quinta-feira, 29 de outubro de 2026

João Renato Paulon: Flávio Bolsonaro não é Guaidó

Em agosto de 2025, no artigo “Eduardo Bolsonaro, candidato autoproclamável?”, comparei a atuação do então deputado ao precedente venezuelano de Juan Guaidó. O problema era a busca de tutela estrangeira para um projeto familiar. Agora, com as notícias sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, a comparação ganha outro personagem.

Flávio afirmou que nunca pensara em sair do país e prometeu entregar os passaportes. No dia seguinte, aliados confirmaram à CNN que ele havia partido para os Estados Unidos. Ao oferecer ao público a garantia de que permaneceria para se defender e agir em sentido contrário, enganou quem acreditou em sua palavra. A contradição está documentada; o discurso de coragem perdeu credibilidade.

Washington, entretanto, pode não estar sendo enganado. A hipótese mais incômoda é que setores do governo americano conheçam as contradições de Flávio e aceitem sua narrativa de perseguição por conveniência estratégica. A Reuters relatou iniciativas de dois funcionários do Departamento de Estado para favorecer o retorno dos Bolsonaro ao poder, embora não tenha determinado em que medida agiam sob ordens da Casa Branca ou de Marco Rubio.

Simón Levy atribuiu a Rubio a organização da saída de Flávio, versão ainda dependente de comprovação independente. Politicamente, o senador parece apresentar seu currículo para uma espécie de “processo seletivo” de dissidente útil. Se a aposta for aproveitá-lo em futuras operações de influência, inclusive da CIA, sua viabilidade precisará ser demonstrada. Trata-se de uma hipótese estratégica, não de informação comprovada sobre recrutamento ou operação em curso.

Minha avaliação é que Flávio está longe de reunir, sozinho, as condições para esse posto. Sua votação expressiva lhe dá peso político, mas liderar uma oposição tutelada do exterior exigiria acordos com a direita brasileira, sustentação partidária e capacidade de mobilização interna. Outras lideranças têm seus próprios projetos e incentivos para ocupar o espaço deixado. Não basta desembarcar nos Estados Unidos para comandar o Brasil à distância.

Tarcísio de Freitas, por exemplo, reconheceu o resultado e defendeu uma oposição pelo Congresso e pelos governos estaduais. Isso sugere que parte da direita pode preferir disputar o poder pelas instituições a subordinar seu futuro à estratégia de Flávio. Um eventual comando no exterior teria de negociar com quem conserva mandato, estrutura e interesses próprios no Brasil.

Também seria imprudente contar com proteção automática no STF. Kassio Nunes Marques confirmou a vitória de Lula e declarou segurança no processo eleitoral. Ser indicado por Bolsonaro não equivale a assumir compromisso com as pretensões da família. Minha leitura é que o custo institucional de embarcar numa contestação sem provas tende a superar qualquer afinidade política.

O precedente de Guaidó, contudo, recomenda atenção. Em 2019, os Estados Unidos autorizaram seu controle sobre determinados ativos estatais venezuelanos mantidos em instituições americanas. Iraque e Afeganistão também conheceram arranjos externos de administração de recursos soberanos, em contextos jurídicos distintos. A capacidade de associar reconhecimento político e controle financeiro existe; sua aplicação ao Brasil não está demonstrada.

Cabe às instituições brasileiras apurar financiamento, coordenação e eventuais crimes com rapidez e provas. A redução do apoio político pode decorrer da exposição das responsabilidades; não deve constituir a finalidade da persecução penal. A defesa da soberania exige uma resposta cuja legitimidade resista ao exame público.

Há, finalmente, o risco do efeito rebote da onda do “L” em território americano. Ao acolher uma liderança que contesta a derrota e procura proteção externa, Washington pode ampliar a projeção de Lula como símbolo de resistência à ingerência de Trump. A reação pode atravessar fronteiras e encontrar espaço no próprio debate político dos Estados Unidos. O projeto de enfraquecer Lula pode acabar oferecendo ao presidente brasileiro um palco internacional ainda maior.

