quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Governo Milei deu escolta policial a Flávio Bolsonaro durante fuga pela Argentina

A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pela Argentina, após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, contou com escolta policial fornecida pelo governo de Javier Milei. O ex-candidato cruzou a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, e embarcou em uma aeronave particular que aguardava no aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones.

Segundo informações divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), a operação envolveu agentes de segurança argentinos, transporte privado e uma aeronave que estava posicionada no aeroporto desde segunda-feira (26). A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou oficialmente a entrada e a saída da família Bolsonaro do país, enquanto um integrante da comunicação do governo Milei comemorou publicamente a operação.

A travessia ocorreu às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú. Flávio Bolsonaro e seus familiares estavam em uma caminhonete branca, acompanhada por uma viatura da polícia argentina.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, os quatro passageiros embarcaram em um jato Gulfstream operado pela empresa Baires Fly. A aeronave decolou às 0h21 desta quarta-feira (28), com destino a Guayaquil, no Equador.

A Direção Nacional de Migrações identificou os passageiros como Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. Em comunicado divulgado durante a madrugada, o órgão informou que todos apresentaram documentação válida e não possuíam impedimentos legais para ingressar no território argentino.

<><> Empresário afirma que Milei participou da coordenação

A possível participação direta do presidente argentino na operação foi apontada pelo empresário mexicano Simón Levy, ex-subsecretário de Planejamento Turístico do governo de Andrés Manuel López Obrador.

Em entrevista à emissora argentina A24, Levy afirmou que Javier Milei tinha conhecimento da movimentação e participou de sua organização.

“O único que sabe disso é o presidente Milei. Ele participou de parte da coordenação de toda essa operação”, declarou o empresário.

A afirmação de Levy, entretanto, não equivale a uma confirmação oficial de que Milei tenha coordenado pessoalmente a saída de Flávio Bolsonaro. A participação direta do presidente argentino permanece baseada no relato do empresário.

A atuação das autoridades argentinas também foi elogiada por Juan Pablo Carreira, conhecido nas redes sociais como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina.

Às 2h21 desta quarta-feira, Carreira publicou uma mensagem celebrando a saída do ex-candidato brasileiro.

“O governo Milei é o governo com mais coragem da história. Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo, que quer prender todos os opositores; e agora poderá continuar a luta dos Estados Unidos, em vez de uma cela em Brasília, como seu pai”, escreveu, em tradução do espanhol.

A manifestação de Carreira evidencia o apoio político de um integrante do governo argentino à saída de Flávio Bolsonaro, embora não esclareça quais autoridades determinaram o acompanhamento policial da comitiva.

<><> Trump confirma concessão de vistos à família Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil durante a madrugada desta quarta-feira.

Questionado sobre a concessão de vistos aos integrantes da família, Trump confirmou a autorização e justificou a medida afirmando que “são boas pessoas e as eleições foram terríveis”.

Ao ser perguntado sobre o paradeiro de Flávio, o presidente estadunidense respondeu: “Ouvi dizer que estava na Argentina”.

A autorização dos vistos permitiria que a família prosseguisse viagem aos Estados Unidos.

De acordo com o jornal argentino Página/12, o planejamento do voo previa uma parada em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento, antes da continuidade do deslocamento.

A rota escolhida pelo piloto também chamou a atenção. Segundo a publicação argentina, o Gulfstream evitou atravessar o espaço aéreo brasileiro e seguiu por Paraguai, Bolívia e Peru até o destino declarado.

<><> Imagens mostram chegada ao aeroporto e movimentação policial

A emissora argentina C5N registrou a chegada da caminhonete utilizada para transportar a família Bolsonaro ao aeroporto de Puerto Iguazú.

O veículo, pertencente à empresa Dallas Travel Turismo LTDA, levou os quatro passageiros até o terminal, onde a aeronave particular já estava preparada para o embarque.

As imagens divulgadas pela emissora também mostraram a decolagem do jato e a movimentação posterior de caminhonetes e veículos da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA).

