Quais
são os políticos com ligações suspeitas com Vorcaro
O
senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, se tornou um dos
principais personagens políticos dos mais recentes desdobramentos das
investigações sobre o Banco Master, depois que a Polícia Federal (PF) realizou
nesta quinta-feira (18/06) buscas relacionadas ao parlamentar no âmbito da nona
fase da Operação Compliance Zero.
Após
respingar em políticos do Centrão e ligados ao Bolsonarismo, o escândalo chega
pela primeira vez ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo
partido ainda tenta explorar eleitoralmente a relação de Vorcaro com Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), revelada semanas atrás.
As
investigações apuram um amplo conjunto de suspeitas envolvendo o banqueiro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no que seria um esquema bilionário de
fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.
Indícios colhidos pela PF vêm revelando uma rede de influência que atinge nomes
centrais do Executivo, Legislativo e Judiciário.
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Jaques Wagner
Segundo
a PF, Jaques Wagner teria recebido favores de Vorcaro em troca de defender os
interesses do Banco Master no Senado.
A lista
incluiria um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves
particulares e o ingresso para o camarote de um show em Los Angeles, bem como
transferências financeiras para uma empresa ligada ao núcleo familiar do
senador.
Os
indícios foram encontrados nos celulares do empresário baiano Augusto Lima,
ex-sócio de Vorcaro.
O
senador petista, que nega ter atuado a favor do banco ou participado de
atividades ilegais relacionadas, disse que nunca recebeu qualquer vantagem
financeira em seu mandato: "Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos
do Master".
"Minha
relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Estive com ele duas vezes, uma
vez quando entrou de sócio do Augusto Lima para comprar o CredCesta. Outra vez,
quando o Augusto Lima pediu uma indicação na área jurídica, eu disse que não
tinha pessoa melhor como o ministro [Ricardo] Lewandowski", disse,
referindo-se ao ex-ministro da Justiça de Lula e ex-membro do Supremo Tribunal
Federal (STF).
Veja a
seguir outros nomes de destaque com ligações consideradas suspeitas com o dono
do Master:
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Flávio Bolsonaro
Mensagens
divulgadas pelo site The Intercept Brasil indicam que o senador e filho do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negociou repasses milionários em meio ao
avanço das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master. Segundo o
senador, esses recursos seriam para financiar uma cinebiografia sobre o pai.
A troca
de mensagens, cuja veracidade foi confirmada por fontes ligadas ao caso e pelo
próprio senador, amplia o alcance político de um escândalo que envolve várias
esferas do poder.
Segundo
o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme Dark
Horse entre fevereiro e maio de 2025. Essa seria uma parte de um repasse total
combinado de cerca de R$ 134 milhões para o filme, um valor excepcionalmente
alto para um longa filmado no Brasil, levantando dúvidas se o dinheiro seria
mesmo canalizado para a produção.
Além
das mensagens, Flávio também confirmou ter visitado o ex-banqueiro na casa dele
no fim de 2025, após a primeira prisão do empresário pela PF. A jornalistas,
ele argumentou que a reunião teria como principal objetivo encerrar sua relação
com o ex-banqueiro.
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Hugo Motta
Segundo
informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF encontrou
conversas em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), pedia a Vorcaro que o Banco Master liberasse um empréstimo à
empresa da cunhada do parlamentar.
Segundo
o diário, as conversas identificadas pela PF abordam a liberação de ao menos R$
22 milhões para Bianca Medeiros, irmã da mulher do parlamentar, em março de
2024.
Motta
não confirmou ter pedido o empréstimo, mas alegou que a conduta não
configuraria ilegalidade, já que o empréstimo, na época, seria feito por uma
empresa que teria lastro.
Antes,
Motta havia admitido que pegou carona em um jatinho do ex-banqueiro para viajar
a Portugal para participar do Fórum de Lisboa, em junho de 2024. Como
justificativa, o parlamentar disse que recebeu o convite para o evento "de
última hora".