¨      A banalidade do bem. Por Paola Jochimsen

Quando Hannah Arendt foi cobrir o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém em 1961, ela que já estudava o totalitarismo (e inclusive já tinha publicado seu livro “Origens do totalitarismo”), deparou-se não com um monstro, mas com um homem comum, burocrático, que participou do extermínio de judeus e que aparentemente não tinha nenhum tipo de arrependimento pela gravidade dos crimes cometidos por ele.

Afinal, ele alegava cumprir ordens, mas isso não era o problema em si, e sim a sua incapacidade de pensar criticamente sobre as ordens que recebia, sem qualquer julgamento moral. A isso ela deu o nome de banalidade do mal.

Tenho a audácia de dizer que no Brasil tivemos o contrário, a banalidade do bem, na qual pessoas comuns (insisto no termo), “armadas” de consciência crítica, decidiram cumprir “ordens” sem questionar. Elas optaram por participar de uma ação e cumprir ordens, pois tinham em comum o mesmo objetivo. Não se trata de uma obediência cega, e sim voluntária apoiada na convicção de que se nada fosse feito o pior estaria por vir.

Pessoas em casa, no trabalho, no ônibus, no metrô, em restaurantes, usaram seus celulares, compartilharam publicações, divulgaram mensagens, subiram hashtags e convidaram mais pessoas para participar. De repente, 1 milhão! Gente, urgente! 5 milhões! Explodam! 10 milhões! Em ações cotidianas, aparentemente banais, impulsionaram uma grande ação coletiva.

Apesar do nome Exército do Lula, o canal de WhatsApp, criado por uma iniciativa liderada por André Janones, não tinha qualquer relação com uma hierarquia militar organizada. Pessoas comuns receberam orientações e realizaram tarefas coletivamente e junto com outras iniciativas construíram o caminho nas redes sociais para a reeleição do presidente Lula.

Não busco contrariar o que Arendt constatou. Ouso dizer que a lição que fica depois do período conturbado das eleições de 2026 é que o mal pode ser praticado por todo tipo de pessoa comum que renuncia ao julgamento moral, mas o bem também pode ser praticado e reproduzido por estas mesmas pessoas comuns que exercem um julgamento moral e decidem trabalhar juntas para o bem do coletivo.

 

Fonte: Brasil 247

 

Revisando a “polarização”

Um dos argumentos mais falaciosos que voltou a circular com força nestas eleições e pautou a agenda brasileira sem parar desde a “revolução colorida” que culminou no golpe de 2016 contra a presidente Dilma Rousseff é o da “polarização”. “Eu vou votar no Flávio Bolsonaro porque não aguento mais essa polarização”, ouvi de uma pessoa. Pois é justamente o bolsonarismo quem mais se alimenta da polarização e catalisou essa falácia iniciada, talvez, na disputa eleitoral entre Aécio Neves e Dilma Rousseff em 2014, quando o PSDB, derrotado, pediu ao TSE uma “auditoria” do sistema de apuração – que não encontrou fraude alguma, mas deixou no ar a desconfiança contra as urnas que o bolsonarismo depois transformaria em método.

“As famílias estão brigando!”; “estou perdendo meus amigos”; “não falo mais com meus pais”: essas são algumas das queixas mais frequentes entre pessoas que entendem o cenário político brasileiro, mas sobretudo entre aquelas que se valem dessas queixas para justificar sua apatia, “lavagem de mãos” (a “bela alma” de Hegel), falsa isenção ou até mesmo aderência ao fascismo-miliciano ou à necrolumpencaquistocracia que foi o governo de Jair Bolsonaro e que se reapresentou na candidatura de seu primogênito.

Na Fenomenologia do Espírito (1807, § 658), Hegel descreve a “bela alma” como a consciência que “vive na angústia de manchar, pela ação e pela existência, a glória de seu interior”: para conservar as mãos limpas, ela se recusa a agir e julga de longe o mundo que não se dispõe a mudar, até definhar na própria pureza. É a posição de quem diz “não tenho lado” enquanto um dos lados ameaça a existência do outro.

