João
Renato Paulon: Flávio Bolsonaro não é Guaidó
Em
agosto de 2025, no artigo “Eduardo Bolsonaro, candidato autoproclamável?”,
comparei a atuação do então deputado ao precedente venezuelano de Juan Guaidó.
O problema era a busca de tutela estrangeira para um projeto familiar. Agora,
com as notícias sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, a comparação ganha
outro personagem.
Flávio
afirmou que nunca pensara em sair do país e prometeu entregar os passaportes.
No dia seguinte, aliados confirmaram à CNN que ele havia partido para os
Estados Unidos. Ao oferecer ao público a garantia de que permaneceria para se
defender e agir em sentido contrário, enganou quem acreditou em sua palavra. A
contradição está documentada; o discurso de coragem perdeu credibilidade.
Washington,
entretanto, pode não estar sendo enganado. A hipótese mais incômoda é que
setores do governo americano conheçam as contradições de Flávio e aceitem sua
narrativa de perseguição por conveniência estratégica. A Reuters relatou
iniciativas de dois funcionários do Departamento de Estado para favorecer o
retorno dos Bolsonaro ao poder, embora não tenha determinado em que medida
agiam sob ordens da Casa Branca ou de Marco Rubio.
Simón
Levy atribuiu a Rubio a organização da saída de Flávio, versão ainda dependente
de comprovação independente. Politicamente, o senador parece apresentar seu
currículo para uma espécie de “processo seletivo” de dissidente útil. Se a
aposta for aproveitá-lo em futuras operações de influência, inclusive da CIA,
sua viabilidade precisará ser demonstrada. Trata-se de uma hipótese
estratégica, não de informação comprovada sobre recrutamento ou operação em
curso.
Minha
avaliação é que Flávio está longe de reunir, sozinho, as condições para esse
posto. Sua votação expressiva lhe dá peso político, mas liderar uma oposição
tutelada do exterior exigiria acordos com a direita brasileira, sustentação
partidária e capacidade de mobilização interna. Outras lideranças têm seus
próprios projetos e incentivos para ocupar o espaço deixado. Não basta
desembarcar nos Estados Unidos para comandar o Brasil à distância.
Tarcísio
de Freitas, por exemplo, reconheceu o resultado e defendeu uma oposição pelo
Congresso e pelos governos estaduais. Isso sugere que parte da direita pode
preferir disputar o poder pelas instituições a subordinar seu futuro à
estratégia de Flávio. Um eventual comando no exterior teria de negociar com
quem conserva mandato, estrutura e interesses próprios no Brasil.
Também
seria imprudente contar com proteção automática no STF. Kassio Nunes Marques
confirmou a vitória de Lula e declarou segurança no processo eleitoral. Ser
indicado por Bolsonaro não equivale a assumir compromisso com as pretensões da
família. Minha leitura é que o custo institucional de embarcar numa contestação
sem provas tende a superar qualquer afinidade política.
O
precedente de Guaidó, contudo, recomenda atenção. Em 2019, os Estados Unidos
autorizaram seu controle sobre determinados ativos estatais venezuelanos
mantidos em instituições americanas. Iraque e Afeganistão também conheceram
arranjos externos de administração de recursos soberanos, em contextos
jurídicos distintos. A capacidade de associar reconhecimento político e
controle financeiro existe; sua aplicação ao Brasil não está demonstrada.
Cabe às
instituições brasileiras apurar financiamento, coordenação e eventuais crimes
com rapidez e provas. A redução do apoio político pode decorrer da exposição
das responsabilidades; não deve constituir a finalidade da persecução penal. A
defesa da soberania exige uma resposta cuja legitimidade resista ao exame
público.
Há,
finalmente, o risco do efeito rebote da onda do “L” em território americano. Ao
acolher uma liderança que contesta a derrota e procura proteção externa,
Washington pode ampliar a projeção de Lula como símbolo de resistência à
ingerência de Trump. A reação pode atravessar fronteiras e encontrar espaço no
próprio debate político dos Estados Unidos. O projeto de enfraquecer Lula pode
acabar oferecendo ao presidente brasileiro um palco internacional ainda maior.
