Acordo
de Trump com o Irã posterga questões centrais
Com
o acordo sobre as linhas gerais de um
acordo de paz,
que ainda precisa ser decidido nos detalhes, entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump pode ter finalmente aberto um caminho
para sair de uma guerra cada vez mais impopular – e justamente no dia de seu aniversário de 80 anos.
Porém,
o "memorando de entendimento" parece ficar
muito aquém em vários dos objetivos que estão na origem do conflito, o que deixa o
próprio presidente vulnerável a críticas de linhas-duras dentro do Partido
Republicano, e os EUA, numa situação estratégica pior do que a de antes da
guerra.
O
acordo mediado pelo Paquistão – cujo texto não foi divulgado de imediato –
representa o avanço mais significativo nas negociações de paz até o momento e
inclui o compromisso do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz, o que pode ajudar a
reduzir o preço da energia e a conter a inflação em todo o mundo.
Ao
mesmo tempo, o texto parece incluir concessões significativas dos EUA, incluindo o adiamento das discussões
sobre o fim do programa nuclear iraniano, nada menos do que o principal
objetivo declarado de Trump para iniciar a guerra.
"Este
acordo é provavelmente o melhor resultado possível para evitar novos conflitos,
mas não é melhor do que o que poderia ter sido alcançado se os Estados Unidos
tivessem optado pela diplomacia em vez da guerra desde o início", disse
Victoria Taylor, ex-subsecretária adjunta de Estado e hoje analista do think
tank Atlantic Council, em declarações à agência de notícias Reuters.
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Dois lados se apresentam como vencedores
Alcançado
após semanas de negociações tensas e frequentes ameaças de retomada das
hostilidades por parte de Trump, o acordo foi anunciado na noite deste
domingo (14/06) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif,
mediador do conflito, e posteriormente confirmado por Washington e Teerã.
Mas o
seu conteúdo permanece incerto, e ambos os lados divulgaram informações
conflitantes à medida que cada um tenta se apresentar como vencedor.
Em seu
anúncio na rede social Truth Social, Trump destacou a reabertura do Estreito de
Ormuz. Já o vice-ministro do Exterior do Irã, Kazem Gharibabadi, preferiu
destacar o "fim imediato da guerra" e que o inimigo "viu todos
os seus propósitos frustrados", ao passo que a República Islâmica do Irã
"alcançou grandes vitórias".
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Mas o que diz o acordo?
Certo
está que não se trata de um tratado de paz definitivo, mas de uma espécie de
acordo provisório, chamado de memorando de entendimento. Segundo a Reuters, o
acordo teria 14 pontos, sendo o ponto central a cessação imediata e definitiva
das operações militares em todas as frentes, incluindo o fim dos combates no
Líbano.
Sobre
este ponto, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi
taxativo: "O acordo de Donald Trump não nos vincula, não somos parte deste
acordo. Não garante a nossa segurança", declarou nas redes sociais.
"Não podemos aceitar nada menos do que o desmantelamento do Hezbollah. Não podemos recuar um único centímetro do
território que os nossos soldados conquistaram e limparam da infraestrutura
terrorista [no Líbano]", acrescentou, referindo-se à milícia xiita
libanesa.
Em
outro ponto central, o memorando de entendimento estenderia o cessar-fogo por
mais 60 dias, contados a partir desta sexta-feira, dia da assinatura em
Genebra. Nesse período, as partes discutirão o que fazer com o estoque de
urânio altamente enriquecido e o programa nuclear iraniano – uma questão que
levou anos para ser resolvida no acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as
potências mundiais.
O
acordo também incluiria o compromisso do Irã de renunciar à posse de armas
nucleares. Nesta segunda-feira, Trump disse ao jornal The New York
Times que o Irã teria concordado com uma moratória de 20 anos no
enriquecimento de urânio.
Outro
ponto fundamental é a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação. O Irã deverá
suspender o bloqueio ao estreito. Em contrapartida, os EUA suspenderão o
bloqueio aos portos iranianos.
A
emissora alemã ARD relatou que o acordo também contém uma série de concessões
econômicas ao Irã, que deverá ser autorizado a vender e exportar petróleo
novamente, e algumas sanções deverão ser suspensas.
Informações
contraditórias circulam a respeito da liberação de ativos iranianos congelados,
aos quais o Irã quer ter acesso. Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, o
acordo inclui a liberação imediata de 12 bilhões de dólares em ativos
congelados.
Os
Estados Unidos e seus aliados deverão apresentar um plano de reconstrução para
o Irã, totalizando pelo menos 300 bilhões de dólares, segundo as agências de
notícias iranianas Mehr e Tasnim, que citaram o acordo.
