Nikolas
Ferreira da “favela” à Copa nos EUA: o enriquecimento do bolsonarista que tenta
derrubar fim da escala 6×1
Nikolas
Ferreira (PL-MG) construiu sua ascensão pública vendendo a imagem do jovem
cristão da “favela” que enfrentaria o sistema. Seis anos depois de entrar na
política sem patrimônio declarado, o deputado federal desembarcou nos Estados
Unidos para acompanhar a Copa do Mundo. A viagem coroa a consolidação de um dos
rostos mais rentáveis da extrema direita: um parlamentar que transformou
mandato, redes sociais e engajamento bolsonarista em um lucrativo negócio
privado, enquanto atua ferozmente para esvaziar o fim da escala 6×1.
O
enriquecimento político de Ferreira não se mede apenas pela estrutura de
gabinete financiada pela Câmara dos Deputados. O salto ocorreu na conversão de
sua influência em caixa e status. A engrenagem passa por empresas de cursos
para candidatos, financiadores ligados a esquemas de “robôs de apostas”, voos
em jatinhos de bilionários e uma rotina de ostentação internacional que
contrasta diretamente com a realidade da base trabalhadora que ele diz
representar.
A
repercussão estourou no X após a confirmação de que o deputado foi aos EUA
acompanhar o torneio esportivo, reacendendo o debate sobre o abismo entre o
discurso do bolsonarista e seu atual padrão de vida.
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De zero bens à máquina eleitoral da Destra Cursos
A
trilha do enriquecimento começa nas urnas. Na eleição de 2020, ao se eleger
vereador em Belo Horizonte, Nikolas não declarou bens à Justiça Eleitoral. Em
2022, alavancado pelo ecossistema bolsonarista, registrou R$ 36.820,46 em
aplicações financeiras e poupança no DivulgaCandContas do TSE.
A
verdadeira virada de chave patrimonial, contudo, operou nas sombras da
iniciativa privada. Nikolas associou sua imagem à Destra Cursos LTDA (CNPJ
47.916.107/0001-48). A plataforma, que atrai o público evangélico conservador,
foi usada para comercializar o “Caixa Preta”, um curso que vendia estratégias
de marketing e legislação eleitoral para candidatos a vereador e prefeito de
direita.
A Fórum publicou na época que a
Procuradoria-Geral da República (PGR) deu 15 dias para Nikolas explicar sua
sociedade na Destra. A apuração mostrou que a empresa recebeu dinheiro da
campanha de Bruno Engler (PL) pouco antes de Nikolas aparecer em seu quadro societário.
O bolsonarista transformou a fé e a audiência parlamentar em um funil de
vendas, monetizando a mesma militância que o elegeu.
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Robôs de apostas, doadores e a cultura das “bets”
Muito
antes do escândalo nacional das bets, o núcleo financeiro da ascensão de
Nikolas já flertava com esse mercado. Um levantamento minucioso publicado no X
em maio de 2023 escancarou as raízes de seu financiamento de campanha. A
investigação demonstrou que o principal doador de sua campanha para vereador,
Ronald Lopes, estava intrinsecamente ligado a esquemas de “robôs de aposta”,
roleta e cassinos virtuais.
Páginas
de vendas associadas aos financiadores ostentavam promessas de enriquecimento
fácil com nomes sugestivos como “Robô Sem Galé”, “Robozinho do Branco” e “Robô
Zero Loss”, esquemas que acumularam dezenas de relatos de vítimas que perderam
dinheiro.
Longe
de rejeitar a lógica dos jogos de azar, o próprio Nikolas Ferreira incentivava
e celebrava a cultura das plataformas de apostas. Em outubro de 2022, durante a
tensa disputa do segundo turno presidencial, o deputado tratou a eleição como
um mercado especulativo, publicando um print da Bet365 para comemorar odds
políticas.
O
episódio é central para entender a semiótica de sua atuação: a política, para
Nikolas, funciona sob a mesma lógica das plataformas de apostas e do marketing
digital agressivo, onde o engajamento é o ativo principal e o lucro privado, o
destino final.
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A elite do jatinho e a blindagem do deboche
À
medida que o faturamento digital e a blindagem política de Nikolas cresciam, a
narrativa do garoto da periferia mineira ruiu. O deputado passou a circular
ostensivamente nos espaços da ultraelite financeira brasileira.
A Fórum
expôs esse novo padrão de vida ao noticiar que Nikolas Ferreira utilizou o
jatinho do banqueiro bilionário Daniel Vorcaro, acompanhado de um “pastor
gamer” da Igreja Lagoinha, para fazer campanha. Quando questionado sobre a
proximidade com megaempresários e o uso de aeronaves privadas, a resposta do
parlamentar escancarou o deslumbramento com a nova classe social que passou a
frequentar. A Fórum registrou a reação: Nikolas ironizou as cobranças
disparando: “Está com inveja?”.
Até
mesmo dentro de seu próprio espectro político a ostentação passou a incomodar.
O desgaste atingiu um ponto crítico quando Guga Noblat repercutiu a fala de
Allan dos Santos, blogueiro foragido da extrema direita, que acusou Nikolas de
ter esquecido as origens. “Não tinha onde cair morto”, disparou Allan, e agora
“anda de jatinho”.
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Copa nos EUA e o ataque à escala 6×1
O
choque de realidade atinge seu ápice com a atual viagem de Nikolas aos Estados
Unidos. A ida do parlamentar à Copa do Mundo acontece no momento exato em que
ele tenta se firmar como a principal barreira contra o avanço da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da desumana escala 6×1.