Por necrolumpencaquistocracia refiro-me ao governo que recorre à necropolítica (no sentido de Achille Mbembe: o poder de decidir quem pode viver e quem deve morrer) para administrar e que tem, em seus quadros, tudo o que de pior pode haver na sociedade, desde os mais medíocres representantes de suas respectivas classes ou setores (Abraham Weintraub, Eduardo Pazuello, Augusto Heleno, Braga Netto, Ricardo Vélez Rodríguez, o pastor Milton Ribeiro) até o lúmpen ou lúmpen-proletariado nos termos marxistas (Zé Trovão, Oswaldo Eustáquio, etc.).

Não, o Brasil não está polarizado. Não se trata de esquerda contra direita. A ciência política tem nome para isso: polarização assimétrica. Como mostram Mario Fuks e Pedro Henrique Marques (Opinião Pública, 2022), não foram os dois polos que se afastaram: foi a direita que cresceu e se radicalizou, enquanto o eleitorado petista permaneceu, na maior parte do período, no centro da escala ideológica. A clivagem que se vê não é algo a ser evitado – ao contrário, é algo que precisa ser evidenciado, assumido e levado às últimas consequências.

Porque não é uma simples disputa entre time azul e time vermelho, A ou B. É uma ameaça existencial concreta que se instalou com o bolsonarismo a partir das eleições de 2018. Não é força de expressão: em 11 de setembro de 2025, o STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, ao lado de generais como Braga Netto e Augusto Heleno, numa trama que incluía planos para assassinar autoridades da República. Aécio Neves e seus cupinchas plantaram a semente em 2014, mas quem regou e replantou essa árvore de frutos podres foi o bolsonarismo.

O que estou dizendo não é novo: o que está em jogo é uma disputa entre democracia e fascismo, civilização e barbárie. Mas para quem ainda não entendeu, precisarei “desenhar”.

O bolsonarismo, mesmo sendo uma forma patética e ridícula dos já suficientemente patéticos e ridículos fascismo italiano e nazismo alemão, só existe em função da eliminação dos direitos e, por extensão, dos próprios corpos daqueles que a ele se opõem.

As políticas do governo do Jair escancararam isso: genocídio Yanomami (ao menos 692 crianças yanomami de até 9 anos morreram entre 2019 e 2022), “boiada passando” (a expressão é de Ricardo Salles, que na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 sugeriu aproveitar a pandemia para “ir passando a boiada” nas regras ambientais), matas queimadas, garimpo ilegal, Bolsolão (sim, demos o nome que se dá a um escândalo como o do “orçamento secreto”, declarado inconstitucional pelo STF em dezembro de 2022).

Rachadinhas (a denúncia contra Flávio Bolsonaro foi arquivada pela Justiça do Rio em 2022 depois que o STJ anulou as provas obtidas a partir de relatórios do Coaf – um desfecho processual, não um atestado de inocência), submissão a uma potência estrangeira (que culminaria, já fora do governo, no lobby de Eduardo Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump por sanções contra autoridades brasileiras, ato que lhe valeu condenação no STF por coação em junho de 2026).

Truculência policial, aumento exponencial do armamentismo (os certificados de registro de CACs saltaram de 117 mil em 2018 para 783 mil em 2022, quase sete vezes mais), indícios de desvio de armas do mercado legal para as mãos de criminosos, aumento expressivo da violência doméstica (1.437 feminicídios em 2022, alta de 6,1% sobre o ano anterior), perseguição a artistas, comunicadores e professores, perseguição à liberdade de cátedra, arrocho salarial, redução de direitos trabalhistas, e quase 700 mil mortes na pandemia de Covid-19 até o fim do governo (o país passaria das 700 mil em março de 2023), quando, segundo estimativa apresentada pelo epidemiologista Pedro Hallal à CPI da Covid, quatro em cada cinco mortes registradas até então poderiam ter sido evitadas caso o governo tivesse seguido a ciência e comprado vacinas a tempo.

A lista não para por aí. Bolsonarismo significa morte para uns e orgias para outros, simples assim. É uma ameaça existencial, um risco existencial, não uma simples bandeira política.

Acompanho de muito perto as eleições no Brasil, sobretudo as presidenciais, desde 1989, quando Lula disputava com Fernando Collor. Entre 1989 e 2014, sempre me sentei à mesa com pessoas cuja ideologia era diversa da minha. Tive inúmeros amigos e amigas eleitores de FHC, José Serra, Mário Covas, Alckmin, até Aécio Neves. A eleição de 2018 marcou uma mudança.

