Midterms:
as eleições decisivas que moldam a política dos EUA
Na
próxima terça-feira (03/10), os Estados Unidos vão às urnas.
Desta vez, os americanos não decidem quem comandará a Casa Branca, mas quem
ocupará o Capitólio: chegou a hora das eleições de meio de mandato, as midterms.
Essas
eleições ocorrem a cada quatro anos, exatamente no meio do intervalo entre duas
eleições presidenciais. Os eleitores dos EUA decidem os assentos da Câmara dos
Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os
cidadãos também escolhem quem será governador ou governadora.
Além
dessas decisões, que aparecem claramente nas cédulas eleitorais, os eleitores
também acabam avaliando outra questão.
A
eleição de meio de mandato é "frequentemente um referendo sobre o
presidente e o partido que está no poder", explicou J. Miles Coleman,
analista eleitoral do Center for Politics da Universidade da Virgínia,
antes das últimas midterms, realizadas em 2022. Quando a população está
satisfeita, o partido do ocupante da Casa Branca costuma ter melhor desempenho;
quando há insatisfação, o resultado tende a ser pior. Atualmente, a aprovação
do presidente Donald Trump está em um nível
historicamente baixo.
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Em quem os americanos votam nas eleições de meio de mandato?
Todos
os assentos da Câmara dos Representantes dos EUA estarão em disputa. Eleitores
de todo o país votarão para escolher os 435 deputados com direito a voto. Cada
parlamentar representa um distrito eleitoral, definido com base na densidade
populacional.
Por
isso, estados territorialmente grandes, como Wyoming, mas onde vivem
relativamente poucas pessoas, possuem apenas uma cadeira na Câmara. Já Nova
Jersey, muito menor em extensão territorial, mas mais populoso, conta com 12
assentos. Os deputados são eleitos para mandatos de dois anos.
Já o
mandato de um senador dos EUA dura seis anos. O Senado, a outra casa do
Congresso, tem 100 cadeiras, duas para cada um dos 50 estados,
independentemente de seu tamanho. A cada dois anos, cerca de um terço dos
assentos é renovado. Nas eleições deste ano, os americanos votarão para
preencher 35 vagas. Diferentemente da Câmara dos Representantes, portanto, nem
todos os estados realizarão eleições para o Senado durante as midterms.
Além
disso, os eleitores de 36 estados escolherão seus governadores. O mandato
costuma durar quatro anos. Nos EUA, muitas decisões são tomadas em nível
estadual, desde o direito ao aborto e questões educacionais até a organização
das eleições. Por isso, faz grande diferença para a população se democratas ou
republicanos controlam o governo estadual.
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Quem tem maioria no Congresso dos EUA?
Atualmente,
os republicanos, partido do presidente Trump, têm maioria nas duas casas do
Congresso. A vantagem, porém, é pequena.
Na
Câmara dos Representantes, há atualmente 218 republicanos, 214 democratas e um
deputado independente que normalmente vota com os republicanos. Duas cadeiras
estão vagas. Especialistas consideram provável que os democratas conquistem a
maioria nesta casa após a próxima eleição. "Seria uma surpresa se os
democratas não conquistassem ao menos a Câmara dos Representantes",
afirmou Coleman à emissora americana CBS no fim de outubro.
No
Senado, atualmente há 53 republicanos, 45 democratas e dois senadores
independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate de 50 a
50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente. Neste momento, portanto, o
vice-presidente de Trump, JD Vance, tem o poder de decidir votações
equilibradas.
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Por que as eleições de meio de mandato são importantes?
A
participação eleitoral costuma ser menor do que nas eleições presidenciais, mas
o resultado das midterms também tem influência decisiva sobre a política
americana dos anos seguintes.
Embora
o presidente dos EUA tenha amplos poderes e possa tomar diversas decisões por
meio de decretos executivos, muitas medidas precisam ser aprovadas pelo
Congresso para entrar em vigor.
Para
Trump, portanto, é muito mais fácil governar de acordo com sua agenda se os
republicanos controlarem as duas casas do Congresso. Caso os democratas
conquistem a maioria em uma ou até mesmo nas duas câmaras, ficará mais difícil
para o presidente implementar mudanças tanto na política interna quanto na
externa.
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Onde estão as disputas decisivas?
Na
Câmara dos Representantes, os democratas precisam conquistar apenas quatro
assentos adicionais para atingir 218 cadeiras e assumir a maioria. Entre os 435
distritos, apenas alguns ainda são considerados totalmente indefinidos. Entre
eles estão distritos nos estados de Iowa, Virgínia e Montana.
Nas
eleições para o Senado, por exemplo, a disputa no Texas chama atenção.
Pesquisas recentes mostram o democrata James Talarico empatado com seu rival
republicano Ken Paxton. Para conquistar a maioria no Senado, os democratas
precisam ganhar quatro cadeiras.
O fato
de o Texas poder contribuir para esse objetivo é considerado surpreendente.
Desde 1994, nenhum democrata venceu uma eleição estadual de âmbito federal no
estado. Talarico vem recebendo apoio de integrantes da família Bush,
tradicional dinastia republicana da qual saíram os presidentes George H. W.
