Após
Malafaia, bispo Rodovalho, ligado a Bolsonaro, defende Michelle no lugar de
Flávio
Após
Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão
na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da
Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e
defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato
como representante do clã na chapa presidencial.
Rodovalho,
que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do
ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo
(Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master
pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.
“Acho
que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel
Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro.
Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é
melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não
mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as
pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19).
Rodovalho,
que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse
que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas
pelo senador sobre o caso.
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“Evangélico é intransigente com mentira”
A pior
coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter
falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro
é privado e para o filme não teria razões para mentir.
O bispo
defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para
tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das
mentiras em série.
“Ele
está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu
desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai
precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para
ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos
esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse.
Colega
de Bolsonaro na Câmara Federal entre 2007 e 2010, quando exerceu mandato de
deputado federal, o líder da Sara Nossa Terra disse que Vorcaro “se cercou de
uma rede mafiosa e fez amizades em instituições para se sentir protegido e
cometer fraudes” e falou da conexão do banqueiro com a Igreja da Lagoinha, de
André Valadão, reconhecendo que “é muito ruim para o segmento evangélico termos
dúvidas sobre a atuação de uma igreja nesse esquema”.
Em
seguida, ainda usou uma metáfora bíblica para criticar os “poucos movimentos na
direção de lideranças evangélicas”.
“Tem
uma história na Bíblia que ilustra exatamente o que quero dizer. Roboão foi
filho do rei Salomão e neto do rei Davi. Também virou rei, mas presumiu que o
reino já era dele sem precisar se esforçar. No fim das contas, foi justamente
com Roboão que houve a crise da cisão do reino unificado de Israel. Flávio
precisa consolidar a sua própria liderança no segmento, ele não pode se
considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado”, comparou.
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Michelle como alternativa
Indagado
sobre o movimento de Bolsonaro, que de dentro da prisão teria alçado o filho à
Presidência, sem consultar aliados e preterindo nomes como Tarcísio Gomes de
Freitas (Republicanos), o preferido da terceira via, Rodovalho iniciou a defesa
de Michelle como representante do clã em uma chapa majoritária, em troca do
enteado.
“Eleição
é emoção, igual a torcida em jogo de futebol. A Michelle mexe com o eleitorado
feminino e com os jovens. Aliás, ela mexe até com o público gay, que
tradicionalmente não milita para a direita. Ela tem relevância, sim, e claro
que está fazendo falta para o Flávio”, iniciou sobre o impacto da não adesão da
ex-primeira-dama, que se sentiu traída com a decisão do marido sobre o enteado.
Em
seguida, sobre a possível troca, o bispo diz que pede “a Deus voltar a ter a
possibilidade de conversar com o Jair” sobre o assunto.
“Vejo
muitas fragilidades no cenário atual, o panorama não é nada animador. Lula
subiu nas pesquisas e essa cesta com Desenrola e fim da escala 6×1 está sendo
decisiva. Para a direita ganhar a eleição, vai ser preciso algum movimento novo
e inteligente”, sinalizou.
Rodovalho,
então, foi perguntado diretamente se “está defendendo a Michelle candidata” e
saiu em defesa da ex-primeira-dama.
“Essa
decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da
família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela
poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador
Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle
precisa estar engajada na campanha”, concluiu.
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“Grande líder”
Em
fevereiro, após Bolsonaro trocar Malafaia por Rodovalho como “conselheiro
espiritual” na visita à cadeia, o bispo da Sara Nossa Terra aclamou Michelle
como “grande líder” em vídeo com a presença de Nikolas Ferreira (PL-MG), que à
época estava sob ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Obrigado
pela vida da Michele que será a nossa grande líder, Senhor, nesse país na sua
graça. No lugar que o senhor colocar”, afirmou Rodovalho nos bastidores com os
políticos.
Nas
redes sociais, o bispo publicou uma foto com Michelle e Bolsonaro e um longo
texto após encontrar o ex-presidente na Papudinha durarante o Carnaval.
Rodovalho
diz que encontrou Bolsonaro “um pouco mais equilibrado no que diz respeito aos
soluços, porém assustado por uma crise de pressão alta que teve ontem” e fez
coro com a ex-primeira-dama ao dramatizar a situação do ex-presidente.
“Com os
olhos lacrimejados algumas vezes, ele declarou: ‘Eu creio na força e no poder
de Deus, não sei como, mas vou vencer’. Continuo vendo a necessidade eminente
do cuidado em sua casa, facilitando os tratamentos e fortalecendo suas
emoções”, afirmou.
• Ciro Gomes solta a mão de Flávio
Bolsonaro após impasse com Michelle e retoma ataques ao clã
Candidato
ao governo do Ceará em 2026, Ciro Gomes afirmou que descarta apoiar uma
eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apesar
das negociações para uma aliança regional com o PL cearense. Em entrevista à
revista Veja, o ex-ministro e ex-presidenciável disse que as divergências
nacionais com o partido são “insuperáveis” e revelou que pretende votar no
deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que se apresenta como pré-candidato à
Presidência.
A
declaração marca um afastamento de Flávio Bolsonaro, cujo nome vinha sendo
associado às articulações da direita para a sucessão presidencial. Segundo
Ciro, a possibilidade de apoiá-lo nunca esteve em discussão durante as
conversas com o PL no Ceará.
“Apoiar
Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem
sentado para conversar sobre a aliança regional”, afirmou. De acordo com ele, o
entendimento com o partido se restringe ao cenário estadual e tem como objetivo
construir um projeto para derrotar o governador Elmano de Freitas (PT), que
tentará a reeleição.
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Nega contradição…
Ciro
negou que haja contradição entre manter uma aliança local com o PL e rejeitar
uma composição nacional com o partido. O ex-ministro argumentou que as
realidades políticas dos estados são distintas e classificou como “insuperável”
a divergência com a legenda no plano federal.
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E vota em Aécio
Ao ser
questionado diretamente sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro na disputa
presidencial, Ciro foi enfático. “Eu voto no Aécio Neves, que está se
apresentando como pré-candidato do PSDB”, disse. Em seguida, lembrou críticas
que já fez à família Bolsonaro. “O que eu já disse sobre eles — ‘um bando de
imbecis, picaretas da rachadinha, ladrões, corruptos’ — certamente seria usado
pelos oportunistas do PT”, declarou.
Na
entrevista, Ciro também voltou a equiparar os governos de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), afirmando que, apesar das diferenças de
estilo, ambos adotaram políticas econômicas semelhantes.
Sobre a
condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, o
ex-ministro afirmou considerar que houve tentativa de golpe de Estado. Segundo
ele, o planejamento e as conversas envolvendo a ruptura institucional já
configuram a consumação do crime de tentativa de golpe.
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Penas excessivas
Por
outro lado, Ciro avaliou que as penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de
janeiro foram excessivas. Para ele, as invasões às sedes dos Três Poderes
representaram uma “imensa arruaça”, passível de punição, mas não caracterizaram
um golpe de Estado em si.
Após
recusar um convite do PSDB para disputar a Presidência pela quinta vez, Ciro
decidiu concentrar esforços na corrida pelo governo do Ceará, cargo que ocupou
entre 1991 e 1994. Segundo pesquisas recentes, ele aparece na liderança da
disputa estadual, à frente do atual governador, Elmano de Freitas.
Fonte:
Fórum

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