Decisão
do Congresso que aumentou conta de luz equivale a 6 anos de bandeira vermelha
A
Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) confirmou o aumento na conta
de luz causado pela derrubada dos vetos presidenciais no Marco Regulatório de
Energia Offshore por parte do Congresso. Segundo a entidade, a decisão dos
deputados e senadores equivale à decretação da bandeira vermelha patamar 1 na
conta de luz por seis anos, além de 19 anos subsequentes com bandeira amarela.
A
informação foi dada em resposta a manifestação do presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), que tentou negar o impacto da da decisão dos
congressistas sobre o gasto com energia. Na sessão de quarta-feira (25),
Alcolumbre repudiou “com veemência os ataques levianos” dirigidos ao Congresso
após a derrubada dos vetos.
“O
objetivo, lamentavelmente, parece ser um só: espalhar o pânico e a confusão
entre os consumidores brasileiros, atribuindo ao Congresso Nacional a
responsabilidade por um falso aumento da tarifa energética”, declarou.
A FNCE
argumenta, em texto publicado em seu site, que Alcolumbre “demonstra o tamanho
do desconhecimento do Parlamento acerca dos aspectos técnicos e regulatórios do
setor elétrico”.
“Ao
contrário do que o senador declarou, as decisões tomadas no Congresso acerca da
derrubada dos vetos não foram técnicas, nem tampouco transparentes e muito
menos voltadas ao interesse público”, critica a nota.
O
projeto de lei 576/2021, que estabelecia o marco regulatório, teve acréscimos
feitos por parlamentares sem relação com o tema original ao passar pela Câmara
dos Deputados. São os chamados “jabutis”, que atendem a lobbies do setor
elétrico e oneram a população.
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FNCE faz duras críticas ao Congresso
No dia
17, os parlamentares derrubaram oito dos 24 vetos feitos pelo presidente Lula
no PL das eólicas “offshore”. Os vetos atingiram a contratação obrigatória de
Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s), usinas de hidrogênio no Nordeste e
parques eólicos na região Sul mesmo sem demanda, além da extensão de contratos
do Proinfra, o Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia
Elétrica.
A FNCE
apontou que a decisão de senadores e deputados custará aos brasileiros R$197
bilhões até 2050, com aumento aproximado de 3,5% na conta de luz, o que também
provocará “impacto no preço dos produtos e serviços, e consequente alta na
inflação”.
“Não há
como negar a realidade. Foram decisões políticas, súbitas e contrárias a todas
as expectativas da população. O aumento do custo da energia será inevitável
como demonstram os estudos técnicos, posto que consumidores livres e regulados
serão afetados. Não podemos mais normalizar a prática dos jabutis, fielmente
descritos na doutrina corrente como ‘contrabando legislativo’, nem aceitar
declarações de autoridades sem fundamento técnico consistente”, observa a nota.
• Onda de memes sobre o Congresso rotula
parlamentares de ‘defensores dos ricos’ e ‘gastadores’
É
bastante expressiva a recente enxurrada de críticas nas redes sociais aos
deputados e senadores: no mês de junho, 92% das cerca de 3 milhões de citações
ao Congresso foram negativas. Os motivos da insatisfação são bastante
evidentes. “Principalmente por medidas impopulares, gastos públicos excessivos,
percepção de conivência, alinhamento com interesses de elites econômicas e o
mote ‘Congresso inimigo do povo’”, explica o analista de redes Pedro Barciela.
Como
costuma acontecer no ambiente digital, a melhor tradução para essa raiva aos
congressistas é feita em memes que têm inundado o Instagram, o X e o Facebook.
Um dos
mais vistos foi o vídeo em que o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), bebe whisky direto da garrafa, durante uma festa junina em
Patos, cidade paraibana que é seu domínio eleitoral. Na adaptação que corre nas
redes, a garrafa tem estampada a palavra “Emendas”, numa alusão ao alto valor
de emendas gasto pelo Congresso, sem qualquer transparência ou controle do
Executivo e do Judiciário.