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Ciro Nogueira
O
senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil no governo de
Jair Bolsonaro e chegou a ser cotado a vice de Flávio, foi alvo de operação da
PF relacionada a suposto recebimento de vantagens ao tentar legislar a favor do
banco.
A
chamada "emenda Master", apresentada por Ciro em 2024, propunha
ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do Fundo Garantidor de
Créditos (FGC), mecanismo que protege investidores em caso de quebra de
instituições financeiras.
A
proposta beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master, que captava
recursos oferecendo alta rentabilidade
em investimentos com cobertura do fundo. Segundo a PF, no entanto, o
texto da emenda teria sido elaborado por assessores do próprio banco e
posteriormente apresentado no Senado por Nogueira, praticamente sem alterações.
A PF
encontrou indícios de pagamentos mensais de Vorcaro a Ciro Nogueira que
chegaram a R$ 500 mil e somariam, ao todo, R$ 6 milhões. Os repasses teriam
sido feitos por meio da "CNFL", empresa vinculada ao senador. Vorcaro
não só teria conhecimento dos repasses como também priorizava, segundo a PF,
que eles fossem pagos todo mês.
Além
dessas transferências mensais, a PF aponta diversas vantagens consideradas
"indevidas" por parte de Vorcaro ao senador, a exemplo de uso de
imóvel do então banqueiro e do custeio de viagens internacionais de elevado
padrão, incluindo hospedagens em hotéis de luxo, participação em eventos
restritos, jantares e degustações de whisky em destinos como Nova York, Paris e
Lisboa.
No mês
passado, quando Ciro Nogueira foi alvo de uma operação da PF relacionada ao
caso Master, a defesa do senador disse que o parlamentar está comprometido
"em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer
participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados", e está
"à disposição para esclarecimentos".
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Cláudio Castro
O
ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo da oitava fase da
Operação Compliance Zero devido a uma investigação sobre um aporte de quase R$
3 bilhões no Master feito pela Rioprevidência, entidade responsável por 235 mil
aposentados e pensionistas do estado.
De
acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou o
cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Castro, os indícios
colhidos pela PF apontam que o ex-governador "exerceu papel politicamente
relevante para a viabilização dos aportes da RioPrevidência no Banco
Master". Em troca, haveria o pagamento de vantagens indevidas ao
envolvidos nos investimentos feitos pela RioPrevidência.
A
defesa do ex-governador negou que Cláudio Castro tenha "qualquer relação
pessoal indevida" com Vorcaro. Ressaltou também que as relações entre os
dois ocorreram em "agendas oficiais, institucionais" e em eventos
"comuns ao exercício da função pública" e "sem qualquer
tratativa ilícita, favorecimento ou recebimento de benefício pessoal".
"Também
não procede a informação de que viagens, passagens ou despesas pessoais de
Cláudio Castro tenham sido custeadas por Daniel Vorcaro, assim como não houve
qualquer tipo de benefício pessoal recebido pelo ex-governador", sustentam
os advogados do ex-governador.
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Dias Toffoli
O
ministro do STF Dias Toffoli é citado em conversas no celular do banqueiro
Daniel Vorcaro, de acordo com relatório da PF. A menção ao ministro, revelada
em fevereiro, levou à sua saída da relatoria do caso. A pedido próprio, ele foi
substituído por André Mendonça.
De
acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as mensagens fariam menção ao pagamento
pela compra de um resort, do qual uma empresa de Toffoli era sócia. Haveria
também mensagens de Vorcaro para Toffoli. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal,
os dois estariam marcando um encontro.
A PF
estaria investigando o repasse de dinheiro a Toffoli por uma empresa chamada
Maridt, que vendera em 2021 a sua participação no resort Tayayá, localizado no
Paraná, para um fundo ligado ao Banco Master.