Os registros foram apresentados antes da confirmação oficial da Direção Nacional de Migrações, que posteriormente reconheceu a passagem dos quatro brasileiros pelo território argentino e o embarque no voo privado operado pela Baires Fly S.A.

<><> Empresa responsável pelo avião é citada em investigação na Argentina

O jato utilizado pela família Bolsonaro pertence ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, proprietário da Baires Fly.

Segundo o Página/12, Mastropietro foi investigado por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao desvio de recursos destinados à assistência de pessoas com deficiência na Argentina.

A publicação afirma que a empresa emitiu notas fiscais que somariam centenas de milhões de pesos por voos que não teriam sido realizados.

As investigações também identificaram possíveis conexões comerciais entre Mastropietro e Miguel Ángel Calvete, apontado como operador do esquema, além de Diego Spagnuolo, ex-dirigente da Agência Nacional de Deficiência argentina (Andis).

Outro nome mencionado é o empresário Fred Machado, com quem Mastropietro manteve relações comerciais por meio da sociedade So Vain. O proprietário da Baires Fly também teria participado da aproximação entre Machado e o político argentino José Luis Espert.

As suspeitas envolvendo o proprietário da aeronave são objeto de investigações distintas e, por si só, não demonstram irregularidades no voo utilizado pela família Bolsonaro.

<><> Avião aguardava desde segunda-feira

A movimentação em torno da possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil já era acompanhada pela imprensa argentina desde segunda-feira.

Na ocasião, o Página/12 identificou a presença do Gulfstream no aeroporto de Puerto Iguazú e relatou informações sobre a atuação de agentes da Secretaria de Inteligência do Estado argentino (SIDE) nas instalações do terminal.

A aeronave estaria preparada para decolar durante a madrugada de terça-feira, mas os passageiros não compareceram, provocando o adiamento da viagem.

Nas horas seguintes, surgiram relatos sobre possíveis rotas alternativas utilizadas pela família Bolsonaro, incluindo deslocamentos pelo Paraguai e pela Venezuela.

A travessia registrada na noite de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, contudo, confirmou a utilização do corredor entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, que já vinha sendo acompanhado por veículos de comunicação argentinos.

<><> Saída ocorreu apesar de restrição judicial, diz imprensa argentina

A viagem aconteceu menos de 48 horas depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo a reportagem argentina citada pelo DCM, o ex-candidato estava submetido a uma determinação judicial que o impedia de deixar o Brasil. Flávio também seria investigado em dois procedimentos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro.

A existência e o alcance dessa restrição judicial não foram detalhados no material divulgado, e a confirmação argentina de que os passageiros não tinham impedimentos migratórios para entrar no país não esclarece a situação jurídica da saída do território brasileiro.

Até o momento das informações relatadas, a Direção Nacional de Migrações havia confirmado a passagem da família Bolsonaro pela Argentina, enquanto o envolvimento pessoal de Milei na coordenação da operação permanecia atribuído às declarações de Simón Levy.

¨      Marcia Carmo: Fuga de Flávio Bolsonaro: de boné e guarda-chuva com ajuda de Milei e de Trump

O ex-candidato presidencial Flávio Bolsonaro desembarcou, na manhã desta quarta-feira, no aeroporto Opa-locka, em Miami, nos Estados Unidos. Bolsonaro, a esposa e as filhas desembarcaram rápido do jatinho. Logo depois, de óculos de sol, jeans e camiseta, ele saiu do aeroporto protegido por dois amplos guarda-chuvas, como mostraram imagens da televisão argentina TN, de Buenos Aires. A cobertura internacional continua intensa desde que o portal Infobae informou sobre um jatinho na pista do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, que estaria pronto para a saída de Bolsonaro na madrugada de segunda para terça-feira, o que somente ocorreu na madrugada desta quarta-feira. A informação do Infobae e a série de dados desencontrados durante toda a terça-feira são agora apontados como possíveis despistes para facilitar a saída de Bolsonaro do Brasil.

