Reynaldo
José Aragon: O adulto na sala
Há
momentos em que a história parece inverter seus próprios pressupostos. Este é
um deles. Durante décadas, a periferia foi convocada a aprender, seguir e
adaptar-se às regras formuladas pelos centros de poder. Hoje, porém, uma das
principais potências do Sul Global é chamada a participar justamente da
tentativa de administrar a crise daqueles que, durante gerações, reivindicaram
para si o monopólio da liderança internacional.
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O convite que não deveria existir
O
convite feito a Lula revela uma ironia histórica difícil de ignorar. No momento
em que os Estados Unidos retomam pressões sobre a América Latina, a Europa
enfrenta impasses econômicos e estratégicos, e as instituições internacionais
atravessam uma crise de legitimidade sem precedentes, uma das vozes mais
procuradas para discutir estabilidade, desenvolvimento e governança global vem
justamente da periferia do sistema. O Brasil chega ao G7 sob ataques comerciais
e pressões geopolíticas, mas também carregando um ativo raro no cenário
internacional: autonomia.
Durante
anos, Luiz Inácio Lula da Silva tratou o G7 com um ceticismo difícil de
esconder. Via no grupo um clube cada vez menos representativo de um mundo que
já não cabe nas fronteiras políticas e econômicas do Atlântico Norte. Não por
acaso, repetiu mais de uma vez que o G20 refletia melhor a realidade
contemporânea do que a reunião das velhas potências industriais. Havia lógica
nessa crítica. O centro de gravidade da economia global mudou, novas potências
emergiram, e o século XXI tornou impossível sustentar a ficção de que sete
países poderiam continuar falando em nome do planeta. Por isso, a decisão de
comparecer à cúpula realizada na França carrega um significado que vai muito
além da agenda diplomática. Lula não mudou de opinião sobre os limites do G7. O
que mudou foi a dimensão da crise enfrentada por aqueles que continuam ocupando
o topo da ordem internacional.
Ao
justificar sua presença, o presidente brasileiro afirmou que era preciso
"colocar ordem na casa". A frase chamou atenção pela aparente
ousadia. Mas seu verdadeiro significado não está na retórica. Está no
diagnóstico. Pela primeira vez em décadas, a principal ameaça à estabilidade do
sistema internacional não vem de países considerados revisionistas ou
periféricos. Ela emerge do próprio núcleo de poder que construiu a arquitetura
política, econômica e institucional do pós-Guerra Fria.
A
guerra voltou ao continente europeu. O Oriente Médio atravessa mais um ciclo de
instabilidade. Organismos multilaterais perderam capacidade de coordenação.
Regras comerciais são substituídas por disputas geopolíticas abertas. Sanções,
tarifas e bloqueios voltaram a ocupar o lugar que antes pertencia à negociação.
Em meio a esse cenário, a imagem mais reveladora talvez seja justamente a de um
presidente latino-americano sendo chamado para participar das discussões sobre
os rumos da ordem global. O convite feito a Lula revela uma ironia histórica
difícil de ignorar. Enquanto as potências que comandaram o mundo nas últimas
décadas enfrentam crescentes dificuldades para administrar as consequências de
suas próprias escolhas estratégicas, uma das vozes mais ouvidas na defesa do
diálogo, do desenvolvimento e do multilateralismo passou a vir da periferia do
sistema. É essa inversão que torna a viagem à França relevante. O que está em
jogo não é apenas a presença do Brasil em mais uma reunião internacional. O que
está em disputa é algo maior: quem terá legitimidade para influenciar os rumos
de uma ordem global que já não consegue produzir estabilidade nem mesmo para
aqueles que a comandam.