Em
resposta, o gabinete de Toffoli negou que ele tenha qualquer relação pessoal ou
financeira com Vorcaro. Além disso, afirmou que o ministro é sócio da Maridt,
bem como seus irmãos, sendo parentes responsáveis pela administração da
empresa. Uma primeira nota já havia chamado de "ilações" as menções
ao seu nome pela PF.
Depois
a corte argumentou não haver cabimento para arguição de suspeição do ministro e
expressou apoio pessoal ao ministro. "Anote-se que Sua Excelência atendeu
a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal (PF) e pela
Procuradoria-Geral da República (PGR)," disseram sobre Toffoli os dez
ministros do tribunal em nota.
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Alexandre de Moraes
O
ministro do STF Alexandre de Moraes entrou nos holofotes do escândalo após vir
à tona a existência de um contrato entre o Master e o escritório da advogada
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, para prestação de serviços
jurídicos por R$ 3,6 milhões mensais, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025,
num total de mais de R$ 80 milhões, segundo dados da Receita Federal enviados à
CPI do Crime Organizado e citados pela imprensa brasileira.
O valor
total teria sido pago em 24 prestações mensais de R$ 3,6 milhões entre
fevereiro de 2024 e novembro de 2025, apontou o portal de notícias G1.
Os
pagamentos correspondiam à contratação de serviços de advocacia do Barci de
Moraes Sociedade de Advogados pelo Master, revelada em dezembro pelo jornal O
Globo.
Em
abril, o escritório afirmou que "não confirma as informações incorretas e
vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".
No mês anterior, o escritório divulgou nota relatando a contratação de serviços
jurídicos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo Banco Master,
"para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica".
Depois
de um vazamento de dados extraídos do celular de Vorcaro, uma reportagem do
jornal O Globo afirmou em março que o banqueiro teria enviado mensagens a
Moraes horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro.
Em
nota, Moraes negou ter recebido as mensagens citadas pela publicação e afirmou
que uma análise feita no conteúdo extraído do celular do dono do Banco Master
"constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia
17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de
Moraes nos arquivos apreendidos".
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Ibaneis Rocha
Governador
do Distrito Federal até o fim de março, quando deixou o cargo para disputar uma
vaga ao Senado, Ibaneis Rocha (MDB) aparece como personagem na fase de
derrocada do Banco Master, em 2025, quando a instituição quase foi adquirida
pelo Banco de Brasília (BRB), ligado ao governo do DF.
A
motivação da compra de um banco em derrocada como o Master pelo BRB está sob
suspeita. A compra nunca foi concluída, mas o ex-presidente do BRB Paulo
Henrique Costa chegou a ser preso por suspeita de negociar propina para avançar
com o negócio. O valor envolveria seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões.
Ibaneis
Rocha admitiu ter travado vários encontros com Vorcaro, mas argumentou que não
tratou da possível compra do Master pelo BRB.
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Davi Alcolumbre
Segundo
uma reportagem da revista Veja, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi
citado por Vorcaro em sua proposta de delação premiada. Se acordo com a
publicação, Vorcaro teria afirmado que pagou US$ 30 milhões a Alcolumbre no
Exterior. A transferência teria sido feita como contrapartida a uma atuação de
Alcolumbre em favor do Master no Congresso Nacional.
Alcolumbre
nega as acusações. "Eu repudio, com toda a firmeza e com toda a
indignação, o conteúdo desta matéria. São alegações inteiramente falsas",
disse o presidente do Senado em junho.
• Explicação dada por Wagner para o
dinheiro encontrado pela PF expôs regra desconhecida sobre o pagamento de
diárias no Senado
O
Senado não tem regras para devolução de dinheiro repassado aos parlamentares
para custear viagens oficiais em caso de despesas não realizadas. Ao explicar
os US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em
espécie encontrados pela Polícia Federal em sua residência em nova fase do caso
Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que os valores são sobras de
diárias recebidas por missões oficiais.
