Leonardo
Attuch: A escolha nunca foi tão fácil - de um lado o estadista Lula; de outro,
a gangue Bolsonaro
O
Brasil amanheceu nesta quarta-feira, 17 de junho, diante de um contraste
político que já não poderia ser mais evidente. De um lado, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva se consolida como a liderança nacional capaz de recolocar
o país no centro das grandes decisões internacionais, tratado por chefes de
Estado como o estadista que é. De outro, o bolsonarismo tenta sobreviver por
meio de uma candidatura familiar, defensiva e judicializada, cujo objetivo
central parece ser menos apresentar um projeto de país do que proteger seus
próprios integrantes.
A nova
pesquisa CNT/MDA confirma essa percepção. Lula abriu quase 13 pontos sobre
Flávio Bolsonaro no segundo turno e se aproximou de uma vitória na primeira
volta. Os números mostram que o eleitorado começa a compreender a natureza da
escolha que terá pela frente: não se trata apenas de uma eleição entre dois
nomes, mas de uma decisão entre dois caminhos históricos.
Lula
representa a reconstrução institucional, a volta do Brasil ao mundo, a defesa
da soberania nacional e a recuperação de um horizonte civilizatório. Flávio
Bolsonaro, ao contrário, aparece como herdeiro de um projeto político marcado
pela tentativa de golpe de Estado, pela hostilidade às instituições e pela
instrumentalização da política como escudo familiar.
A
candidatura de Flávio Bolsonaro nunca nasceu como proposta nacional. Primeiro,
servia ao esforço de tentar tirar Jair Bolsonaro da cadeia política e jurídica
em que ele próprio se colocou ao liderar uma aventura autoritária contra a
democracia brasileira. Agora, serve também para tentar proteger Eduardo
Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do
processo, depois de atuar para interferir no julgamento da ação penal em que
seu pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
É este
o ponto essencial: enquanto Lula se apresenta ao mundo como líder de um país
soberano, capaz de falar sobre desigualdade, desenvolvimento, paz, fome,
transição energética e inteligência artificial, o clã Bolsonaro se dedica a
atacar instituições, pressionar tribunais e transformar a política brasileira
numa extensão dos problemas judiciais da família.
Nunca
foi tão fácil escolher. Lula esteve na Cúpula do G7, em Évian, na França, e
falou como presidente de um país que pensa grande. Cobrou dos mais ricos
solidariedade internacional, denunciou o crescimento das desigualdades,
criticou a lógica neoliberal que desmonta Estados e aprofunda crises
democráticas, e defendeu mecanismos concretos para que países em
desenvolvimento possam financiar políticas sociais e ambientais.
Essa é
a diferença entre estadismo e aventureirismo. Estadista é quem olha para o
mundo e enxerga o lugar do Brasil numa ordem internacional em transformação.
Aventureiro é quem olha para o Estado e enxerga apenas uma trincheira para
proteger parentes, aliados e interesses privados.
Lula
fala ao Sul Global. Fala aos trabalhadores. Fala aos pobres. Fala aos países
que querem desenvolvimento com soberania. Fala ao mundo multipolar que emerge
das ruínas de uma ordem internacional injusta. O bolsonarismo, por sua vez,
fala aos ressentidos, aos submissos, aos que confundem patriotismo com
vassalagem e aos que aceitam entregar o país desde que a família Bolsonaro seja
preservada.
É por
isso que a escolha se tornou tão simples. Quem defende o Brasil, sua soberania,
sua democracia e sua reconstrução social reconhece em Lula a liderança capaz de
conduzir esse processo. Quem aceita a captura da política por uma família que
transformou o poder em instrumento de autoproteção seguirá agarrado ao
bolsonarismo, ainda que esse número seja cada vez menor.
Os
candidatos alternativos da direita tampouco conseguem se apresentar como
solução real. Falta-lhes densidade histórica, projeto nacional, capacidade de
comunicação com o povo e coragem para romper com a herança tóxica do
bolsonarismo. Uns tentam parecer moderados, mas carregam o peso das mesmas
alianças. Outros tentam se vender como novidade, mas não conseguem sair da
irrelevância. No fundo, todos orbitam em torno do mesmo problema: nenhum deles
é capaz de fazer frente a Lula.
