quinta-feira, 18 de junho de 2026

Leonardo Attuch: A escolha nunca foi tão fácil - de um lado o estadista Lula; de outro, a gangue Bolsonaro

O Brasil amanheceu nesta quarta-feira, 17 de junho, diante de um contraste político que já não poderia ser mais evidente. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se consolida como a liderança nacional capaz de recolocar o país no centro das grandes decisões internacionais, tratado por chefes de Estado como o estadista que é. De outro, o bolsonarismo tenta sobreviver por meio de uma candidatura familiar, defensiva e judicializada, cujo objetivo central parece ser menos apresentar um projeto de país do que proteger seus próprios integrantes.

A nova pesquisa CNT/MDA confirma essa percepção. Lula abriu quase 13 pontos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno e se aproximou de uma vitória na primeira volta. Os números mostram que o eleitorado começa a compreender a natureza da escolha que terá pela frente: não se trata apenas de uma eleição entre dois nomes, mas de uma decisão entre dois caminhos históricos.

Lula representa a reconstrução institucional, a volta do Brasil ao mundo, a defesa da soberania nacional e a recuperação de um horizonte civilizatório. Flávio Bolsonaro, ao contrário, aparece como herdeiro de um projeto político marcado pela tentativa de golpe de Estado, pela hostilidade às instituições e pela instrumentalização da política como escudo familiar.

A candidatura de Flávio Bolsonaro nunca nasceu como proposta nacional. Primeiro, servia ao esforço de tentar tirar Jair Bolsonaro da cadeia política e jurídica em que ele próprio se colocou ao liderar uma aventura autoritária contra a democracia brasileira. Agora, serve também para tentar proteger Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, depois de atuar para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

É este o ponto essencial: enquanto Lula se apresenta ao mundo como líder de um país soberano, capaz de falar sobre desigualdade, desenvolvimento, paz, fome, transição energética e inteligência artificial, o clã Bolsonaro se dedica a atacar instituições, pressionar tribunais e transformar a política brasileira numa extensão dos problemas judiciais da família.

Nunca foi tão fácil escolher. Lula esteve na Cúpula do G7, em Évian, na França, e falou como presidente de um país que pensa grande. Cobrou dos mais ricos solidariedade internacional, denunciou o crescimento das desigualdades, criticou a lógica neoliberal que desmonta Estados e aprofunda crises democráticas, e defendeu mecanismos concretos para que países em desenvolvimento possam financiar políticas sociais e ambientais.

Essa é a diferença entre estadismo e aventureirismo. Estadista é quem olha para o mundo e enxerga o lugar do Brasil numa ordem internacional em transformação. Aventureiro é quem olha para o Estado e enxerga apenas uma trincheira para proteger parentes, aliados e interesses privados.

Lula fala ao Sul Global. Fala aos trabalhadores. Fala aos pobres. Fala aos países que querem desenvolvimento com soberania. Fala ao mundo multipolar que emerge das ruínas de uma ordem internacional injusta. O bolsonarismo, por sua vez, fala aos ressentidos, aos submissos, aos que confundem patriotismo com vassalagem e aos que aceitam entregar o país desde que a família Bolsonaro seja preservada.

É por isso que a escolha se tornou tão simples. Quem defende o Brasil, sua soberania, sua democracia e sua reconstrução social reconhece em Lula a liderança capaz de conduzir esse processo. Quem aceita a captura da política por uma família que transformou o poder em instrumento de autoproteção seguirá agarrado ao bolsonarismo, ainda que esse número seja cada vez menor.

Os candidatos alternativos da direita tampouco conseguem se apresentar como solução real. Falta-lhes densidade histórica, projeto nacional, capacidade de comunicação com o povo e coragem para romper com a herança tóxica do bolsonarismo. Uns tentam parecer moderados, mas carregam o peso das mesmas alianças. Outros tentam se vender como novidade, mas não conseguem sair da irrelevância. No fundo, todos orbitam em torno do mesmo problema: nenhum deles é capaz de fazer frente a Lula.

O Brasil já viveu anos demais sob chantagem, ódio, violência política, negacionismo e sabotagem institucional. A sociedade brasileira sabe o preço que pagou quando entregou o país a quem desprezava a democracia, a ciência, a cultura, os trabalhadores e a soberania nacional. Sabe também que a reconstrução não é uma abstração: ela se vê na volta do Brasil à cena internacional, na recuperação de políticas públicas, no combate à fome, na defesa do emprego, na valorização do Estado e na retomada da esperança.

Quando essa página for definitivamente virada, o Brasil poderá voltar a sonhar com normalidade. Poderá voltar a discutir desenvolvimento, educação, saúde, ciência, cultura, esporte, integração regional e futuro. Poderá até voltar a viver uma Copa do Mundo com alegria, sem que tudo esteja contaminado pela degradação política imposta pela extrema direita.

E que bom para o futebol mundial ver Lionel Messi, aos 39 anos, dar mais um espetáculo, marcar três gols e igualar Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas. Há algo de simbólico nisso: enquanto o mundo celebra talento, beleza e grandeza, o Brasil precisa se livrar de uma política pequena, mesquinha e familiarizada com o ressentimento.

A Copa está apenas começando. O Brasil, por enquanto, ainda parece um ponto fora da curva. Mas isso também vai mudar. O país tem força, memória e capacidade de reencontrar seu caminho.

Lula será reeleito porque representa algo maior do que uma candidatura. Representa a possibilidade de o Brasil voltar a ser Brasil: soberano, democrático, respeitado e capaz de olhar para o futuro. A família Bolsonaro será lembrada como um desvio autoritário, uma experiência traumática que o povo brasileiro saberá superar.

