sábado, 20 de junho de 2026

Após Malafaia, bispo Rodovalho, ligado a Bolsonaro, defende Michelle no lugar de Flávio

Após Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial.

Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.

“Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19).

Rodovalho, que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas pelo senador sobre o caso.

<><> “Evangélico é intransigente com mentira”

A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro é privado e para o filme não teria razões para mentir.

O bispo defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das mentiras em série.

“Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse.

Colega de Bolsonaro na Câmara Federal entre 2007 e 2010, quando exerceu mandato de deputado federal, o líder da Sara Nossa Terra disse que Vorcaro “se cercou de uma rede mafiosa e fez amizades em instituições para se sentir protegido e cometer fraudes” e falou da conexão do banqueiro com a Igreja da Lagoinha, de André Valadão, reconhecendo que “é muito ruim para o segmento evangélico termos dúvidas sobre a atuação de uma igreja nesse esquema”.

Em seguida, ainda usou uma metáfora bíblica para criticar os “poucos movimentos na direção de lideranças evangélicas”.

“Tem uma história na Bíblia que ilustra exatamente o que quero dizer. Roboão foi filho do rei Salomão e neto do rei Davi. Também virou rei, mas presumiu que o reino já era dele sem precisar se esforçar. No fim das contas, foi justamente com Roboão que houve a crise da cisão do reino unificado de Israel. Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento, ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado”, comparou.

<><> Michelle como alternativa

Indagado sobre o movimento de Bolsonaro, que de dentro da prisão teria alçado o filho à Presidência, sem consultar aliados e preterindo nomes como Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o preferido da terceira via, Rodovalho iniciou a defesa de Michelle como representante do clã em uma chapa majoritária, em troca do enteado.

“Eleição é emoção, igual a torcida em jogo de futebol. A Michelle mexe com o eleitorado feminino e com os jovens. Aliás, ela mexe até com o público gay, que tradicionalmente não milita para a direita. Ela tem relevância, sim, e claro que está fazendo falta para o Flávio”, iniciou sobre o impacto da não adesão da ex-primeira-dama, que se sentiu traída com a decisão do marido sobre o enteado.

Em seguida, sobre a possível troca, o bispo diz que pede “a Deus voltar a ter a possibilidade de conversar com o Jair” sobre o assunto.

“Vejo muitas fragilidades no cenário atual, o panorama não é nada animador. Lula subiu nas pesquisas e essa cesta com Desenrola e fim da escala 6×1 está sendo decisiva. Para a direita ganhar a eleição, vai ser preciso algum movimento novo e inteligente”, sinalizou.

Rodovalho, então, foi perguntado diretamente se “está defendendo a Michelle candidata” e saiu em defesa da ex-primeira-dama.

“Essa decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle precisa estar engajada na campanha”, concluiu.

<><> “Grande líder”

Em fevereiro, após Bolsonaro trocar Malafaia por Rodovalho como “conselheiro espiritual” na visita à cadeia, o bispo da Sara Nossa Terra aclamou Michelle como “grande líder” em vídeo com a presença de Nikolas Ferreira (PL-MG), que à época estava sob ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“Obrigado pela vida da Michele que será a nossa grande líder, Senhor, nesse país na sua graça. No lugar que o senhor colocar”, afirmou Rodovalho nos bastidores com os políticos.

Nas redes sociais, o bispo publicou uma foto com Michelle e Bolsonaro e um longo texto após encontrar o ex-presidente na Papudinha durarante o Carnaval.

Rodovalho diz que encontrou Bolsonaro “um pouco mais equilibrado no que diz respeito aos soluços, porém assustado por uma crise de pressão alta que teve ontem” e fez coro com a ex-primeira-dama ao dramatizar a situação do ex-presidente.

“Com os olhos lacrimejados algumas vezes, ele declarou: ‘Eu creio na força e no poder de Deus, não sei como, mas vou vencer’. Continuo vendo a necessidade eminente do cuidado em sua casa, facilitando os tratamentos e fortalecendo suas emoções”, afirmou.

•        Ciro Gomes solta a mão de Flávio Bolsonaro após impasse com Michelle e retoma ataques ao clã

Candidato ao governo do Ceará em 2026, Ciro Gomes afirmou que descarta apoiar uma eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apesar das negociações para uma aliança regional com o PL cearense. Em entrevista à revista Veja, o ex-ministro e ex-presidenciável disse que as divergências nacionais com o partido são “insuperáveis” e revelou que pretende votar no deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que se apresenta como pré-candidato à Presidência.

A declaração marca um afastamento de Flávio Bolsonaro, cujo nome vinha sendo associado às articulações da direita para a sucessão presidencial. Segundo Ciro, a possibilidade de apoiá-lo nunca esteve em discussão durante as conversas com o PL no Ceará.

“Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”, afirmou. De acordo com ele, o entendimento com o partido se restringe ao cenário estadual e tem como objetivo construir um projeto para derrotar o governador Elmano de Freitas (PT), que tentará a reeleição.

<><> Nega contradição…

Ciro negou que haja contradição entre manter uma aliança local com o PL e rejeitar uma composição nacional com o partido. O ex-ministro argumentou que as realidades políticas dos estados são distintas e classificou como “insuperável” a divergência com a legenda no plano federal.

<><> E vota em Aécio

Ao ser questionado diretamente sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, Ciro foi enfático. “Eu voto no Aécio Neves, que está se apresentando como pré-candidato do PSDB”, disse. Em seguida, lembrou críticas que já fez à família Bolsonaro. “O que eu já disse sobre eles — ‘um bando de imbecis, picaretas da rachadinha, ladrões, corruptos’ — certamente seria usado pelos oportunistas do PT”, declarou.

Na entrevista, Ciro também voltou a equiparar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), afirmando que, apesar das diferenças de estilo, ambos adotaram políticas econômicas semelhantes.

Sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro afirmou considerar que houve tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, o planejamento e as conversas envolvendo a ruptura institucional já configuram a consumação do crime de tentativa de golpe.

<><> Penas excessivas

Por outro lado, Ciro avaliou que as penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro foram excessivas. Para ele, as invasões às sedes dos Três Poderes representaram uma “imensa arruaça”, passível de punição, mas não caracterizaram um golpe de Estado em si.

Após recusar um convite do PSDB para disputar a Presidência pela quinta vez, Ciro decidiu concentrar esforços na corrida pelo governo do Ceará, cargo que ocupou entre 1991 e 1994. Segundo pesquisas recentes, ele aparece na liderança da disputa estadual, à frente do atual governador, Elmano de Freitas.

 

Fonte: Fórum

 

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