Pessoas
sedentárias, que a pesquisa considerou como aqueles que caminhavam menos de
3.000 passos por dia e tinham níveis elevados de beta-amiloide, apresentaram um
declínio cognitivo mais rápido e um acúmulo acelerado de proteínas tau no
cérebro, em comparação com indivíduos mais ativos.
Os
pesquisadores conseguiram quantificar o tempo médio de atraso no declínio
cognitivo baseado na contagem diária de passos:
• Atraso de 3 anos: Pessoas que caminhavam
apenas entre 3.000 e 5.000 passos por dia experimentaram um atraso médio de
três anos no declínio cognitivo.
• Atraso de 7 anos: Para aqueles que
caminhavam entre 5.000 e 7.500 passos por dia, o atraso no declínio cognitivo
foi de sete anos em média.
Essa
descoberta reforça a mensagem de que "cada passo conta" e que
pequenos aumentos nas atividades diárias podem gerar mudanças sustentadas na
saúde cerebral.
O
estudo não apenas observou a correlação entre atividade física e cognição, mas
também investigou a proteína tau, que tem como objetivo estabilizar os
microtúbulos dos neurônios, garantindo o transporte e a estrutura adequada das
células nervosas.
A
partir dos dados encontrados, sugere-se que a maior parte dos benefícios da
atividade física associados à lentidão do declínio cognitivo foi impulsionada
pelo retardamento do acúmulo de proteínas tau. A proteína tau forma
"emaranhados" no cérebro e seu acúmulo está fortemente ligado à
manifestação dos sintomas do Alzheimer.
Em
contraste, nas pessoas com baixos níveis iniciais de beta-amiloide, houve
pouquíssimo declínio cognitivo ou acúmulo de tau ao longo do tempo, e nenhuma
associação significativa com a atividade física
A
pesquisa analisou dados de 296 participantes com idades entre 50 e 90 anos, que
faziam parte do Harvard Aging Brain Study. Todos estavam cognitivamente sem
comprometimento no início do estudo.
• Monitoramento: Os pesquisadores usaram
scans cerebrais para medir os níveis basais de beta-amiloide e tau. A atividade
física dos participantes foi avaliada usando pedômetros de cintura.
• Acompanhamento: Os participantes
receberam avaliações cognitivas de acompanhamento anuais por um período que
variou de dois a 14 anos (média de 9,3 anos
Se os
estágios iniciais do Alzheimer são como um relógio que marca o tempo até o
declínio cognitivo, o estudo sugere que a atividade física moderada atua como
um mecanismo de "câmera lenta", diminuindo a velocidade de acúmulo
das proteínas tau, o que efetivamente compra anos de função cognitiva
preservada para aqueles que já carregam os marcadores de risco. Para o futuro,
os cientistas planejam investigar quais aspectos da atividade física são mais
importantes, como a intensidade do exercício e os padrões de atividade
longitudinal.
Fonte:
Correio Braziliense

Nenhum comentário:
Postar um comentário