sexta-feira, 19 de junho de 2026

Um mês de aluguel no ingresso, R$ 80 por uma cerveja: quanto os torcedores estão pagando para estar na Copa

Para muitos torcedores, comparecer a uma Copa do Mundo é uma oportunidade única na vida, que não tem preço. Mas, se você calcular os custos da empreitada, é de fazer chorar. Ingressos para os jogos, voos, hotéis, o trajeto até os estádios, os custos de uma bebida durante o jogo... os custos vão se somando sem parar.

Poucos dias após o início do torneio, torcedores que se encontram no México, Canadá e nos Estados Unidos contaram à BBC o quanto já gastaram durante a Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino 2026.

<><> Norueguês nos EUA gasta R$ 20 mil por apenas um jogo

Morten Oftedal leva a sério a expressão "uma vez na vida". Norueguês que mora em Atlanta, no Estado americano na Georgia, ele sabe que esta seria provavelmente a única chance de levar seu pai, de 82 anos, para ver a seleção do seu país jogar na Copa do Mundo. Afinal, a Noruega se classificou para o torneio pela primeira vez desde 1998, na França. "Sou um grande fã de futebol desde a infância, principalmente graças ao meu pai", conta Oftedal à BBC. "Não posso dizer 'não, vamos na próxima vez ou em outro lugar'. Por isso, estamos muito animados."

O que não o animou muito foram os custos envolvidos.

Oftedal comprou três ingressos para ver a Noruega vencer o Iraque por 4x1 em Massachusetts por US$ 380 (cerca de R$ 1,9 mil) cada um. As três passagens de ida e volta de avião entre Atlanta e Boston custaram, ao todo, 180 mil pontos do seu programa de fidelidade. Um único quarto de hotel por duas noites ultrapassou US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil). E o transporte até o estádio, ida e volta, custou US$ 80 (cerca de R$ 407) por pessoa. Ao todo, Oftedal gastou cerca de US$ 4 mil (R$ 20,3 mil), entre dinheiro e pontos, para que ele, seu pai e sua esposa assistissem a uma partida. Ele descreve o valor como "insano". "Realmente não é para indivíduos, parece que é para a América corporativa", declarou Oftedal, sobre o torneio de 2026.

Diversas pessoas declararam à BBC que o custo de assistir ao torneio atingiu alguns milhares de dólares. Mas eles dizem que seu amor pelo futebol e as recordações que eles esperavam criar na ocasião os ajudaram a abrir a carteira. "Paguei cerca de US$ 1,2 mil [R$ 6,1 mil] por ingresso, na categoria 2", afirma o britânico Iain Bagwell, de 58 anos. Ele mora em Atlanta e viajou com seu filho de carro para ver Inglaterra x Croácia em Dallas, no Texas. "Na época da compra, achei que fosse um assalto em plena luz do dia. Mas, vendo o que está acontecendo e a forma como a Fifa está tratando do assunto, provavelmente não foi um negócio tão ruim assim." Bagwell e seu filho acamparam ao longo da sua viagem para Dallas, por diversão e economia ao mesmo tempo. E, depois do jogo, eles irão de carro para Kansas City para verem Tunísia x Holanda, por US$ 235 (cerca de R$ 1,2 mil) por ingresso.

Muitos torcedores americanos estão acostumados com o alto custo dos eventos esportivos. O ingresso mais barato para ver o time de basquete New York Knicks nas recentes finais da NBA, no Madison Square Garden, custava cerca de US$ 3,5 mil (R$ 17,8 mil). Mas os custos para assistir à Copa do Mundo de 2026 assustaram os torcedores de outros países.

<><> Experiência 'incrível' — mas cada ingresso custa R$ 4,5 mil

Alisa e Admir Maric admitem que sua viagem para Toronto, no Canadá, foi cara. Mas valeu a pena. Eles foram assistir à estreia da seleção do seu país, a Bósnia-Herzegóvina, contra o Canadá, um empate por 1x1 no segundo dia da Copa do Mundo. "É uma sensação incrível, nunca pensei que, um dia, iria a um jogo da Copa do Mundo", declarou Admir. "Sempre quis ter esta experiência." Eles escolheram os ingressos no "último minuto", segundo Maric, pagando 1.250 dólares canadenses (US$ 890, ou cerca de R$ 4,5 mil) cada um, por assentos na terceira fila. O hotel custou cerca de US$ 600 (R$ 3 mil) por noite e os voos, US$ 1.150 (cerca de R$ 5,8 mil) por pessoa. Ao todo, o custo da viagem foi de cerca de US$ 3,8 mil (R$ 19,3 mil).

