quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Denise Assis: Covardia se aprende em casa, na família Bolsonaro

O traço de maior característica da família Bolsonaro é a covardia. O pai, Jair, não suportou a ideia da derrota e de ter que transmitir a faixa ao seu principal opositor, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022. Pegou um avião da FAB, que abarrotou de dinheiro e joias, ainda na condição de presidente prestes a deixar o cargo, e picou a mula para Miami. Agora é Flávio Bolsonaro, que na derrota não apenas chora, mas foge.

Até o momento, a sua condição é a de “desaparecido”, embora, segundo informações colhidas no calor dos acontecimentos pela colega Marcia Carmo, correspondente na Argentina pelo 247, o seu nome apareça na lista de passageiros do avião particular retido em um hangar do aeroporto de Nova Iguaçu, na fronteira com o Brasil. Até agora, pelo que se sabe, Flávio Bolsonaro, o ex-candidato à presidência do Brasil, derrotado nas urnas pelo povo brasileiro, teria entrado naquele país com sua carteira de identidade nacional.

Para a Polícia Federal, onde ele teria que entregar, hoje, os seus passaportes – diplomático e comum –, sua condição é a de quem descumpriu a ordem exarada pelo ministro da Suprema Corte, Alexandre de Moraes, para que assim procedesse. Flávio Bolsonaro ultrapassou o prazo limite para que isto fosse feito e ninguém sabe do seu paradeiro. Os aliados negam que ele tenha deixado o país, mas de acordo com as informações transmitidas ao 247 por Marcia Carmo, um dos pilotos que voaria até Miami com o avião particular confirmou o seu nome na lista onde constavam quatro passageiros.

O desaparecimento do ex-candidato se deu após ele fazer uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira, após sofrer derrota fragorosa para o presidente Lula. Como é sabido, Jair se encontra em prisão domiciliar, num condomínio de luxo no Jardim Botânico, em Brasília. De acordo com informações obtidas, a partida ocorreu às 2h da manhã, a bordo de um Gulfstream G400.

A coragem e a dignidade não são traços dos Bolsonaro, que costumam fraquejar na hora do confronto. Como todos se lembram, e já é história, também Jair não enfrentou a derrota e tampouco reconheceu com elegância e honra a derrota para o presidente Lula, eleito no pleito em que ambos disputaram. Agora é Flávio quem prefere a porta dos fundos da história, numa atitude covarde e pouco honrosa para quem prometeu, há menos de 48 horas, “não abandonar o Brasil”.

•        Flávio foge também do abandono pela direita. Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro foi abandonado por Michelle no segundo turno e teve, na campanha fracassada, a companhia protocolar de Tarcísio de Freitas e de outros oportunistas que nem bolsonaristas são. Flávio sentia que estava sendo abandonado.

Foi abandonado pelos pastores evangélicos, pelos deputados do PL que se elegeram e largaram de mão a campanha. E foi jogado na estrada principalmente pelos líderes da velha direita engolida em sucessivas eleições pelo fascismo.

O que restava da velha Arena que a extrema direita comeu em vários Estados, entre os quais o Rio Grande do Sul, reduzindo bancadas na Câmara e no Senado de partidos como o PP e o PSD, não se esforçou por Flávio.

Fingiram que se dedicavam à campanha, mas sem dar o que podiam, ou sumiram. Ficaram as figuras do bolsonarismo exacerbado, como Nikolas Ferreira, mas desastradas ou inconsequentes. Tão desastradas que, em quase todas as cidades em que Nikolas investiu com sua caravana de ódio e mentiras, Lula aumentou sua votação.

Flávio foi tratado como um pangaré inconfiável por Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto, Antonio Rueda e Gilberto Kassab. Foi esnobado pelos empresários. Considerava-se o candidato da Faria Lima que lava dinheiro para o PCC, mas quem da Faria Lima acreditava mesmo nele?

O filho ungido viu a fuga de aliados no segundo turno, a partir do momento em que não havia mais como resistir à avalanche provocada pelo Exército de Janones. Pela primeira vez o bolsonarismo era derrotado nas ruas e nas redes. A direita jogou parada durante as três semanas até a eleição.

