HPB:
novas técnicas podem preservar a ejaculação
A
hiperplasia prostática benigna (HPB) atinge cerca de 50% dos homens acima dos
50 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Embora associada ao
envelhecimento, a condição não deve ser confundida com câncer: é um crescimento
benigno da próstata, que não se transforma em tumor maligno. Quando comprime a
uretra, porém, pode prejudicar a passagem da urina, comprometer o sono e afetar
significativamente a qualidade de vida.
Neste
Novembro Azul, os avanços terapêuticos trazem uma mudança importante: além de
aliviar a obstrução urinária, algumas técnicas minimamente invasivas buscam
preservar a ejaculação. Radiofrequência, micro-ondas, laser, vapor de água,
implantes prostáticos e procedimentos assistidos por robôs ampliam as
possibilidades de tratamento, com mais eficácia e menos impacto sobre a função
sexual.
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Sinais de alerta
“Levantar
várias vezes à noite para urinar, ter dificuldade para começar ou perceber o
jato cada vez mais fraco não deve ser encarado como algo inevitável da idade”,
alerta o urologista Pedro Gouveia, da Clínica Urológica da Bahia e Hospital Dia
(CUB). Urgência para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
também são manifestações frequentes do aumento benigno da próstata. Sem
acompanhamento adequado, casos graves podem evoluir para retenção urinária,
infecções, sangramentos urinários e até
danos renais.
A
avaliação considera os sintomas, o exame físico e, quando indicados, exames de
urina, PSA, ultrassonografia, ressonância da próstata, urodinâmica e urofluxometria. Quadros leves podem ser
acompanhados com mudanças de hábitos, enquanto medicamentos ajudam a facilitar
a micção ou reduzir o volume prostático. “Não tratamos apenas o tamanho da
próstata. Queremos recuperar o conforto e a autonomia do paciente, levando em
conta também suas expectativas em relação à vida sexual”, afirma o urologista e
cirurgião robótico Augusto Modesto, também da CUB.
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Novas tecnologias
Entre
as técnicas emergentes está a ablação transperineal por radiofrequência,
realizada com agulhas introduzidas pela região entre o escroto e o ânus,
guiadas por imagem, reduzindo o volume do tecido prostático. Estudo brasileiro
publicado em 2026 na revista científica Diagnostic and Interventional Radiology
acompanhou 34 pacientes e identificou preservação da ejaculação em 90% dos
homens sexualmente ativos após 12 meses. O resultado é promissor e já está
sendo utilizado em casos específicos.
“Em
pacientes selecionados, conseguimos tratar a obstrução com procedimentos menos
invasivos, potencialmente com menor sangramento, sem internação prolongada e
por técnicas minimamente invasivas. Preservar a ejaculação é um objetivo
importante, mas não pode ser prometido em todos os casos”, ressalta Augusto
Modesto. Em setembro deste ano, a CUB realizou seu primeiro curso de ablação
prostática para HPB, dedicado à radiofrequência e às micro-ondas, duas
modalidades utilizadas para o tratamento da HPB, que podem ser realizadas no
âmbito de hospital dia e com uso de anestesia loco-regional.
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Escolha individual
A
enucleação prostática a laser (HoLEP ou ThuLEP) remove o tecido que dificulta a
passagem da urina; o Rezūm utiliza vapor de água para reduzi-lo; e o UroLift
recorre a pequenos implantes, chamados de “grampos”, para comprimir o tecido
prostático com volume aumentado, aumentando assim o diâmetro da uretra e
facilitando a passagem da urina, sem necessariamente diminuir o volume da
glândula prostática. A aquablation emprega jatos de água guiados por sistema
robótico e pode oferecer maior preservação da ejaculação, embora não esteja
disponível no Brasil ainda. Para próstatas muito volumosas, outra opção é a
prostatectomia simples assistida por robô, que retira o tecido aumentado, e não
toda a próstata, como ocorre em cirurgias
oncológicas para o tratamento do câncer da próstata.
“Não
existe uma técnica ideal para todos. A decisão depende do volume e da anatomia
da próstata, da intensidade dos sintomas, das prioridades do paciente
(incluindo a preservação da ejaculação), do custo e do acesso do paciente e de
seu plano de saúde à tecnologia escolhida”, explica Pedro Gouveia. Com mais de
50 anos de atuação, a CUB reúne consultas, exames, procedimentos urológicos e
cirurgias no âmbito de hospital dia e está localizado na Ladeira do Hospital,
no bairro de Nazaré, em Salvador.
Fonte:
Carla Santana - Assessora de Imprensa

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