O
Brasil já viveu anos demais sob chantagem, ódio, violência política,
negacionismo e sabotagem institucional. A sociedade brasileira sabe o preço que
pagou quando entregou o país a quem desprezava a democracia, a ciência, a
cultura, os trabalhadores e a soberania nacional. Sabe também que a
reconstrução não é uma abstração: ela se vê na volta do Brasil à cena
internacional, na recuperação de políticas públicas, no combate à fome, na
defesa do emprego, na valorização do Estado e na retomada da esperança.
Quando
essa página for definitivamente virada, o Brasil poderá voltar a sonhar com
normalidade. Poderá voltar a discutir desenvolvimento, educação, saúde,
ciência, cultura, esporte, integração regional e futuro. Poderá até voltar a
viver uma Copa do Mundo com alegria, sem que tudo esteja contaminado pela
degradação política imposta pela extrema direita.
E que
bom para o futebol mundial ver Lionel Messi, aos 39 anos, dar mais um
espetáculo, marcar três gols e igualar Miroslav Klose como maior artilheiro da
história das Copas. Há algo de simbólico nisso: enquanto o mundo celebra
talento, beleza e grandeza, o Brasil precisa se livrar de uma política pequena,
mesquinha e familiarizada com o ressentimento.
A Copa
está apenas começando. O Brasil, por enquanto, ainda parece um ponto fora da
curva. Mas isso também vai mudar. O país tem força, memória e capacidade de
reencontrar seu caminho.
Lula
será reeleito porque representa algo maior do que uma candidatura. Representa a
possibilidade de o Brasil voltar a ser Brasil: soberano, democrático,
respeitado e capaz de olhar para o futuro. A família Bolsonaro será lembrada
como um desvio autoritário, uma experiência traumática que o povo brasileiro
saberá superar.
A
escolha nunca foi tão fácil. De um lado, Lula, o estadista. De outro, a gangue
Bolsonaro. De um lado, o Brasil que quer viver. De outro, uma família que tenta
sobreviver politicamente aos próprios crimes e fracassos. Para quem ama o
Brasil, não há dúvida possível.
• Eduardo Bolsonaro apela a Trump ‘para
reimpor sanções contra o Brasil’ e ataca Alexandre de Moraes
Condenado
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão no
processo sobre coação judicial, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro
(PL-SP) pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que volte a impor
sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky.
As retaliações contra o magistrado defendidas pelo ex-parlamentar incluiriam o
bloqueio de eventuais bens em território estadunidense e restrições para
entrada nos EUA.
“Presidente
Donald Trump, por favor, reimponha sanções contra esta figura autoritária. As
mesmas pessoas que me perseguem hoje também desprezam tudo pelo que sua
administração se posiciona: liberdade de expressão, democracia e o Estado de
Direito”, afirmou o ex-parlamentar na rede social X, antigo Twitter.
O
ex-parlamentar também divulgou um vídeo na plataforma. Na gravação, atacou
Moraes, chamou o ministro de “ditador” e acusou o magistrado de perseguir
adversários políticos. “O Supremo não quer seguir o procedimento correto. Tudo
o que sei sobre esse caso chegou até mim pela imprensa”, declarou.
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Condenação no STF e as acusações
A
Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão,
em regime semiaberto. O colegiado também determinou o pagamento de 50
dias-multa, a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade
por oito anos.
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou, em denúncia encaminhada ao
Supremo, tentativa de interferência de Eduardo Bolsonaro no inquérito da trama
golpista. O processo resultou na condenação de 29 pessoas pelo STF. Jair
Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta entre os condenados, de 27 anos e três
meses de prisão.
Na
Primeira Turma, os quatro ministros votaram pela condenação de Eduardo
Bolsonaro: Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia
e Flávio Dino.
O
ex-parlamentar mora nos EUA desde o começo do ano passado. De acordo com a
denúncia apresentada pela PGR, o deputado cassado usou articulações junto ao
governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estimular
sanções contra o Brasil em razão da investigação sobre a trama golpista.