O
jornal Wall Street Journal, que citou Trump, confirmou que algumas
sanções contra o Irã poderão ser suspensas, mas afirmou que pagamentos em
dinheiro não estão incluídos.
Autoridades
dos EUA têm insistido que qualquer desbloqueio de bilhões de dólares em fundos
iranianos ou alívio de sanções será gradual e condicionado ao cumprimento de
exigências por parte de Teerã. O Irã sinalizou que espera receber parte dos
recursos e obter alívio das sanções logo de início.
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Objetivos iniciais frustrados e questões em aberto
Apesar
de apresentar o acerto como uma vitória, Trump enfrenta a perspectiva de
os EUA parecerem enfraquecidos, enquanto o Irã,
apesar dos duros golpes militares e econômicos e da perda de lideranças,
poderia acabar com maior poder de barganha depois de enfrentar a maior potência
militar do planeta.
Embora
haja poucas dúvidas de que os ataques dos EUA e de Israel degradaram
significativamente as capacidades militares do Irã, o regime em Teerã
demonstrou que consegue resistir a uma ofensiva desse porte e ao mesmo
tempo controlar o fluxo de um quinto do
suprimento mundial de petróleo e gás.
A
reabertura do Estreito de Ormuz, por si só, apenas restaura a situação
existente antes do conflito. "O Irã demonstrou que, mesmo numa situação de
grande fragilidade, consegue fechar o Estreito de Ormuz quando bem entender.
Isso é algo que não vai mudar", afirmou o analista Jon Alterman, do think
tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
A
maioria dos analistas concorda que Trump, que chegou a exigir a rendição
incondicional do Irã, viu frustrados muitos de seus objetivos, que foram
mudando com o curso da guerra.
O governo teocrático do Irã, que Trump instou os
iranianos a derrubarem logo no início do conflito, permanece praticamente
intacto, e os líderes que substituíram aqueles mortos em ataques conjuntos dos
EUA e de Israel já indicaram adotar uma linha ainda mais
dura.
Também
não foram atendidas as exigências anteriores de Trump de que o Irã
desmantelasse seu programa de mísseis balísticos e cessasse o apoio a grupos
aliados na região.
As alianças regionais dos EUA foram abaladas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que firmou uma estreita
aliança com Trump durante a guerra, declarou que seu país não vai aderir ao
memorando de entendimento. Os dois líderes entraram em conflito no domingo a
respeito da campanha militar de Israel no Líbano, que continua em curso.
Já os
aliados de Washington no Golfo Pérsico, que foram alvos de ataques iranianos
com mísseis e drones, agora se deparam com a perspectiva de ter um vizinho com
uma liderança ainda mais linha-dura e que mantém a capacidade de ameaçá-los com
seu arsenal remanescente.
O
conflito no Líbano, como as declarações do governo de Israel deixaram claro,
continua sendo uma questão não resolvida, apesar de o Irã ter afirmado que,
pelo acordo, as operações militares terminam definitivamente a partir da noite
desta segunda-feira, em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Além
disso, o memorando de entendimento não resolve a questão do destino do estoque
de urânio do Irã, que estaria num nível de pureza próximo ao necessário para a
fabricação de bombas.
Também
não está claro se o acordo final representará uma melhora em relação àquele que
o ex-presidente Barack Obama firmou com o Irã em 2015 para conter o programa
nuclear do país – e do qual Trump retirou os EUA em 2018, durante seu primeiro
mandato, taxando-o de ruim.
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O que se sabe sobre o acordo de paz entre EUA e Irã
O
presidente americano, Donald Trump, afirmou que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para
encerrar o conflito entre os dois países, que começou em 28 de fevereiro. "O acordo com
a República Islâmica do Irã está agora concluído", escreveu Trump na rede
Truth Social. "Autorizo integralmente
a abertura do estreito de Ormuz sem restrições e,
simultaneamente, autorizo a
remoção imediata do bloqueio naval dos Estados
Unidos", ele acrescentou, referindo-se à passagem marítima
que acabou bloqueada por conta da guerra, uma importante via de transporte para
o comércio de petróleo. "Navios do
mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!"
Em um
segundo post, o presidente dos EUA afirmou que a abertura do estreito
aconteceria após a assinatura do acordo, prevista para próxima sexta-feira
(19/06).
Trump
se manifestou após declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz
Sharif, anunciando um acordo de paz entre americanos e iranianos.
"Ambos
os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em
todas as frentes, inclusive no Líbano", disse em comunicado. "A
cerimônia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.
Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica
do Irã por seu compromisso em encontrar uma solução diplomática para o
conflito."
Nem
Sharif nem Trump deram detalhes sobre os termos do acordo. O primeiro-ministro
paquistanês afirmou que "mediadores irão facilitar uma série de reuniões
nesta semana", e que estas serão "discussões prévias à implementação
que lançarão as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de
assinatura".
