Flávio
Bolsonaro disse que não deixaria o Brasil; relembre declarações dele desmentidas
pelos fatos
Menos
de 24 horas separaram a promessa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de permanecer no
Brasil de sua fuga do país. Na segunda-feira (26), o senador afirmou que nunca
havia pensado em deixar o território brasileiro, garantiu que cumpriria uma
ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeu liderar a oposição ao novo
governo Lula. Naquela mesma noite, porém, deixou o país, segundo apuração do
ICL Notícias.
A
contradição não foi um episódio isolado. Nos últimos meses, declarações de
Flávio sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento de um
filme sobre Jair Bolsonaro e viagens em aeronaves privadas foram confrontadas
por mensagens, documentos e registros financeiros.
O
histórico de mudanças de versão ganhou uma dimensão ainda maior depois da
derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.
Antes da votação, Flávio havia prometido respeitar o resultado das urnas.
Depois, anunciou que pediria a anulação do pleito e passou a defender a
cassação da chapa vencedora.
Em
setembro, um levantamento do Aos Fatos já havia identificado ao menos 43
declarações enganosas do senador relacionadas ao escândalo do Banco Master e a
Daniel Vorcaro. O episódio desta semana acrescenta uma nova contradição ao
histórico de declarações do senador.
Segundo
apuração do ICL Notícias, Flávio teria passado pela Argentina com a intenção de
seguir para os Estados Unidos. A saída ocorreu apesar de uma decisão do
ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de viajar ao exterior e
determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF).
Intimado
enquanto visitava o pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, o senador havia
divulgado um vídeo em que assegurava que cumpriria a determinação judicial.
“Eu
nunca pensei em sair do país”, declarou.
Flávio
não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido. A Polícia Federal
cancelou seus passaportes e anunciou que comunicaria o descumprimento ao STF.
>>>> RELEMBRE AS DECLARAÇÕES
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Negou conhecer Vorcaro, mas depois admitiu relação desde 2024
Em
março de 2026, quando documentos da CPI do INSS revelaram que seu número de
telefone constava na agenda de Daniel Vorcaro, Flávio afirmou que nunca havia
mantido contato com o empresário.
“Nunca
tive contato”, declarou à Folha de S.Paulo. Na ocasião, argumentou que seu
telefone não era secreto e poderia ter sido compartilhado por terceiros.
Dois
meses depois, a divulgação de conversas pelo Intercept Brasil revelou uma
relação que ia além da presença de um número telefônico na agenda. As mensagens
mostraram o senador tratando de compromissos financeiros com Vorcaro e se
dirigindo ao banqueiro de maneira amistosa.
Em uma
das conversas, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem
meia conversa entre a gente”.
Diante
da repercussão, reconheceu que conhecia Vorcaro desde dezembro de 2024.
Posteriormente, justificou a negativa anterior afirmando que um contrato
relacionado ao filme Dark Horse continha uma cláusula de confidencialidade.
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Chamou revelação de mentira e confirmou negociação horas depois
Outra
mudança de versão ocorreu em 13 de maio, quando o Intercept Brasil questionou
Flávio sobre mensagens que apontavam negociações de R$ 134 milhões com Vorcaro
para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
O
senador reagiu com uma gargalhada, chamou o jornalista de militante e rejeitou
a informação.
“É
mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso?”, respondeu.
Horas
depois, publicou um vídeo confirmando a autenticidade das conversas e admitindo
ter procurado o banqueiro para obter recursos para a produção cinematográfica.
Flávio
sustentou que se tratava de um investimento privado, sem utilização de dinheiro
público ou incentivos da Lei Rouanet. Também negou ter cometido qualquer
irregularidade.
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Disse que nunca voou em avião de Vorcaro, mas documentos apontaram viagem
Em
julho, ao tentar delimitar sua relação com o dono do Banco Master, Flávio
afirmou que os contatos entre os dois se restringiam ao financiamento do filme.
“Nunca
entrei em avião do Vorcaro”, declarou, acrescentando que não frequentava festas
ou ambientes sociais ligados ao empresário.