¨
A banalidade do bem. Por Paola Jochimsen
Quando
Hannah Arendt foi cobrir o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém em 1961,
ela que já estudava o totalitarismo (e inclusive já tinha publicado seu livro
“Origens do totalitarismo”), deparou-se não com um monstro, mas com um homem
comum, burocrático, que participou do extermínio de judeus e que aparentemente
não tinha nenhum tipo de arrependimento pela gravidade dos crimes cometidos por
ele.
Afinal,
ele alegava cumprir ordens, mas isso não era o problema em si, e sim a sua
incapacidade de pensar criticamente sobre as ordens que recebia, sem qualquer
julgamento moral. A isso ela deu o nome de banalidade do mal.
Tenho a
audácia de dizer que no Brasil tivemos o contrário, a banalidade do bem, na
qual pessoas comuns (insisto no termo), “armadas” de consciência crítica,
decidiram cumprir “ordens” sem questionar. Elas optaram por participar de uma
ação e cumprir ordens, pois tinham em comum o mesmo objetivo. Não se trata de
uma obediência cega, e sim voluntária apoiada na convicção de que se nada fosse
feito o pior estaria por vir.
Pessoas
em casa, no trabalho, no ônibus, no metrô, em restaurantes, usaram seus
celulares, compartilharam publicações, divulgaram mensagens, subiram hashtags e
convidaram mais pessoas para participar. De repente, 1 milhão! Gente, urgente!
5 milhões! Explodam! 10 milhões! Em ações cotidianas, aparentemente banais,
impulsionaram uma grande ação coletiva.
Apesar
do nome Exército do Lula, o canal de WhatsApp, criado por uma iniciativa
liderada por André Janones, não tinha qualquer relação com uma hierarquia
militar organizada. Pessoas comuns receberam orientações e realizaram tarefas
coletivamente e junto com outras iniciativas construíram o caminho nas redes
sociais para a reeleição do presidente Lula.
Não
busco contrariar o que Arendt constatou. Ouso dizer que a lição que fica depois
do período conturbado das eleições de 2026 é que o mal pode ser praticado por
todo tipo de pessoa comum que renuncia ao julgamento moral, mas o bem também
pode ser praticado e reproduzido por estas mesmas pessoas comuns que exercem um
julgamento moral e decidem trabalhar juntas para o bem do coletivo.
Fonte:
Brasil 247
Revisando
a “polarização”
Um dos
argumentos mais falaciosos que voltou a circular com força nestas eleições e
pautou a agenda brasileira sem parar desde a “revolução colorida” que culminou
no golpe de 2016 contra a presidente Dilma Rousseff é o da “polarização”. “Eu
vou votar no Flávio Bolsonaro porque não aguento mais essa polarização”, ouvi
de uma pessoa. Pois é justamente o bolsonarismo quem mais se alimenta da
polarização e catalisou essa falácia iniciada, talvez, na disputa eleitoral
entre Aécio Neves e Dilma Rousseff em 2014, quando o PSDB, derrotado, pediu ao
TSE uma “auditoria” do sistema de apuração – que não encontrou fraude alguma,
mas deixou no ar a desconfiança contra as urnas que o bolsonarismo depois
transformaria em método.
“As
famílias estão brigando!”; “estou perdendo meus amigos”; “não falo mais com
meus pais”: essas são algumas das queixas mais frequentes entre pessoas que
entendem o cenário político brasileiro, mas sobretudo entre aquelas que se
valem dessas queixas para justificar sua apatia, “lavagem de mãos” (a “bela
alma” de Hegel), falsa isenção ou até mesmo aderência ao fascismo-miliciano ou
à necrolumpencaquistocracia que foi o governo de Jair Bolsonaro e que se
reapresentou na candidatura de seu primogênito.
Na
Fenomenologia do Espírito (1807, § 658), Hegel descreve a “bela alma” como a
consciência que “vive na angústia de manchar, pela ação e pela existência, a
glória de seu interior”: para conservar as mãos limpas, ela se recusa a agir e
julga de longe o mundo que não se dispõe a mudar, até definhar na própria
pureza. É a posição de quem diz “não tenho lado” enquanto um dos lados ameaça a
existência do outro.
Por
necrolumpencaquistocracia refiro-me ao governo que recorre à necropolítica (no
sentido de Achille Mbembe: o poder de decidir quem pode viver e quem deve
morrer) para administrar e que tem, em seus quadros, tudo o que de pior pode
haver na sociedade, desde os mais medíocres representantes de suas respectivas
classes ou setores (Abraham Weintraub, Eduardo Pazuello, Augusto Heleno, Braga
Netto, Ricardo Vélez Rodríguez, o pastor Milton Ribeiro) até o lúmpen ou
lúmpen-proletariado nos termos marxistas (Zé Trovão, Oswaldo Eustáquio, etc.).
