quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Jeferson Miola: Fuga de Flávio mostra que Lula impediu que Brasil fosse governado pelo banditismo

Fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos mostra que o Brasil esteve sob o risco de ter o banditismo profissional instalado no Palácio do Planalto.

Com a legitimidade do voto popular, no poder o banditismo normalizaria a adoção de atos e medidas favoráveis a criminosos, como os condenados na trama golpista.

E, controlando a PF e influenciando o Ministério Público, o Judiciário e a mídia, conseguiria impedir a continuidade das investigações dos vários escândalos de corrupção nos quais o próprio Flávio, a família miliciana e influentes bolsonaristas estão envolvidos.

A fuga dele comprova que ele buscava o cargo de Presidente da República não só para impor uma autocracia entreguista, mas também como salvo-conduto para se salvar em pelo menos os dois inquéritos já instaurados [além de outros que poderão surgir] – por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas pelo suposto filme Dark Horse, e pelos mesmos crimes, fraudes e desvios em parceria com o sócio Willer Tomaz, que movimentou bilhões de reais de modo suspeito.

A narrativa falaciosa de que a fuga foi motivada por perseguição política é insustentável. Nem os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques, que agiram como agiram no STF e no TSE para ajudá-lo e que conhecem em profundidade os crimes nos quais ele está envolvido, conseguiriam endossar esta versão fantasiosa de perseguição.

Flávio é acusado de vários crimes, e sua candidatura presidencial só chegou até o fim porque ele contou com um apoio decisivo do André Mendonça, que escondeu os crimes dele, e da mídia, que em nome do antipetismo normalizou a candidatura dele sem escrutinar a ficha criminal, como seria esperável de uma imprensa imparcial e decente.

Flávio fraudou a maior parte dos quase 60 milhões de eleitores e eleitoras que votaram nele por vários motivos, talvez o mais significativo o de evitar a reeleição do Lula, mas que provavelmente não repetiriam a escolha sabendo que estavam votando em um criminoso fugitivo.

Como afirma o vice-presidente Geraldo Alckmin, Lula salvou a democracia pela segunda vez. Além disso, Lula impediu que o banditismo subisse a rampa do Palácio do Planalto, e por isso salvou também o Brasil de se transformar num Estado Miliciano.

•        Corre assustado de Flávio apressa julgamento de seus crimes. Por Marco Damiani

Se vai dar certo, as próximas horas vão mostrar. Parece que não, e ele será preso. Desde agora, quando o paradeiro de Flávio Bolsonaro ainda é desconhecido das autoridades, sobressai a face mais verdadeira deste cidadão que completa uma carreira de 27 anos de vida bandida encoberta por mandatos políticos. A fuga simboliza, sob as vaias do Brasil, a saída de um enganador pela porta dos fundos do País, assustado e escondido.

Ao correr do primeiro passo da Justiça em direção a ele – o pedido de entrega dos seus passaportes -, Flávio mostrou toda a sua fragilidade. Se aceitasse as regras do jogo democrático, ele já estaria se vendo atrás das grades da Papuda, para onde foi enviado seu pai, após todo o ciclo legal para a punição por tentativa de golpe de estado ter se completado.

O episódio ressalta o caráter de quem as urnas do último domingo nos livraram. Flávio seria um veículo para o despertar, mais uma vez, do pior que a sociedade brasileira tem dentro de si. Assassinos, assaltantes, sequestradores, torturadores, achacadores, a escória mais sórdida, alheia a qualquer modelo de civilidade, voltaria à tona. Dessa vez com mais experiência, adquirida nos anos Bolsonaro, assertividade e ódio contra o outro.

O modelo milícia teria campo, com o foragido no poder, para se espalhar por todo o País. O infortúnio da população poderia se estender por décadas. Não haveria instância de reclamação. A máquina do estado seria dominada por indicações da bandidagem. As instituições iriam apodrecer por dentro, tornando-se irrecuperáveis. Este era um aspecto do plano do fugitivo.

Se for pego em sua corrida ilegal para os Estados Unidos, Flávio Bolsonaro terá conseguido adiantar o andamento de todos os processos que podem jogá-lo na prisão por muito tempo.

•        Após fuga, PF deve pedir bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal avalia solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a indisponibilidade de bens e o bloqueio de valores pertencentes ao senador Flávio Bolsonaro (PL), como forma de impor uma “asfixia financeira” e forçar seu retorno ao Brasil. A medida cautelar ganhou força nas investigações após ser confirmada a viagem do candidato derrotado na eleição presidencial para os Estados Unidos, contrariando restrições fixadas no inquérito sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, informa o jornal O Globo.