Até então, eu podia tomar uma cerveja com um amigo eleitor de José Serra ou Geraldo Alckmin e a gente terminava a conversa mais ou menos assim: “seu candidato é neoliberal, vai privatizar tudo”, “e o seu? Vai estatizar e inflar a máquina pública”; mais umas cervejas e o amigo me atacava: “vai, o Lula nem faculdade fez, é analfabeto”, enquanto eu retrucava: “tá bom, e o seu picolé de chuchu vai colocar dinheiro na educação?” O papo acabava ali, a gente se abraçava e ia embora para casa.

Nenhuma das agendas políticas, ainda que alguma delas pudesse ser muito prejudicial à carreira de qualquer um de nós, implicava diretamente esta mensagem: “sua vida não importa”, ou “a vida daquele miserável morador de rua deitado ali na esquina não importa”. Era tudo muito menos agudo, aflitivo, doentio.

Com a campanha de Jair Bolsonaro e o resgate de suas declarações históricas (no pior dos sentidos), o velho papo de bar entre eleitores de diferentes matizes políticos tornou-se inviável. E isso tornou-se absolutamente cristalino nesta última corrida eleitoral, com a candidatura de Flávio-aquele-que-tem-ligações-com-a-milícia-e-com-Vorcaro.

Para refrescar a memória: a ex-mulher e a mãe do ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado como chefe da milícia do Escritório do Crime, trabalharam em seu gabinete na Alerj, onde o próprio Flávio Bolsonaro propôs moção de louvor ao miliciano; e o Intercept Brasil revelou áudio em que Flávio cobra de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, parcelas de um aporte de US$ 24 milhões para um filme sobre o pai).

Votar em Flávio Bolsonaro, ou simplesmente declarar voto em Flávio Bolsonaro, implica uma mensagem subjacente, sub-reptícia, e inseparável: “voto em Flávio Bolsonaro porque algumas vidas não me importam”. Manifestar o voto em Flávio na frente de um idoso significa dizer: “idoso, eu não me importo caso tenhamos uma nova pandemia e você venha a perecer por falta de vacinas”; declarar o voto bolsonarista em frente a um professor da rede pública significa dizer: “eu não ligo para a educação”.

Votar em Flávio Bolsonaro é o mesmo que enviar uma mensagem a um trabalhador CLT: “trabalhador, eu não estou nem aí para os seus direitos”. Vou mais além: declarar voto no bolsonarismo equivale a afirmar: “você aí, brasileiro, meu compatriota, eu quero ser vassalo dos EUA e quero que você também seja, junto comigo”.

Em resumo, declarar voto e votar no bolsonarismo é emitir um longo enunciado cuja síntese poderia ser mais ou menos assim: “a vida de terceiros pouco me importa; não estou nem aí para a ciência, a tecnologia e a educação; para mim pretos, pardos, indígenas, pessoas dos grupos LGBTQIA+ e até mulheres são inferiores; eu não vejo problema em corrupção ou em milícia, meu problema é o filho do porteiro se formar médico; quem mora na rua está lá porque quer e eu quero, sim, ser um vira-lata subalterno dos EUA.” Essa é uma síntese muito atenuada e concisa do corolário bárbaro a reboque do voto bolsonarista, rosário de infâmias e indignidades que não são apenas “blasfêmias sociais”, mas que implicam, sim, a nulidade do outro, a aniquilação daquele que pensa diferente.

É preciso parar com a besteira da falácia da “polarização”. É preciso cancelar seu tio ou tia sim, aquele que declara voto bolsonarista, pois o voto dessa pessoa atenta frontalmente contra os direitos de milhões de cidadãos brasileiros, sobretudo o direito a uma vida digna. Fascistas precisam voltar a ter vergonha do que dizem e do que fazem. Para isso as leis precisam ser cumpridas e nós, a começar dentro de casa, não podemos mais tolerar o intolerante.