Não, o
Brasil não está polarizado. Não se trata de esquerda contra direita. A ciência
política tem nome para isso: polarização assimétrica. Como mostram Mario Fuks e
Pedro Henrique Marques (Opinião Pública, 2022), não foram os dois polos que se
afastaram: foi a direita que cresceu e se radicalizou, enquanto o eleitorado
petista permaneceu, na maior parte do período, no centro da escala ideológica.
A clivagem que se vê não é algo a ser evitado – ao contrário, é algo que
precisa ser evidenciado, assumido e levado às últimas consequências.
Porque
não é uma simples disputa entre time azul e time vermelho, A ou B. É uma ameaça
existencial concreta que se instalou com o bolsonarismo a partir das eleições
de 2018. Não é força de expressão: em 11 de setembro de 2025, o STF condenou
Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado,
ao lado de generais como Braga Netto e Augusto Heleno, numa trama que incluía
planos para assassinar autoridades da República. Aécio Neves e seus cupinchas
plantaram a semente em 2014, mas quem regou e replantou essa árvore de frutos
podres foi o bolsonarismo.
O que
estou dizendo não é novo: o que está em jogo é uma disputa entre democracia e
fascismo, civilização e barbárie. Mas para quem ainda não entendeu, precisarei
“desenhar”.
O
bolsonarismo, mesmo sendo uma forma patética e ridícula dos já suficientemente
patéticos e ridículos fascismo italiano e nazismo alemão, só existe em função
da eliminação dos direitos e, por extensão, dos próprios corpos daqueles que a
ele se opõem.
As
políticas do governo do Jair escancararam isso: genocídio Yanomami (ao menos
692 crianças yanomami de até 9 anos morreram entre 2019 e 2022), “boiada
passando” (a expressão é de Ricardo Salles, que na reunião ministerial de 22 de
abril de 2020 sugeriu aproveitar a pandemia para “ir passando a boiada” nas
regras ambientais), matas queimadas, garimpo ilegal, Bolsolão (sim, demos o
nome que se dá a um escândalo como o do “orçamento secreto”, declarado
inconstitucional pelo STF em dezembro de 2022).
Rachadinhas
(a denúncia contra Flávio Bolsonaro foi arquivada pela Justiça do Rio em 2022
depois que o STJ anulou as provas obtidas a partir de relatórios do Coaf – um
desfecho processual, não um atestado de inocência), submissão a uma potência
estrangeira (que culminaria, já fora do governo, no lobby de Eduardo Bolsonaro
junto ao governo de Donald Trump por sanções contra autoridades brasileiras,
ato que lhe valeu condenação no STF por coação em junho de 2026).
Truculência
policial, aumento exponencial do armamentismo (os certificados de registro de
CACs saltaram de 117 mil em 2018 para 783 mil em 2022, quase sete vezes mais),
indícios de desvio de armas do mercado legal para as mãos de criminosos,
aumento expressivo da violência doméstica (1.437 feminicídios em 2022, alta de
6,1% sobre o ano anterior), perseguição a artistas, comunicadores e
professores, perseguição à liberdade de cátedra, arrocho salarial, redução de
direitos trabalhistas, e quase 700 mil mortes na pandemia de Covid-19 até o fim
do governo (o país passaria das 700 mil em março de 2023), quando, segundo
estimativa apresentada pelo epidemiologista Pedro Hallal à CPI da Covid, quatro
em cada cinco mortes registradas até então poderiam ter sido evitadas caso o
governo tivesse seguido a ciência e comprado vacinas a tempo.
A lista
não para por aí. Bolsonarismo significa morte para uns e orgias para outros,
simples assim. É uma ameaça existencial, um risco existencial, não uma simples
bandeira política.
Acompanho
de muito perto as eleições no Brasil, sobretudo as presidenciais, desde 1989,
quando Lula disputava com Fernando Collor. Entre 1989 e 2014, sempre me sentei
à mesa com pessoas cuja ideologia era diversa da minha. Tive inúmeros amigos e
amigas eleitores de FHC, José Serra, Mário Covas, Alckmin, até Aécio Neves. A
eleição de 2018 marcou uma mudança.