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O centro perdeu o monopólio da liderança
Durante
boa parte dos últimos oitenta anos, liderança internacional e poder ocidental
foram praticamente sinônimos. A estabilidade do sistema mundial dependia da
capacidade dos Estados Unidos e de seus aliados de coordenar interesses,
estabelecer regras e produzir consensos mínimos para o funcionamento da
economia global. Havia conflitos, disputas e assimetrias, mas existia uma
percepção relativamente difundida de que o centro do sistema possuía os
instrumentos necessários para administrar as próprias crises. Essa percepção
começou a se deteriorar muito antes das guerras atuais. As intervenções
militares fracassadas no Oriente Médio, a crise financeira de 2008, a crescente
polarização das democracias ocidentais, o avanço da desigualdade e a
incapacidade de responder de forma coordenada aos grandes desafios globais
corroeram gradualmente a autoridade política construída no pós-Guerra Fria.
O
problema não é apenas econômico. É sobretudo político. As mesmas potências que
durante décadas apresentaram o livre comércio como fundamento da prosperidade
global passaram a recorrer cada vez mais a sanções, barreiras tarifárias,
subsídios estratégicos e instrumentos de pressão econômica. As mesmas
lideranças que defendiam instituições multilaterais passaram a contorná-las
quando seus interesses imediatos assim exigiam. As mesmas democracias que
reivindicavam para si a condição de árbitros da ordem internacional tornaram-se
incapazes de construir consensos duradouros dentro de suas próprias fronteiras.
O
resultado é um fenômeno raro na história das relações internacionais: uma crise
simultânea de poder e legitimidade. O Ocidente continua concentrando enorme
capacidade militar, tecnológica e financeira. O que já não possui na mesma
proporção é autoridade política para transformar essa capacidade em liderança
incontestável. É nesse vazio que novos atores ganham relevância. Não porque
sejam mais poderosos. Nem porque tenham substituído o antigo centro de comando.
Tornam-se importantes porque conseguem oferecer algo cada vez mais escasso no
sistema internacional contemporâneo: capacidade de diálogo entre blocos rivais,
interlocução entre interesses conflitantes e disposição para defender espaços
mínimos de cooperação em um ambiente crescentemente fragmentado. É exatamente
nesse ponto que o Brasil reaparece no tabuleiro global. Não como sucessor das
grandes potências, mas como expressão de uma realidade que o próprio G7 reluta
em admitir: o século XXI tornou impossível governar o mundo sem ouvir aqueles
que durante séculos foram convidados apenas a obedecer.
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O Brasil voltou a incomodar
Se a
presença de Lula no G7 revela a crise de liderança do Ocidente, os
acontecimentos das últimas semanas revelam outra realidade igualmente
importante: o Brasil voltou a ser percebido como um ator estratégico relevante.
Não é
coincidência que a escalada de pressões ocorra justamente quando o país
registra estabilidade econômica, amplia sua inserção internacional, fortalece
os BRICS e recupera capacidade de articulação diplomática. Na política
internacional, raramente a pressão recai sobre os irrelevantes. O alvo quase
sempre é quem começa a alterar correlações de força. Mas a natureza dessas
disputas também mudou. Durante boa parte do século XX, soberania significava
controlar fronteiras, território e recursos estratégicos. No século XXI, a
disputa se expandiu para novas camadas de poder. Infraestruturas digitais,
sistemas de pagamento, plataformas de comunicação, fluxos de dados e
arquiteturas algorítmicas passaram a desempenhar funções cada vez mais
decisivas na organização da vida econômica, política e social. Em outras
palavras, a soberania deixou de ser apenas territorial. Tornou-se também
informacional e cognitiva. É justamente nesse terreno que se concentram algumas
das disputas mais importantes do nosso tempo.
Nas
últimas semanas, Washington voltou a adotar medidas hostis contra interesses
brasileiros. A discussão sobre novas tarifas comerciais, os ataques ao sistema
de pagamentos instantâneos brasileiro e a decisão de classificar facções
criminosas nacionais como organizações terroristas representam fenômenos
distintos, mas apontam para uma mesma direção: a crescente internacionalização
de temas que tradicionalmente pertenciam à esfera da soberania nacional. Ao
mesmo tempo, a União Europeia decidiu restringir a entrada da carne brasileira
sob argumentos sanitários. Formalmente, trata-se de uma questão regulatória.
