quarta-feira, 2 de julho de 2025

Bolsonaro é abandonado, Lula vai ao encontro do povo e os skatistas estão chegando, analisa Moisés Mendes

Skatistas abusados invadem a pista dos bolsonaristas. Lula avisa que voltará às periferias. Os tios do zap desistem de Bolsonaro na Paulista. E os bacanas do beach tennis da Faria Lima só querem saber de Tarcísio.

A democracia brasileira, desafiada pelas máfias dos emendeiros, chega à encruzilhada de 2025 antes do tempo. E antes da condenação de Bolsonaro e seus generais trapalhões. 

Em São Paulo, no domingo, Silas Malafaia produziu o gran finale da sequência de aglomerações para Bolsonaro, consagrando um fenômeno novo na política.

O pastor conseguiu reduzir o público em volta do líder a cada manifestação em São Paulo e no Rio. No próximo ato, se acontecer, é possível que a Paulista tenha mais skatistas do que velhinhos com camiseta da seleção. Se for em Copacabana, poderá ter mais surfistas.

Malafaia patrocinou a festa de despedida para Bolsonaro antes da prisão e teve que oferecer, contrariado, o palco a Tarcísio e não à ausente Michelle. Ao Tarcísio que tem muito mais a confiança do centrão e da Globo do que do bolsonarismo.

É o Brasil a caminho de agosto. Os skatistas atravessaram a Paulista e sumiram sem dizerem de onde saíram. Mas nos encantaram com a ilusão de que os jovens voltarão às ruas, desde que não seja como em 2013, quando abriram as passeatas para a classe média que derrubaria Dilma.

E Lula? Lula vai fazer o que mais sabe. Irá onde o povo está. Para alertar o centrão de que ainda tem a base social dos que cantavam seus jingles. Que com essa trincheira pode enfrentar a reorganização do cangaço das emendas e que ainda se entende com quem pode levá-lo ao quarto mandato.

Mas temos as dificuldades dos novos tempos. Lula se dispõe a ouvir o povo, como parte da esquerda cobrava que fizesse, mas o que povo está mesmo disposto a ouvir dele? O que o povo espera de Lula?

Os mais deprimidos podem se perguntar: cadê o povo que estava aqui e que desfrutou dos avanços dos governos anteriores do PT, até a ruptura de 2018, provocada pelo lavajatismo que vinha desde o golpe contra Dilma?

O povo não se contenta só com diversão e arte. E manda sinais de que sonha com as coisas até que os South Summits chamam de prosperidade das ações disruptivas. O povo quer mais do que comida com ovo, Bolsa Família e cotas na universidade. 

E, mesmo que as esquerdas gritem alto, talvez muitos do povo não assimilem que os 300 picaretas do Congresso são agora membros de facções trabalhando de forma mais organizada contra esse povo.

Lula não pode subestimar a capacidade do povo de se fingir de surdo, diante do avanço do fascismo. Tem povo desconfiando até da promessa de isenção dos R$ 5 mil do Imposto de Renda.

Lula vai conseguir convencê-lo de que Arthur Lira, Kassab, Hugo Motta, a Globo e Alcolumbre não querem a isenção? Que, para a direita, ele não pode oferecer esse ganho à classe média que há anos pede alguma esmola ao governo.

Lula vai conseguir dizer que os 300 das facções do Congresso preparam a armadilha para que ele não melhore a arrecadação com a tributação dos ricos e que acabe cortando gastos sociais? Que esse Congresso deseja vê-lo ‘moralizando’ com alarde o BPC (Benefício de Prestação Continuada) para velhinhas e pessoas com deficiência. Para dizer depois que ele persegue velhinhas.

Que vão tentar obrigá-lo a matar o Pé-de-Meia e o Vale-Gás e a cortar as verbas para remédios e para o ganho real do salário mínimo todos os anos? O povo tem clareza de que dois terços do Congresso são de inimigos do povo?

Na cabeça mágica de quem está mais à esquerda, Lula irá a campo para reconquistar o que foi perdido nesse tempo todo. Não perdido por ele, mas por quem teve ou ainda tem mandatos.

Um campo perdido pelo recuo do ativismo comunitário, dos que que poderiam ter mantido vínculos, mesmo que precários, com as periferias e o que ainda chamam de movimentos sociais.

Lula terá que resgatar o que as lideranças das esquerdas perderam nos últimos anos, por se dedicarem demais às eleições como resultado final, enquanto a extrema direita avançava.

É o cenário resumido de hoje e que pode mudar amanhã. Enquanto isso, os skatistas nos enredam em mais uma dúvida: eles vão voltar?

•        Lula ironiza Bolsonaro e pedidos por anistia: "quem é frouxo não deveria fazer bobagem"

Durante discurso nesta terça-feira (1), no lançamento do Plano Safra 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou de forma contundente os pedidos de anistia feitos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente alvo de investigações e processos relacionados à tentativa de golpe e ao uso indevido da máquina pública. Sem citar nomes, Lula criticou duramente os que, segundo ele, não assumem as consequências de seus atos e buscam escapar da Justiça.

"Eu nunca vou pedir para vocês fazerem Pix para mim. Nunca. Guardem seu dinheiro para pagar seus funcionários. Eu não quero Pix", declarou Lula, em alusão direta às campanhas de arrecadação promovidas por bolsonaristas para custear multas e despesas judiciais. Em seguida, foi enfático: "E jamais vou pedir anistia antes de ser condenado. Quem é frouxo não deveria fazer bobagem. Quem não tem coragem não deveria fazer bobagem. Quem não mede as consequências não deveria fazer bobagem".