Até
então, eu podia tomar uma cerveja com um amigo eleitor de José Serra ou Geraldo
Alckmin e a gente terminava a conversa mais ou menos assim: “seu candidato é
neoliberal, vai privatizar tudo”, “e o seu? Vai estatizar e inflar a máquina
pública”; mais umas cervejas e o amigo me atacava: “vai, o Lula nem faculdade
fez, é analfabeto”, enquanto eu retrucava: “tá bom, e o seu picolé de chuchu
vai colocar dinheiro na educação?” O papo acabava ali, a gente se abraçava e ia
embora para casa.
Nenhuma
das agendas políticas, ainda que alguma delas pudesse ser muito prejudicial à
carreira de qualquer um de nós, implicava diretamente esta mensagem: “sua vida
não importa”, ou “a vida daquele miserável morador de rua deitado ali na
esquina não importa”. Era tudo muito menos agudo, aflitivo, doentio.
Com a
campanha de Jair Bolsonaro e o resgate de suas declarações históricas (no pior
dos sentidos), o velho papo de bar entre eleitores de diferentes matizes
políticos tornou-se inviável. E isso tornou-se absolutamente cristalino nesta
última corrida eleitoral, com a candidatura de
Flávio-aquele-que-tem-ligações-com-a-milícia-e-com-Vorcaro.
Para
refrescar a memória: a ex-mulher e a mãe do ex-capitão Adriano da Nóbrega,
apontado como chefe da milícia do Escritório do Crime, trabalharam em seu
gabinete na Alerj, onde o próprio Flávio Bolsonaro propôs moção de louvor ao
miliciano; e o Intercept Brasil revelou áudio em que Flávio cobra de Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master, parcelas de um aporte de US$ 24 milhões para um
filme sobre o pai).
Votar
em Flávio Bolsonaro, ou simplesmente declarar voto em Flávio Bolsonaro, implica
uma mensagem subjacente, sub-reptícia, e inseparável: “voto em Flávio Bolsonaro
porque algumas vidas não me importam”. Manifestar o voto em Flávio na frente de
um idoso significa dizer: “idoso, eu não me importo caso tenhamos uma nova
pandemia e você venha a perecer por falta de vacinas”; declarar o voto
bolsonarista em frente a um professor da rede pública significa dizer: “eu não
ligo para a educação”.
Votar
em Flávio Bolsonaro é o mesmo que enviar uma mensagem a um trabalhador CLT:
“trabalhador, eu não estou nem aí para os seus direitos”. Vou mais além:
declarar voto no bolsonarismo equivale a afirmar: “você aí, brasileiro, meu
compatriota, eu quero ser vassalo dos EUA e quero que você também seja, junto
comigo”.
Em
resumo, declarar voto e votar no bolsonarismo é emitir um longo enunciado cuja
síntese poderia ser mais ou menos assim: “a vida de terceiros pouco me importa;
não estou nem aí para a ciência, a tecnologia e a educação; para mim pretos,
pardos, indígenas, pessoas dos grupos LGBTQIA+ e até mulheres são inferiores;
eu não vejo problema em corrupção ou em milícia, meu problema é o filho do
porteiro se formar médico; quem mora na rua está lá porque quer e eu quero,
sim, ser um vira-lata subalterno dos EUA.” Essa é uma síntese muito atenuada e
concisa do corolário bárbaro a reboque do voto bolsonarista, rosário de
infâmias e indignidades que não são apenas “blasfêmias sociais”, mas que
implicam, sim, a nulidade do outro, a aniquilação daquele que pensa diferente.
É
preciso parar com a besteira da falácia da “polarização”. É preciso cancelar
seu tio ou tia sim, aquele que declara voto bolsonarista, pois o voto dessa
pessoa atenta frontalmente contra os direitos de milhões de cidadãos
brasileiros, sobretudo o direito a uma vida digna. Fascistas precisam voltar a
ter vergonha do que dizem e do que fazem. Para isso as leis precisam ser
cumpridas e nós, a começar dentro de casa, não podemos mais tolerar o
intolerante.
Lembremos
do paradoxo de Karl Popper, segundo o qual “a tolerância ilimitada leva ao
desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos
intolerantes, se não estivermos preparados para defender uma sociedade
tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão
destruídos, e a tolerância com eles” (“A sociedade aberta e seus inimigos”
1945, vol. 1, nota 4 ao cap. 7).
