Denise
Assis: Covardia se aprende em casa, na família Bolsonaro
O traço
de maior característica da família Bolsonaro é a covardia. O pai, Jair, não
suportou a ideia da derrota e de ter que transmitir a faixa ao seu principal
opositor, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022. Pegou um avião da FAB, que
abarrotou de dinheiro e joias, ainda na condição de presidente prestes a deixar
o cargo, e picou a mula para Miami. Agora é Flávio Bolsonaro, que na derrota
não apenas chora, mas foge.
Até o
momento, a sua condição é a de “desaparecido”, embora, segundo informações
colhidas no calor dos acontecimentos pela colega Marcia Carmo, correspondente
na Argentina pelo 247, o seu nome apareça na lista de passageiros do avião
particular retido em um hangar do aeroporto de Nova Iguaçu, na fronteira com o
Brasil. Até agora, pelo que se sabe, Flávio Bolsonaro, o ex-candidato à
presidência do Brasil, derrotado nas urnas pelo povo brasileiro, teria entrado
naquele país com sua carteira de identidade nacional.
Para a
Polícia Federal, onde ele teria que entregar, hoje, os seus passaportes –
diplomático e comum –, sua condição é a de quem descumpriu a ordem exarada pelo
ministro da Suprema Corte, Alexandre de Moraes, para que assim procedesse.
Flávio Bolsonaro ultrapassou o prazo limite para que isto fosse feito e ninguém
sabe do seu paradeiro. Os aliados negam que ele tenha deixado o país, mas de
acordo com as informações transmitidas ao 247 por Marcia Carmo, um dos pilotos
que voaria até Miami com o avião particular confirmou o seu nome na lista onde
constavam quatro passageiros.
O
desaparecimento do ex-candidato se deu após ele fazer uma visita ao pai, Jair
Bolsonaro, nesta segunda-feira, após sofrer derrota fragorosa para o presidente
Lula. Como é sabido, Jair se encontra em prisão domiciliar, num condomínio de
luxo no Jardim Botânico, em Brasília. De acordo com informações obtidas, a
partida ocorreu às 2h da manhã, a bordo de um Gulfstream G400.
A
coragem e a dignidade não são traços dos Bolsonaro, que costumam fraquejar na
hora do confronto. Como todos se lembram, e já é história, também Jair não
enfrentou a derrota e tampouco reconheceu com elegância e honra a derrota para
o presidente Lula, eleito no pleito em que ambos disputaram. Agora é Flávio
quem prefere a porta dos fundos da história, numa atitude covarde e pouco
honrosa para quem prometeu, há menos de 48 horas, “não abandonar o Brasil”.
• Flávio foge também do abandono pela
direita. Por Moisés Mendes
Flávio
Bolsonaro foi abandonado por Michelle no segundo turno e teve, na campanha
fracassada, a companhia protocolar de Tarcísio de Freitas e de outros
oportunistas que nem bolsonaristas são. Flávio sentia que estava sendo
abandonado.
Foi
abandonado pelos pastores evangélicos, pelos deputados do PL que se elegeram e
largaram de mão a campanha. E foi jogado na estrada principalmente pelos
líderes da velha direita engolida em sucessivas eleições pelo fascismo.
O que
restava da velha Arena que a extrema direita comeu em vários Estados, entre os
quais o Rio Grande do Sul, reduzindo bancadas na Câmara e no Senado de partidos
como o PP e o PSD, não se esforçou por Flávio.
Fingiram
que se dedicavam à campanha, mas sem dar o que podiam, ou sumiram. Ficaram as
figuras do bolsonarismo exacerbado, como Nikolas Ferreira, mas desastradas ou
inconsequentes. Tão desastradas que, em quase todas as cidades em que Nikolas
investiu com sua caravana de ódio e mentiras, Lula aumentou sua votação.
Flávio
foi tratado como um pangaré inconfiável por Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto,
Antonio Rueda e Gilberto Kassab. Foi esnobado pelos empresários. Considerava-se
o candidato da Faria Lima que lava dinheiro para o PCC, mas quem da Faria Lima
acreditava mesmo nele?
O filho
ungido viu a fuga de aliados no segundo turno, a partir do momento em que não
havia mais como resistir à avalanche provocada pelo Exército de Janones. Pela
primeira vez o bolsonarismo era derrotado nas ruas e nas redes. A direita jogou
parada durante as três semanas até a eleição.