As irmãs Aida e Emina Tucic, também torcedoras da Bósnia-Herzegóvina, não precisaram viajar tanto. Elas vieram da cidade de Hamilton, perto de Toronto. Elas sabiam que queriam assistir à partida "no segundo" em que a Bósnia se classificou, conta Aida. "Ficamos um pouco apreensivas porque os preços dos ingressos começaram a ficar, digamos, malucos", ela conta. As irmãs acompanharam os preços por algum tempo e compraram seus ingressos três dias antes do jogo. Elas gastaram 1,2 mil dólares canadenses (cerca de US$ 850, ou R$ 4,3 mil) cada entrada.

Emina tem algumas dicas para outros visitantes, como verificar as redes sociais locais em busca de sugestões de lugares mais baratos para comer na região. Questionada se elas achavam o preço dos ingressos justo para a experiência, Aida respondeu "provavelmente, não". Para ela, o futebol "deveria ser acessível para os torcedores".

Mas ela destaca que "para mim, não tem preço". "É uma vez na vida", declarou Emina. "Os dois países que você ama, um onde você cresceu e outro onde você nasceu. Ver os dois jogando no palco mundial é incrível".

<><> Um ingresso custa cerca de três meses de aluguel no México

Assistir a um jogo de rua improvisado nas laterais da Zona Rosa da Cidade do México, entre os transeuntes e os policiais, é talvez o mais próximo que alguns mexicanos irão chegar do esporte nesta Copa do Mundo. Os preços dos ingressos para o jogo de abertura (México 2x0 África do Sul) estavam muito além das possibilidades da maioria dos habitantes de um país onde cerca de 30% da população vive na pobreza.

No lado de fora do Estádio Azteca, na última sexta-feira (11/06), os torcedores citavam diversos valores pagos pelos cobiçados ingressos. Poucos pagaram menos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,6 mil) e alguns chegaram a gastar US$ 4 mil (R$ 20,3 mil) ou mais. Já alguns sortudos receberam ingressos grátis de presente ou em troca de trabalho. "Paguei 30 mil pesos [US$ 1.750, cerca de R$ 8,9 mil] cada ingresso", conta Aaron Vieyra, da torcida organizada da seleção mexicana Fúria Azteca. Vieyra comprou os ingressos para ele e sua namorada por meio de um contato com boas relações. Ele destaca que um único ingresso valia cerca de três meses de aluguel para muitos moradores da Cidade do México.

Vieyra acompanhou a equipe mexicana nas Copas de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia. Ele afirma que gastou mais em um jogo no México do que na soma das partidas assistidas por ele nos outros torneios. "O jogo em si foi histórico e ficamos muito felizes por estar no Azteca para aquele momento", ele conta. "Ainda sinto arrepios." Mas o dinheiro valeu a pena? "Valeu, mas por pouco", responde ele, sem hesitar. "Para nós, funcionou porque não precisei pagar por voos ou hotéis. Se precisássemos cobrir também estes custos, eu não conseguiria pagar todo esse dinheiro por um ingresso."

<><> R$ 81 por uma cerveja no estádio de Nova Jersey

O preço dos alimentos e bebidas dentro dos estádios varia dependendo do local, mas eles parecem estar dentro da faixa que os torcedores e fãs de música costumam pagar nos estádios americanos.

Uma pesquisa do website The Athletic concluiu que os torcedores estão pagando US$ 16 (cerca de R$ 81) por uma cerveja americana (470 ml) no Estádio de Nova York-Nova Jersey (NYNJ), onde será realizada a final da Copa, e US$ 5 (R$ 25,40) por uma água (590 ml). Mas, no Estádio Mercedes-Benz em Atlanta, por exemplo, você pagará apenas US$ 5 (cerca de R$ 25,40) por uma cerveja pequena (355 ml) e US$ 9 (R$ 45,80) pela grande (570 g). E a água (590 ml) custa US$ 3 (cerca de R$ 15,30). Outros custos também foram inflacionados.

