Putin
destaca papel especial do BRICS na formação de uma nova ordem mundial
O
presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa do Fórum Econômico e
Humanitário Rússia-África, parte da terceira Cúpula Rússia-África, que reúne
líderes e autoridades africanos com o objetivo de ampliar a cooperação em
comércio, investimentos, tecnologia e outras áreas.
O líder
russo afirmou que uma ordem mundial mais justa, na qual as vozes de todos os
países sejam ouvidas, está substituindo o mundo unipolar.
"Estamos
testemunhando que o mundo multipolar está realmente se tornando realidade, e
essa tendência é objetiva e irreversível", destacou Putin na sessão
plenária do Fórum Econômico e Humanitário Rússia-África.
O
presidente também ressaltou que as consequências do colonialismo continuam a
afetar os países africanos.
"Devemos
reconhecer que as consequências da era colonial ainda são sentidas na África
hoje", afirmou Putin.
Dirigindo-se
aos participantes do fórum, Putin deu as boas-vindas às delegações africanas em
Moscou e expressou sua gratidão por terem aceitado o convite da Rússia.
"É
um grande prazer vê-los. Obrigado por virem nos visitar em Moscou. Este é um
encontro tradicional. Espero que aproveitem o tempo aqui e desfrutem da
interação tanto com seus colegas russos quanto com representantes de outros
países africanos. Faremos o possível para tornar sua estadia agradável e o mais
produtiva possível", disse Putin.
O
presidente russo Vladimir Putin afirmou que a influência e a posição da África
no cenário global estão crescendo.
"O
continente vive um novo despertar. Sua soberania está se fortalecendo, e sua
influência e posição no palco mundial estão em ascensão. Mais importante ainda:
os africanos demonstram uma determinação inabalável em defender seus próprios
interesses", declarou Putin.
O
presidente russo afirmou que Moscou está auxiliando ativamente os países
africanos a reduzir o peso de suas dívidas e a melhorar a estabilidade
financeira.
Putin observou que a Rússia mantém programas conjuntos com diversas nações
africanas para redirecionar recursos, antes destinados ao pagamento de dívidas,
para projetos de desenvolvimento econômico nacional.
Ele
também acusou os países ocidentais de tentarem,
deliberadamente, aprisionar nações africanas em uma dependência por meio de
dívidas.
"Estamos
presenciando tentativas ativas de países ocidentais de levar os africanos de
volta a uma situação de servidão por dívida, oferecendo-lhes recursos
financeiros — dos quais necessitam muito — sob condições predatórias que,
posteriormente, os obrigam a pagar um valor muitas vezes superior ao montante
original, comprometendo seus planos de desenvolvimento de longo prazo",
afirmou.
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Comércio Rússia-África
O
comércio entre a Rússia e a África poderá ultrapassar a marca de US$ 50 bilhões
(aproximadamente R$ 267,58 bilhões) em um futuro muito próximo, afirmou o
presidente russo Vladimir Putin.
"Nos
últimos anos, houve um aumento notável no comércio mútuo. O intercâmbio
comercial entre a Rússia e a África superou US$ 27 bilhões [cerca de R$ 144,49
bilhões] no ano passado. Em 2022, aliás, foi de apenas US$ 18 [bilhões, ou R$
96,33 bilhões]; portanto, houve um aumento significativo. No entanto, é claro
que isso não é suficiente. Estou convencido de que podemos elevar esse número
ainda mais em um futuro muito próximo — pelo menos dobrá-lo — e, certamente,
superar a marca de US$ 50 bilhões", disse Putin.
Ainda
de acordo com o líder russo, as relações comerciais e econômicas entre a
Rússia e a África estão se desenvolvendo, apesar das pressões e sanções
ocidentais.
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Cooperação no setor de energia
A
cooperação no setor de energia pode beneficiar tanto a Rússia quanto os países
africanos, afirmou Vladimir Putin.