Depois
de levar uma lavada de 4,4 milhões de votos, o derrotado testou suas forças ao
questionar a eleição, mas a direita esperta avisou: estamos fora dessa.
Tarcísio e o centrão o abandonaram. Só o mais ingênuo ou idiota dos políticos
não bolsonaristas, sem compromisso com a fidelização do extremismo, poderia se
aliar à tentativa de mais uma simulação de golpe.
Flávio
foge porque não teria nenhuma chance de continuar sendo tratado a pão de ló
pelo Judiciário, principalmente pelo Supremo, como foi até o engavetamento do
caso das rachadinhas. Não há mais como como passar pano para tudo o que se
acumulou das investigações sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro.
A fuga
oferece à velha direita a chance de se desfazer do controle exercido até aqui
pelo que sobrou do núcleo original do bolsonarismo, a partir dos filhos do
líder golpista. Michelle e Tarcísio não fazem parte dessa estrutura e também já
comemoram a fuga.
A velha
direita tem neste 27 de outubro, no dia do aniversário de Lula, a fuga como
presente aos velhos conservadores que haviam se acovardado diante da expansão
da extrema direita. Vão se livrar do jugo da família que se esfacela por não
ter, pelos crimes que cometeu, como suportar mais uma derrota.
A
partir de hoje, e considerando-se também a possibilidade de derrota de Trump
nas eleições americanas de renovação do Congresso no dia 3 de novembro, Flávio
Bolsonaro é um perdedor sem futuro de curto e médio prazos, como o pai e o
irmão.
O
derrotado em fuga vira um traste e não vale a soma de um Allan dos Santos com
um Paulo Figueiredo. Flávio passa a se equivaler ao irmão Eduardo, a Carla
Zambelli e a Alexandre Ramagem. Para o fascismo, fugir será sempre um verbo no
infinitivo.
• Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA
ganha repercussão internacional
A
possibilidade de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha deixado o Brasil
após ser derrotado na eleição presidencial de domingo (25) ganhou destaque na
imprensa internacional nesta terça-feira (27). Veículos estrangeiros noticiaram
as incertezas sobre seu paradeiro, a suspeita de uma saída pela fronteira com a
Argentina e informações de que ele estaria a caminho dos Estados Unidos.
A
Polícia Federal (PF) apura se o parlamentar deixou o território brasileiro. A
repercussão internacional ocorre em meio à ausência de informações oficiais
sobre sua localização e à divulgação de relatos atribuídos a fontes ouvidas por
veículos estrangeiros. Até o momento, as informações apresentadas não permitem
confirmar de maneira independente o destino do senador.
A
agência Reuters publicou uma reportagem intitulada “O Brasil se pergunta: onde,
afinal, está Flávio Bolsonaro?”, na qual afirmou, com base em fontes, que o
senador fugiu do Brasil. A agência também destacou o mistério em torno de sua
localização e relatou que assessores do parlamentar se recusaram a comentar seu
paradeiro.
A
Reuters associou a preocupação com o desaparecimento de Flávio Bolsonaro ao
comportamento de seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro, após a derrota
eleitoral de 2022.
“O
mistério sobre seu paradeiro gerou preocupações de que ele possa seguir os
passos de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se mudou para os Estados
Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula em 2022”, afirmou a
agência.
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Jornal britânico destaca prazo para entrega do passaporte
O
jornal britânico The Guardian também abordou a suspeita de fuga e chamou
atenção para o fato de Flávio Bolsonaro não ter sido visto publicamente desde
segunda-feira (26).
De
acordo com a publicação, o senador deixou de cumprir, na manhã desta
terça-feira, o prazo estabelecido para entregar seu passaporte à Polícia
Federal. O episódio ampliou as especulações sobre uma possível saída do país
após o resultado das urnas.
O
Guardian afirmou que “Bolsonaro não era visto desde segunda-feira e perdeu, na
manhã de terça-feira, o prazo para entregar seu passaporte à Polícia Federal, o
que alimentou rumores de que ele poderia ter fugido do Brasil após a derrota no
domingo”.