Depois de levar uma lavada de 4,4 milhões de votos, o derrotado testou suas forças ao questionar a eleição, mas a direita esperta avisou: estamos fora dessa. Tarcísio e o centrão o abandonaram. Só o mais ingênuo ou idiota dos políticos não bolsonaristas, sem compromisso com a fidelização do extremismo, poderia se aliar à tentativa de mais uma simulação de golpe.

Flávio foge porque não teria nenhuma chance de continuar sendo tratado a pão de ló pelo Judiciário, principalmente pelo Supremo, como foi até o engavetamento do caso das rachadinhas. Não há mais como como passar pano para tudo o que se acumulou das investigações sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro.

A fuga oferece à velha direita a chance de se desfazer do controle exercido até aqui pelo que sobrou do núcleo original do bolsonarismo, a partir dos filhos do líder golpista. Michelle e Tarcísio não fazem parte dessa estrutura e também já comemoram a fuga.

A velha direita tem neste 27 de outubro, no dia do aniversário de Lula, a fuga como presente aos velhos conservadores que haviam se acovardado diante da expansão da extrema direita. Vão se livrar do jugo da família que se esfacela por não ter, pelos crimes que cometeu, como suportar mais uma derrota.

A partir de hoje, e considerando-se também a possibilidade de derrota de Trump nas eleições americanas de renovação do Congresso no dia 3 de novembro, Flávio Bolsonaro é um perdedor sem futuro de curto e médio prazos, como o pai e o irmão.

O derrotado em fuga vira um traste e não vale a soma de um Allan dos Santos com um Paulo Figueiredo. Flávio passa a se equivaler ao irmão Eduardo, a Carla Zambelli e a Alexandre Ramagem. Para o fascismo, fugir será sempre um verbo no infinitivo.

•        Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA ganha repercussão internacional

A possibilidade de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha deixado o Brasil após ser derrotado na eleição presidencial de domingo (25) ganhou destaque na imprensa internacional nesta terça-feira (27). Veículos estrangeiros noticiaram as incertezas sobre seu paradeiro, a suspeita de uma saída pela fronteira com a Argentina e informações de que ele estaria a caminho dos Estados Unidos.

A Polícia Federal (PF) apura se o parlamentar deixou o território brasileiro. A repercussão internacional ocorre em meio à ausência de informações oficiais sobre sua localização e à divulgação de relatos atribuídos a fontes ouvidas por veículos estrangeiros. Até o momento, as informações apresentadas não permitem confirmar de maneira independente o destino do senador.

A agência Reuters publicou uma reportagem intitulada “O Brasil se pergunta: onde, afinal, está Flávio Bolsonaro?”, na qual afirmou, com base em fontes, que o senador fugiu do Brasil. A agência também destacou o mistério em torno de sua localização e relatou que assessores do parlamentar se recusaram a comentar seu paradeiro.

A Reuters associou a preocupação com o desaparecimento de Flávio Bolsonaro ao comportamento de seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro, após a derrota eleitoral de 2022.

“O mistério sobre seu paradeiro gerou preocupações de que ele possa seguir os passos de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos após se recusar a reconhecer a derrota para Lula em 2022”, afirmou a agência.

<><> Jornal britânico destaca prazo para entrega do passaporte

O jornal britânico The Guardian também abordou a suspeita de fuga e chamou atenção para o fato de Flávio Bolsonaro não ter sido visto publicamente desde segunda-feira (26).

De acordo com a publicação, o senador deixou de cumprir, na manhã desta terça-feira, o prazo estabelecido para entregar seu passaporte à Polícia Federal. O episódio ampliou as especulações sobre uma possível saída do país após o resultado das urnas.

O Guardian afirmou que “Bolsonaro não era visto desde segunda-feira e perdeu, na manhã de terça-feira, o prazo para entregar seu passaporte à Polícia Federal, o que alimentou rumores de que ele poderia ter fugido do Brasil após a derrota no domingo”.