Bush e seu filho George W. Bush.
Nas
eleições para governador, uma mulher negra poderá, pela primeira vez na
história dos EUA, assumir o comando de um estado. Em Minnesota, a democrata Amy
Klobuchar e a republicana negra Lisa DeMuth disputam o governo do estado. Já na
Geórgia, a democrata negra Keisha Lance Bottoms concorre ao cargo de
governadora contra o republicano Rick Jackson.
Uma
vitória de DeMuth em Minnesota é considerada improvável, já que o estado tende
a votar nos democratas e Klobuchar possui um grau de reconhecimento muito maior
devido a sua longa trajetória como senadora. Na Geórgia, porém, as
pesquisas mais recentes indicam uma disputa acirrada. Bottoms tem chances reais
de vencer.
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Possível avanço democrata no Congresso pode limitar
agenda externa de Trump, diz analista
Uma
eventual maioria democrata no Congresso dos EUA poderá restringir
significativamente a atuação externa do presidente Donald Trump, dificultando
iniciativas ligadas ao Irã e a Israel e à assistência militar e financeira à
Ucrânia, afirmou à Sputnik o jornalista e jurista norte-americano Andrew
Napolitano.
Em
entrevista à Sputnik, o jornalista e jurista norte-americano Andrew Napolitano
avaliou que os resultados das eleições legislativas nos EUA podem alterar o
equilíbrio de poder em Washington e impor obstáculos
relevantes
à agenda da Casa Branca. Segundo ele, os democratas têm boas chances de assumir
o controle da Câmara dos Representantes e possivelmente do Senado.
"É
quase certo que os democratas terão o controle da Câmara e, provavelmente, do
Senado", afirmou. Para Napolitano, caso o partido controle as duas casas
do Congresso, passará a comandar as decisões orçamentárias, o que
"limitará, de forma séria e profunda, a capacidade de Trump de travar uma
guerra no Irã, fornecer ajuda ilimitada a Israel ou até mesmo prestar
assistência ao regime de Zelensky em Kiev".
O
analista observou que, mesmo em um cenário no qual os republicanos mantenham o
Senado e os democratas conquistem apenas a Câmara, ainda haveria instrumentos
para dificultar a ação presidencial. Contudo, ressaltou que a capacidade de
pressão seria menor do que aquela proporcionada pelo controle simultâneo das duas casas
legislativas.
Napolitano
argumentou que a principal preocupação de Trump não se limita às disputas sobre
orçamento e política externa. Segundo ele, o presidente também teme o desgaste
provocado por investigações parlamentares conduzidas pela oposição, que
poderiam consumir tempo e energia política da
administração.
"O
maior receio de Trump é a perda de tempo e o constrangimento pessoal
decorrentes das intermináveis investigações que os democratas, na Câmara,
provavelmente conduzirão", disse. Na avaliação do jurista, esse processo
acabaria desviando a atenção do presidente da condução da política externa.
Como
exemplo, ele citou a possibilidade de o Congresso restringir a atuação de
particulares em negociações diplomáticas. "É possível imaginar o Congresso
proibindo que particulares negociem em nome dos Estados Unidos", declarou,
acrescentando que uma medida desse tipo afastaria completamente figuras como Steve Witkoff e
Jared Kushner dessas funções.
O
analista também afirmou que os democratas poderiam contornar um eventual veto
presidencial ao incluir limitações à conduta de Trump em projetos considerados
indispensáveis para o funcionamento do governo federal. Segundo Napolitano,
medidas relacionadas ao financiamento do
Pentágono,
do Departamento de Justiça ou do sistema judiciário criariam forte pressão
política para sanção da lei, mesmo que ela contivesse restrições ao próprio
presidente.
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Trump aciona máquina pública
Parecia
até fake news, mas era verdade. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que uma série de comerciais de TV,
exibidos desde setembro na televisão americana e que exaltam os feitos de seu
governo, deixará de ser financiada com dinheiro dos contribuintes.
"A
esquerda radical está indignada porque estou pagando comerciais que considero
uma propaganda positiva para os nossos grandiosos Estados Unidos com recursos
públicos", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.
Apesar
de o financiamento desse tipo de anúncio pelo governo dos EUA ser, segundo ele,
"basicamente o padrão", os comerciais passarão a ser pagos com
doações feitas por seus apoiadores, anunciou.
Os
anúncios provocaram uma forte controvérsia nos Estados Unidos. Eles começaram a
ser exibidos em setembro durante programas populares, como o Saturday Night
Live, e transmissões de jogos de futebol americano, trazendo a inscrição
"Financiado pelo governo dos Estados Unidos", ou seja, com dinheiro
de impostos.
As
peças mostravam, por exemplo, a prisão de Nicolás Maduro por tropas
americanas. Sobretudo, porém, exibiam fotos e vídeos de Trump acompanhados de
declarações de combate, nas quais ele afirmava que expulsaria os
"belicistas" e a "classe política doente" da administração
pública dos EUA e impediria que o país se transformasse num Estado comunista.
