Bolsonaro
é abandonado, Lula vai ao encontro do povo e os skatistas estão chegando, analisa
Moisés Mendes
Skatistas
abusados invadem a pista dos bolsonaristas. Lula avisa que voltará às
periferias. Os tios do zap desistem de Bolsonaro na Paulista. E os bacanas do
beach tennis da Faria Lima só querem saber de Tarcísio.
A
democracia brasileira, desafiada pelas máfias dos emendeiros, chega à
encruzilhada de 2025 antes do tempo. E antes da condenação de Bolsonaro e seus
generais trapalhões.
Em São
Paulo, no domingo, Silas Malafaia produziu o gran finale da sequência de
aglomerações para Bolsonaro, consagrando um fenômeno novo na política.
O
pastor conseguiu reduzir o público em volta do líder a cada manifestação em São
Paulo e no Rio. No próximo ato, se acontecer, é possível que a Paulista tenha
mais skatistas do que velhinhos com camiseta da seleção. Se for em Copacabana,
poderá ter mais surfistas.
Malafaia
patrocinou a festa de despedida para Bolsonaro antes da prisão e teve que
oferecer, contrariado, o palco a Tarcísio e não à ausente Michelle. Ao Tarcísio
que tem muito mais a confiança do centrão e da Globo do que do bolsonarismo.
É o
Brasil a caminho de agosto. Os skatistas atravessaram a Paulista e sumiram sem
dizerem de onde saíram. Mas nos encantaram com a ilusão de que os jovens
voltarão às ruas, desde que não seja como em 2013, quando abriram as passeatas
para a classe média que derrubaria Dilma.
E Lula?
Lula vai fazer o que mais sabe. Irá onde o povo está. Para alertar o centrão de
que ainda tem a base social dos que cantavam seus jingles. Que com essa
trincheira pode enfrentar a reorganização do cangaço das emendas e que ainda se
entende com quem pode levá-lo ao quarto mandato.
Mas
temos as dificuldades dos novos tempos. Lula se dispõe a ouvir o povo, como
parte da esquerda cobrava que fizesse, mas o que povo está mesmo disposto a
ouvir dele? O que o povo espera de Lula?
Os mais
deprimidos podem se perguntar: cadê o povo que estava aqui e que desfrutou dos
avanços dos governos anteriores do PT, até a ruptura de 2018, provocada pelo
lavajatismo que vinha desde o golpe contra Dilma?
O povo
não se contenta só com diversão e arte. E manda sinais de que sonha com as
coisas até que os South Summits chamam de prosperidade das ações disruptivas. O
povo quer mais do que comida com ovo, Bolsa Família e cotas na universidade.
E,
mesmo que as esquerdas gritem alto, talvez muitos do povo não assimilem que os
300 picaretas do Congresso são agora membros de facções trabalhando de forma
mais organizada contra esse povo.
Lula
não pode subestimar a capacidade do povo de se fingir de surdo, diante do
avanço do fascismo. Tem povo desconfiando até da promessa de isenção dos R$ 5
mil do Imposto de Renda.
Lula
vai conseguir convencê-lo de que Arthur Lira, Kassab, Hugo Motta, a Globo e
Alcolumbre não querem a isenção? Que, para a direita, ele não pode oferecer
esse ganho à classe média que há anos pede alguma esmola ao governo.
Lula
vai conseguir dizer que os 300 das facções do Congresso preparam a armadilha
para que ele não melhore a arrecadação com a tributação dos ricos e que acabe
cortando gastos sociais? Que esse Congresso deseja vê-lo ‘moralizando’ com
alarde o BPC (Benefício de Prestação Continuada) para velhinhas e pessoas com
deficiência. Para dizer depois que ele persegue velhinhas.
Que vão
tentar obrigá-lo a matar o Pé-de-Meia e o Vale-Gás e a cortar as verbas para
remédios e para o ganho real do salário mínimo todos os anos? O povo tem
clareza de que dois terços do Congresso são de inimigos do povo?
Na
cabeça mágica de quem está mais à esquerda, Lula irá a campo para reconquistar
o que foi perdido nesse tempo todo. Não perdido por ele, mas por quem teve ou
ainda tem mandatos.
Um
campo perdido pelo recuo do ativismo comunitário, dos que que poderiam ter
mantido vínculos, mesmo que precários, com as periferias e o que ainda chamam
de movimentos sociais.
Lula
terá que resgatar o que as lideranças das esquerdas perderam nos últimos anos,
por se dedicarem demais às eleições como resultado final, enquanto a extrema
direita avançava.
É o
cenário resumido de hoje e que pode mudar amanhã. Enquanto isso, os skatistas
nos enredam em mais uma dúvida: eles vão voltar?
• Lula ironiza Bolsonaro e pedidos por anistia:
"quem é frouxo não deveria fazer bobagem"
Durante
discurso nesta terça-feira (1), no lançamento do Plano Safra 2025, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou de forma contundente os pedidos de
anistia feitos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente
alvo de investigações e processos relacionados à tentativa de golpe e ao uso
indevido da máquina pública. Sem citar nomes, Lula criticou duramente os que,
segundo ele, não assumem as consequências de seus atos e buscam escapar da
Justiça.
"Eu
nunca vou pedir para vocês fazerem Pix para mim. Nunca. Guardem seu dinheiro
para pagar seus funcionários. Eu não quero Pix", declarou Lula, em alusão
direta às campanhas de arrecadação promovidas por bolsonaristas para custear
multas e despesas judiciais. Em seguida, foi enfático: "E jamais vou pedir
anistia antes de ser condenado. Quem é frouxo não deveria fazer bobagem. Quem
não tem coragem não deveria fazer bobagem. Quem não mede as consequências não
deveria fazer bobagem".
