Imprensa
internacional diz que Flávio replica padrão de reacionários que ‘recorrem aos
EUA para fugir de crimes’
Veículos
da mídia internacional repercutiram na terça-feira (27/10) a fuga de Flávio
Bolsonaro (PL), dois dias após a derrota na disputa eleitoral. O jornal
norte-americano The New York Times (NYT) lembra que a assistência prometida
pelos Estados Unidos ao senador pode escalar as tensões entre o governo de
Donald Trump e o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que em
diversos momentos denunciou interferência do republicano em assuntos internos
do Brasil.
Por sua
vez, o jornal britânico The Guardian a fuga do senador “torna o futuro da
extrema direita ainda mais incerto”, lembrando que o seu pai, Jair Bolsonaro,
está em prisão domiciliar por tentativa de golpe, enquanto um de seus irmãos,
já está nos Estados Unidos com status de residente permanente – atualmente
Eduardo Bolsonaro tem um mandado de prisão pendente no Brasil em decorrência da
tentativa de interferir no julgamento de seu pai, pressionando Trump para
sancionar juízes à frente do caso.
“Desde
que Jair Bolsonaro, então deputado de carreira com poucas leis,
surpreendentemente venceu a presidência em 2018, efetivamente não houve mais
direita no Brasil, apenas o movimento bolsonarista de extrema direita”,
destacou The Guardian.
O The
Washington Post comparou a situação com os acontecimentos após o pleito de
2022, quando Jair Bolsonaro foi derrotado por Lula. “A saída dramática foi um
eco marcante da eleição presidencial de 2022, quando o pai de Bolsonaro, o
ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, fugiu do país rumo à Flórida”.
“Dois
dias atrás, Flávio Bolsonaro era projetado para vencer a eleição. Na
segunda-feira, ele efetivamente cedeu a Lula. Agora, ele desapareceu do
Brasil”, acrescentou.
A
emissora catari Al Jazeera resgata as palavras de Eduardo ao podcaster Steven
Crowder, ocasião em que defendeu que seu irmão mais velho deixasse o Brasil
caso não ganhasse as eleições. “O irmão mais novo de Bolsonaro, Eduardo, que
mora nos Estados Unidos e foi condenado à revelia em junho por fazer lobby
ilegal junto à administração Trump, disse em uma entrevista em podcast no
início deste mês que Flavio deveria deixar o Brasil caso perdesse a disputa”,
relatou.
A
venezuelana Telesur destacou que a fuga coincide com o avanço dos processos
judiciais “que pesam sobre o ambiente do clã de extrema direita brasileiro”,
mencionando as investigações por suposto crime de lavagem de dinheiro, processo
no qual seu advogado e amigo próximo Willer Tomaz também está envolvido. De
acordo com o veículo, o comportamento adotado pelo senador é tradicional para
setores da extrema direita.
“A fuga
para território dos Estados Unidos busca evitar as ações do sistema judiciário
brasileiro e proteger o parlamentar de possíveis medidas de precaução contra
ele. A possível transferência para a Flórida replica o comportamento de setores
reacionários da região que recorrem a refúgio nos Estados Unidos para escapar
de responsabilidades criminais derivadas de esquemas de corrupção e ataques
contra instituições democráticas em seus respectivos países”, disse.
• Fuga é destaque na imprensa da Europa
A fuga
do candidato derrotado nas eleições Flávio Bolsonaro do Brasil é destaque nos
sites de notícias europeus nesta quarta-feira (28/10). As reportagens detalham
o roteiro da saída do senador do país, associam o episódio às investigações que
pesam contra ele e lembram fugas de outros membros do clã.
Na
Alemanha, o site da revista Der Spiegel, em uma reportagem intitulada O
verdadeiro motivo para a fuga de Bolsonaro, afirma que o episódio é um presente
para Lula ao enfraquecer o clã Bolsonaro e dividir a direita brasileira.
"Em
fevereiro termina o mandato de Flávio como senador, e então ele perderá a
imunidade parlamentar. Esse provavelmente é o verdadeiro motivo de sua fuga. O
político é alvo de duas investigações por lavagem de dinheiro e
corrupção", afirma a revista. O texto afirma ainda que a operação também é
uma "espécie de reunião familiar", citando que o irmão de Flávio,
Eduardo também fugiu para os EUA.
A
reportagem lembra ainda o episódio da ida de Jair Bolsonaro aos EUA, após a
vitória de Lula nas eleições de 2022, temendo a Justiça brasileira. "Se
seu amigo Donald Trump estivesse no poder naquela época, ele provavelmente
ainda hoje viveria em Orlando, e não estaria em prisão domiciliar em Brasília
como um golpista fracassado condenado. Mas o governo do então presidente Joe
Biden deixou claro que não concederia asilo a Bolsonaro", destaca.