A passagem de trem da Penn Station, em Nova York, até o Estádio NYNJ para um jogo da Copa do Mundo custa US$ 98 (cerca de R$ 498). Normalmente, ela custa US$ 12,90 (R$ 66). O aumento ocorreu para que os moradores locais não precisassem pagar pelo transporte dos torcedores, segundo a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill. Ela também destacou que a Fifa não está colaborando com os custos de transporte, que atingem US$ 48 milhões (cerca de R$ 244 milhões). Paralelamente, autoridades locais tentaram negociar com a Fifa para reduzir os custos para os torcedores comuns.

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, negociou com a Fifa e garantiu 1 mil ingressos para moradores locais por US$ 50 (cerca de R$ 254), que podem ser comprados por meio de sorteio. Já a província canadense de Ontario aprovou a Lei Torcedores em Primeiro Lugar, para reduzir os preços de revenda. E Dallas oferece transporte gratuito de e para o estádio local.

As manchetes sobre os preços dos ingressos vêm dominando o torneio, mas os torcedores que conversaram com a BBC permanecem entusiasmados com a Copa e afirmam que os gastos valeram a pena. Oftedal, o torcedor norueguês, declarou que criar recordações com seu pai seria o mais importante e que a preocupação com o dinheiro "desaparece depois de algum tempo".

¨      'Ganhei viagem com tudo pago para a Copa do Mundo e tive o visto negado'

A enfermeira Raphaela Coiado, 24 anos, não chorou quando ouviu que seu visto para os Estados Unidos havia sido negado. Nem quando o marido e os quatro outros parentes que foram com ela ao consulado, no Rio de Janeiro, saíram com o mesmo papelzinho branco na mão. Ela chorou na porta de casa, quando camisetas amarelas da seleção brasileira chegaram em uma mala temática da Coca-Cola. O presente fazia parte de um kit que ela e o marido ganharam em uma promoção para viajarem à Copa do Mundo. Aquilo a deixou emotiva. "Mexeu comigo porque olhei e falei: 'Nossa, realmente está acontecendo. E a gente não vai", disse ela. "Eu chorei muito."

<><> Uma viagem conquistada

No início do ano, a Coca-Cola lançou uma promoção para seus parceiros: quem batesse as metas estipuladas e ficasse em primeiro lugar no ranking ganharia uma viagem para a Copa do Mundo em condições bastante especiais. Como o marido de Raphaela gerencia o setor comercial do supermercado da família, eles entraram na competição. E ficaram em primeiro lugar quase o tempo todo. "Perto do final, chegou um momento que a gente quase perdeu a viagem. Mas na última semana deu para recuperar", conta Raphaela. A bonificação incluía duas passagens aéreas de ida e volta, cinco dias de hospedagem e um ingresso no camarote da Coca-Cola com comida e bebida de graça para o jogo entre Brasil e Haiti, no dia 19 de junho na Filadélfia. "Fiquei decepcionada pela perda da experiência. Eu ia para uma Copa do Mundo que a gente sabe que é uma edição lendária, que muitos jogadores incríveis estão se aposentando e não vão jogar mais. Era minha oportunidade de vê-los."

<><> O custo de tentar — e de não ir

O prêmio da Coca-Cola valia para duas pessoas, mas nenhum dos seis membros da família que poderiam usá-lo tinha visto. Raphaela, que vive em Hortolândia, no interior de São Paulo, não tinha nem passaporte. Ela correu para atualizar o nome no CPF e no RG — recém-casada, ainda não havia feito a mudança nos documentos — conseguiu tirar o passaporte em tempo curto e entrou no processo de solicitação de visto americano com o marido, duas cunhadas e seus companheiros. A família contratou uma assessoria de vistos para os trâmites, como o preenchimento do formulário obrigatório e a lista de documentos a serem levados na entrevista. Mas a preparação para a entrevista ficou a cargo de cada um. Raphaela conta que passou semanas pesquisando na internet, assistindo a vídeos e simulando respostas com o ChatGPT. "Não sei quantas simulações fiz pelo ChatGPT. E, pelo visto, não ajudou muito."