Em um
telefonema transmitido pela TV estatal do Irã, vice-ministro das Relações
Exteriores do país, Kazem Gharibabadi, confirmou que o acordo será firmado na
sexta-feira na Suíça. "Um fim imediato e permanente à guerra e às
operações militares em diferentes frentes, incluindo o Líbano, será anunciado
esta noite", disse ele, acrescentando que o bloqueio naval dos EUA contra
o Irã também será suspenso neste domingo.
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O que se sabe sobre o acordo
Os
detalhes do acordo não foram divulgados — mas repórteres da BBC dizem que o
futuro do programa nuclear iraniano, que é um dos pontos centrais na disputa
entre os EUA e o Irã, segue incerto. O correspondente da BBC nos EUA, Anthony
Zurcher, afirma que "ao que tudo indica, o futuro do programa nuclear
iraniano – a razão declarada por Trump para o início da guerra – está sujeito a
novas negociações".
O
repórter da BBC Tom Bateman, que cobre o Departamento de Estado dos EUA, disse
que a prioridade do novo acordo será estender o cessar-fogo de 8 de abril por
mais 60 dias sem hostilidades, com o fim do bloqueio americano em troca pela
abertura do estreito de Ormuz, enquanto ambos os lados se comprometem com
negociações. "Ainda não temos o texto completo, mas, com base na forma
como o acordo estava sendo apresentado pelo governo no final da semana passada,
ele não resolve de forma conclusiva as questões que aparentemente motivaram o
ataque de Trump, nem aquelas que levaram à agressiva retaliação iraniana",
diz Bateman. "Para chegar a algo que ambos os lados possam apresentar como
uma vitória, Trump precisa de uma proibição de longo prazo (pelo menos 20 anos)
e verificável do enriquecimento nuclear por Teerã. O Irã precisa de um alívio
abrangente das sanções e acesso a dezenas de bilhões de dólares em receitas
petrolíferas congeladas. Essas questões sempre foram pontos centrais de
atrito." Bateman diz que, embora o acordo fale em "entendimentos"
para futuras discussões, "até onde sabemos, ele não contempla nenhum deles
de forma significativa".
O
principal correspondente da BBC nos EUA, Gary O'Donoghue, disse que o acordo
anunciado é, na verdade, "apenas o começo". "Ele vai dar início
a um período de 60 dias durante o qual os EUA e o Irã terão que concordar sobre
como destruir e remover o material nuclear iraniano. Isso, por si só, pode
facilmente fracassar", diz O'Donoghue. "O status exato do estreito de
Ormuz também é um ponto sobre o que ainda existem opiniões divergentes. Muitas
dessas questões permanecerão sem resposta até que o texto final completo seja
divulgado." O'Donoghue destaca que nem Israel e nem o Hezbollah serão
signatários do acordo — e que ainda não está claro o que acontecerá em relação
ao conflito entre Israel e o Líbano.
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Reações
O
governo de Israel ainda não se pronunciou oficialmente sobre o acordo. Mas o
ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que é um político da
direita radical, criticou o acordo nesta segunda-feira (15/06). "Não somos
parceiros deste acordo que não garante nossa segurança e não nos vincula de
forma alguma", disse Ben-Gvir. Ele diz que Israel não deve se contentar
com nada menos do que "o desmantelamento do Hezbollah", instando à
continuidade das ações contra o grupo político armado libanês. Ben-Gvir tem
criticado frequentemente seu próprio governo e já sofreu sanções impostas pelo
Reino Unido e outros países por "repetidas incitações à violência contra
comunidades palestinas".
Já o
Egito elogiou o anúncio de domingo. O Ministério das Relações Exteriores
descreveu o acordo como uma "novidade altamente significativa" que
restaurará a "segurança e a estabilidade" na região e em todo o
mundo. Em comunicado, o Egito afirmou que o acordo é fruto de meses de esforços
conjuntos de parceiros regionais e internacionais e abre "um novo
capítulo". E disse ainda esperar que este seja "um ponto de virada
importante" na criação de "um ambiente favorável à paz" e na
resolução de outras questões no Oriente Médio.
A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o acordo, mas
afirmou que "a prioridade agora é a sua implementação rápida e completa
por todas as partes". Von der Leyen defendeu a "reabertura imediata
do estreito de Ormuz", descrevendo a liberdade de navegação como
"essencial para a estabilidade regional e para a economia global". Ela
disse que o acordo abre caminho para negociações mais amplas sobre paz e
segurança no Oriente Médio. "E, claro, não pode haver paz no Oriente Médio
enquanto o Líbano estiver em chamas. Mais uma vez, a Europa apela a todas as
partes para que respeitem a soberania e a integridade territorial do Líbano e
implementem um cessar-fogo genuíno", disse von der Leyen. Ela lembrou que
os líderes europeus que estarão reunidos em uma cúpula do G7 esta semana, na
França, discutirão o assunto. O presidente do Conselho Europeu, António Costa,
disse que aguarda "com expectativa o fim desta guerra cara". O premiê
britânico, Keir Starmer, disse esperar que o acordo firmado entre os EUA e o
Irã "restaure a liberdade de navegação no estreito de Ormuz".