O
jornal conservador alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) narra a história
da "complicada fuga de Flávio para a América de Trump", destacando
que o presidente republicano quer admiti-lo nos EUA, "mas para isso ele
[Flávio Bolsonaro] precisa primeiro chegar lá". O periódico lembra que o
senador é alvo de duas investigações no Brasil
"A
fuga provocou inquietação no PL. A cúpula da legenda, que na segunda-feira
havia reconhecido a vitória eleitoral de Lula e pretendia confiar a Bolsonaro a
liderança da oposição, aparentemente não havia sido informada da decisão.
Integrantes do círculo próximo do ex-presidente afirmam que ele pretende
solicitar asilo político nos Estados Unidos e, de lá, liderar a oposição. No
entanto, o campo conservador vem se distanciando cada vez mais de Bolsonaro e
considera que chegou o momento de questionar a pretensão da família Bolsonaro
de liderar esse grupo político", diz o FAZ.
A fuga
também é destaque no jornal Süddeutsche Zeitung (SZ) que cita as investigações
contra Flávio e lembra que, com a derrota na eleição, ele ficaria sem mandato
na política pela primeira vez em 24 anos. "A pressão sob Flávio aumentou
no Brasil. Ao deixar de ser senador, ele ficou menos protegido de processos
criminais. Ele está sendo investigado no atual maior escândalo de corrupção do
Brasil, que foi revelado no ano passado com a quebra do Banco Master."
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Casos de corrupção
Na
França, o diário Le Monde noticia que "o candidato da extrema direita,
envolvido em vários casos de corrupção e intimado pela Justiça brasileira a
entregar seus passaportes, deixou o país rumo ao Equador, após cruzar a
fronteira terrestre com a Argentina". O texto acrescenta que, "para
estupefação geral", a fuga se deu "apenas dois dias" após sua
derrota na eleição presidencial.
"Uma
fonte anônima do governo brasileiro procurou, no entanto, tranquilizar os
interlocutores. ‘Não vamos romper as relações com os Estados Unidos, é
exatamente isso que eles [o clã Bolsonaro] querem’, afirma, lembrando que o
governo já precisou lidar com episódios semelhantes. Após sua derrota para Lula
em 2022, Jair Bolsonaro passou três meses na Flórida e teria considerado fugir
para a Hungria e a Argentina antes de retornar ao Brasil. Washington também
recebeu de braços abertos o ex-chefe da inteligência brasileira, Alexandre
Ramagem, poucos dias antes de sua condenação, em setembro de 2025, a 16 anos de
prisão pela tentativa de golpe de Estado contra Lula", afirma o jornal
francês.
Já o
jornal espanhol El País publica texto intitulado A fuga de Flávio: do Brasil à
Argentina para viajar aos EUA, após fazer escala no Equador, no qual relata que
Flávio Bolsonaro "saiu de seu país para evitar uma investigação por
lavagem de dinheiro" e que Trump diz que aceita acolhê-lo nos EUA.
"Não
está claro o paradeiro do filho do ex-presidente golpista Jair Bolsonaro. A
Flórida é considerado um destino provável, mas seu irmão, o ex-deputado
Eduardo, vive no Texas, por isso também se suspeita que ele pode ter ido para
lá", escreve o El País.
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Cidadania italiana
O
jornal britânico Financial Times também relembra as investigações contra Flávio
e avalia que a presença do senador no EUA "provavelmente agravará as já
tensas relações entre Brasília e Washington. Um aliado afirmou que sua esposa e
suas duas filhas também deixaram o Brasil".
"O
governo Trump, que ainda não reconheceu formalmente a vitória de Lula, anunciou
na terça-feira que concederia um visto a Flávio, cujo pai, Jair Bolsonaro, foi
aliado do presidente republicano durante seu mandato", afirma o texto.
O
também britânico The Guardian também dá destaque ao episódio e aponta que o
senador possui a cidadania italiana.
"Um
ministro do Supremo Tribunal Federal cancelou o passaporte de Flávio poucos
minutos após a divulgação do resultado eleitoral, em uma decisão relacionada a
um processo criminal contra o senador. Ele tinha até as 11h para entregar o
documento à Polícia Federal, mas não compareceu. Flávio possui cidadania
italiana desde 2023 e, segundo relatos, também tem um passaporte emitido pelo
país europeu", diz.
• O papel da Argentina de Milei na fuga de
Flávio Bolsonaro
A
Argentina confirmou na madrugada desta quarta-feira (28/10) que o senador
Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, fugiu do
Brasil para a Argentina e seguiu a caminho do Equador acompanhado da esposa e
das duas filhas.
O
senador e sua família receberam vistos dos Estados Unidos no dia anterior,
concedidos pelo governo do presidente Donald Trump, segundo a agência de
notícias AP.
A fuga
de Flávio Bolsonaro pelo país vizinho deverá piorar ainda mais as já
desgastadas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, que se deterioraram
com declarações feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, durante a
recente disputa pela Presidência.