Lembremos do paradoxo de Karl Popper, segundo o qual “a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles” (“A sociedade aberta e seus inimigos” 1945, vol. 1, nota 4 ao cap. 7).

Karl Popper pensava no Estado e na lei, e preferia combater as ideias intolerantes com argumentos enquanto isso fosse possível; mas advertia que os intolerantes costumam recusar o debate racional e responder aos argumentos “com os punhos ou as pistolas”. O bolsonarismo respondeu com o 8 de janeiro.

Quando o intolerante abandona a conversa, a lógica do paradoxo vale também para a mesa de jantar. Lembremos também, principalmente, do discurso de Goebbels em 4 de dezembro de 1935, na inauguração da rádio Reichssender Saarbrücken na Alemanha. Com o Partido Nazista já no poder havia quase três anos, o ministro da propaganda de Adolf Hitler zombava dos adversários que lembravam ter garantido aos nazistas, nos tempos de Weimar, a liberdade de opinião: “sim, vocês a nós; mas isso não prova que devamos fazer o mesmo por vocês! […] Que vocês nos tenham dado isso é justamente a prova de como vocês são estúpidos!”.

Sete anos antes, em 1928, no jornal Der Angriff, ele já avisara: “Entramos no Reichstag para nos abastecer, no arsenal da democracia, com as armas dela mesma”. A semelhança com a campanha de Flávio Bolsonaro é assustadora. Se um bolsonarista senta à mesa de quatro democratas e os cinco jantam ou brindam num aniversário, temos cinco bolsonaristas. A cada tapinha nas costas e cada “deixa pra lá, ele/ela é assim mesmo”, mais o precipício se aproxima.

Lula venceu o segundo turno de 25 de outubro, mas por 51,77% a 48,23% dos votos válidos: quase metade do eleitorado escolheu o bolsonarismo, apesar de tudo – ou por causa de tudo. Jamais esqueçam as eleições de 2026.

•        O avanço generalizado de Lula no 2º turno: petista só 'piorou' em quatro de 5.571 municípios

Ao ser vista em detalhe, a inédita virada de um candidato à Presidência do primeiro para o segundo turno reflete um avanço que aconteceu de forma generalizada no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu conquistar, no segundo turno, um percentual maior de votos válidos do que havia registrado no primeiro turno em 5.567 municípios, ainda que ele não tenha sido necessariamente o mais votado em todos eles.

Ou seja, só em quatro municípios Lula não conseguiu ampliar o percentual de votos válidos: Belo Monte (AL), Santo Antônio de Lisboa (PI), Caldeirão Grande (BA) e Nova Ibiá (BA).

O município onde Lula teve o maior ganho proporcional de votos, com 22,1 pontos percentuais, foi Guarani de Goiás (GO) — um município onde no primeiro turno o candidato Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador, havia conquistado mais de 30% dos votos.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), que ficou em primeiro lugar no primeiro turno, teve piora do seu desempenho em 1.737 municípios no segundo turno.

O município onde Flávio Bolsonaro mais ganhou votos, proporcionalmente, foi em Hidrolândia (GO): 13,7 pontos percentuais. Este caso também reflete uma situação de primeiro turno em que Caiado havia tido um alto percentual de votos (25,8%).

Abaixo você confere em quantos municípios cada candidato perdeu e ganhou percentual de votos válidos de um turno para outro.

A análise acima compara o desempenho do candidato com o resultado que ele mesmo teve no turno anterior, e por isso é útil para ver onde cada um conseguiu avançar mais.

Para visualizar onde cada candidato foi o preferido dos eleitores, a BBC News Brasil montou o mapa abaixo, onde você pode checar quem foi o mais votado em cada turno.

Lula virou em 213 municípios do primeiro para o segundo turno, enquanto Flávio virou em um (Uraipuru, em Goiás, onde teve 50,42% dos votos). E houve empate em Marquinho, no Paraná.

E, na análise por Estado, Minas Gerais é o destaque da virada de Lula: Flávio Bolsonaro foi o mais votado no primeiro turno (48,24% dos votos válidos), mas no segundo Lula foi o preferido, com 50,39%.

 

Fonte: Por Alfredo Suppia, em A Terra é Redonda/BBC News Brasil

 

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