Paulista
x Faria Lima: quem indicará o novo ministro da Fazenda
O
presidente Lula, já eleito, com a Constituição na mão, ovacionado na Avenida
Paulista durante a conquista histórica de domingo, prometeu um novo governo, ou
seja, sem o austericídio fiscal, que denominou de babaquice do superávit
primário, condenado por ele, em campanha, em Curitiba.
Porém,
já na segunda-feira, na Faria Lima, os especuladores do mercado financeiro, a
bancocracia tupiniquim, deram o troco: derrubaram a bolsa e puxaram para cima o
dólar, dando o recado ao presidente Lula de que querem que ele continue babaca
na condução da política econômica, realizando o superávit primário para manter
elevada a taxa de juros, maior freio ao desenvolvimento econômico sustentável.
As
informações contraditórias originadas na equipe econômica são as de que o
governo, ainda este ano, tomará medidas para perseguir o centro da meta fiscal,
correspondente às demandas do arcabouço fiscal, que visa alcançar 0,5% de
superávit no orçamento primário – despesas primárias, receitas menos gastos,
excluindo o pagamento de juros da dívida, correspondentes a cerca de 9% do PIB.
Predominando
esse ponto de vista, vêm aí cortes nas despesas públicas, saúde, educação,
infraestrutura, desvinculação do salário mínimo das aposentadorias, arrocho nos
programas sociais distributivos de renda etc.
Continuará
ou não a sangria financeira que suga R$ 1 trilhão e meio do bolso dos
trabalhadores para servir os rentistas especuladores?
<><>
Desafio à vista
O
próximo tira-teima, que dará o rumo dos acontecimentos econômico-financeiros,
certamente ocorrerá em duas semanas, com mais uma reunião do Conselho de
Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando exercitará a sua
independência, ao largo da vontade do Planalto, a ser comandado por Lula,
eleito por mais de 64 milhões de votos – 4 milhões a mais do que o alcançado
pelo seu adversário.
O que
prevalecerá: a vontade dos milhões de votantes, ansiosos por uma nova política
econômica, ou a de meia dúzia de banqueiros que, arrogantemente, defendem, na
Faria Lima, a continuidade do que o vitorioso nas urnas considerou babaquice,
vale dizer, a prática do superávit primário, antagônica à vontade popular, a
provocar o mal-estar social vigente?
Lula,
em sua primeira entrevista, no calor da vitória, cercado pela massa eufórica,
assegurou que governará com o Congresso, onde estará a nova maioria parlamentar
esmagadora de neoliberais, favoráveis ao austericídio fiscal, ao mesmo tempo em
que se comprometeu em fazer um governo das maiorias expressas nas ruas.
<><>
Maioria x minoria
A
ambiguidade está no ar: de um lado, aqueles que manipulam, desde sempre, o
câmbio e a inflação, para alcançar juros na escala impossível de permitir a
governabilidade democrática; de outro, os que contestaram, nas urnas, esse
direcionamento impopular, causador do mal-estar social.
Destaque-se
que, no domingo, os neoliberais, que se configuraram como união de governadores
e prefeitos, juntos com empresários de transporte coletivo, impediram o acesso
de eleitores às urnas, em São Paulo e Salvador, tentando o golpe eleitoral para
favorecer o fascismo bolsonarista.
Tiveram
de ser contidos, emergencialmente, pela ação rápida do ministro Zanin, do STF,
contra a morosidade do ministro Kássio Nunes, do TSE/STF, a serviço do
bolsonarismo.
Essa
manobra criminosa serviu de motivo ao presidente Donald Trump, dos Estados
Unidos, para denunciar fraude eleitoral contra seu aliado, Flávio Bolsonaro,
derrotado por mais de 4 milhões de votos, 3,5% do total da votação.