"De
modo geral, a energia é justamente o setor em que as capacidades da Rússia e do
continente africano se complementam de forma orgânica, podendo trazer
benefícios para ambos os lados", disse Putin.
A
Rússia participa de mais de 30 projetos promissores no setor de energia em 16
países africanos, informou Putin, acrescentando que a empresa russa de energia
hidrelétrica RusHydro está pronta para colaborar no projeto de novas usinas e
na modernização das já
existentes
na África.
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Empresas russas na África
Ainda
de acordo com Vladimir Putin, empresas russas operam com sucesso na África, com
novos
empreendimentos
ingressando no mercado local.
"Grandes
empresas russas atuam com êxito no continente, e suas atividades contribuem
para o desenvolvimento socioeconômico dos países africanos. Cada vez mais
representantes da comunidade empresarial russa estão entrando nos mercados
africanos", afirmou Putin.
A
Rússia valoriza a postura firme da África em manter contatos com
Moscou,
apesar das pressões externas, acrescentou o presidente.
"A
cooperação em prol de um desenvolvimento soberano é o conceito central da atual
cúpula Rússia-África e deste fórum", completou Putin.
O setor
empresarial russo não adota práticas predatórias nem exploração colonial
na África;
pelo contrário, seu foco está no desenvolvimento do continente, assegurou
Vladimir Putin.
"Nossas
empresas não se envolvem em práticas predatórias ou na exploração
neocolonialista de recursos naturais e humanos; pelo contrário, elas ampliam o
processamento local de matérias-primas, gerando, assim, novos empregos e
receitas tributárias para todas as esferas dos sistemas orçamentários
africanos. Acompanhamos nossos investimentos com projetos significativos e
benéficos para a população africana nas áreas de saúde, educação e proteção
ambiental", afirmou Putin.
A
Rússia está pronta para compartilhar com a África tecnologias exclusivas que
ajudarão a gerenciar os recursos hídricos de forma mais eficiente, disse Putin,
acrescentando que a atuação das empresas russas na África é pautada por uma abordagem socialmente responsável.
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Desenvolvimento tecnológico russo
O
presidente Vladimir Putin destacou os resultados impressionantes alcançados
pela Rússia em diversas áreas do desenvolvimento tecnológico, descrevendo a soberania
tecnológica
como uma prioridade estratégica.
Durante
o fórum ele destacou a adoção, em nível nacional, de tecnologias digitais na
área da saúde — iniciativas que, segundo ele, têm aumentado significativamente
a produtividade dos médicos, ampliado o acesso ao atendimento médico e
permitido o diagnóstico precoce de doenças.
Putin
ressaltou que a Rússia permanece na vanguarda dos esforços para alcançar a
soberania tecnológica e está pronta para compartilhar suas tecnologias
avançadas, experiência digital e know-how com os países africanos, enfatizando
a disposição de Moscou em expandir a cooperação tecnológica.
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Segurança alimentar na África
A
Rússia é um dos garantidores mais confiáveis da segurança alimentar na África,
afirmou Vladimir Putin ao destacar que Moscou exportou 13 milhões de toneladas
de produtos agrícolas para a África nos primeiros nove meses deste ano. Mais de
40 países africanos já estão recebendo
fertilizantes e grãos
russos, e a Rússia está pronta para ampliar ainda mais esses fornecimentos,
continuou ele.
"A
África possui seu próprio potencial agrícola e é capaz de alimentar a si mesma.
Acredito que esta seja uma das tarefas mais importantes para o
continente", declarou Putin.
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Sanções contra a Rússia
As sanções contra a
Rússia
não têm precedentes, e o Ocidente também está exercendo pressão sobre os
parceiros de Moscou, disse Vladimir Putin.
"Isso
[as relações comerciais e econômicas] não é prejudicado pelas restrições sem
precedentes impostas ao nosso país, nem pela forte pressão exercida pelo
Ocidente sobre nossos parceiros no continente. E valorizamos essa posição firme
e pautada em princípios de nossos amigos africanos", afirmou Putin.