Politicamente, porém, o episódio se insere em uma disputa muito maior
envolvendo comércio, padrões produtivos, segurança alimentar e acesso a mercados.
Em um cenário de desaceleração econômica global, barreiras comerciais costumam
ser apresentadas como exigências técnicas. Mas frequentemente funcionam como
instrumentos de proteção estratégica.
Nada
disso acontece em um vácuo geopolítico. A América Latina voltou a ocupar espaço
crescente nos cálculos de Washington. O reposicionamento da política externa
norte-americana, a disputa tecnológica com a China, a reorganização das cadeias
globais de valor e a competição por recursos estratégicos recolocaram a região
no centro das atenções. Energia, minerais críticos, alimentos, biodiversidade,
infraestrutura digital e rotas comerciais tornaram-se ativos ainda mais
valiosos em um mundo marcado pela fragmentação. O Brasil ocupa posição singular
nesse contexto. É grande demais para ser ignorado e independente demais para
ser plenamente enquadrado. Mantém relações estratégicas com os Estados Unidos,
aprofunda laços com a China, participa dos BRICS, dialoga com a Europa e
preserva capacidade de interlocução com diferentes polos de poder. Essa
autonomia relativa sempre foi um ativo diplomático. Mas, em períodos de
intensificação da disputa geopolítica, ela também se transforma em fonte de
atrito. É por isso que a viagem de Lula à França possui significado que vai
muito além dos protocolos diplomáticos. O presidente brasileiro não chega ao
encontro representando apenas uma economia relevante ou uma democracia
influente. Chega representando um país que voltou a reivindicar algo que
incomoda cada vez mais em um mundo polarizado: o direito de tomar decisões a
partir de seus próprios interesses nacionais.
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A autonomia como ativo estratégico
Existe
uma diferença fundamental entre influência e autonomia. A primeira pode ser
comprada, imposta ou herdada. A segunda precisa ser construída. Ao longo das
últimas décadas, boa parte da política internacional foi organizada em torno da
capacidade das grandes potências de transformar influência em alinhamento
automático. Países eram frequentemente pressionados a escolher lados, aderir a
blocos ou subordinar seus interesses nacionais às prioridades estratégicas de
centros de poder externos. O Brasil seguiu um caminho diferente. Nem sempre de
forma linear, nem sempre sem contradições, mas com uma característica
relativamente constante desde a redemocratização: a busca por margem de
manobra. A tradição diplomática brasileira foi construída sobre a percepção de
que autonomia não significa isolamento. Significa ampliar opções. Quanto maior
a capacidade de dialogar com diferentes polos de poder, menor a dependência de
qualquer um deles. É exatamente essa característica que diferencia a posição
brasileira na atual conjuntura. Enquanto parte significativa do sistema
internacional é empurrada para uma lógica de alinhamentos rígidos, o Brasil
preserva relações estratégicas simultâneas com atores que frequentemente se
encontram em campos opostos. Negocia com Washington, amplia comércio com
Pequim, participa dos BRICS, mantém interlocução com a Europa, fortalece laços
com a África e busca protagonismo em fóruns multilaterais. Essa posição não
elimina conflitos. Mas amplia capacidade de negociação.
A
importância dessa autonomia tornou-se ainda mais evidente à medida que o
sistema internacional passou a operar sob uma lógica de blocos competitivos. Em
um ambiente marcado por guerras comerciais, disputas tecnológicas, sanções
financeiras e rivalidades geopolíticas crescentes, países capazes de circular
entre diferentes espaços de poder tornam-se ativos estratégicos cada vez mais
valiosos. Durante muito tempo, autonomia foi interpretada como hesitação,
ambiguidade ou falta de alinhamento. Essa leitura fazia sentido em um mundo
organizado por uma única potência dominante. Mas a transição para uma ordem
mais fragmentada alterou profundamente essa equação. No século XXI, autonomia
deixou de ser um problema a ser corrigido e passou a ser um recurso estratégico.