A
afirmação foi confrontada em setembro, quando documentos obtidos pela revista
piauí revelaram que Flávio havia viajado com a esposa e as filhas, em janeiro
de 2025, dos Estados Unidos para Brasília, em uma aeronave ligada a uma empresa
da qual Vorcaro era sócio.
O
avião, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha entre seus proprietários a Prime
You, empresa que contava com o banqueiro em seu quadro societário na época da
viagem.
Flávio
argumentou posteriormente que o voo havia sido disponibilizado pelo advogado
Willer Tomaz, também sócio da aeronave. A explicação, porém, não afastou o
vínculo entre o jato e a empresa ligada a Vorcaro.
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Afirmou que pagamentos terminaram em maio, mas Coaf identificou transferência
em setembro
Ao
explicar o financiamento de Dark Horse, Flávio declarou que a última parcela do
investimento de Vorcaro havia sido realizada em maio de 2025.
A data
foi utilizada pelo parlamentar para sustentar que os pagamentos ocorreram antes
do agravamento público das suspeitas sobre o Banco Master.
Posteriormente,
um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf),
divulgado pela revista piauí, identificou uma transferência de US$ 1,66 milhão,
realizada em 16 de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, fundo
americano utilizado no financiamento do filme.
A
remessa partiu da Entre Investimentos, empresa ligada à estrutura financeira de
Vorcaro. O registro colocou em dúvida a cronologia apresentada pelo senador, já
que a movimentação ocorreu quatro meses depois da data que ele havia apontado
como encerramento dos pagamentos. Naquele mês, o Banco Central já havia
rejeitado a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
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Não mencionou encontro após prisão de Vorcaro e depois confirmou reunião
A
cronologia dos contatos entre Flávio e Vorcaro sofreu outra alteração em maio.
Nas
primeiras explicações após a divulgação das mensagens, o senador apresentou a
relação como uma negociação comercial iniciada antes das principais
investigações contra o banqueiro.
Posteriormente,
reportagem do Metrópoles revelou que os dois haviam se encontrado quando
Vorcaro já utilizava tornozeleira eletrônica.
Questionado,
Flávio confirmou a reunião. Segundo sua justificativa, procurou o empresário
para encerrar a negociação e reclamar da falta de informações sobre a gravidade
de sua situação.
O
encontro não havia sido mencionado nas explicações anteriores, apesar de ter
ocorrido depois da primeira prisão do banqueiro.
A
revelação ampliou o período conhecido de contato entre os dois e acrescentou um
novo episódio à relação que Flávio inicialmente havia negado.
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Prometeu prestação de contas, mas perícia deixou despesas sem esclarecimento
Após
reconhecer a negociação para financiar Dark Horse, Flávio afirmou que
apresentaria informações sobre os recursos utilizados na produção.
A
promessa ganhou relevância diante das suspeitas de que parte do dinheiro
destinado ao filme pudesse ter sido utilizada para outras finalidades.
Em
junho, a produtora apresentou uma perícia realizada por um profissional
contratado, que concluiu não ter identificado utilização de recursos públicos.
Flávio
passou a citar o documento como demonstração de transparência. Durante sabatina
ao Jornal Nacional, em agosto, afirmou que as informações sobre os gastos já
haviam sido esclarecidas.
Entretanto,
segundo levantamento do Aos Fatos, a perícia não detalhou todas as notas
fiscais e deixou de examinar despesas realizadas nos Estados Unidos,
responsáveis por quase 70% dos gastos apresentados.
O
profissional responsável pelo trabalho afirmou não ter tido acesso a essa
parcela da documentação.
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Alegou que fotografia com Sicário era feita por IA, mas checagem contestou
versão
Em
julho, o ICL Notícias divulgou uma fotografia que mostrava Flávio ao lado de
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, apontado como integrante do
entorno de Daniel Vorcaro.
O
senador questionou a autenticidade da fotografia e alegou manipulação por
inteligência artificial. Depois, mudou sua explicação e afirmou não saber se a
imagem era verdadeira. Uma checagem do Aos Fatos contestou a versão de
montagem.
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Defendeu CPI do Master, mas assinou apenas parte dos requerimentos
Em
diferentes manifestações públicas, Flávio afirmou apoiar a criação de uma
Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master.