Como as vagas no consulado de São Paulo só estavam disponíveis para setembro — e a viagem era em junho —, todos foram para o Rio de Janeiro para uma viagem de dois dias. No consulado, o casal foi questionado sobre o grau de parentesco, destino e razão da viagem, qual a profissão de cada um e qual a renda familiar. "Foi todo mundo reprovado. Não salvou um para passar." O consulado americano não informa o motivo da recusa. Raphaela tem suspeitas: interrupções do marido durante a entrevista, o fato dele trabalhar como Microempreendor Individual (MEI) e o de nenhum deles nunca ter viajado ao exterior antes — mas nenhuma certeza.

Além da viagem perdida, a família contabilizou um prejuízo de aproximadamente R$ 5 mil no processo: as taxas do visto (cerca de R$ 900 por pessoa), o custo da assessoria, as passagens aéreas para o Rio de Janeiro, a hospedagem e a alimentação durante a estadia. O casal cogitou estender a estadia no Rio e tentar novamente antes da Copa. Decidiram que não valia o risco financeiro e emocional. A família optou por vender a viagem pelo valor de R$ 25 mil. O negócio foi fechado em menos de um dia. "Eu ainda estou sofrendo muito", diz ela. "Eu devolveria esse dinheiro se falassem: Rafaela, a gente vai te dar o seu visto agora", diz. "Acho que nenhum dinheiro no mundo compra a experiência que a gente viveria. Eu não queria nem assistir ao jogo da Copa este ano. Eu estou muito chateada."

<><> Vários países afetados

A história de Raphaela não é exceção — é parte de um padrão que afeta torcedores de todo o mundo nesta Copa. Uma análise do BBC World Service com dados do Departamento de Estado americano mostrou que torcedores de mais de um quarto dos países classificados para o torneio enfrentam proibições de viagem, restrições mais rígidas ou altas taxas de rejeição de visto para entrar nos Estados Unidos.

Ao contrário das quatro últimas Copas do Mundo — realizadas na África do Sul, no Brasil, na Rússia e no Catar —, que implementaram regimes especiais de visto para os torcedores, os Estados Unidos não criaram nenhum processo específico para o torneio. A FIFA desenvolveu o chamado FIFA Pass, um sistema que direciona os portadores de ingressos para agendamentos prioritários nas entrevistas consulares, mas a medida acelera o processo sem aumentar as chances de aprovação. "O sistema de vistos é o porteiro invisível da Copa do Mundo", disse ao BBC World Service Céline Atallah, advogada especializada em imigração que atua próximo a Boston. "A FIFA pode vender um ingresso, mas o governo americano decide quem recebe o visto — e a Proteção de Fronteiras e Alfândegas decide quem de fato entra."

A assimetria é estrutural. Quarenta e dois países — em geral os mais ricos — têm isenção de visto para os Estados Unidos e podem viajar mediante uma autorização eletrônica online que custa US$ 40 (cerca de R$ 204 na convenção atual). Nenhum país africano está nessa lista. Para os demais, o visto de turista recomendado pela embaixada para os torcedores custa US$ 185 — cerca de R$ 945 — e exige entrevista presencial. Onze dos 48 países classificados para o torneio têm taxa de rejeição de visto americano acima de 40%: Senegal, Gana, República Democrática do Congo, Irã, Jordânia, Argélia, Haiti, Egito, Cabo Verde, Uzbequistão e Equador. No Senegal, a taxa supera 70%.

Quatro países estão na lista de restrições de viagem do governo Donald Trump — Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim —, o que impede seus cidadãos de obter o tipo de visto recomendado para os torcedores. Para os senegaleses e marfinenses, havia um prazo adicional: eles precisavam garantir o visto antes de dezembro, quando as restrições entraram em vigor. O torcedor senegalês Aliou Ngom esteve nas duas últimas Copas do Mundo — no Catar e na Rússia. Para 2026, nem tentou o visto. O presidente da associação de torcedores da Costa do Marfim, Julien Kouadio Adonis, foi além ao descrever as restrições: para ele, trata-se de "uma forma de segregação que não ousa dizer seu nome". "Nenhum país europeu enfrentou esse tipo de restrição. Por que a África?", questionou.

