Diabetes
e vida sexual: 5 problemas que merecem atenção
A
dificuldade para manter uma ereção, o desconforto durante a relação e a
diminuição do desejo sexual nem sempre chegam à conversa no consultório. Para
quem tem diabetes, porém, essas mudanças merecem atenção: podem estar
relacionadas à glicose elevada por períodos prolongados, mas também a fatores
emocionais, hormonais e outras condições de saúde.
O
assunto foi abordado no DiabetesCast, apresentado pelo jornalista Tom Bueno,
com a endocrinologista Denise Franco e o urologista Ricardo Vita. Os
especialistas discutiram cinco problemas que podem interferir na vida sexual e
explicaram por que falar sobre eles faz parte do cuidado com o diabetes.
Ter o
diagnóstico não significa que essas complicações vão acontecer.
“Não
quer dizer que todo mundo que tem diabetes vai ter as complicações”, afirma
Denise.
A
médica também destaca que existem possibilidades de tratamento para quem já
apresenta algum comprometimento.
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Como o diabetes pode afetar a vida sexual?
Durante
a entrevista, Ricardo Vita explica que alterações na circulação do sangue e nos
nervos estão entre os caminhos pelos quais o diabetes pode prejudicar a
resposta sexual. Essas estruturas participam da ereção, da lubrificação e da
sensibilidade genital.
A
glicose persistentemente elevada pode danificar vasos e nervos, segundo o
Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados
Unidos, o NIDDK. Manter a glicemia nas metas individualizadas ajuda a prevenir
esses danos.
Isso
não significa que uma alteração sexual permita concluir, sozinha, que o
diabetes está fora da meta. A investigação precisa considerar o histórico da
pessoa, os medicamentos utilizados e outras possíveis causas.
“Isso
pode acontecer, não pode ser só o diabetes a única causa de um problema
sexual”, ressalta Vita.
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1. Dificuldade para ter ou manter a ereção
A
disfunção erétil está entre as queixas discutidas no episódio. Ela pode
aparecer como dificuldade para conseguir uma ereção ou para mantê-la durante a
atividade sexual.
“A
queixa principal é a dificuldade de obter ou manter a ereção”, explica o
urologista.
Vita
descreve que o problema pode envolver tanto a chegada do sangue ao pênis quanto
os sinais nervosos necessários à resposta sexual. No episódio, ele também
lembra que envelhecimento, obesidade e alterações nas gorduras do sangue podem
participar desse quadro.
Denise
chama atenção para a necessidade de olhar a saúde de forma mais ampla quando
essa queixa aparece. A consulta deve ir além de buscar uma solução pontual para
a ereção e considerar as condições de saúde que podem estar associadas ao
sintoma.
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2. Ressecamento vaginal, dor e dificuldade de excitação
Nas
mulheres, as alterações podem surgir como redução da lubrificação, mudança da
sensibilidade e dificuldade para se excitar ou chegar ao orgasmo.
“Isso
pode levar a uma dificuldade de se excitar, de chegar no orgasmo”, afirma Vita
ao explicar os efeitos de alterações vasculares e nervosas na região genital.
O
desconforto durante a penetração também aparece na conversa. Denise relata que
a dor é uma das queixas ouvidas no consultório, embora nem sempre a paciente
consiga abordar diretamente sua vida sexual.
A
avaliação precisa considerar outras causas. O NIDDK aponta que a menopausa
também pode provocar ressecamento e dor. Por isso, atribuir todo desconforto ao
diabetes pode atrasar a identificação do problema.
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3. Diminuição do desejo sexual
Perder
o interesse por sexo não significa, automaticamente, ter uma alteração
hormonal. No episódio, Denise questiona justamente a tendência de procurar uma
única explicação para uma experiência que envolve diferentes aspectos da vida.
Vita
destaca que ansiedade, sofrimento emocional e as demandas de conviver com uma
condição crônica podem interferir no desejo. A própria experiência de dor ou de
dificuldade de ereção também pode afetar a disposição para novos encontros.
Em
entrevista publicada pelo NIDDK, o urologista Hunter Wessells explica que a
redução da libido pode, em alguns homens, ser consequência da dificuldade de
ereção. Nas mulheres, a avaliação também deve considerar condições associadas,
como depressão.
Por
isso, a consulta precisa abrir espaço para falar sobre o que mudou, quando
começou e quanto isso incomoda.
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4. Infecções que atrapalham a intimidade
Infecções
urinárias e genitais também foram discutidas pelos convidados. Denise relata
situações em que o medo de apresentar uma nova infecção após a relação passa a
interferir na vida sexual.
A
candidíase foi um dos exemplos abordados. A glicose elevada pode favorecer
infecções por fungos, e sintomas como coceira, irritação e desconforto exigem
avaliação. Corrimento e ardor podem ter diferentes causas, o que torna
importante confirmar o diagnóstico antes de tratar.
Na
entrevista, os especialistas reforçam que o incômodo físico pode vir
acompanhado de constrangimento e afastamento da intimidade. Relatar episódios
repetidos à equipe de saúde ajuda a investigar o que está favorecendo o
problema.
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5. Ejaculação retrógrada
Menos
conhecida, a ejaculação retrógrada pode ocorrer quando o sêmen segue para a
bexiga, em vez de sair pelo pênis. A pessoa pode perceber pouca ou nenhuma
saída de sêmen, mesmo tendo orgasmo.
“Na
verdade, ele ejacula, mas vai tudo pra dentro da bexiga”, explica Vita ao
descrever o quadro.
O
diabetes pode causar essa alteração em situações menos frequentes. Quando ela
ocorre, o sêmen é eliminado posteriormente com a urina. A condição pode
dificultar a gravidez e precisa ser investigada, especialmente quando existe o
desejo de ter filhos.
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Quando procurar ajuda?
Mudanças
persistentes na ereção, no desejo, na lubrificação ou na ejaculação, além de
dor e infecções repetidas, devem ser levadas à consulta. A equipe que acompanha
o diabetes pode iniciar essa conversa e indicar avaliação com urologista,
ginecologista ou profissional de saúde mental, conforme a necessidade.
“Se eu
tenho já um comprometimento, eu tenho opções na terapia pra poder ajudar as
pessoas”, afirma Denise.
O
tratamento depende da causa identificada. Na entrevista ao NIDDK, Wessells
destaca que há opções estabelecidas para diferentes graus de disfunção erétil e
que compreender o contexto médico e emocional faz parte da avaliação.
Para os
convidados do DiabetesCast, o primeiro passo é permitir que a saúde sexual
entre na conversa sobre saúde. Esperar que a dificuldade passe, sem contar o
que está acontecendo, pode prolongar um sofrimento que merece cuidado.
Fonte:
Um Diabético

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