A capacidade de dialogar com múltiplos centros de poder, preservar margens de
decisão e evitar dependências excessivas transformou-se em uma forma concreta
de influência internacional. É justamente por isso que Lula desperta atenção
muito além do peso econômico brasileiro. O interesse internacional não decorre
apenas dos números da economia ou da dimensão territorial do país. Decorre da
percepção de que o Brasil continua sendo uma das poucas grandes nações capazes
de conversar simultaneamente com interlocutores que já não conseguem conversar
entre si.
Essa
condição ajuda a explicar uma das grandes contradições do presente. Enquanto o
debate político doméstico frequentemente reduz a política externa a disputas
ideológicas de curto prazo, a relevância internacional do Brasil cresce
exatamente por aquilo que transcende essas disputas: sua capacidade de atuar
como ponte em um mundo cada vez mais fragmentado. A questão central não é se o
Brasil será capaz de substituir qualquer potência global. Não será. A
verdadeira questão é outra. Em uma ordem internacional marcada pela erosão da
confiança, pela fragmentação dos consensos e pela multiplicação dos conflitos,
países capazes de produzir diálogo passam a possuir um valor estratégico que
nenhuma capacidade militar, isoladamente, consegue substituir. É essa condição
que acompanha Lula até a França. Não a de porta-voz de um bloco específico, mas
a de representante de um país cuja principal força, neste momento histórico, é
justamente não pertencer integralmente a nenhum deles.
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Os próximos movimentos do tabuleiro
A
grande questão colocada pela viagem de Lula ao G7 não é o que acontecerá
durante a cúpula. É o que acontecerá depois dela. A história das relações
internacionais ensina que a ascensão de atores autônomos raramente ocorre sem
resistência. Sistemas de poder tendem a reagir sempre que percebem mudanças
capazes de alterar equilíbrios consolidados. Quanto maior a relevância
estratégica de um país, maior tende a ser a intensidade das disputas em torno
de suas decisões.
Durante
o século XX, essas pressões costumavam assumir formas mais explícitas.
Intervenções militares, golpes de Estado, bloqueios econômicos e operações
encobertas constituíam instrumentos relativamente comuns da disputa
geopolítica. No século XXI, os mecanismos tornaram-se mais sofisticados. A
pressão continua existindo, mas frequentemente se manifesta por meio de
instrumentos financeiros, tecnológicos, jurídicos, informacionais e comerciais.
A mudança mais importante talvez seja outra. O objetivo já não é
necessariamente controlar governos. É condicionar ambientes de decisão. Em vez
de substituir lideranças, busca-se limitar suas alternativas. Em vez de ocupar
territórios, procura-se influenciar infraestruturas críticas. Em vez de impor
alinhamentos formais, torna-se mais eficiente moldar incentivos econômicos,
fluxos informacionais e arquiteturas tecnológicas capazes de estreitar o
horizonte das escolhas disponíveis. O poder contemporâneo opera cada vez menos
pela imposição direta e cada vez mais pela administração das possibilidades. É
nesse contexto que o Brasil deve ser observado.
A
disputa em torno das plataformas digitais, o controle das infraestruturas
tecnológicas, as controvérsias comerciais, as batalhas regulatórias, a
influência sobre fluxos financeiros internacionais, as campanhas de
desinformação e a crescente judicialização de conflitos políticos tornaram-se
componentes permanentes da competição entre Estados e grandes conglomerados
transnacionais. O poder já não circula apenas por embaixadas, quartéis e
ministérios. Ele também atravessa algoritmos, mercados, cadeias logísticas,
sistemas de pagamento, redes de informação e plataformas digitais. Nenhum
desses instrumentos, isoladamente, determina o destino de uma nação. Mas a
combinação deles pode produzir constrangimentos significativos sobre governos
que buscam ampliar margens de autonomia.