No Iraque, o torcedor Abdulla Adnan comprou ingressos para os jogos de sua seleção contra Noruega e França logo após a classificação — a segunda vez na história do país. Mas os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares de rotina no Iraque por questões de segurança após a escalada do conflito regional. Sem a possibilidade de fazer a entrevista presencial, Adnan viajou até a Jordânia para tentar o visto lá — onde foi informado de que a embaixada americana jordaniana não poderia emitir vistos para não-cidadãos jordanianos. Gastou cerca de US$ 1.800 (R$ 9.204) no processo e desistiu. O presidente da associação de torcedores da Jordânia, Abu Kass, levou mais de 42 documentos à sua entrevista consular em Amã. O visto foi negado, sem explicação. Segundo diz, ele não conhece nenhum torcedor jordaniano que tenha conseguido a aprovação. "Esta Copa não é nossa. É para eles."

<><> Mesmo quem tem visto pode perdê-lo

Mesmo torcedores de países historicamente bem-vistos pelas autoridades americanas foram surpreendidos às vésperas do torneio. Na Escócia, dezenas de torcedores que haviam recebido a autorização eletrônica de viagem americana (ESTA, nas siglas em inglês) — o mecanismo simplificado disponível para cidadãos de países com isenção de visto, válido por dois anos — viram o status da autorização mudar de "aprovado" para "viagem não autorizada" sem aviso prévio, poucos dias antes da estreia da seleção.

Scott Braid, 43 anos, de Kirkcaldy, na Escócia, havia organizado uma viagem para toda a família depois de ter a ESTA aprovada. "Desde que fiz a ESTA, absolutamente nada mudou nas minhas circunstâncias", disse à BBC Escócia. Os irmãos Andrew e Nelson Speirs, também de Kirkcaldy, haviam feito a autorização em dezembro e recebido aprovação no dia seguinte. Em junho, o status foi revogado. O custo total da viagem planejada era de £ 10 mil (R$ 68 mil). A resposta do governo americano foi que o sistema continua verificando automaticamente todas as autorizações em bancos de dados de segurança, e que uma ESTA aprovada não garante a entrada no país. Na Argentina, uma empresa decidiu dar televisores de graça para torcedores que provassem ter o visto negado — para que pudessem ao menos assistir à Copa de casa.

<><> Os outros anfitriões e o visto

O problema não se restringe aos Estados Unidos, que sediará 78 das 104 partidas, incluindo a final. O Canadá, coanfitrião do torneio, teve uma taxa geral de rejeição de vistos de 54% em 2025. O país exige dados biométricos para os pedidos de visto — mas há dois países classificados para a Copa, Irã e Cabo Verde, onde o Canadá não possui instalações para que os candidatos sejam escaneados. O México, terceiro anfitrião, não divulga suas taxas de rejeição. Há oito países classificados para o torneio — entre eles Cabo Verde, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Senegal e Iraque — onde o México não tem presença diplomática, impossibilitando que seus cidadãos sequer solicitem o visto mexicano localmente.

O Departamento de Estado americano afirmou à BBC estar "preparado para receber visitantes de todo o globo para a maior e melhor Copa do Mundo da Fifa da história", e que a maioria dos torcedores estrangeiros não precisaria do processo especial porque são cidadãos de países com isenção de visto ou já possuíam uma autorização.

Em relação às negativas, o governo disse analisar cada pedido "caso a caso, após revisão rigorosa e triagem minuciosa para determinar se o indivíduo é elegível segundo a lei americana", e que "em todos os casos, levaremos o tempo necessário para garantir que o solicitante não represente um risco à segurança dos Estados Unidos".

A BBC News Brasil enviou perguntas ao consulado americano no Brasil sobre as taxas de rejeição de vistos de brasileiros, os tempos médios de espera para entrevistas e eventuais medidas especiais adotadas para a Copa do Mundo. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. Raphaela planeja tentar o visto americano de novo — mas não antes de viajar para a Europa, para construir um histórico de viagens internacionais. Ela acredita que a ausência de viagens anteriores pode ter pesado contra ela. De qualquer forma, não será para esta Copa. "Essa era uma oportunidade única. A gente sabe que isso não vai acontecer de novo. Nem tão cedo. Perdi a vontade de assistir aos jogos."

 

Fonte: BBC News

 

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