<><> Jornal argentino afirma que senador estaria a caminho dos Estados Unidos

Na Argentina, o La Nación deu destaque à possibilidade de que Flávio Bolsonaro tenha utilizado a fronteira terrestre para sair do Brasil.

Durante a madrugada desta terça-feira, um jornal argentino divulgou que o senador teria atravessado a fronteira em direção a Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.

O La Nación foi além e afirmou, com base em fontes, que o parlamentar “fugiu do Brasil e está em voo para os Estados Unidos”.

O veículo argentino dedicou amplo espaço em seu site à cobertura do caso. Entretanto, o relato sobre um suposto voo para os Estados Unidos permanece atribuído às fontes do jornal, sem confirmação oficial apresentada nas informações divulgadas.

<><> Polícia Federal apura possível saída do Brasil

A suspeita de fuga ocorre enquanto Flávio Bolsonaro é investigado no caso conhecido como “Dark Horse” e por sua relação com o advogado Willer Tomaz.

A Polícia Federal informou que apura se o senador efetivamente deixou o país. As informações publicadas até agora não esclarecem se ele cruzou a fronteira com a Argentina, se embarcou para os Estados Unidos ou se permanece em território brasileiro.

A ausência de esclarecimentos por parte de seus assessores, somada à informação sobre a não entrega do passaporte, contribuiu para que o caso ultrapassasse a cobertura nacional e ganhasse espaço em veículos de diferentes países.

•        Deputados pedem cassação de Flávio Bolsonaro e suspensão de salário após fuga para os EUA

Um grupo de parlamentares apresentou nesta terça-feira (27) um pedido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que seja investigado um possível abandono das funções parlamentares pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após sua fuga do Brasil com destino aos Estados Unidos. Os autores do documento solicitam a suspensão do salário e dos benefícios do senador e defendem a perda do mandato, caso sejam identificados fundamentos legais ou regimentais para a medida.

Segundo a coluna da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo, a iniciativa é liderada pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) e ocorre após a divulgação de notícias sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A saída do país foi confirmada pela agência Reuters e por aliados do senador, conforme a reportagem.

O ofício encaminhado a Alcolumbre pede que a presidência do Senado examine a situação funcional de Flávio Bolsonaro e avalie a adoção de providências diante de sua ausência do país. Entre as medidas solicitadas estão a interrupção do pagamento de sua remuneração e dos benefícios associados ao exercício do mandato.

Os parlamentares também defendem que seja analisada a possibilidade de perda do mandato, condicionada à existência de previsão legal ou regimental. O pedido, portanto, não representa uma decisão de cassação, mas uma solicitação para que o Senado investigue os fatos e examine eventuais consequências administrativas e parlamentares.

<><> Descumprimento de determinação de Moraes é citado no pedido

Um dos principais pontos apresentados pelos autores do ofício é a informação de que Flávio Bolsonaro deixou o território brasileiro sem entregar seus passaportes à Polícia Federal, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Moraes havia estabelecido um prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. O senador, no entanto, não cumpriu a determinação antes de deixar o país, segundo as informações divulgadas.

A situação também envolve a dificuldade de comunicação com o parlamentar. Flávio está sem contato com aliados desde a manhã desta terça-feira (27), conforme relatado pelo jornal.

A saída para os Estados Unidos e o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes são mencionados no documento como elementos que justificariam a apuração de um possível abandono das atividades legislativas.

O pedido de investigação ocorre em meio aos desdobramentos da saída do senador do Brasil, mas a eventual perda do mandato dependeria de procedimento próprio e da verificação dos requisitos previstos na legislação e nas normas do Senado.

<><> Parlamentares do Psol e do PT assinam documento

Além de Sâmia Bomfim, o ofício é assinado pelos deputados federais Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Glauber Braga (PSOL-RJ), pelo deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF) e pela vereadora Vivi Reis (Psol-PA).

Também subscrevem o documento Jones Manoel, deputado federal eleito pelo Psol de Pernambuco, e Renato Freitas, deputado estadual pelo PT do Paraná e eleito deputado federal.

 

Fonte: Brasil 247

 

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