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Jornal argentino afirma que senador estaria a caminho dos Estados Unidos
Na
Argentina, o La Nación deu destaque à possibilidade de que Flávio Bolsonaro
tenha utilizado a fronteira terrestre para sair do Brasil.
Durante
a madrugada desta terça-feira, um jornal argentino divulgou que o senador teria
atravessado a fronteira em direção a Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a
Foz do Iguaçu, no Paraná.
O La
Nación foi além e afirmou, com base em fontes, que o parlamentar “fugiu do
Brasil e está em voo para os Estados Unidos”.
O
veículo argentino dedicou amplo espaço em seu site à cobertura do caso.
Entretanto, o relato sobre um suposto voo para os Estados Unidos permanece
atribuído às fontes do jornal, sem confirmação oficial apresentada nas
informações divulgadas.
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Polícia Federal apura possível saída do Brasil
A
suspeita de fuga ocorre enquanto Flávio Bolsonaro é investigado no caso
conhecido como “Dark Horse” e por sua relação com o advogado Willer Tomaz.
A
Polícia Federal informou que apura se o senador efetivamente deixou o país. As
informações publicadas até agora não esclarecem se ele cruzou a fronteira com a
Argentina, se embarcou para os Estados Unidos ou se permanece em território
brasileiro.
A
ausência de esclarecimentos por parte de seus assessores, somada à informação
sobre a não entrega do passaporte, contribuiu para que o caso ultrapassasse a
cobertura nacional e ganhasse espaço em veículos de diferentes países.
• Deputados pedem cassação de Flávio
Bolsonaro e suspensão de salário após fuga para os EUA
Um
grupo de parlamentares apresentou nesta terça-feira (27) um pedido ao
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que seja
investigado um possível abandono das funções parlamentares pelo senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), após sua fuga do Brasil com destino aos Estados Unidos. Os
autores do documento solicitam a suspensão do salário e dos benefícios do
senador e defendem a perda do mandato, caso sejam identificados fundamentos
legais ou regimentais para a medida.
Segundo
a coluna da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo, a iniciativa é liderada
pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) e ocorre após a divulgação de
notícias sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A saída do
país foi confirmada pela agência Reuters e por aliados do senador, conforme a
reportagem.
O
ofício encaminhado a Alcolumbre pede que a presidência do Senado examine a
situação funcional de Flávio Bolsonaro e avalie a adoção de providências diante
de sua ausência do país. Entre as medidas solicitadas estão a interrupção do
pagamento de sua remuneração e dos benefícios associados ao exercício do
mandato.
Os
parlamentares também defendem que seja analisada a possibilidade de perda do
mandato, condicionada à existência de previsão legal ou regimental. O pedido,
portanto, não representa uma decisão de cassação, mas uma solicitação para que
o Senado investigue os fatos e examine eventuais consequências administrativas
e parlamentares.
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Descumprimento de determinação de Moraes é citado no pedido
Um dos
principais pontos apresentados pelos autores do ofício é a informação de que
Flávio Bolsonaro deixou o território brasileiro sem entregar seus passaportes à
Polícia Federal, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes
havia estabelecido um prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. O
senador, no entanto, não cumpriu a determinação antes de deixar o país, segundo
as informações divulgadas.
A
situação também envolve a dificuldade de comunicação com o parlamentar. Flávio
está sem contato com aliados desde a manhã desta terça-feira (27), conforme
relatado pelo jornal.
A saída
para os Estados Unidos e o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes
são mencionados no documento como elementos que justificariam a apuração de um
possível abandono das atividades legislativas.
O
pedido de investigação ocorre em meio aos desdobramentos da saída do senador do
Brasil, mas a eventual perda do mandato dependeria de procedimento próprio e da
verificação dos requisitos previstos na legislação e nas normas do Senado.
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Parlamentares do Psol e do PT assinam documento
Além de
Sâmia Bomfim, o ofício é assinado pelos deputados federais Fernanda Melchionna
(Psol-RS) e Glauber Braga (PSOL-RJ), pelo deputado distrital Fábio Félix
(Psol-DF) e pela vereadora Vivi Reis (Psol-PA).
Também
subscrevem o documento Jones Manoel, deputado federal eleito pelo Psol de
Pernambuco, e Renato Freitas, deputado estadual pelo PT do Paraná e eleito
deputado federal.
Fonte:
Brasil 247

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