<><> “Documento legal”

Às duas da manhã desta quarta-feira, a Dirección Nacional de Migraciones, ligada ao Ministério do Interior do governo Milei, divulgou comunicado informando que Flávio Bolsonaro, a esposa e as filhas tinham entrado no país às 22h50 deste dia 27 de outubro através da ponte internacional Tancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina. No comunicado, afirma-se que eles apresentaram documentação “habilitada e sem impedimento legal para a entrada no país”. No comunicado, afirma-se ainda que às 23h30 eles entraram no jatinho da companhia Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador.

<><> Miami

Ali, a família embarcou para Miami, nos Estados Unidos. Segundo a imprensa argentina informa nesta quarta-feira, o assessor presidencial de Milei, Santiago Caputo, teria esperado Flávio Bolsonaro na entrada da alfândega de Puerto Iguazú e ele sequer teria saído do carro para mostrar sua documentação, de acordo com a TN, de Buenos Aires. O governo Milei participou diretamente da operação para que Bolsonaro seguisse para os Estados Unidos, informa a imprensa local. Ao mesmo tempo, as manchetes da imprensa argentina – Clarín, La Nación e Página 12 – destacam que Bolsonaro contou com a ajuda de Trump para fugir do Brasil.

<><> Perguntas e boné

A terça-feira foi recheada de versões sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro. Tudo tinha começado com uma informação do Infobae, de Buenos Aires, de que um jatinho estava no aeroporto de Puerto Iguazú preparado para o embarque do ex-candidato e da família. O jatinho citado, da empresa Baires Fly S.A., ficou o dia inteiro na pista. O Brasil 247 procurou então, na manhã de terça-feira, a assessoria de imprensa do Ministério do Interior da Argentina, que informou que Flávio Bolsonaro não tinha entrado no país. O que ocorreu, então, no fim da noite da mesma terça-feira. De acordo com a imprensa argentina, uma comitiva com vans entrou em alta velocidade pela ponte Tancredo Neves até Puerto Iguazú, já no escuro da noite. Os carros tinham vidros polarizados. Mas enviados especiais da imprensa local chegaram a ver Flávio Bolsonaro de boné. Uma das perguntas feitas nesta quarta-feira é se as autoridades de controle migratório da Argentina não tinham sido avisadas pela Polícia Federal do Brasil sobre o impedimento do ex-candidato presidencial de deixar o país. De acordo com a imprensa local, o setor argentino não tinha sido avisado e Flávio e a família entraram no país com documento de identidade – como permite o Mercosul. Mas cresce a evidência de que ele teria contado com apoio de Milei e de Trump para deixar o Brasil. A manchete do Clarín, de Buenos Aires, é: “Com ajuda de Trump, Bolsonaro fugiu do Brasil e chegou aos Estados Unidos”.

¨      Operação Alba: Marco Rubio batizou e Milei apoiou ‘resgate’ de Flávio Bolsonaro para os EUA. Por Marco Damiani

‘Operação Alba’. Com este nome, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, batizou o movimento logístico e operacional que tirou Flávio Bolsonaro do Brasil, via Argentina, para chegar com a mulher e as duas filhas ao território americano, em Miami, nesta quarta-feira (28). O que parecia ser, à primeira vista, uma fuga voluntarista, sem planejamento ou apoio, feita às pressas, revela-se agora como uma intriga internacional de grande envergadura.

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A revelação sobre a existência e denominação da Operação Alba foi feita pelo correspondente do 247 em Nova York, Pedro Paiva, durante a edição de ontem do programa Boa Noite 247. O jornalista destacou o interesse direto de Marco Rubio em contar com Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos para seguir em seu trabalho de conturbar as relações diplomáticas e comerciais com o Brasil.

