quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Estudo identifica novo subtipo de depressão ligado ao relógio biológico

Um estudo internacional publicado pela Cambridge University Press, na última semana, identificou um suposto subtipo da depressão e analisou seus impactos sobre remédios e hábitos no organismo. Chamada de circadiana, a doença está relacionada ao ciclo circadiano - um ritmo biológico do corpo que regula funções como sono, metabolismo e temperatura.

Ao todo, foram analisados dados genéticos de 11.380 pessoas. Deste total, cerca de 23% do grupo (2.604), sendo 80% mulheres e 20% homens, apresentavam características compatíveis com a classificação do subtipo.

Os resultados apontam que esses participantes não costumam responder com efetividade aos tratamentos com antidepressivos. Os pesquisadores sugerem, então, outras alternativas voltadas à regularização do sono e a exposição ao sol para a melhora da doença.

Os pacientes também relataram início de sintomas de depressão na juventude (18 anos contra 23 anos daqueles que não possuem o subtipo), experiências semelhantes à hipomaníacas e psicóticas, suicídio, sofrimento psicológico, ganho de peso (41%) durante episódios depressivos, entre outros.

Ter um subtipo circadiano também esteve associado a maiores riscos para transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, depressão e transtorno bipolar (12%).

<><>Sintomas que indicam depressão cicardiana

Segundo os pesquisadores, os seguintes critérios podem estar relacionados ao subtipo da doença, principalmente no que diz respeito ao padrão do sono:

1.       Sazonalidade: sensibilidade às mudanças de estação do ano, apresentando padrões específicos de crises em diferentes épocas

2.       Hipersonia: dormir muito mais que o habitual durante crises

3.       Cansaço matinal: sensação de estar muito cansado ao acordar

4.       Dormir muito tarde: preferir horários tardios

5.       Jetlag social: desalinhamento entre horários de sono em dias úteis e de folga

<><> Relação com antidepressivos

Para os pacientes com depressão circadiana, a repostas aos antidepressivos tradicionais com inibidores de serotonina e serotonina-noradetranalina são apontados como de menor eficácia.

Por essa razão, os pesquisadores sugerem direcionar o plano terapêutico para intervenções focadas na regulação do relógio biológico:

•        Fototerapia: exposição ao sol

•        Regularização do Sono: alinhamento nos horários de dormir e acordar

•        Hábitos saudáveis: dieta saudável e exercícios físicos.

Apesar de indicar a circadiana como um subtipo da depressão, ela ainda não está classificada com efetividade como um tipo de transtorno mental. Os cientistas sugerem que sejam feitas mais investigações para comprová-la.

•        "Bíblia" da psiquiatria vai deixar de olhar apenas os sintomas

O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), conhecido como a "bíblia" da psiquiatria, manteve um modelo baseado na descrição de sintomas desde a sua última edição. Com a inclusão de medidas objetivas, a psiquiatria pretende reduzir o método de tentativa e erro na prescrição de medicamentos e avançar em direção à medicina de precisão.

A nova iniciativa pretende transformar o diagnóstico e o tratamento em saúde mental. A análise sobre o futuro do manual foi publicada no periódico científico American Journal of Psychiatry.

<><> Sobre a pesquisa

Entre os exemplos analisados está a dosagem da Proteína C-Reativa (PCR), em que cerca de 27% dos pacientes com depressão apresentam níveis elevados dessa proteína inflamatória no sangue, e respondem melhor a tratamentos específicos do que aos antidepressivos tradicionais.

Além disso, pesquisas de neuroimagem identificaram um biotipo cognitivo – um subtipo ou perfil de funcionamento cerebral identificado – presente em aproximadamente 25% dos casos de depressão. Esse grupo demonstra menor atividade em circuitos cerebrais de controle cognitivo e apresenta melhores resultados com terapias direcionadas, como a estimulação magnética transcraniana (TMS).

No campo genético, os escores de risco poligênico (PRS) calculam a predisposição acumulada para condições como a esquizofrenia, onde indivíduos nos 10% de maior risco possuem probabilidade 2,3 vezes superior de diagnóstico em comparação à média. Dados de EEG e cognição também permitiram agrupar psicoses em três biotipos biológicos distintos.

<><> Objetivo de assertividade

A ideia é conectar a prática psiquiátrica às descobertas biológicas, migrando de um modelo baseado apenas em sintomas descritivos para um sistema informado por medidas objetiva.

Ao integrar marcadores biológicos, comportamentais e clínicos para identificar subgrupos biologicamente distintos dentro das categorias psiquiátricas amplas, a medicina poderá identificar os subtipos biológicos.

Facilitando o diagnóstico antecipado e viabilizando estratégias de prevenção antes da progressão dos quadros, torna a escolha de medicamentos e intervenções mais eficaz, rápida e específica, diminuindo a necessidade de testes sucessivos até encontrar a conduta adequada.

 

Fonte: CNN Brasi

 

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