Uma
outra ilustração, que imita história em quadrinhos com personagens desenhados
ao estilo da série “Os Simpsons”, um homem de terno (que seria representante do
governo) fala: “Vamos taxar bancos e casas de apostas”. Dois outros dois homens
de terno (que seriam os parlamentares), posicionados em frente ao Congresso,
respondem: “Exagero, coitados”. No quadrinho seguinte, um boneco
repreesentando Hugo Motta diz: “E se a
gente desse aposentadoria + salário integral para deputado?”. E os outros
personagens respondem, sob uma chuva de dinheiro: “Aprovado! Viva a
responsabilidade fiscal”. Ao fim, o letreiro: “Congresso inimigo do povo. Ricos
paguem a conta”.
Outros
memes mais simples mostram uma montagem de Hugo Motta sorridente sobre uma
montanha de dinheiro, dizendo: “è preciso cortar gastos… dos pobres”. Em um
letreiro que circula nas redes, a mensagem é clara: “Não cabe aumento de
imposto para os ricos, mas cabe: aumento do número de deputados; deputados
acumularem aposentadoria com salários; menos impostos para bets, fintechs e
bancos. Chega de privilégios”.
Uma das
críticas, feita com vídeo gerados por Inteligência Artificial, aproveita duas
manchetes do portal ICL Notícias (“Congresso derruba reajuste de IOF para
obrigar governo a coirtar recursos de saúde e educação” e “Congresso aprova
aumento no número de deputados de 513 para 531”) para reclamar dos
congressistas. “Cortar gastos? Só se for da saúde do povo”, diz um dos
personagens de IA. “O governo continua tentando taxar os mais ricos para
aliviar o lado dos mais pobres, mas com esse Congresso vai ser difícil”,diz
outro personagem. O vídeo é veiculado no TikTok no perfil “Gabinete do Ócio”.
“A alta
das críticas está atrelada à percepção de que o Congresso está orientado a
funcionar única e exclusivamente com o objetivo de pressionar o governo”,
analisa Pedro Barciela. “Os dois pontos que mais se destacaram esse mês entre
as menções ao Congresso foram o aumento da conta de luz na derrubada de veto
presidencial (34% das ocorrências) e o aumento no número de deputados e custos
públicos (23% das ocorrências)”.
• Chega de chantagem do Congresso, é hora
de alterar a pauta e botar pressão, diz Fernanda Melchionna
A
deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) não economizou palavras ao
comentar a ofensiva do Congresso Nacional contra o governo Lula. Para ela, a
derrubada do decreto presidencial que elevava a alíquota do IOF foi parte de um
movimento maior. “Eles querem deixar o governo sangrando até chegar na
eleição”, por isso, “é hora de botar o bloco na rua”.
“É hora
de alterar a pauta, botar pressão, fazer campanha de massas, atualiza o IR,
revoga a escala 6 por 1, fura o arcabouço e coloca o Congresso contra a parede.
Chega de chantagem. Quem quer impedir o povo de ter direitos precisa mostrar a
cara. Quer votar contra? Vota! Mas vota contra o povo. Precisa mostrar quem
está do lado de quem”, disse, em entrevista à TV GGN nesta sexta-feira.
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A luta de classes escancarada
Na
quarta-feira, o Congresso aprovou a derrubada do aumento do IOF após votação
relâmpago convocada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. A proposta tinha
como objetivo combater a evasão de impostos pelos mais ricos, ajudando no
equilíbrio das contas públicas. Com a revogação da medida, a expectativa é que
a perda de arrecadação chegue a R$ 10 bilhões.
Nesse
contexto, Fernanda defende que é preciso escancarar o verdadeiro arranjo de
forças no Congresso: uma aliança sólida entre o Centrão e a extrema-direita,
cujo objetivo é manter os privilégios de uma elite rentista e bloquear qualquer
redistribuição mínima de riqueza.