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Dinheiro público para autopromoção
Os
anúncios foram duramente criticados por adversários políticos e organizações
não governamentais porque propaganda eleitoral às custas dos contribuintes é
proibida nos Estados Unidos, e os comerciais foram veiculados pouco antes das
midterms, as importantes eleições de meio de mandato do país.
No
pleito, estarão em disputa todos os 435 assentos na Câmara dos Representantes
(equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) e 35 das 100 cadeiras do Senado.
Ou seja, estará em jogo o controle do Congresso, que hoje é dominado pelos
republicanos de Trump.
Segundo
a emissora CBS, o Departamento de Segurança Interna dos EUA teria pago 20
milhões de dólares a uma agência por uma campanha nacional de mídia.
O
"padrão" mencionado por Trump aplica-se aos chamados public
service announcements, anúncios televisivos destinados, por exemplo, a
informar a população sobre programas sociais do governo. Contudo, os vídeos
exibidos não se encaixam nessa categoria, como observou a ONG Public Citizen,
que defende o direito dos consumidores.
"A
lei proíbe explicitamente o uso de recursos públicos para propaganda do
governo, autopromoção ou publicidade política em favor de um partido",
afirmou a organização. "Mas os comerciais de Trump são exatamente dessa
natureza."
Especialistas
também veem os anúncios de forma crítica. Patrick Malone, professor de
políticas públicas na American University, diz que a exibição dos vídeos neste
momento é particularmente problemática.
"Não
se deve usar dinheiro público para coisas relacionadas a campanhas eleitorais.
Estritamente, Trump não está fazendo campanha, ele não diz 'vote em
mim!'", observa Malone. "Mas o complicador aqui é o momento em que
isso ocorre, a poucas semanas antes das eleições de meio de mandato, isso é
realmente um grande problema."
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Temor antes das eleições de meio de mandato
No dia
3 de novembro, os eleitores americanos votarão para renovar todos os assentos
da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das cadeiras do Senado. Além
disso, o cargo de governador estará em disputa em alguns estados.
Hoje os
republicanos controlam as duas casas do Congresso. No Senado, possuem 53 dos
100 assentos. Na Câmara dos Representantes, contam com 219 dos 435
parlamentares. Isso permite que Trump aprove com relativa facilidade grande
parte de sua agenda política.
No
entanto, uma pesquisa eleitoral para as midterms divulgada em 5 de outubro pelo
instituto Ipsos, em parceria com a agência de notícias Reuters, indicou que
esse cenário pode mudar.
Entre
os entrevistados com mais de 50 anos, os republicanos apareciam com 44% das
intenções de voto, apenas dois pontos percentuais à frente dos democratas.
Tradicionalmente, essa faixa etária participa mais das eleições de meio de
mandato do que os eleitores mais jovens. Entre os americanos com menos de 50
anos, os democratas lideravam com uma vantagem de 18 pontos percentuais.
A
situação de Trump nas pesquisas de aprovação também não é
boa: apenas 32% dos entrevistados consideram que ele está fazendo um bom
trabalho.
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Republicanos tentam se desvincular de Trump
Provavelmente
por esses motivos, alguns candidatos republicanos não demonstram muito
entusiasmo em participar de eventos de campanha ao lado do presidente, algo que
normalmente seria considerado um dos pontos altos da campanha de um candidato
ao Senado ou à Câmara dos Representantes.
Muitos
americanos passaram a associar Trump ao alto custo de vida e à guerra contra o
Irã, que já dura mais de seis meses. Segundo um estrategista republicano que
falou sob condição de anonimato ao portal Politico, se Trump aparecesse em um
estado indefinido para fazer campanha pelos republicanos, "meus candidatos
pegariam covid" apenas para não ter de comparecer.
Até
mesmo a grande convenção partidária organizada por Trump em setembro, algo
normalmente reservado a anos de eleição presidencial e não às midterms, teve
várias ausências de candidatos republicanos, apesar de o evento ter sido
concebido para lhes dar visibilidade.
Por
exemplo, Susan Collins, do Maine, e Dan Sullivan, do Alasca, não compareceram à
convenção. O mesmo ocorreu com candidatos à Câmara dos Representantes de
estados onde a competição é acirrada, como Arizona, Iowa e Michigan.
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Trump prometeu 5 mil dólares a cada eleitor
Durante
o evento, Trump anunciou algumas medidas de campanha incomuns. Para
incentivar a participação eleitoral, o presidente sugeriu diversas vezes ao
público que fingisse que ele próprio estava na cédula de votação. E, se isso
não fosse suficiente, ele prometeu que, se os republicanos conquistassem a
maioria em ambas as casas do Congresso, cada americano apto a votar receberia 5 mil dólares (cerca de R$
24,9 mil).
A
medida custaria mais de 1 trilhão de dólares aos Estados Unidos, mas
dificilmente se tornará realidade. "Ele não dispõe de dinheiro para fazer
isso por conta própria. A medida teria de ser autorizada e implementada pelo
Congresso", observa Malone. "Já vimos algo semelhante em promessas
não cumpridas, como ‘o México vai pagar pelo muro na fronteira'."
Fonte:
DW Brasil/Sputnik Brasil

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