A informação se somou, durante a edição de ontem do programa, à prestada, em entrevista ao vivo, no início da transmissão, pela ex-deputada Joice Hasselmann. Ela contou que já tinha conhecimento, cinco dias antes da eleição de 25 de outubro, da contratação de um jatinho, na Argentina, para que ficasse à disposição para uma eventual decolagem de Flávio e sua família rumo aos EUA. “Não foi surpresa para mim”, disse Joice. “Divulguei nas minhas redes que o jatinho já estava combinado, que era uma alternativa de fuga, cinco dias antes do segundo turno.”

A correspondente Marcia Carmo, do Brasil 247 em Buenos Aires, completou a série de informações apontando que, na Argentina, a notícia corrente é a de que o jatinho que levou a família 01 aos EUA teve como passageiros agentes de segurança americanos, na etapa de deslocamento interno da aeronave na Argentina, da capital do país a Porto Iguazú. Quatro, mais precisamente.

Hoje, ficou claro que o governo argentino de Javier Milei forneceu apoio logístico e de pessoal para a fuga de Flávio. Segundo o jornal argentino La Nación, o estrategista de Milei, Santiago Caputo, estava na província de Misiones no momento da partida da aeronave privada com a família do fujão. Ele publicou em seu perfil no X a reprodução de um pôster do filme “O Grande Truque”, ao mesmo tempo em que negava a jornalistas a participação do governo Milei na ida do bolsonarista derrotado por Lula. O despiste foi isso mesmo, uma mentira, um truque.

Em seu perfil nas redes sociais, o diretor de Comunicação Digital da Presidência da República Argentina, Juan Pablo Carreira, conhecido nas redes como Juan Doe, comemorou o sucesso da operação. “O governo de Milei é o governo com mais coragem da história. Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo, que quer prender todos os opositores; e agora poderá continuar a luta a partir dos Estados Unidos, em vez de fazê-lo de uma cela em Brasília, como seu pai”, escreveu Carreira.

Fuga em um primeiro momento, a parte final da ida do ex-candidato do PL para fora do Brasil foi um verdadeiro resgate praticado pelo governo de Donald Trump, com apoio da gestão Javier Milei, sobre um agente político brasileiro de seu interesse. Mais uma interferência direta nos assuntos nacionais do País.

¨      Flávio Bolsonaro entrou nos EUA com autorização humanitária para permanecer por um ano

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve uma autorização humanitária para permanecer nos Estados Unidos por até um ano, após deixar o Brasil em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e ao descumprimento de uma determinação judicial para entregar seus passaportes. O parlamentar desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a autorização consta de um documento da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos. O registro identifica Flávio Bolsonaro como beneficiário de uma classificação migratória denominada “DT”, utilizada para autorizações humanitárias de entrada no território estadunidense.

O documento estabelece outubro de 2026 como período de ingresso e outubro de 2027 como limite da permanência autorizada. A medida permite que o senador e seus familiares permaneçam legalmente no país durante esse intervalo, embora não represente a concessão de um visto convencional.

A autorização ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que aprovaria a entrada do aliado brasileiro no país. O republicano afirmou, entretanto, que desconhecia o paradeiro de Flávio naquele momento.

<><> Autorização permite permanência nos EUA até outubro de 2027

A classificação humanitária registrada pelas autoridades migratórias estadunidenses assegura ao senador uma possibilidade de permanência no país durante os próximos 12 meses, de acordo com o prazo indicado no documento obtido pela Folha.

A autorização não equivale, entretanto, à concessão de residência permanente nos Estados Unidos. Também não representa, por si só, o reconhecimento de perseguição política ou a concessão formal de asilo.

Embora aliados do parlamentar sustentem a possibilidade de perseguição política, os procedimentos mencionados pela Polícia Federal e pelo STF dizem respeito a suspeitas de crimes financeiros e ao cumprimento de determinações judiciais.

A chegada aos Estados Unidos marca uma mudança na situação política de Flávio Bolsonaro. Apenas três dias depois de ser derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial, o senador deixou o Brasil e passou a contar com uma autorização para permanecer em território estadunidense até outubro de 2027, enquanto seguem pendentes os desdobramentos das investigações envolvendo seu nome.

 

Fonte: Brasil 247

 

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