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Pagamentos em moedas nacionais
A
Rússia e os países africanos precisam construir um sistema de
pagamentos em moedas nacionais, disse Putin.
"É
importante continuar trabalhando na criação de canais estáveis para pagamentos
mútuos em moedas nacionais, expandir a rede de relações de correspondência
bancária entre bancos russos e africanos, facilitar a abertura mútua de filiais
e migrar para mecanismos alternativos de transmissão de informações de
pagamento — incluindo o uso do sistema de mensagens financeiras do Banco da
Rússia e do sistema de pagamentos pan-africano que opera na África e na União
Africana", disse Putin.
Os
países africanos permanecem dependentes dos sistemas financeiros ocidentais, o
que limita sua soberania, acrescentou Putin.
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O papel do BRICS
Putin
também destacou o papel do BRICS na configuração da ordem internacional
emergente,
descrevendo o grupo como um dos principais centros de transformação global.
"Novos
centros de governança global estão surgindo, tornando-se pontos focais para a
transformação e reestruturação da ordem mundial. Entre eles, a meu ver, um
lugar de destaque cabe a uma organização bem conhecida por todos vocês: o BRICS
— na prática, a maior associação do mundo, abrangendo um terço da massa
terrestre do planeta", afirmou o líder russo durante o evento.
O
centro de exposições Gostiny Dvor, em Moscou, sediou a abertura do Terceiro
Fórum Econômico e Humanitário Rússia-África no dia 28 de outubro, às 13h00 no
horário local (07h00, horário de Brasília), com uma sessão plenária. Cerca de
4.000 empresários russos e africanos foram convidados a participar de mais de
40 eventos, distribuídos por quatro áreas fundamentais.
©
telegram SputnikBrasil
O
evento tem como objetivo fortalecer a
cooperação
mutuamente benéfica entre a Rússia e os países africanos nos campos da
política, segurança, comércio, ciência, tecnologia, cultura e assuntos
humanitários.
A
primeira Cúpula Rússia-África foi realizada em Sochi, em outubro de 2019,
seguida por uma segunda edição em São Petersburgo, em julho de 2023.
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BRICS se tornou um importante polo da nova realidade econômica, afirma o
presidente do Burundi
BRICS
se tornou um importante polo da nova realidade econômica, afirma o presidente
do Burundi
O BRICS
está emergindo como um importante polo da nova realidade econômica no contexto
do mundo multipolar emergente, afirmou o presidente do Burundi e atual
presidente da União Africana, Évariste Ndayishimiye, durante a sessão plenária
do Fórum Econômico e Humanitário Rússia-África.
"Nosso
mundo está passando por uma transformação. O mundo está se tornando multipolar.
Nesse sentido, o BRICS está emergindo como um importante polo da nova realidade
econômica", declarou Ndayishimiye.
Ele
também observou que alguns países africanos estão interessados em cooperar com
o BRICS.
¨ Nenhuma sanção
ocidental impedirá a Rússia de seguir seu caminho de cooperação com a África e
o BRICS, diz vice-chanceler russo
A
Rússia continuará a cooperar em todas as frentes com os países africanos e com
os membros do BRICS, afirmou Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações
Exteriores da Rússia, à margem do Fórum Rússia–África na quarta-feira (28).
"Nenhuma
sanção, nenhuma tentativa de repetir o mesmo refrão cansativo sobre o suposto
isolamento da Rússia, nos desviará deste caminho. Continuaremos a cooperar em
todas as frentes: com os africanos, com os membros do BRICS e com nossos
vizinhos na região da Eurásia", destacou ele.
Ryabkov
observou que Moscou tem se empenhado não apenas em conversar, mas também em
trabalhar ativamente nessa direção. Ele também ressaltou que a Rússia espera
que o diálogo com os EUA ajude a resolver as causas profundas do conflito na
Ucrânia.