“Enquanto
a pressão continuar sendo só de dentro para dentro, o jogo segue
desequilibrado. O que pode mudar o cenário é uma campanha firme, com cara, nome
e partido de quem está travando o que interessa ao povo. Sem mobilização real,
sem romper com a lógica de conchavos e recuos, a correlação de forças segue a
mesma. E quem paga a conta é sempre o povo. A hora de virar esse jogo é agora”.
Trata-se,
segundo ela, de uma coalizão que impede qualquer avanço progressivo, na defesa
intransigente dos interesses burgueses de uma fração dos mais ricos, combinada
com a sanha do Congresso pelas emendas, sobretudo aquelas do orçamento secreto.
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Bolsonaro elevou o IOF
Para a
deputada, o decreto editado pelo Executivo estava longe de representar uma
ruptura radical. “Não estamos falando de revolução socialista. Era uma medida
tímida, mas importante. E mesmo assim o Congresso sabotou. A alíquota prevista
nem sequer alcançava os percentuais praticados durante o governo Bolsonaro”.
Vale
lembrar que, embora o governo Bolsonaro tenha assinado, em 2022, um decreto
prevendo a redução gradual do IOF em algumas operações de crédito, no ano
anterior havia elevado temporariamente as alíquotas do imposto para financiar o
Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família. Em 2021, a taxa sobre operações
de crédito para pessoas físicas subiu de 3% para 4,08% ao ano, e para pessoas
jurídicas, de 1,5% para 2,04% ao ano, enquanto Lula prevê um aumento de 3,5%.
O PSOL
protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (27), e o
governo Lula está definindo estratégias para possivelmente recorrer à Corte. No
entanto, segundo a deputada, isso não será suficiente para reverter a
correlação de forças, já que trata-se de uma afronta direta à Constituição.
“Cabe ao presidente regular a alíquota do IOF. Está no artigo 153 da
Constituição. A revogação é inconstitucional”.
Para
ela, limitar a reação à via judicial é um erro político, especialmente num
momento em que o governo já sofre desgaste diante da base social que o elegeu.
“Não é só fake news. O povo sente quando a esperança vira frustração. E, sem
uma inflexão, a extrema-direita vai se recompor com o Centrão. O nome da vez é
Tarcísio, mas o projeto é o mesmo”.
• Campanha do PT mostra desigualdade da
carga tributária de pobres e ricos no Brasil
Em meio
à queda de braço com o Congresso, em que o governo busca recursos para
políticas públicas sem onerar as faixas mais pobres da população, o Partido dos
Trabalhadores (PT) lançou mais uma campanha publicitária nas redes sociais. Os
dois vídeos divulgados apontam que o modelo atual de tributação é injusto e
defende o aumento da cobrança dos mais ricos, por meio da “taxação BBB: dos
bilionários, bancos e apostas”.
A
campanha surge dias depois de o Congresso Nacional revogar do decreto
governamental que reajustava as alíquotas do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF).
Outra
disputa gira em torno do projeto de lei que isenta o Imposto de Renda para quem
ganha até R$ 5 mil. O aumento do imposto para os super-ricos foi a maneira
encontrada pelo governo para arrecadar mais receita e garantir o ajuste fiscal.
O
projeto de lei proposto pelo governo, além de ampliar a faixa de isenção, reduz
a alíquota para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil e prevê a tributação de
dividendos e de contribuintes de alta renda como forma de compensação ao
aumento da faixa de isenção. O texto está em tramitação na Câmara e é uma das
apostas do governo Lula para tentar reverter a queda de popularidade.
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Ricos x pobres
Nos
vídeos publicitários, o governo explora o contraponto entre ricos e pobres.
“Quem
ganha até R$ 5 mil não vai pagar nada de Imposto de Renda. Além disso, quem
ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil terá redução no desconto tributário. E para
manter as contas equilibradas, o governo vai passar a taxar quem sempre pagou
pouco ou quase nada: os super-ricos. Bilionários, bancos e plataformas de
apostas pagam nada ou quase nada de Imposto de Renda; eles passarão a pagar
mais. Porque imposto é necessário, mas justiça também é. Taxação BBB:
Bilionários, Bancos e Apostas. Novo IR é justiça histórica”, diz o narrador.