Mesmo
em meio a tais manobras golpistas, que se transformaram em escândalo mundial, a
Faria Lima, no dia seguinte, seguiu com ações criminosas, especulativas, na
tentativa de criar confusão e pânico no mercado financeiro, fortalecendo a
sensação visível da sociedade de que se trata de ação de agentes criminosos, de
resto já comprovada pela Polícia Federal, em operações tipo a Carbono Oculto.
Subjaz,
portanto, uma tensão crescente entre o interesse da maioria vencedora expressa
na Avenida Paulista e o da minoria, na Faria Lima, onde mora o crime financeiro
organizado, cujo objetivo era ter no Planalto não Lula, mas Flávio Bolsonaro,
neste momento, transformado em fugitivo, rumo aos Estados Unidos, fazendo
possível escala na Argentina, governada pelo fascista Javier Milei, ambos
aliados de Trump.
O
centro nervoso da luta política, portanto, transfere-se para o Ministério da
Fazenda, cujo futuro titular ainda é uma incógnita: será um desenvolvimentista,
nacionalista, comprometido com as demandas sociais de milhões de votantes, na
Paulista, que evitaram a vitória do fascismo bolsonarista, ou alguém
antinacionalista, antidesenvolvimentista, indicado pela bancocracia sediada na
Faria Lima?
• Durigan diz que Rafael Fonteles é
“excelente nome” para a Fazenda
O
ministro da Fazenda, Dario Durigan, elogiou nesta terça-feira (27) o governador
reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que passou a ser mencionado como
possível sucessor no comando da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT). Apesar da avaliação positiva, Durigan ressaltou que ainda não
existe uma decisão sobre a composição do ministério para o próximo mandato
presidencial.
Questionado
sobre a possibilidade de Fonteles assumir a Fazenda, Durigan afirmou que a
escolha dos integrantes do futuro governo será discutida por Lula nas próximas
semanas e meses.
“Não
tem nenhuma definição. (…) Não tratamos de equipe. Esse é um assunto que o
presidente vai se debruçar agora nas próximas semanas, nos próximos meses, para
definir. E acho o nome do Rafael um excelente nome”, declarou o ministro.
A
manifestação ocorre dois dias depois da reeleição de Lula para um quarto
mandato, em meio às primeiras discussões sobre a composição da equipe que
acompanhará o presidente nos próximos quatro anos.
Durigan
esteve reunido com Lula no fim da segunda-feira (26). O encontro teve como
principal assunto a reação do mercado financeiro ao resultado da eleição
presidencial. A reunião ocorreu em um momento de atenção às expectativas dos
investidores e aos próximos passos da política econômica.
Embora
tenha reconhecido as qualidades de Fonteles, o atual ministro evitou antecipar
qualquer decisão sobre sua permanência no cargo ou sobre uma eventual
substituição. Segundo Durigan, o presidente ainda não iniciou as definições
sobre os nomes que integrarão a próxima equipe.
<><>
Rafael Fonteles foi reeleito no primeiro turno
O
governador do Piauí aparece entre os nomes mencionados para o Ministério da
Fazenda após conquistar a reeleição em primeiro turno, no último dia 4 de
outubro.
Antes
de assumir o governo estadual, Fonteles acumulou experiência na administração
das finanças públicas. Entre 2015 e 2022, comandou a Secretaria da Fazenda do
Piauí, função que desempenhou durante sete anos antes de chegar ao Palácio de
Karnak.
A
passagem pela área econômica do governo estadual é um dos elementos de sua
trajetória que ganham destaque diante das especulações sobre uma possível
indicação para o ministério.
Apesar
disso, Fonteles sinalizou que pretende permanecer à frente do Executivo
piauiense. Em entrevista à GloboNews, o governador afirmou que nunca discutiu
com Lula a possibilidade de ocupar um cargo no governo federal.