Milei
foi ao Brasil para participar de atos de campanha de Bolsonaro e, em solo
brasileiro, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de
"ladrão", "presidiário" e "delinquente". Depois
disso, o Brasil comunicou a dispensa do embaixador da Argentina em Brasília e
decidiu não enviar o embaixador brasileiro a Buenos Aires, efetivamente
rebaixando as relações diplomáticas entre os dois países.
O
governo argentino também se recusou inicialmente a reconhecer a vitória de Lula
nas eleições. O porta-voz da Presidência da Argentina, Adrián Ravier, disse que
o Executivo registrou o resultado do pleito e afirmou que Lula também não
parabenizou Milei após a vitória do argentino em 2023.
"Quando
em 2023 Javier Milei foi eleito, não houve nenhum gesto do presidente Lula para
cumprimentá-lo pessoalmente nem nada. Por enquanto, não há nenhum comunicado
que vamos fazer", destacou.
A fuga
de Flávio Bolsonaro pelo país vizinho se dá apesar de o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ter proibido o senador de deixar o
país e determinar que ele entregasse seus passaportes, no âmbito de uma
investigação criminal sobre seu suposto envolvimento num esquema de lavagem de
dinheiro. Bolsonaro não entregou os passaportes, e os documentos foram
cancelados pela Polícia Federal.
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Argentina negou enfaticamente
O
jornal argentino Clarín diz ter sido informado de que não havia, na Argentina,
nenhum alerta vigente contra Flávio Bolsonaro que impedisse sua entrada e
lembrou que o senador também tem passaporte italiano, documento que ele poderia
ter utilizado ao cruzar a fronteira por via terrestre, passando pelo controle
migratório. Além disso, brasileiros Não precisam de passaporte para entrar na
Argentina, basta um documento de identidade.
A
autoridade migratória argentina assinalou que "os que ingressaram no país
possuíam documentação de viagem válida e não enfrentavam qualquer impedimento
legal para entrar; além disso, sua passagem foi registrada pela autoridade
competente sem qualquer incidente".
Durante
o dia, o governo de Milei negou "enfaticamente" que Flávio Bolsonaro
tivesse entrado na Argentina, e também as autoridades de migração disseram que
não havia registro de entrada dele no país.
Só na
madrugada desta quarta-feira, às 2h01, a autoridade migratória argentina
comunicou, por meio de uma postagem na rede social X, que Flávio Bolsonaro e
sua família cruzaram a fronteira para entrar no país às 22h50. Até então, o
paradeiro dele era desconhecido.
"A
Direção Nacional de Migrações informa que, às 22h50 do dia 27/10, entraram pelo
posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de
Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira
Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. Eles
apresentaram documentação de viagem válida, sem qualquer impedimento legal para
a entrada no país; a passagem foi registrada pela autoridade competente, sem
incidentes", comunicou a autoridade.
"Além
disso, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado, operado pela empresa
Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, conforme consta
no plano de voo", concluiu.
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A fuga
O
comunicado oficial foi divulgado três horas após a passagem do grupo pela
fronteira. Por volta das 23h, duas vans da empresa brasileira Iguaçu Dallas
Travel atravessaram a fronteira em Puerto Iguazú, vindas do lado brasileiro,
informou o Clarín.
Segundo
a emissora TN, os veículos seguiram em velocidade máxima, escoltados por uma
viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), até entrarem diretamente
na pista do Aeroporto de Puerto Iguazú, em Misiones.
A
emissora argentina C5N, que transmitia ao vivo do aeroporto no momento da
chegada das vans, informou que a comitiva era composta de quatro veículos, com
escolta da polícia, e ao menos um deles entrou na pista do aeroporto.
A bordo
de um dos veículos, de vidros escurecidos, havia uma pessoa usando boné,
sentada no banco traseiro, que o Clarín identificou como sendo Flávio
Bolsonaro. O jornal observou que a movimentação de segurança vista no local era
incomum para um aeroporto que, àquela hora, quase não recebe voos.
Segundo
o jornal argentino La Nación, o estrategista de Milei, Santiago Caputo, estava
na província de Misiones no momento da partida da aeronave privada, o que
aumentariam as suspeitas de colaboração do governo argentino na fuga de Flávio.
A Casa Rosada negou qualquer envolvimento no caso.
Ainda
de acordo com o La Nación, perfis ligados ao campo libertário comemoram nas
redes sociais a saída de Flávio Bolsonaro pela Argentina, um deles seria Juan
Pablo Carreira, conhecido nas redes como Juan Doe, que ocupa o cargo de diretor
de Comunicação Digital da Presidência.
"O
governo de Milei é o governo com mais coragem da história. Flávio Bolsonaro
está a salvo das garras do comunismo, que quer prender todos os opositores; e
agora poderá continuar a luta a partir dos Estados Unidos, em vez de fazê-lo de
uma cela em Brasília, como seu pai", escreveu nas redes sociais.
Fonte:
Opera Mundi/DW Brasil

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