“Não há
disposição normativa sobre a devolução de valor não utilizado de diárias”,
afirmou o Senado à reportagem. A única hipótese de devolução prevista no
regramento é em caso de cancelamento ou retorno antecipado de viagem prevista.
Nesse caso, a devolução do valor extra é obrigatória.
O
Senado também afirmou que o pagamento pode ser feito em espécie, a critério do
beneficiário.
“Os
valores são disponibilizados ao beneficiário mediante ordem bancária (OB), com
repasse ao Banco do Brasil, responsável por efetuar o crédito em conta ou, a
critério do interessado, o pagamento em espécie”, disse o Senado, em resposta a
questionamentos da reportagem.
As
diárias têm como objetivo cobrir custos com deslocamento para fora de Brasília
ou estado de origem do parlamentar, como hospedagem, alimentação e locomoção.
Como não há regra sobre devolução, os congressistas podem ficar com o que
sobra.
O
regramento diz que a verba tem caráter indenizatório. Dessa forma, não há
cobrança de Imposto de Renda.
Em
2026, o valor da diária é de US$ 656,46 para senadores em missão oficial a
países fora da América do Sul — o valor equivale a R$ 3.388 na cotação atual,
com o dólar a R$ 5,16. Em viagens a outros países, o valor pago é de US$
557,03, o equivalente a R$ 2.875.
Já em
missões domésticas, são pagos R$ 916,80 para viagens a cidades grandes e R$
726,83 a municípios com até 200 mil habitantes. Os valores são ajustados
anualmente.
Além de
senadores, outros servidores recebem diárias, mas o pagamento varia de acordo
com o cargo. Considerando-se apenas os gastos em viagens internacionais e
excetuadas as missões de proteção a autoridades, o Senado pagou, entre janeiro
e 18 de junho deste ano, mais de R$ 1 milhão em diárias para senadores e
servidores.
Segundo
levantamento da reportagem no portal da transparência da Casa, Jaques Wagner
recebeu R$ 336,9 mil em diárias desde o início do mandato, em 2019, valor menor
que o encontrado em endereços ligados ao parlamentar. O líder do governo no
Senado afirma que a diferença se deve ao fato de ele ter comprado parte do
dinheiro por conta própria.
No
histórico de Jaques Wagner, há uma viagem à China em maio deste ano. Ele
recebeu R$ 15 mil por nove meias diárias para uma visita técnica à fábrica da
BYD na cidade de Shenzen. Em julho de 2025, foram quase R$ 25 mil por sete
diárias em Washington (EUA), para interlocução sobre relações bilaterais.
O
senador fez 30 viagens em missão oficial para o exterior durante o mandato.
Visitou países como Japão, Portugal, Emirados Árabes Unidos e Egito.
A PF
apura suspeitas de que ele tenha recebido pagamentos ligados ao Banco Master,
de Daniel Vorcaro, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5
milhões.
A
Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa
ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Jaques Wagner, o que
segundo o ministro André Mendonça, relator do caso, é uma das evidências de
proximidade entre o parlamentar e o senador.
Augusto
Lima foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de fraudes
em carteiras de créditos que o Master vendeu ao BRB (Banco Regional de
Brasília).
O
senador afirmou à Band News TV que nunca recebeu dinheiro do Banco Master, mas
admitiu ter pedido para Augusto Lima comprar um apartamento, sob a condição de
que ele recompraria o imóvel posteriormente.
“Eu
tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento
desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘você pode
comprar? Depois eu vou recomprar’ porque o apartamento está em construção. E eu
teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar o
apartamento ou ela financiar”, afirmou o parlamentar.
A
reportagem revelou que o gasto do Senado com diárias para policiais
legislativos que fazem a escolta de senadores em viagens saltou de R$ 1,1
milhão para R$ 1,8 milhão nos primeiros cinco meses do ano. O principal motivo
é o aumento de viagens durante o ano eleitoral, como as de Flávio Bolsonaro
(PL) para angariar apoio no exterior.
Fonte:
DW Brasil/ICL Notícias

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