• Maior acionista privado da Petrobras vê
oportunidade no Brasil após reeleição de Lula
A forte
turbulência nos mercados financeiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não afastou o interesse de um dos maiores investidores
internacionais no Brasil. Rajiv Jain, cofundador da GQG Partners, gestora que
ocupa a posição de maior acionista privada da Petrobras, avalia que a queda dos
ativos brasileiros representa uma oportunidade de investimento e considera
equivocada a decisão de vender ações do país neste momento.
Em
entrevista à Bloomberg, reproduzida pela Folha de S.Paulo, Jain afirmou que a
reação negativa à vitória de Lula foi desproporcional às perspectivas
econômicas das empresas brasileiras. O investidor, responsável pela
administração de aproximadamente US$ 150 bilhões (R$ 811,3 bilhões), destacou
que o mercado nacional continua oferecendo ações com preços atrativos,
resultados financeiros consistentes e elevada distribuição de dividendos.
“Se
você adotar uma visão de longo prazo, acreditamos que o Brasil seja um dos
melhores mercados de ações” entre os emergentes, afirmou Jain. O executivo
também sinalizou disposição para ampliar suas posições caso a pressão vendedora
continue. “Podemos comprar se a venda ficar mais intensa.”
<><>
Investidor considera exagerada a reação à vitória de Lula
A
avaliação do empresário contrasta com o comportamento dos investidores na
segunda-feira (26), quando o mercado financeiro brasileiro registrou perdas
expressivas após a confirmação da reeleição presidencial.
O
Ibovespa chegou a cair 17% durante o pregão, provocando o acionamento do
mecanismo de interrupção automática das negociações, conhecido como circuit
breaker, pela primeira vez desde 2020. O real também sofreu sua maior
desvalorização em mais de duas décadas.
A
reação ocorreu porque parte significativa do mercado apostava na vitória de
Flávio Bolsonaro, que havia terminado o primeiro turno à frente de Lula. O
desempenho eleitoral do candidato da direita alimentou expectativas de uma
política fiscal mais restritiva, especialmente diante das preocupações com o
crescimento da dívida pública.
Jain,
entretanto, considera que os investidores frequentemente atribuem consequências
excessivas às mudanças políticas. Para ele, o funcionamento das instituições
brasileiras e os fundamentos econômicos das empresas precisam ser considerados
nas decisões de investimento.
“As
pessoas sempre têm esse medo, mas os freios e contrapesos ainda funcionam
razoavelmente bem”, declarou. Em seguida, reforçou sua avaliação sobre as
perspectivas do país: “Na nossa avaliação, vender Brasil agora seria um erro.”
<><>
Petrobras rendeu mais de 285% desde aposta realizada em 2022
A
confiança de Jain no mercado brasileiro tem como principal referência a
experiência da GQG Partners com a Petrobras. Em 2022, quando investidores
internacionais reduziram suas posições na estatal diante das preocupações com o
retorno de Lula à Presidência, a gestora adotou a estratégia oposta.
Na
ocasião, a GQG ampliou sua participação na companhia petrolífera e se
consolidou como sua maior acionista privada. A decisão contrariou as
expectativas de investidores que temiam mudanças na política de preços dos
combustíveis, na distribuição de dividendos e na administração da empresa.
Quatro
anos depois, os resultados dessa estratégia são expressivos. Desde 2022, as
ações da Petrobras acumulam retorno superior a 285% em dólares, considerando a
valorização dos papéis e os dividendos distribuídos aos acionistas.
O
desempenho superou, inclusive, o retorno de grandes companhias de tecnologia
dos Estados Unidos, como Microsoft, Amazon e Alphabet, controladora do Google,
que também registraram forte valorização no período.
Para
Jain, a experiência demonstra que as preocupações políticas nem sempre se
traduzem em prejuízos para os investidores. O executivo continua considerando a
Petrobras uma alternativa interessante, especialmente por sua capacidade de
gerar resultados e remunerar acionistas.
Segundo
ele, a companhia “ainda está barata” e oferece dividendos elevados,
características que sustentam sua atratividade mesmo em um ambiente de
incertezas políticas.