Karl
Popper pensava no Estado e na lei, e preferia combater as ideias intolerantes
com argumentos enquanto isso fosse possível; mas advertia que os intolerantes
costumam recusar o debate racional e responder aos argumentos “com os punhos ou
as pistolas”. O bolsonarismo respondeu com o 8 de janeiro.
Quando
o intolerante abandona a conversa, a lógica do paradoxo vale também para a mesa
de jantar. Lembremos também, principalmente, do discurso de Goebbels em 4 de
dezembro de 1935, na inauguração da rádio Reichssender Saarbrücken na Alemanha.
Com o Partido Nazista já no poder havia quase três anos, o ministro da
propaganda de Adolf Hitler zombava dos adversários que lembravam ter garantido
aos nazistas, nos tempos de Weimar, a liberdade de opinião: “sim, vocês a nós;
mas isso não prova que devamos fazer o mesmo por vocês! […] Que vocês nos
tenham dado isso é justamente a prova de como vocês são estúpidos!”.
Sete
anos antes, em 1928, no jornal Der Angriff, ele já avisara: “Entramos no
Reichstag para nos abastecer, no arsenal da democracia, com as armas dela
mesma”. A semelhança com a campanha de Flávio Bolsonaro é assustadora. Se um
bolsonarista senta à mesa de quatro democratas e os cinco jantam ou brindam num
aniversário, temos cinco bolsonaristas. A cada tapinha nas costas e cada “deixa
pra lá, ele/ela é assim mesmo”, mais o precipício se aproxima.
Lula
venceu o segundo turno de 25 de outubro, mas por 51,77% a 48,23% dos votos
válidos: quase metade do eleitorado escolheu o bolsonarismo, apesar de tudo –
ou por causa de tudo. Jamais esqueçam as eleições de 2026.
• O avanço generalizado de Lula no 2º
turno: petista só 'piorou' em quatro de 5.571 municípios
Ao ser
vista em detalhe, a inédita virada de um candidato à Presidência do primeiro
para o segundo turno reflete um avanço que aconteceu de forma generalizada no
país.
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu conquistar, no segundo
turno, um percentual maior de votos válidos do que havia registrado no primeiro
turno em 5.567 municípios, ainda que ele não tenha sido necessariamente o mais
votado em todos eles.
Ou
seja, só em quatro municípios Lula não conseguiu ampliar o percentual de votos
válidos: Belo Monte (AL), Santo Antônio de Lisboa (PI), Caldeirão Grande (BA) e
Nova Ibiá (BA).
O
município onde Lula teve o maior ganho proporcional de votos, com 22,1 pontos
percentuais, foi Guarani de Goiás (GO) — um município onde no primeiro turno o
candidato Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador, havia conquistado mais de 30%
dos votos.
Já o
senador Flávio Bolsonaro (PL), que ficou em primeiro lugar no primeiro turno,
teve piora do seu desempenho em 1.737 municípios no segundo turno.
O
município onde Flávio Bolsonaro mais ganhou votos, proporcionalmente, foi em
Hidrolândia (GO): 13,7 pontos percentuais. Este caso também reflete uma
situação de primeiro turno em que Caiado havia tido um alto percentual de votos
(25,8%).
Abaixo
você confere em quantos municípios cada candidato perdeu e ganhou percentual de
votos válidos de um turno para outro.
A
análise acima compara o desempenho do candidato com o resultado que ele mesmo
teve no turno anterior, e por isso é útil para ver onde cada um conseguiu
avançar mais.
Para
visualizar onde cada candidato foi o preferido dos eleitores, a BBC News Brasil
montou o mapa abaixo, onde você pode checar quem foi o mais votado em cada
turno.
Lula
virou em 213 municípios do primeiro para o segundo turno, enquanto Flávio virou
em um (Uraipuru, em Goiás, onde teve 50,42% dos votos). E houve empate em
Marquinho, no Paraná.
E, na
análise por Estado, Minas Gerais é o destaque da virada de Lula: Flávio
Bolsonaro foi o mais votado no primeiro turno (48,24% dos votos válidos), mas
no segundo Lula foi o preferido, com 50,39%.
Fonte:
Por Alfredo Suppia, em A Terra é Redonda/BBC News Brasil

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