A movimentação do parlamentar ocorreu logo após o pleito. A Polícia Federal havia peticionado ao STF no próprio domingo (25) de votação, alertando expressamente para o “risco concreto de evasão do território nacional”. Naquele momento, em vez de requerer a custódia cautelar, os agentes sugeriram o recolhimento dos passaportes de Flávio e o descadastramento de contatos com outros alvos. Diante da saída do país, a decretação da prisão preventiva voltou à mesa de análises da corporação.

O instrumento de asfixia patrimonial que agora pode atingir Flávio segue o modelo aplicado a outros investigados do mesmo esquema, que apura lavagem de capitais e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas. O advogado Willer Tomaz, que se encontra em solo norte-americano desde agosto, teve os sigilos fiscal, bancário e cambial quebrados, além de bens bloqueados no limite de até R$ 6 bilhões por ordem de Moraes. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) também sofreu sanção patrimonial semelhante em julho de 2025, quando apurações revelaram que Jair Bolsonaro (PL) enviava recursos para custear sua permanência no exterior.

Investigadores ponderam, contudo, que um eventual mandado de prisão preventiva não garante efeito prático imediato, uma vez que o governo do presidente Donald Trump já autorizou a permanência de Flávio nos Estados Unidos com a concessão de vistos para ele e sua família. Caso Moraes expeça o mandado, a Polícia Federal poderá requerer a inclusão do nome do senador na difusão vermelha da Interpol. A efetivação de uma eventual prisão no exterior dependerá de decisão soberana do governo norte-americano. Em paralelo, deputados do PT acionaram o STF exigindo a inclusão imediata do congressista na lista da Interpol e solicitaram parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A dinâmica da viagem indica articulação prévia. O desembarque na Flórida foi organizado por Eduardo Bolsonaro, que se deslocou do Texas com familiares para receber o irmão, com o auxílio de autoridades locais. A fuga atropelou os planos desenhados por aliados do PL. Em reuniões na segunda-feira (26) pós-eleição, advogados e interlocutores viram Flávio assustado com a possibilidade de prisão e o aconselharam a permanecer no país para liderar a oposição. O senador havia concordado em participar de encontros com a bancada na terça-feira (27), mas mudou de plano nas primeiras horas do dia. O ex-coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), informou ter recebido uma mensagem de Flávio por volta de 8h dizendo que precisava “espairecer”, momentos antes de o senador desligar os aparelhos e deixar o país.

•        Janones diz que fuga de Flávio Bolsonaro é “narrativa” para manter o controle da direita no Brasil

O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que a possibilidade de prisão de Flávio Bolsonaro pode servir como instrumento de mobilização política da extrema direita após a derrota nas eleições presidenciais. Na avaliação do parlamentar, o discurso construído em torno de uma eventual perseguição judicial busca impedir a desarticulação do bolsonarismo e recuperar a unidade de seus apoiadores.

Em publicação na rede social X, Janones classificou como uma tentativa de construção de narrativa política a movimentação em torno de Flávio Bolsonaro. O deputado declarou esperar que nenhuma ordem de prisão seja expedida contra o senador, por considerar que uma medida dessa natureza poderia oferecer ao grupo bolsonarista um novo elemento de mobilização.

“Espero que Flávio não tenha sua prisão decretada, pois todo esse teatro é para construir uma narrativa!”, escreveu Janones.

Segundo o parlamentar, o cenário enfrentado pelo bolsonarismo após a derrota eleitoral é diferente daquele registrado em 2022. Ele sustenta que, desta vez, os integrantes da extrema direita enfrentam dificuldades para preservar a coesão política e manter seus seguidores mobilizados.

“Ao contrário de quando perderam em 2022, agora eles não estão conseguindo se manter unidos e nem mobilizados após a derrota. Minhas análise das redes deles nas primeiras 48 horas depois do resultado das eleições comprovam isso”, afirmou.

A declaração faz referência a um levantamento que Janones diz ter realizado sobre o comportamento dos apoiadores bolsonaristas nas redes sociais durante as primeiras 48 horas posteriores à divulgação do resultado eleitoral. O deputado, entretanto, não apresentou na publicação indicadores quantitativos ou detalhes metodológicos que permitam verificar sua avaliação.

<><> Janones prevê enfraquecimento da extrema direita

Na análise do deputado, a dificuldade de reorganização do bolsonarismo poderá abrir espaço para o crescimento de setores da direita que não se identificam com a extrema direita. Janones considera que esse processo pode modificar a configuração das forças conservadoras no país ao longo dos próximos quatro anos.

“A direita ressurgirá com força nos próximos 4 anos, ocupando o lugar da extrema direita e, com isso, eles serão definitivamente varridos do Brasil!”, declarou.

O parlamentar argumenta, contudo, que essa tendência poderia ser interrompida caso surgisse um episódio capaz de restabelecer a unidade dos apoiadores de Flávio Bolsonaro. Para ele, uma eventual decisão judicial determinando a prisão do senador teria potencial para ser apresentada pelo grupo como uma injustiça, alimentando novamente o discurso de perseguição política.