<><> Recado direto aos que atentaram contra a democracia

A fala de Lula ocorreu em meio à crescente pressão por parte de parlamentares e aliados de Bolsonaro para que o Congresso Nacional conceda anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Para o presidente, esse tipo de movimentação revela desprezo pela democracia e falta de maturidade política. "Este país está precisando de um pouco de seriedade", afirmou.

Ao reforçar que não teme prestar contas por suas decisões, Lula sugeriu que seus adversários diretos não têm a mesma disposição. A referência à busca por anistia antes mesmo de uma eventual condenação ecoa os pedidos feitos pelo próprio Bolsonaro e seu entorno, que têm apelado a deputados da base aliada em defesa de medidas que os livrem de punições.

<><> Postura institucional e crítica ao populismo judicial

Ao rejeitar qualquer tipo de mobilização financeira para custear sua defesa, Lula também quis marcar distância de práticas que, segundo ele, enfraquecem a institucionalidade e se aproximam do populismo judicial. Sua fala resgata valores como responsabilidade, consequência e compromisso com a democracia. "Quem não tem coragem não deveria fazer bobagem", repetiu, sugerindo que é preciso ter hombridade para enfrentar as consequências dos próprios atos.

O recado, ainda que não nominal, foi amplamente interpretado como uma resposta direta a Jair Bolsonaro, cuja defesa tem utilizado apelos públicos e ações políticas para tentar evitar punições em uma série de processos que tramitam na Justiça Eleitoral e na esfera penal.

•        Moraes veta Eduardo e Carlos Bolsonaro como testemunhas na ação penal do "núcleo 2" da trama golpista

Em decisão divulgada nesta terça-feira (1), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento das audiências dos deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na ação penal que investiga o chamado “núcleo 2” da tentativa de golpe de Estado.

As oitivas dos dois filhos de Jair Bolsonaro (PL) haviam sido marcadas na semana passada pelo próprio Moraes, juntamente com outras 116 testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa dos réus do processo. Ambos haviam sido indicados como testemunhas de defesa do ex-assessor da Presidência da República Filipe Martins, um dos seis acusados no núcleo.

No entanto, ao rever sua decisão, o ministro destacou que Eduardo e Carlos Bolsonaro são alvos de investigações diretamente ligadas aos fatos apurados nesta e em outras frentes do inquérito. “Todas as investigações são conexas. Ambos, também, são filhos de um dos investigados em ação penal conexa, portanto, não podem ser ouvidos como testemunhas”, escreveu Moraes.

Ainda de acordo com a reportagem, a decisão leva em conta a jurisprudência que impede o depoimento como testemunha de pessoas que tenham interesse direto no processo ou que sejam investigadas nos mesmos fatos.

Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro, foi recentemente apontado pela Polícia Federal como integrante de um suposto esquema de inteligência paralela montado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro é investigado pelo STF em um inquérito que apura sua possível atuação, a partir dos Estados Unidos, para pressionar autoridades brasileiras com sanções internacionais.

Além disso, Jair Bolsonaro, pai dos dois políticos, já é réu em outra ação penal relacionada ao mesmo conjunto de investigações que tratam da tentativa de ruptura institucional no país.

•        Ao STF, advogado de Bolsonaro nega abordagem a Mauro Cid e diz que encontro com mãe de delator foi "casual e breve"

O advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que representa Jair Bolsonaro (PL), negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer tentativa de interferência na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid ou intenção de integrar sua defesa. Segundo o jornal O Globo, em petição enviada nesta segunda-feira (30) ao STF, Bueno declarou que o encontro com Agnes Barbosa Cid, mãe de Mauro Cid, ocorrido em agosto de 2023, foi "absolutamente casual e breve", durante uma competição de hipismo em São Paulo, da qual a neta dela — filha do militar — participava.

 "O encontro foi bastante breve, amistoso e absolutamente protocolar, dividindo o agradecimento da Sra. Agnes com os cumprimentos do peticionário pela importante conquista da jovem amazona. Nada para além disso", relatou o advogado.Bueno será ouvido nesta terça-feira (1º) pela Polícia Federal. Ele havia solicitado dispensa ao STF, mas afirmou que está à disposição para prestar esclarecimentos e confirmar sua versão dos fatos.

A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a mãe de Mauro Cid afirmar, em depoimento escrito encaminhado ao STF, que foi abordada por Bueno e pelo também advogado Eduardo Kuntz durante o evento esportivo. Segundo Agnes, embora eles não tenham mencionado diretamente a delação premiada de seu filho, se ofereceram para assumir a defesa do tenente-coronel. “Fiquei tensa, sem entender por que os advogados queriam falar comigo”, declarou.

A investigação ocorre no contexto de um inquérito que apura uma possível tentativa de interferência no acordo de colaboração premiada de Mauro Cid. Além de Kuntz, também é investigado Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro. O ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, também foi intimado a depor, diante do relato da família de Cid sobre supostas abordagens.

Ainda conforme a reportagem, em sua manifestação, Bueno reiterou que jamais buscou assumir a defesa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e que sequer seria possível tratar da delação à época do encontro, uma vez que ela ainda não havia sido homologada. “Seria imoral e antiético”, completou.

 

Fonte: Brasil 247

 

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