A Fórum
pontuou a reação imediata da autora da PEC, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP),
que associou a viagem de lazer à rotina brutal de quem passa seis dias por
semana no batente. Enquanto a Câmara debate garantir dois dias de descanso ao
trabalhador sem redução salarial, Nikolas usa a tribuna para prever o “caos
econômico” e defender os interesses patronais, numa tentativa clara de boicotar
o texto.
Pressionado
nas redes sociais pela fuga em horário de expediente para assistir ao torneio
ao lado de figuras como o senador Romário (PL-RJ), Nikolas apelou ao deboche
clássico de quem se sente intocável: “Aqui não tem dinheiro público, não,
papai, chora”.
O
argumento de que a viagem não contou com diárias da Câmara é uma cortina de
fumaça. A prova contundente não reside no recibo da passagem, mas na trajetória
completa: Nikolas Ferreira chegou à política sem bens, alavancou-se na
estrutura eclesiástica de sua família, associou-se a financiadores do mercado
de bets, lucrou com cursos para candidatos de direita e voou em jatos de
bilionários.
O jovem
da “favela” agora curte o turismo esportivo internacional como troféu de um
modelo político que usa a indignação popular para fabricar privilégios
privados. Para o bolsonarista, o descanso de luxo nos EUA é um direito
adquirido pelo capital político. Para o trabalhador da escala 6×1, que sustenta
a máquina de onde flui essa influência, sobra a exploração e o deboche.
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Nikolas Ferreira, contrário ao fim da 6×1, viaja aos EUA em dia útil para ver a
Seleção
aprovação
da PEC que estabelece o fim da escala 6×1. Durante a tramitação da proposta, o
parlamentar mineiro afirmou que se tratava de uma “medida populista” e que “não
existe almoço grátis”.
Em
outros momentos, Nikolas Ferreira perdeu a linha e fez terrorismo econômico:
“Existe um meio de abrir os olhos das pessoas que é apoiar não somente a 5×2,
mas apoiar a 4×3, que seja vigorada amanhã e que a quebradeira comece antes das
eleições […] a gente quer mostrar que, quando der merda, a culpa é deles”.
Mas, se
Nikolas Ferreira é um ferrenho defensor da escala 6×1 para a classe
trabalhadora, ele passa bem longe desse ritmo de trabalho. Nesta sexta-feira
(12), em pleno dia útil, o parlamentar postou uma foto com sua esposa dentro de
um avião, afirmando que iriam realizar um sonho: assistir ao jogo de estreia da
Seleção Brasileira na Copa do Mundo, em Nova York, no MetLife Stadium, contra o
Marrocos.
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Erika Hilton: Nikolas Ferreira “vai à Copa à custa de quem trabalha na 6×1”
pós
protagonizar uma intensa campanha contra a PEC do fim da escala 6×1, o deputado
Nikolas Ferreira (PL-MG) postou uma foto na tarde desta sexta-feira (12), em
pleno dia útil e horário de expediente, todo sorridente, para contar que estava
realizando um sonho: ir aos EUA para ver a estreia da Seleção Brasileira na
Copa do Mundo, em Nova York, contra o Marrocos.
Porém,
o fato de Nikolas Ferreira defender trabalho até a exaustão para a maioria dos
brasileiros e curtir a vida na escala 3×4 não passou despercebido pela deputada
Erika Hilton (PSOL-SP), que o criticou e afirmou que a viagem dele aos EUA, em
pleno dia útil, está sendo bancada pelos trabalhadores que atuam na escala 6×1:
“Não
são nem 17h e Nikolas Ferreira, pago com o dinheiro do povo, já está num voo
com influencers como o Luva de Pedreiro para ir ver a Copa nos EUA.
Enquanto
isso, 15 milhões de brasileiros que vivem a escala 6×1 ainda vão trabalhar
amanhã ou no domingo para sustentar o sistema que sustenta Nikolas.”
• Deputado bolsonarista é flagrado em
telão na Copa e tenta se explicar
presidente
da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), teve que dar
explicações neste fim de semana em suas redes sociais. O fato se deu logo após
ele aparecer nas imagens que o mostram no Estádio New York New Jersey, nos
Estados Unidos, durante a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo.
Após a
circulação das imagens nas redes sociais, o parlamentar publicou um vídeo para
explicar a viagem. Segundo Russi, ele aproveitou um convite recebido pelo
filho, de 21 anos, que teria sido chamado para participar do evento a trabalho.
“Recebi
ontem muitas mensagens sobre nós no estádio, eu e meu filho. Cantando o hino
nacional com muito orgulho. Torcemos muito para o Brasil, mas ele não fez um
dos seus melhores jogos. Acreditamos que vai melhorar nos próximos, mas
estávamos lá torcendo”, afirmou.
“O
sonho”
O
deputado disse que a viagem teve caráter pessoal e que decidiu acompanhar o
filho para realizar um desejo dele de assistir a uma partida da seleção
brasileira nos Estados Unidos.
“Vim
realizar o sonho do meu filho. Queria vir aos Estados Unidos assistir a um jogo
da Copa. Fez 21 anos, está trabalhando bastante e foi convidado. E, nesse
convite que ele levou, eu aproveitei a carona”, declarou.
Ainda
no vídeo, Russi afirmou que retornaria imediatamente ao Brasil para cumprir
compromissos oficiais em Cuiabá. “Voltando agora para Cuiabá. Amanhã a agenda
cheia. E vamos trabalhar pelo nosso estado”, acrescentou.
Quem
também esteve presente no estádio foi o deputado federal Nikolas Ferreira
(PL-MG). O parlamentar reagiu a questionamentos feitos nas redes sociais sobre
a origem dos recursos utilizados na viagem.
Fonte:
Fórum

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