“A única coisa que pode mudar isso é um fato que consiga uni-los novamente, algo pintado como uma injustiça e que mantenha viva a figura do inimigo em comum. A única coisa no momento que tem esse potencial é um mandado de prisão contra Flávio”, afirmou.

A interpretação de Janones parte da ideia de que a mobilização bolsonarista depende, em parte, da identificação de um adversário comum. Nesse contexto, uma eventual prisão poderia ser utilizada para reforçar a narrativa de que o grupo estaria sendo alvo de perseguição, oferecendo um novo elemento de articulação política após a derrota nas urnas.

<><> Deputado questiona discurso de fuga sem ordem de prisão

Outro ponto destacado por Janones é a dificuldade de sustentar politicamente uma narrativa de fuga caso não exista uma determinação judicial de prisão contra Flávio Bolsonaro.

Na avaliação do deputado, a ausência de um mandado enfraqueceria a tentativa de apresentar uma eventual saída do país como consequência de perseguição judicial. Embora reconheça que os apoiadores do senador poderiam continuar divulgando essa versão, Janones considera que o discurso perderia força sem uma decisão concreta das autoridades.

“Se isso não acontecer, a narrativa se perde: “fugiu” ? “Do que”? Claro que eles ainda manteriam a narrativa mesmo sem o mandado, porém ficará só no campo da teoria da conspiração, uma vez que nenhuma ordem de prisão terá sido emitida”, escreveu.

O posicionamento do parlamentar não equivale a uma confirmação da existência de um pedido de prisão ou de uma decisão judicial contra Flávio Bolsonaro. Sua manifestação trata dos possíveis efeitos políticos de uma medida dessa natureza e da maneira como ela poderia ser explorada pelo bolsonarismo.

Janones defende, nesse sentido, que a ausência de novos episódios capazes de alimentar o discurso de perseguição contribuiria para reduzir a centralidade política da extrema direita. Ele também sugere que seus adversários deixem de concentrar a disputa pública no bolsonarismo e passem a enfrentar outras forças políticas.

“O “inimigo a ser combatido” deixa de existir, a gente não dá mais palco pra ele, elegemos novos adversários, eles caem no ostracismo, pra sempre !”, concluiu.

•        Fuga de Flávio Bolsonaro foi planejada semanas antes de sua derrota nas urnas

Apesar de ter negado publicamente em gravação de vídeo qualquer intenção de deixar o território brasileiro, o plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) já estava completamente estruturado semanas antes de sua derrota para o presidente Lula (PT) nas urnas no domingo (25), informa Bela Megale, do jornal O Globo.

A estratégia para viabilizar a ida do parlamentar e de sua família para os Estados Unidos passou a ser traçada caso ocorresse um revés eleitoral na disputa presidencial. No entanto, essa hipótese acabou sendo tratada como improvável por Flávio Bolsonaro, seus aliados e seus familiares logo após o resultado do primeiro turno, quando o candidato figurou à frente de Lula.

O irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) — que fixa residência no território norte-americano desde o ano passado —, atuou como o articulador central do esquema de fuga. Em conjunto com o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, Eduardo manteve interlocução frequente com integrantes do governo de Donald Trump. O objetivo das conversas era assegurar a recepção de Flávio nos Estados Unidos na eventualidade de uma derrota nas urnas. De acordo com a visão do grupo, qualquer desfecho diferente da vitória do candidato do PL serviria para alimentar teorias conspiratórias sobre supostas fraudes no pleito — alegações desprovidas de qualquer respaldo factual.

O percurso traçado para que o senador conseguisse deixar o país envolveu uma travessia do Brasil para a Argentina. Em seguida, Flávio e sua família embarcaram num voo privado até o Equador, de onde decolaram na manhã desta quarta-feira (28) rumo aos Estados Unidos. A Polícia Federal ainda trabalha para detalhar o exato itinerário percorrido pelo ex-candidato.

A confirmação da concessão dos vistos de permanência no país para Flávio e seus familiares veio de forma oficial por meio do Departamento de Estado dos EUA. Paralelemente, desde a proclamação oficial da vitória eleitoral de Lula, Trump passou a emitir declarações públicas questionando a transparência e a lisura do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas que sustentem tais afirmações.

Na terça-feira (27), Eduardo Bolsonaro deslocou-se acompanhado da esposa e dos filhos até o estado da Flórida para recepcionar o irmão em solo norte-americano. O planejamento das lideranças prevê que Flávio realize uma transmissão ao vivo ainda nesta semana para apresentar suas justificativas sobre os motivos que o levaram a sair do Brasil.

 

Fonte: Brasil 247

 

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