A escolha nunca foi tão fácil. De um lado, Lula, o estadista. De outro, a gangue Bolsonaro. De um lado, o Brasil que quer viver. De outro, uma família que tenta sobreviver politicamente aos próprios crimes e fracassos. Para quem ama o Brasil, não há dúvida possível.

•        Eduardo Bolsonaro apela a Trump ‘para reimpor sanções contra o Brasil’ e ataca Alexandre de Moraes

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão no processo sobre coação judicial, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que volte a impor sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky. As retaliações contra o magistrado defendidas pelo ex-parlamentar incluiriam o bloqueio de eventuais bens em território estadunidense e restrições para entrada nos EUA.

“Presidente Donald Trump, por favor, reimponha sanções contra esta figura autoritária. As mesmas pessoas que me perseguem hoje também desprezam tudo pelo que sua administração se posiciona: liberdade de expressão, democracia e o Estado de Direito”, afirmou o ex-parlamentar na rede social X, antigo Twitter. 

O ex-parlamentar também divulgou um vídeo na plataforma. Na gravação, atacou Moraes, chamou o ministro de “ditador” e acusou o magistrado de perseguir adversários políticos. “O Supremo não quer seguir o procedimento correto. Tudo o que sei sobre esse caso chegou até mim pela imprensa”, declarou.

<><> Condenação no STF e as acusações

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto. O colegiado também determinou o pagamento de 50 dias-multa, a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade por oito anos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou, em denúncia encaminhada ao Supremo, tentativa de interferência de Eduardo Bolsonaro no inquérito da trama golpista. O processo resultou na condenação de 29 pessoas pelo STF. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta entre os condenados, de 27 anos e três meses de prisão.

Na Primeira Turma, os quatro ministros votaram pela condenação de Eduardo Bolsonaro: Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

O ex-parlamentar mora nos EUA desde o começo do ano passado. De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, o deputado cassado usou articulações junto ao governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estimular sanções contra o Brasil em razão da investigação sobre a trama golpista.

No início de junho, os EUA defenderam um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao território estadunidense. A gestão trumpista também criticou o Pix e, mesmo sem provas, acusou o Brasil de adotar práticas desleais no comércio.

<><> Condenação no STF torna Eduardo Bolsonaro inelegível por 12 anos

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tornou o ex-deputado federal inelegível e pode impedir sua participação em eleições por até 12 anos e 2 meses, após condenação por coação no curso do processo que apurou uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto. O colegiado também reconheceu a aplicação da Lei da Ficha Limpa, por se tratar de condenação proferida por órgão colegiado por crime contra a administração da Justiça.

Com a decisão, Eduardo Bolsonaro fica impedido de disputar eleições desde a data da condenação até 8 anos após o cumprimento integral da pena. Na prática, segundo a interpretação adotada pelo STF, a restrição eleitoral pode chegar a 12 anos e 2 meses, dependendo do momento em que a pena for considerada integralmente cumprida.

O julgamento foi concluído na terça-feira (16). Ao proclamar o resultado, a Primeira Turma determinou a expedição imediata de ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a restrição eleitoral seja registrada.

Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a inelegibilidade não depende do trânsito em julgado da ação. Com isso, a restrição pode produzir efeitos a partir da condenação pelo órgão colegiado.

Além da inelegibilidade, o STF decretou a perda do cargo efetivo que Eduardo Bolsonaro mantém na Polícia Federal. A decisão também estabeleceu o pagamento de 50 dias-multa, com valor fixado em dois salários mínimos cada.

De acordo com o entendimento unânime dos ministros, Eduardo atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do STF e tentar interferir em processos relacionados à apuração da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A atuação teria como objetivo beneficiar Jair Bolsonaro (PL).

Moraes apontou que as articulações de Eduardo com autoridades norte-americanas, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a defesa de sanções contra ministros da Corte e contra o Brasil ultrapassaram os limites da atuação política. Para o relator, a conduta configurou grave ameaça às instituições brasileiras.

A defesa de Eduardo Bolsonaro ainda pode apresentar recursos no próprio Supremo. Em comunicado, o ex-deputado criticou o julgamento e afirmou que a decisão do STF não tem “pé nem cabeça”. Ele também disse que qualquer sentença contra ele deve ser considerada “nula”, sob o argumento de que não foi notificado oficialmente sobre o processo.

A condenação aprofunda os efeitos jurídicos contra Eduardo Bolsonaro e desloca o caso para uma nova etapa, marcada pela possibilidade de recursos no STF e pela comunicação formal ao TSE sobre a inelegibilidade reconhecida pela Primeira Turma.

<><> O que pode acontecer com Eduardo

Após a decisão do STF, Eduardo Bolsonaro pode ser detido. Para isso, o Brasil precisa fazer a solicitação e pode pedir a inclusão do deputado cassado na lista de procurados da Interpol. Como consequência, o ex-parlamentar poderia ser submetido a processo de extradição ou deportação.

Eduardo também fica inelegível por oito anos. O prazo começa a contar após o fim do cumprimento da pena. Como ele recebeu condenação de quatro anos e dois meses, a pena terminaria em 2030. O período de inelegibilidade acabaria em 2038.

<><> Outro lado

Representando Eduardo Bolsonaro, o defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho afirmou que o deputado cassado negou interferência na decretação das medidas do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. Segundo Esdras, Eduardo realizou "interlocução política".

"Eduardo não teve poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos, não integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele país", afirmou, conforme relato divulgado em matéria da Agência Brasil.

Residente nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro confirmou que buscará apoio em Trump para tentar reverter a decisão. O ex-parlamentar citou "Casa Branca", "Departamento de Justiça" e "Congresso americano" como instâncias às quais pretende recorrer em sua ofensiva contra a Justiça brasileira.

 

Fonte: Brasil 247

 

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