Na
grande imprensa, que privilegia o ponto de vista das classes privilegiadas, a
campanha é citada sempre em tom crítico.
“PT faz
campanha estimulando disputa entre pobre e ricos, mas não fala em medidas
estruturais”, noticiou o jornal Valor. “Governo prega diálogo, mas vai
intensificar discurso ‘ricos contra pobres”, citou a Agência Globo. “PT aceita
perder na MP do IOF e reedita discurso ‘ricos contra pobres’”, disse o site
Metrópoles.
• A conta dos ricaços nunca chega. Por
Elvino Bohn Gass
No
Brasil, toda vez que se propõe justiça fiscal, as elites berram. Tributar
lucros e dividendos, heranças milionárias ou aplicar impostos progressivos
sobre grandes fortunas é heresia para os donos do dinheiro: “espanta
investidores”, “quebra o país”, “coisa de comunista”.
Mas
quando se fala em cortar verbas da saúde, da educação ou da assistência social,
os endinheirados não se silenciam, pelo contrário, aplaudem ensurdecedoramente.
Hipocrisia escancarada da elite econômica e em parte da classe política que a
representa.
Essas
pessoas nunca dizem com todas as letras que querem cortar recursos do SUS, das
universidades públicas, do combate à fome. Mas é exatamente isso que defendem
quando se opõem a qualquer iniciativa que faça os super-ricos pagarem sua
parte. Querem manter o Brasil na lista dos países mais injusto do planeta. E
escondem, essa faixa privilegiada da sociedade, que não pagam imposto ou,
quando pagam, é abissalmente menor do que os assalariados.
A
proposta de Lula de isentar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil,
por exemplo, é uma medida que beneficiaria milhões de brasileiros, mas enfrenta
resistência justamente porque alguém teria que compensar essa perda de
arrecadação. E adivinhe quem não querem que pague? Os milionários e bilionários
que, hoje, recolhem proporcionalmente muito menos imposto do que um assalariado
como uma professora municipal. E, em alguns casos, suas aplicações bilionárias
têm simplesmente 0% de taxação.
Nada de
novo na história. Em 1964, Joao Goulart caiu porque ousou propor Reformas de
Base — entre elas, a tributária e a agrária. No fundo, reformas capitalistas
que visavam a criar um mercado de massas no Brasil. A elite o golpeou sob o
pretexto de “evitar o comunismo”. Essa ladainha é entoada até hoje, em pleno
século XXI.
Nos
governos Lula e Dilma, todas as tentativas de enfrentar os privilégios fiscais
e a concentração de renda foram sabotadas por dentro e por fora do Congresso.
Enquanto isso, o orçamento da União é corroído por R$ 50 bilhões em emendas
parlamentares e R$ 800 bilhões em renúncias fiscais concentradas em mãos de
grandes empresas e setores que fazem do lobby sua estratégia política. O
Tribunal de Contas da União aponta: 75% dessas isenções vão para apenas 10% dos
beneficiários.
Cortar
verbas do Bolsa Família é “responsabilidade fiscal”, mas sugerir que bancos,
fundos de investimento e grandes especuladores do mercado financeiro paguem sua
parte justa, bem abaixo de outros países, é “intervenção”.
De
novo, nada de novo. De um lado, o povo que trabalha, produz e sustenta o país.
Do outro, os que vivem do lucro alheio e usam o poder político para manter seus
privilégios intocados. Fingem que é debate técnico, mas é disputa de
interesses. E nós sabemos de que lado estamos — e estaremos.
A
história da luta de classes está vivíssima. E é a lente para entender porque o
Brasil, país riquíssimo, continua campeão em desigualdade social. Os ricaços
querem manter seus privilégios e, para isso, contam com a ajuda de setores da
mídia, que não mostra a realidade dos números e a estrutura tributária
absurdamente injusta do País. Querem manter o status quo de qualquer jeito. É
hora de os milionários e bilionários pagarem imposto, como o restante da
população.
Fonte:
Jornal GGN/ICL Notícias

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