O
discurso foi utilizado pelo senador para rebater críticas de que tentava
proteger pessoas relacionadas ao escândalo.
Um
levantamento do Aos Fatos, entretanto, identificou sua assinatura em apenas
dois dos cinco pedidos de instalação de comissões apresentados sobre o caso.
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Disse que aceitaria resultado das eleições, mas anunciou pedido de anulação
As
divergências entre declarações e atitudes também apareceram na disputa
presidencial.
Antes
do segundo turno, Flávio havia afirmado em entrevista à jornalista Renata Lo
Prete, da TV Globo, que respeitaria o resultado das urnas.
No
domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula por uma diferença superior
a 4,4 milhões de votos, o senador anunciou que não reconheceria o resultado e
que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição.
A
justificativa foi a prorrogação do horário de votação até as 19h em seções
afetadas por dificuldades de deslocamento de eleitores.
A
decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, diante dos
transtornos provocados pelas chuvas e por problemas no transporte.
Flávio
classificou a medida como uma alteração das regras durante a disputa e alegou
quebra de igualdade entre os eleitores.
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Criticou prorrogação da votação que sua própria campanha também solicitou
A
contestação do horário de votação apresentou outra divergência.
Enquanto
Flávio apontava a prorrogação como motivo para questionar a legitimidade do
segundo turno, sua própria campanha havia solicitado medidas semelhantes em
localidades atingidas pelas chuvas.
Segundo
a Agência Brasil, a decisão de Zanin considerou pedidos apresentados pelas duas
candidaturas, incluindo a do senador.
A
extensão do horário foi determinada em caráter emergencial para garantir o
direito ao voto de eleitores que enfrentavam dificuldades de deslocamento.
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Anunciou pedido de anulação e depois mudou estratégia para cassação da chapa
A
reação à derrota também passou por uma mudança de estratégia jurídica.
Na
noite de domingo, Flávio afirmou que pediria a anulação do segundo turno. No
dia seguinte, porém, passou a defender uma ação para cassar a chapa formada por
Lula e Geraldo Alckmin (PSB).
A nova
argumentação envolvia supostas práticas de abuso de poder político e econômico
durante a campanha.
As duas
medidas possuem fundamentos e consequências diferentes. Enquanto a anulação
questiona a validade da votação, a cassação busca responsabilizar uma
candidatura por irregularidades eleitorais.
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Prometeu liderar oposição no Brasil, mas fugiu após decisão do STF
Na
segunda-feira (26), Flávio afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a
oposição ao novo governo Lula, reunir parlamentares eleitos e fortalecer a
atuação do PL no Congresso Nacional.
Horas
depois, segundo apuração do ICL Notícias, o senador deixou o país, apesar da
determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de viajar ao
exterior.
A
movimentação ocorreu após seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados
Unidos, ter defendido publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a
eleição presidencial.
A
Polícia Federal não encontrou registro formal da saída do senador e passou a
apurar as circunstâncias da travessia da fronteira. O governo argentino também
informou não ter localizado registro oficial de sua entrada.
• Lula sobre fuga de Flávio Bolsonaro:
‘Quem sai escondido deve ter medo de alguma coisa’
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a
saída às pressas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota
na eleição presidencial. Segundo o presidente, deixar o país de forma discreta
pode indicar que há algo a temer.
A
declaração ocorre em meio a informações de que Flávio deixou o território
brasileiro com destino aos Estados Unidos, menos de 48 horas após perder a
disputa eleitoral. O senador não havia cumprido a determinação do ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os
passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixar o país.
“Veja,
eu perdi eleições para o Collor. Eu fiquei no Brasil. Eu perdi eleição para o
Fernando Henrique Cardoso duas vezes, eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu
para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil. Eu fico
imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as
eleições e foge do seu país. (…) Quem não deve não teme”, disse Lula.
Lula
também comparou a situação à sua própria trajetória. O presidente afirmou que,
mesmo diante de convites para deixar o Brasil, decidiu permanecer no país em
2018, quando foi preso no âmbito da Operação Lava Jato.
Na
ocasião, Lula permaneceu preso por 580 dias, até ser solto após decisões do STF
que anularam suas condenações.
Fonte:
ICL Notícias

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