É por
isso que a disputa presidencial de 2026 não deve ser compreendida apenas como
um evento doméstico. O resultado da eleição brasileira possui implicações
diretas para interesses econômicos, tecnológicos e geopolíticos que ultrapassam
as fronteiras nacionais. O Brasil concentra recursos naturais estratégicos,
capacidade energética, produção de alimentos, biodiversidade, posição
geográfica privilegiada e crescente relevância em fóruns multilaterais. Poucos
países reúnem simultaneamente tantos ativos considerados essenciais para as
transformações econômicas e tecnológicas em curso. Isso não significa que
exista uma conspiração coordenada contra o Brasil. Significa algo mais simples
e mais concreto. Grandes interesses tendem a agir de acordo com seus próprios
interesses. E, quanto mais relevante se torna um país, mais intensamente suas
escolhas passam a ser observadas, disputadas e influenciadas por atores
externos.
A
verdadeira questão para os próximos anos não será apenas quem governará o
Brasil. Será se o país conseguirá preservar a capacidade de definir seu próprio
projeto nacional em um ambiente internacional marcado por pressões crescentes e
rivalidades cada vez mais intensas. Essa é a dimensão estratégica que acompanha
Lula até a França. O debate não se resume a uma reunião diplomática nem a uma
fotografia entre chefes de Estado. O que está em jogo é a posição que o Brasil
pretende ocupar em uma ordem internacional que está sendo reconstruída diante
dos nossos olhos.
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O adulto na sala
Existe
uma ironia inevitável na imagem que emerge desta cúpula. Durante séculos, o
poder internacional foi organizado a partir da convicção de que a periferia
deveria seguir e o centro deveria liderar. A riqueza, a força militar e a
capacidade de definir regras pareciam garantir ao Norte Global um monopólio
permanente da direção histórica. Mas a história raramente respeita certezas
duradouras.
O
século XXI produziu uma inversão que poucos anteciparam. As potências que
construíram a ordem internacional continuam poderosas, mas já não conseguem
oferecer sozinhas aquilo que legitimava sua liderança: estabilidade,
previsibilidade e capacidade de coordenação. Em meio a guerras, fragmentação
geopolítica, disputas comerciais e crises institucionais, o mundo tornou-se
mais complexo do que os mecanismos criados para governá-lo. É nesse contexto
que Lula chega à França.
Não
como líder de uma superpotência. Não como representante de um bloco militar.
Não como porta-voz de uma nova hegemonia. Sua relevância decorre de algo mais
raro. Em um sistema internacional cada vez mais polarizado, o Brasil continua
sendo uma das poucas nações capazes de defender autonomia sem isolamento,
diálogo sem submissão e cooperação sem alinhamento automático. Talvez seja esse
o verdadeiro significado da frase sobre "colocar ordem na casa". Não
se trata de uma demonstração de força. Trata-se do reconhecimento de uma
ausência. Quando os antigos administradores da ordem internacional já não
conseguem produzir consensos mínimos, outras vozes inevitavelmente passam a
ocupar espaço.
A
verdadeira disputa, porém, não é por protagonismo. É por capacidade de definir
os termos do futuro. Quem estabelecerá as regras da economia digital? Quem
controlará as infraestruturas tecnológicas críticas? Quem determinará os
padrões de inteligência artificial, segurança cibernética, transição energética
e circulação global de dados? As grandes disputas do século XXI não ocorrerão
apenas em torno de territórios, mas em torno das arquiteturas que organizarão a
produção, a informação e o poder nas próximas décadas. O que está acontecendo
diante dos nossos olhos não é apenas a crise de um modelo de liderança. É o
surgimento de um mundo em que a periferia deixou de pedir licença para
participar das decisões e começou a disputar o direito de influenciá-las. Quando
o centro do sistema entra em crise, a periferia deixa de pedir licença e passa
a disputar comando. É por isso que Lula foi chamado. E é por isso que o convite
importa.
Fonte:
Brasil 247

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