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Dúvidas — e riscos — continuam, apesar do acordo de paz
O
anúncio de um acordo para pôr fim às hostilidades
entre EUA e Irã foi
para Donald Trump uma espécie de
presente de aniversário — ainda que cercado por considerável incerteza. Ele
disse que, ao contrário dos fracassos de presidentes americanos anteriores,
garantiu um "grande acordo" que traria "paz e segurança para
toda a região". Essa hipérbole não é novidade para Trump, é claro. Suas
declarações sobre o acordo do ano passado que teria encerrado a guerra em Gaza
— "uma paz para toda a eternidade" e "o início da era da fé, da
esperança e de Deus" — foram igualmente grandiosas, ainda que a realidade
dos fatos tenha ficado muito aquém disso. Em acordos diplomáticos de alto risco
como este, o sucesso ou o fracasso costuma depender dos detalhes. E, até
agora, há poucos detalhes.
Em
entrevista à Fox News na noite de domingo, o vice‑presidente J.D. Vance afirmou
que o compromisso de o Irã jamais possuir uma
arma nuclear está "incorporado ao acordo" e que os EUA terão como
verificar seu cumprimento. Parte disso certamente será resolvida em negociações
subsequentes e conversas “técnicas” conduzidas ao longo de uma prorrogação de
60 dias do atual cessar-fogo. Mas, se algo ficou claro após décadas de esforços
para persuadir e pressionar o Irã a abandonar suas ambições nucleares, é que
não há garantias — independentemente do que os EUA acreditem ter assegurado
neste "memorando de entendimento".
Como
que para enfatizar esse ponto, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã
divulgou um comunicado no domingo afirmando que "as negociações finais
serão adiadas até depois da implementação dos compromissos da outra parte no
âmbito do memorando". Quais são esses compromissos — e como o Irã os
interpreta — ajudará a determinar se esse acordo se sustentará. Especialistas
do mercado de energia alertaram que o fluxo de petróleo pelo estreito
dificilmente voltará imediatamente aos níveis anteriores à guerra. Limpar um
grande congestionamento de petroleiros, remover minas e restaurar o transporte
e a produção regular de petróleo pode levar semanas.
Com
vários dias ainda antes da assinatura oficial, Irã e EUA têm tempo para ajustar
detalhes essenciais para garantir o sucesso do acordo — mas há também tempo
para que ele se desfaça. Outro fator imprevisível é Israel. Esta sempre foi uma
guerra de três partes, e Trump disse ao jornal Wall Street Journal no domingo
que estava furioso com o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu por
ordenar ataques no Líbano neste fim de semana que, segundo ele, poderiam
inviabilizar o acordo com o Irã, quase concluído. O acordo se sustentou — ao
menos o bastante para ser anunciado. Mas, se Israel retomar operações militares
no Líbano, o Irã pode voltar a fechar o estreito de Ormuz, colocando novamente
em risco a economia global.
Em seus
comentários, Vance também reconheceu o impacto que essa guerra causou a muitos
americanos por causa dos preços mais altos da energia e seus efeitos econômicos
em cadeia. "Minha principal mensagem ao povo americano é obrigado",
disse ele, ao prometer que os preços da energia começariam a cair. A rapidez
com que isso ocorrer — e a velocidade com que se traduzirá em custos mais
baixos para os consumidores nos EUA, muitos dos quais enfrentam dificuldades
financeiras — terá peso significativo para determinar se a crescente pressão
política sobre os republicanos diminuirá antes das eleições legislativas de
meio de mandato, em novembro.
De
acordo com pesquisas recentes, Trump e seu partido enfrentam uma população cada
vez mais insatisfeita. Uma pesquisa do YouGov revelou que 63% dos americanos
desaprovam sua condução da economia, com 57% considerando que ela está
piorando. No mínimo, contudo, o acordo de domingo deve ajudar a aliviar, se não
eliminar completamente, parte da pressão econômica causada pelo conflito. Se os
preços da gasolina começarem a cair de forma significativa, isso pode ser um
sinal tangível para os americanos de que as coisas estão melhorando.Trata‑se de
um passo notável em direção à situação anterior ao início da guerra, ainda que
os objetivos mais amplos de Trump não tenham sido alcançados até o momento e
ele continue enfrentando riscos políticos internos.
Fonte:BBC
News Mundo

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