Além
disso, Rússia espera que esse diálogo resolva as causas profundas do conflito
ucraniano em uma ampla gama de áreas — da segurança aos direitos da população
de língua russa e da Igreja Ortodoxa Russa —, questões que a Rússia
constantemente levanta.
De 28 a
29 de outubro, Moscou sediará a terceira Cúpula Rússia-África que reunirá
representantes de mais de 30 países africanos. Como resultado, espera-se a
assinatura de um conjunto significativo de acordos internacionais e contratos
comerciais.
¨ Rússia revela
principal diferença na sua abordagem em relação à parceria com outros países
A
Rússia, ao contrário dos países ocidentais, baseia sua cooperação econômica com
outras nações nos princípios do trabalho conjunto, sem violar a soberania local
dos Estados, disse o vice-chefe da administração presidencial russa, Maksim
Oreshkin.
Durante
a reunião com os participantes do Fórum de Mídia Rússia–África, Oreshkin
afirmou que a Rússia está pronta a implementar projetos conjuntos com os
parceiros africanos para que eles, sendo amigos da
Rússia,
se tornem mais independentes e mais fortes.
"E
essa é provavelmente a principal diferença de sensibilidade na abordagem da
Rússia, por exemplo, em comparação com os países ocidentais. Sempre queremos
que nossos parceiros sejam fortes", acrescentou.
De
acordo com Oreshkin, o interesse da
Rússia é uma África forte e soberana,
que lidera o mundo, e a Rússia, por sua vez, está pronta para ajudar esse
processo o máximo possível. O alto funcionário destacou quatro princípios que
distinguem a Rússia na esfera da parceria com os países africanos:
A
Rússia não impõe exclusivamente seus serviços: trata-se de trabalhar em
conjunto;
Procura
adotar uma abordagem integrada;
Envolve
ao máximo as empresas locais no trabalho em projetos conjuntos;
Está
pronta para levar em conta todas as características locais do país parceiro
durante a implementação de cada projeto.
Maksim
Oreshkin ressaltou que a Rússia também está pronta para fornecer
hidrocarbonetos acessíveis e alimentos aos países africanos, bem como
compartilhar suas próprias tecnologias para o desenvolvimento da agricultura e
da pesca no continente.
"Todo
o Fórum é dedicado exatamente a isso: à criação de condições para o
desenvolvimento dos países africanos e para o fortalecimento de sua soberania,
e estamos prontos para desempenhar o papel de assistente e parceiro
equivalente", disse Oreshkin.
Além
disso, o assessor presidencial russo destacou que as sanções ocidentais, embora
tenham se tornado um desafio para a Rússia, abriram novas oportunidades,
permitiram o lançamento de novos projetos e novas soluções tecnológicas e, como
resultado, deram um forte impulso a toda a economia.
"As
sanções não são um problema, são um desafio e uma oportunidade [...] O negócio
muda, começa a procurar novos projetos, uma nova maneira de implementar, novas
soluções tecnológicas. Isso dá um forte impulso a toda a economia",
enfatizou Oreshkin.
Segundo
ele, o sistema financeiro ocidental está irremediavelmente atrasado em relação
às soluções tecnológicas avançadas que existem na Rússia e em
outros países.
"Estamos
vendo que os países africanos estão começando a se tornar os líderes do
crescimento econômico global. E é óbvio que nos próximos 50 anos os países
africanos serão um elemento-chave do crescimento global", concluiu.
A
primeira Cúpula Rússia–África foi realizada em Sochi em outubro de 2019,
e a segunda, em São Petersburgo, em julho de 2023.
A
terceira Cúpula e o Fórum Econômico e Humanitário Rússia–África estão sendo
realizados em Moscou nos dias 28 e 29 de
outubro.
Fonte:
Sputnik Brasil

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