No
início de junho, os EUA defenderam um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos
brasileiros exportados ao território estadunidense. A gestão trumpista também
criticou o Pix e, mesmo sem provas, acusou o Brasil de adotar práticas desleais
no comércio.
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Condenação no STF torna Eduardo Bolsonaro inelegível por 12 anos
A
decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Eduardo Bolsonaro
(PL-SP) tornou o ex-deputado federal inelegível e pode impedir sua participação
em eleições por até 12 anos e 2 meses, após condenação por coação no curso do
processo que apurou uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.
A
Primeira Turma do STF condenou Eduardo, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de
prisão, em regime inicial semiaberto. O colegiado também reconheceu a aplicação
da Lei da Ficha Limpa, por se tratar de condenação proferida por órgão
colegiado por crime contra a administração da Justiça.
Com a
decisão, Eduardo Bolsonaro fica impedido de disputar eleições desde a data da
condenação até 8 anos após o cumprimento integral da pena. Na prática, segundo
a interpretação adotada pelo STF, a restrição eleitoral pode chegar a 12 anos e
2 meses, dependendo do momento em que a pena for considerada integralmente
cumprida.
O
julgamento foi concluído na terça-feira (16). Ao proclamar o resultado, a
Primeira Turma determinou a expedição imediata de ofício ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para que a restrição eleitoral seja registrada.
Relator
do caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a inelegibilidade não
depende do trânsito em julgado da ação. Com isso, a restrição pode produzir
efeitos a partir da condenação pelo órgão colegiado.
Além da
inelegibilidade, o STF decretou a perda do cargo efetivo que Eduardo Bolsonaro
mantém na Polícia Federal. A decisão também estabeleceu o pagamento de 50
dias-multa, com valor fixado em dois salários mínimos cada.
De
acordo com o entendimento unânime dos ministros, Eduardo atuou junto a
autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do STF e tentar
interferir em processos relacionados à apuração da tentativa de golpe de Estado
após as eleições de 2022. A atuação teria como objetivo beneficiar Jair
Bolsonaro (PL).
Moraes
apontou que as articulações de Eduardo com autoridades norte-americanas, entre
elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a defesa de sanções
contra ministros da Corte e contra o Brasil ultrapassaram os limites da atuação
política. Para o relator, a conduta configurou grave ameaça às instituições
brasileiras.
A
defesa de Eduardo Bolsonaro ainda pode apresentar recursos no próprio Supremo.
Em comunicado, o ex-deputado criticou o julgamento e afirmou que a decisão do
STF não tem “pé nem cabeça”. Ele também disse que qualquer sentença contra ele
deve ser considerada “nula”, sob o argumento de que não foi notificado
oficialmente sobre o processo.
A
condenação aprofunda os efeitos jurídicos contra Eduardo Bolsonaro e desloca o
caso para uma nova etapa, marcada pela possibilidade de recursos no STF e pela
comunicação formal ao TSE sobre a inelegibilidade reconhecida pela Primeira
Turma.
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O que pode acontecer com Eduardo
Após a
decisão do STF, Eduardo Bolsonaro pode ser detido. Para isso, o Brasil precisa
fazer a solicitação e pode pedir a inclusão do deputado cassado na lista de
procurados da Interpol. Como consequência, o ex-parlamentar poderia ser
submetido a processo de extradição ou deportação.
Eduardo
também fica inelegível por oito anos. O prazo começa a contar após o fim do
cumprimento da pena. Como ele recebeu condenação de quatro anos e dois meses, a
pena terminaria em 2030. O período de inelegibilidade acabaria em 2038.
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Outro lado
Representando
Eduardo Bolsonaro, o defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho
afirmou que o deputado cassado negou interferência na decretação das medidas do
atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. Segundo
Esdras, Eduardo realizou "interlocução política".
"Eduardo
não teve poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos, não
integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele
país", afirmou, conforme relato divulgado em matéria da Agência Brasil.
Residente
nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro confirmou que buscará apoio em Trump para
tentar reverter a decisão. O ex-parlamentar citou "Casa Branca",
"Departamento de Justiça" e "Congresso americano" como
instâncias às quais pretende recorrer em sua ofensiva contra a Justiça
brasileira.
Fonte: Brasil 247

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