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Recado direto aos que atentaram contra a democracia
A fala
de Lula ocorreu em meio à crescente pressão por parte de parlamentares e
aliados de Bolsonaro para que o Congresso Nacional conceda anistia aos
envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Para o presidente, esse
tipo de movimentação revela desprezo pela democracia e falta de maturidade
política. "Este país está precisando de um pouco de seriedade",
afirmou.
Ao
reforçar que não teme prestar contas por suas decisões, Lula sugeriu que seus
adversários diretos não têm a mesma disposição. A referência à busca por
anistia antes mesmo de uma eventual condenação ecoa os pedidos feitos pelo
próprio Bolsonaro e seu entorno, que têm apelado a deputados da base aliada em
defesa de medidas que os livrem de punições.
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Postura institucional e crítica ao populismo judicial
Ao
rejeitar qualquer tipo de mobilização financeira para custear sua defesa, Lula
também quis marcar distância de práticas que, segundo ele, enfraquecem a
institucionalidade e se aproximam do populismo judicial. Sua fala resgata
valores como responsabilidade, consequência e compromisso com a democracia.
"Quem não tem coragem não deveria fazer bobagem", repetiu, sugerindo
que é preciso ter hombridade para enfrentar as consequências dos próprios atos.
O
recado, ainda que não nominal, foi amplamente interpretado como uma resposta
direta a Jair Bolsonaro, cuja defesa tem utilizado apelos públicos e ações
políticas para tentar evitar punições em uma série de processos que tramitam na
Justiça Eleitoral e na esfera penal.
• Moraes veta Eduardo e Carlos Bolsonaro
como testemunhas na ação penal do "núcleo 2" da trama golpista
Em
decisão divulgada nesta terça-feira (1), o ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento das audiências dos
deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do vereador Carlos
Bolsonaro (PL-RJ) na ação penal que investiga o chamado “núcleo 2” da tentativa
de golpe de Estado.
As
oitivas dos dois filhos de Jair Bolsonaro (PL) haviam sido marcadas na semana
passada pelo próprio Moraes, juntamente com outras 116 testemunhas arroladas
pela acusação e pela defesa dos réus do processo. Ambos haviam sido indicados
como testemunhas de defesa do ex-assessor da Presidência da República Filipe
Martins, um dos seis acusados no núcleo.
No
entanto, ao rever sua decisão, o ministro destacou que Eduardo e Carlos
Bolsonaro são alvos de investigações diretamente ligadas aos fatos apurados
nesta e em outras frentes do inquérito. “Todas as investigações são conexas.
Ambos, também, são filhos de um dos investigados em ação penal conexa,
portanto, não podem ser ouvidos como testemunhas”, escreveu Moraes.
Ainda
de acordo com a reportagem, a decisão leva em conta a jurisprudência que impede
o depoimento como testemunha de pessoas que tenham interesse direto no processo
ou que sejam investigadas nos mesmos fatos.
Carlos
Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro, foi recentemente apontado pela Polícia
Federal como integrante de um suposto esquema de inteligência paralela montado
dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já o deputado federal
licenciado Eduardo Bolsonaro é investigado pelo STF em um inquérito que apura
sua possível atuação, a partir dos Estados Unidos, para pressionar autoridades
brasileiras com sanções internacionais.
Além
disso, Jair Bolsonaro, pai dos dois políticos, já é réu em outra ação penal
relacionada ao mesmo conjunto de investigações que tratam da tentativa de
ruptura institucional no país.
• Ao STF, advogado de Bolsonaro nega
abordagem a Mauro Cid e diz que encontro com mãe de delator foi "casual e
breve"
O
advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que representa Jair Bolsonaro (PL), negou ao
Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer tentativa de interferência na delação
premiada do tenente-coronel Mauro Cid ou intenção de integrar sua defesa.
Segundo o jornal O Globo, em petição enviada nesta segunda-feira (30) ao STF,
Bueno declarou que o encontro com Agnes Barbosa Cid, mãe de Mauro Cid, ocorrido
em agosto de 2023, foi "absolutamente casual e breve", durante uma
competição de hipismo em São Paulo, da qual a neta dela — filha do militar —
participava.
"O encontro foi bastante breve, amistoso
e absolutamente protocolar, dividindo o agradecimento da Sra. Agnes com os
cumprimentos do peticionário pela importante conquista da jovem amazona. Nada
para além disso", relatou o advogado.Bueno será ouvido nesta terça-feira
(1º) pela Polícia Federal. Ele havia solicitado dispensa ao STF, mas afirmou
que está à disposição para prestar esclarecimentos e confirmar sua versão dos
fatos.
A
oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a mãe de Mauro
Cid afirmar, em depoimento escrito encaminhado ao STF, que foi abordada por
Bueno e pelo também advogado Eduardo Kuntz durante o evento esportivo. Segundo
Agnes, embora eles não tenham mencionado diretamente a delação premiada de seu
filho, se ofereceram para assumir a defesa do tenente-coronel. “Fiquei tensa,
sem entender por que os advogados queriam falar comigo”, declarou.
A
investigação ocorre no contexto de um inquérito que apura uma possível
tentativa de interferência no acordo de colaboração premiada de Mauro Cid. Além
de Kuntz, também é investigado Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro. O
ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, também foi
intimado a depor, diante do relato da família de Cid sobre supostas abordagens.
Ainda
conforme a reportagem, em sua manifestação, Bueno reiterou que jamais buscou
assumir a defesa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e que sequer seria
possível tratar da delação à época do encontro, uma vez que ela ainda não havia
sido homologada. “Seria imoral e antiético”, completou.
Fonte:
Brasil 247

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