<><>
Brasil continua entre as principais apostas da GQG
Apesar
de ter reduzido sua exposição ao mercado brasileiro nos últimos meses, a GQG
Partners mantém o Brasil como sua maior posição acima do peso do índice de
referência entre os mercados emergentes.
No
encerramento de setembro, os ativos brasileiros representavam 14% da carteira
do GQG Partners Emerging Markets Equity Fund, fundo com patrimônio de
aproximadamente US$ 18 bilhões (R$ 97 bilhões).
Em
março, essa participação havia alcançado 24%. A redução ocorreu principalmente
porque Jain decidiu direcionar parte dos recursos para empresas de
semicondutores de Taiwan e da Coreia do Sul, acompanhando uma mudança de
avaliação sobre as perspectivas da inteligência artificial.
Mesmo
após o ajuste, a participação brasileira permanecia quase dez pontos
percentuais acima do peso atribuído ao país no índice utilizado como referência
pelo fundo.
Além da
Petrobras, Jain identifica oportunidades em instituições financeiras e empresas
brasileiras de serviços públicos, setores que considera interessantes diante
das avaliações de mercado e das perspectivas de remuneração aos acionistas.
A
disposição para manter investimentos no Brasil ocorre em um período de
dificuldades para a própria GQG. A gestora enfrenta resgates de recursos após
registrar desempenho inferior ao de seus concorrentes, em parte devido à
postura anteriormente pessimista de Jain em relação às empresas ligadas à
inteligência artificial.
Neste
ano, o fundo de mercados emergentes da GQG acumula retorno inferior a 2%,
enquanto seu índice de referência registra valorização de aproximadamente 14%.
<><>
Jain lembra valorização da Bolsa durante primeiro governo Lula
Outro
argumento apresentado pelo investidor para sustentar sua confiança no Brasil é
o desempenho do mercado acionário durante os primeiros mandatos de Lula,
iniciados em 2003.
Naquele
período, as ações brasileiras registraram valorização significativa,
impulsionadas também pelo ciclo internacional de alta das commodities. A
expansão da demanda global por matérias-primas favoreceu empresas brasileiras e
contribuiu para atrair investimentos estrangeiros.
Jain
utiliza essa experiência para demonstrar que a presença de Lula na Presidência
não representa, necessariamente, um obstáculo à rentabilidade dos
investimentos.
O
executivo reconhece, contudo, que o Brasil precisa enfrentar desafios fiscais
importantes. Entre eles, destaca a necessidade de reduzir o déficit
orçamentário e os custos de financiamento, que permanecem em patamares de dois
dígitos.
Embora
a reeleição de Lula tenha renovado as dúvidas de parte dos investidores sobre a
trajetória das contas públicas, Jain considera que o governo ainda dispõe de
espaço para promover reformas capazes de melhorar o ambiente econômico e
favorecer o mercado.
<><>
Mercado começa a se estabilizar após queda histórica
Na
manhã desta terça-feira (27), os mercados brasileiros apresentavam sinais de
estabilização depois das perdas acentuadas registradas no primeiro pregão após
a eleição.
O
principal índice da Bolsa recuava aproximadamente 0,7%, enquanto o real
apresentava valorização de 1,1%, indicando uma recuperação parcial em relação
ao movimento observado na segunda-feira.
Para
Jain, as oscilações recentes não alteram os fundamentos que tornam o Brasil um
destino relevante para investimentos de longo prazo. Sua avaliação é que o
debate político frequentemente provoca movimentos exagerados nos preços dos
ativos, criando oportunidades para investidores dispostos a atravessar períodos
de instabilidade.
“A
política no Brasil nunca é tão boa quanto as pessoas acham nem tão ruim quanto
imaginam”, afirmou o executivo. “A resposta geralmente está em algum lugar no
meio.”
Fonte:
Por Cesar Fonseca, em Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário