Mirando
o STF, Malafaia escancara o objetivo da extrema direita para 2026 em ato
bolsonarista: conquistar o Senado
O
pastor bolsonarista Silas Malafaia organizou (com o dinheiro arrecadado do
dízimo) e participou do ato pró-Bolsonaro, realizado neste domingo (29) na
avenida Paulista, em São Paulo, deixou claro o objetivo da extrema direta para
as eleições de 2026: a conquista da maioria no Senado.
Ao
longo do discurso em trio elétrico, Malafaia chamou o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ditador, afirmou que ele persegue
Bolsonaro e condena injustamente os golpistas envolvidos no 8 de janeiro, entre
outras acusações. “Se isso aqui fosse um país sério, ele tomava um impeachment
e ia para a cadeia.”
Malafaia
continuou. “Sabe por que um cara desses não toma um impeachment? Porque
quem tem o poder para isso é o Senado. eu vou dizer para vocês e já foi dito
aqui pelo senador Marcos Rogério sobre as eleições. Sabe por quê? Porque nós
temos uma direita prostituta, vagabunda, que se vende. Temos uma direita séria
e verdadeira, mas grande parte dela é um bando de vagabundo vendilhão.”
A
seguir, veio a revelação sobre os interesses reais da extrema direita para o
próximo pleito. “Por isso que em 2026, nós não podemos errar o voto dos
dois senadores”, concluiu.
A
confissão de Malafaia corrobora com a tese denunciada há, pelo menos, um mês
pelo historiador João Cezar de Castro Rocha.
“O
Bolsonaro fracassou porque não conseguiu dar o passo que toda extrema direita
que conseguiu transformar democracias em autocracias deu: sujeitar o
Judiciário”, explicou
o historiador em entrevista no programa Chico Pinheiro Entrevista.
“O
plano de poder da extrema direita no Brasil mudou de maneira substancial.
Continua sendo um plano de poder, mas não é mais chegar ao Executivo como
projeto final, tanto que para o ano que vem, o verdadeiro plano de poder não é
a presidência da República. É o Senado”, continuou
Rocha.
“Porque
o Senado é a forma de sujeitar o judiciário. É isso que está em jogo no Brasil
hoje”, concluiu.
“O
Bolsonaro fracassou porque não conseguiu dar o passo que toda extrema direita
que conseguiu transformar democracias em autocracias deu: sujeitar o
Judiciário.”
¨
Em manifestação esvaziada, Bolsonaro dá primeiros sinais
de preocupação para 2026
Em um
dos hotéis mais caros do entorno da Avenida Paulista, bolsonaristas se
encontravam à espera do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre risadas e
comemoração, alguns demonstravam uma preocupação: o futuro político do
ex-presidente.
Em
conversas no pé do ouvido, deputados e alguns dos principais aliados de
Bolsonaro já admitem: será impossível reverter a prisão dele. A manifestação,
muito próxima da última realizada na Paulista, em 6 de abril, tinha objetivo
certo de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e tentar ganhar capital
político para fortalecer a cúpula.
Bolsonaro
chegou por volta das 13h no hotel. Cumprimentou apoiadores, tirou fotos e logo
puxou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) para uma conversa rápida e
reservada. Em seguida, foi a vez de Silas Malafaia, organizador do evento. Em
um diálogo de 15 minutos, Bolsonaro estava cabisbaixo, enquanto Malafaia
parecia mais alterado.
Meia
hora depois, a cúpula bolsonarista seguiu em procissão para o trio elétrico, a
pouco mais de 100 metros do hotel. Bolsonaro chegou com o discurso pronto, já
pensando em 2026, mas encontrou uma Paulista bem menor que nas últimas
manifestações. De acordo com o monitor da Universidade de São Paulo (USP),
foram 14 mil pessoas na manifestação.
Depois
de ouvir os discursos de deputados, Malafaia e do governador de São Paulo,
Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-presidente assumiu o microfone para se
declarar inocente dos processos em que responde no STF. Jair Bolsonaro é
investigado no inquérito da tentativa de golpe de Estado, junto com os
principais aliados durante seu governo.
Em
pouco mais de 30 minutos de fala, criticou o governo Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), mas pediu a ajuda do mesmo para emplacar o PL da Anistia, engavetado na
Câmara dos Deputados. Mas, em determinado ponto, apontou a preocupação com o
rumo das eleições do próximo ano e pediu ajuda para eleger 50% do Congresso
Nacional.
“[A
anistia] é o caminho da pacificação. Esperamos que essa anistia tenha o apoio
dos outros dois Poderes “, declarou.
“Se
vocês me derem 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil. Nem
preciso ser presidente. Faremos isso por vocês”, concluiu.
O
ex-presidente evitou apontar desânimo com o andamento de seu processo no STF e
também ignorou a disputa presidencial em 2026. No carro de som, estavam ao
menos dois de seus possíveis sucessores: Tarcísio e Romeu Zema, governador de
Minas Gerais.
Entre
os desfalques estavam o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em casamento de um
amigo, e a da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que participara de um evento do
PL Mulher. A falta abriu caminho para Bolsonaro elevar o nome de Carlos
Bolsonaro, seu filho, que deve concorrer ao Senado por Santa Catarina.
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Bolsonaristas estudam opções para ex-presidente
Ao
menos dois bolsonaristas admitiram à ISTOÉ que o ex-presidente sabe seu destino
até o final do ano. A estratégia, agora, é retardar o processo.
Na
avaliação da cúpula, Bolsonaro não deve fugir da condenação e nem da prisão. A
ideia é tentar reunir provas para a possibilidade de uma prisão domiciliar.
Outra ideia seria apresentar algum projeto que possa retardar processos no STF
de investigados com prerrogativa de foro – no caso Alexandre Ramagem (PL-RJ) –
que é réu no mesmo inquérito que o ex-presidente.
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Manifestação põe fim a duas farsas do ex-presidente
A
manifestação pró-Bolsonaro realizada neste domingo (29) acabou com a “lua de
mel” criada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A
persona que subiu no trio elétrico na capital paulista para usá-lo como
palanque eleitoral se portou de forma completamente diferente da que compareceu
ao julgamento na Suprema Corte, no último dia 11.
A
primeira farsa que caiu por terra neste domingo foi a cordialidade com o
ministro e relator da ação, Alexandre de Moraes, a quem Bolsonaro chegou a
convidar para integrar uma suposta chapa presidencial para 2026 e ainda foi
chamado de “meu ministro”. Bolsonaro está inelegível, porém, até 2030.
Réu com
julgamento em trânsito, Bolsonaro não se atreveu a falar de Moraes. Coube ao
pastor Silas Malafaia, organizador do evento e um dos principais cabos
eleitorais do ex-presidente, a função de atacar o decano.
Malafaia
negou que estivesse fazendo acusações levianas porque não é criança. Também
refutou que estivesse fazendo calúnia ou difamação. “Não podemos deixar
de que o STF acaba de dar um jeito de instituir a censura nas redes
sociais”, iniciou.
Para o
religioso, a decisão da Suprema Corte na última semana, em que foi decidido que
as plataformas terão de remover conteúdos sem decisões judiciais. Para ele, foi
uma forma de terceirizar a censura e calar o povo brasileiro.
“[O
ex-ajudante de ordens Mauro] Cid esculhambou Alexandre de Moraes, esculhambou o
delegado do Polícia Federal”, apontou Malafaia, sem provas do que estava
dizendo.
O cabo
eleitoral alegou ainda que haveria um conluio comandado por Moraes, tendo em
vista que Cid vazou informações sobre a delação que acordou com a Suprema Corte
– fato pela qual deveria ser cancelada. No entanto, segundo o religioso, se
Moraes o fizer, cairiam todas as acusações contra Bolsonaro. “Esse
inquérito já tá consumado. Só tem narrativa e não fatos.”
Malafaia
e os bolsonaristas demonstram ainda como é ruim ter de provar do próprio
veneno. “O que há é uma perseguição vergonhosa de uma farsa de
pseudogolpe para tirar você do jogo”, afirmou o pastor.
Mas foi
exatamente o que aconteceu com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), perseguido pelo
juiz Sérgio Moro para que fosse impedido de disputar as eleições em 2018.
Eleito, Bolsonaro alçou Moro ao Ministério da Justiça.
A
grande diferença é que Lula conseguiu reverter a decisão. Já Bolsonaro tenta
garantir a anistia a qualquer custo para evitar uma eventual condenação.
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Segunda farsa: sobre os apoiadores
Chamados
de “malucos” durante julgamento, os golpistas que participaram do ataque às
Sedes dos Três Poderes agora voltaram a ser chamados de apoiadores e pintados
como inocentes.
Segundo
o ex-presidente, a depredação foi orquestrada pela esquerda, já que “as imagens
de quase 200 câmeras sumiram e que tudo foi quebrado antes da chegada das
pessoas dos acampamentos” na capital federal.
Mas a
grande questão que ficou evidente na manifestação deste domingo foi como a
defesa de anistia para os condenados pelos atos golpistas foi usada, apenas,
para safar o próprio Jair Bolsonaro.
Os já
condenados pela depredação das Sedes dos Três Poderes foram citados apenas
pontualmente para exemplificar um suposto abuso de poder de Alexandre de
Moraes.
Todo o
restante do ato foi usado por Bolsonaro e aliados para relembrar os supostos
feitos do ex-presidente entre 2018 e 2022, tecer críticas ao atual governo,
convencer o público de que é vítima de perseguição política e ditar os próximos
passos da extrema-direita brasileira: dar a Bolsonaro (que está inelegível),
além de um novo mandato, 50% da Câmara e do Senado.
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Líder do PL acusa STF de perseguir possíveis candidatos a
senadores de direita
O líder
do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), acusou neste domingo,
29, o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguir possíveis candidatos de
direita com chances reais de se elegerem ao Senado. A declaração foi feita
durante discurso na manifestação “Justiça Já”, organizada pelo pastor Silas
Malafaia na Avenida Paulista, em São Paulo, com a presença do ex-presidente da
República Jair Bolsonaro (PL).
“A
Justiça precisa ser imparcial. Hoje temos 65 deputados investigados pelo STF.
Desses, 39 são do PL. Os outros, também de partidos de centro, são todos de
direita”, afirmou Sóstenes.
O
deputado também homenageou figuras da direita que, segundo ele, são alvo de
perseguição judicial, como Daniel Silveira, Carla Zambelli e o general Braga
Netto. “Tenho certeza de que o povo dará o recado em 2026: o Brasil é
conservador”, concluiu.
Senadores
da República têm a prerrogativa constitucional de julgar pedidos de impeachment
contra ministros do STF, conforme estabelece o artigo 52 da Constituição
Federal. A eventual cassação exige o voto favorável de dois terços dos
parlamentares da Casa, em julgamento político conduzido por rito específico.
Embora seja um mecanismo previsto, sua aplicação é historicamente rara e
politicamente delicada.
O líder
da Oposição, deputado Coronel Zucco (PL-RS), também discursou no ato. “Estamos
com Bolsonaro porque ele é o símbolo do patriotismo e do civismo. Ele luta pelo
voto impresso auditável”, disse.
Zucco e
outros parlamentares mencionaram ainda o estado de saúde do ex-presidente, que
se recupera de uma cirurgia realizada em abril para tratar uma obstrução
intestinal decorrente da facada sofrida em 2018.
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, afirmou
que a “balança judicial está desequilibrada”. “Todos sabemos que o Bolsonaro
não está sendo julgado, ele está sendo submetido a uma inquisição. Juiz que
atua como parte não é juiz, é perseguidor, e essa aberração jurídica não será
aceita”, disse.
E
concluiu: “Não é que não haja provas para condená-lo – as provas mostram, pai,
que você é inocente. E liberdade não se negocia.”
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Só pode ser piada! Tarcísio diz que Bolsonaro é ‘o maior
líder político da história’
O
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse neste
domingo, 29, que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) é “o maior
líder político da história” e pediu “fora, PT” e “volta, Bolsonaro”.
“O
Brasil não aguenta mais a corrupção, o Brasil não aguenta mais o governo
gastador, o juro alto. Quem paga essa conta do juro alto são vocês, é o pequeno
empresário, o pequeno produtor. o Brasil não aguenta mais aumento de imposto, o
Brasil não aguenta mais o PT. É por que isso a gente quer ver fora, PT. O
Brasil não merece esses caras”, disse Tarcísio.
E
completou: “Vamos dar essa resposta no ano que vem, porque nós vamos nos
reencontrar com a esperança, com a prosperidade, com o nosso caminho, com a
nossa vocação, que é ser grande.”
Tarcísio
disse que dois anos e meio foram suficientes para “destruírem tudo”, em
referência ao governo Lula (PT), e citou o prejuízo nos Correios e altas de
impostos e de preços.
Por
fim, Tarcísio criticou a inelegibilidade de Bolsonaro e disse que “esse grupo
está unido e os corações estão amarrados”. “Podem tentar tirar a pessoa das
urnas, mas nunca vão tirar do coração das pessoas, do coração do povo. Jamais o
Bolsonaro vai sair do coração de cada um de vocês. A missão do capitão não
acabou, essa missão não acabou e ele ainda vai contribuir muito com o Brasil.”
O
governador é um dos principais nomes que vêm sendo testados para substituir
Bolsonaro nas eleições de 2026, já que o ex-presidente está inelegível até
2030, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Bolsonaro
participa de ato na Avenida Paulista ao lado de parlamentares, ex-ministros de
seu governo e governadores aliados, como Romeu Zema (Novo-MG) e Jorginho Mello
(PL-SC), além do próprio Tarcísio.
Essa é
a segunda manifestação bolsonarista em São Paulo neste ano. Em abril, foram
reunidos cerca de 44,9 mil apoiadores na Paulista.
Fonte:
Jornal GGN/IstoÉ

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