O
que café de R$ 34 no Reino Unido revela sobre a turbulenta economia global
São 9h
na Kew Bridge, no oeste de Londres, e turistas, corredores e pessoas passeando
com seus cães fazem fila no carrinho de café italiano vintage Dear Coco.
É um
café de alta qualidade feito com grãos arábica, preparado em uma máquina cara
La Marzocco — e o preço reflete isso: 4,50 libras (R$ 30) por um café gelado,
4,10 libras (R$ 27) por um latte de 300ml e 3,90 libras (R$ 26) por um café
flat white de 300ml.
No
passado, esses preços seriam considerados muito altos, mas em grande parte do
Reino Unido já é normal se pagar o equivalente a quase R$ 30 em um café —
inclusive em cadeias que não usam grãos de alta qualidade. Um café grande no
centro de Londres, servido com um leite alternativo, como soja ou amêndoa, está
agora mais próximo da marca de 5 libras — ou R$ 34.
No
início deste mês, nos EUA, o CEO da Starbucks, Brian Niccol, foi criticado por
sugerir que uma “experiência de US$ 9 [R$ 45]” em um de seus pontos de venda
era uma “experiência premium realmente acessível”.
O homem
que trabalha no carrinho em Kew não concorda. Ele é relativamente sortudo; os
carrinhos pagam taxas de comércio ambulante em vez de altos aluguéis e taxas
comerciais. Ainda assim, ele sente a pressão.
“Queremos
muito manter o preço de um flat white abaixo de 4 libras pelo maior tempo
possível”, diz Anthony Duckworth, enquanto os barcos a remo passam.
“Mas
está se tornando cada vez mais difícil, porque cada parte da cadeia de
suprimentos se tornou mais cara. Achamos que há um limite psicológico muito
importante em torno dessa marca de 4 libras.”
O café
não é apenas um ritual matinal repetido em todo o mundo: na verdade, é uma
visão da economia global moderna. O café com leite revela tudo — desde a
inflação de commodities até o caos comercial; de conflitos geopolíticos e
mudanças climáticas aos gostos culturais da geração Z. Ele nos ensina sobre a
nova demanda crescente da classe média chinesa e os efeitos econômicos
duradouros da Guerra do Vietnã.
Está
tudo ali, em cada xícara espumosa.
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Oscilações no setor
A
jornada moderna do café começou em Turim, no norte da Itália, em uma estação
ferroviária em 1895. Máquinas de café movidas a vapor foram desenvolvidas para
atender viajantes com pouco tempo, muitas vezes no trem expresso de Milão — uma
das teorias para o nome "espresso". Foi o início do consumo em massa
de uma bebida que originalmente era um luxo.
Perto
do anel viário de Turim, em uma estrutura de vidro e aço, converso com Giuseppe
Lavazza, cujo bisavô lançou a marca de café Lavazza há 131 anos.
"O
segredo para sobreviver é ter uma empresa pronta para se adaptar", ele me
diz enquanto segura o que espera ser sua próxima grande inovação: um tablete de
café, chamado tabli, que ele espera atender ao crescente mercado de café em
casa, sem a necessidade de cápsulas de metal ambientalmente problemáticas.
Nos
últimos anos, a sua indústria enfrentou sérios contratempos — afetando os dois
grãos de café mais importantes do mundo.
Num
extremo do mercado, os grãos arábica, conhecidos pela doçura e aroma, são
colhidos à mão em altitudes frias no Brasil, Etiópia e Quénia; é um processo
cuidadoso, ainda mais intricado do que a colheita de uvas para o melhor
champanhe.
No
outro extremo, os grãos robusta, conhecidos pelos elevados níveis de cafeína,
são colhidos em massa por máquinas. O Vietnã dominou o mercado de robusta desde
que ele surgiu da guerra na década de 1970.
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A pressão climática
Há dois
anos, uma convergência de eventos climáticos levou o preço de ambos os grãos a
máximas em várias décadas.
No
início de 2024, o Vietnã sofreu a sua pior seca em décadas (o nível de chuvas
caiu em 30%); em seguida, no final do ano passado, um tufão durante a colheita
também afetou a produção. E no Brasil, agricultores ainda sofrem para se
recuperar de uma geada severa em 2021 que danificou a safra de arábica.
Como
resultado, os preços do arábica atingiram no ano passado mais de US$ 4 (R$ 20)
por libra de grãos verdes, acima dos cerca de US$ 1,20 (R$ 6) historicamente.
Agora os preços se estabilizaram em US$ 3,08 (R$ 15,60). Os grãos robusta
subiram ainda mais, alcançando US$ 2,59 (R$ 13,10) antes de se estabilizarem em
cerca de US$ 1,56 (R$ 7,90). Ambos os grãos agora custam significativamente
mais do que antes de 2020.
Lavazza
diz que os últimos anos foram um "período sem precedentes em termos de
complexidade e problemas". E diz que os preços dificilmente cairão em
breve. "Infelizmente, precisamos esperar pelo menos alguns anos, porque
precisamos de duas grandes safras do Brasil e do Vietnã chegando ao mercado que
possam criar uma condição de mercado diferente."
A
Lavazza também aponta para a especulação nos mercados financeiros.
Todas
as manhãs, às 4h30, milhares de produtores vietnamitas de café verificam seus
smartphones para ver os preços (e previsões de preços futuros) dos grãos
robusta. Isso virou um ritual diário.
E o
escritório em Hanói do Serviço Agrícola Externo do governo dos EUA afirma que,
com as informações de preços facilmente disponíveis online, muitos agricultores
estão optando por armazenar — em vez de vender — seus grãos após a colheita, na
esperança de que os preços subam ainda mais.
Essencialmente,
eles estão especulando no mercado.
Todos
os olhos agora estão na safra de julho no Brasil. Alguns analistas esperam uma
colheita abundante de arábica, o que deve pressionar os preços para baixo. Por
outro lado, a perspectiva de um "super" El Niño previsto para este
outono — um aquecimento do Oceano Pacífico que ocorre a cada poucos anos — pode
causar mais turbulência.
E,
claro, há ainda outra fonte — essa mais familiar — de perturbação nos mercados
de café.
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Guerras comerciais
Uma
curiosidade das tarifas do "Dia da Libertação" de Donald Trump,
anunciadas no ano passado, foi que países produtores de café foram fortemente
atingidos.
O
Vietnã enfrentou uma tarifa de 46%, a Indonésia de 32% e o Brasil de 50% (após
um aumento a partir de 10%).
Isso
provocou caos nos mercados globais de café. As exportações brasileiras para os
EUA caíram abruptamente, diminuindo mais de metade no verão passado no
hemisfério norte. E os preços dos grãos de países com tarifas mais baixas (como
a Colômbia) também subiram, à medida que fornecedores americanos correram para
importá los.
E os
consumidores americanos perceberam isso.
Os
preços do café torrado nos EUA subiram 17% no ano até março, enquanto o café
instantâneo aumentou quase um recorde de 25% — mais rápido do que os preços da
gasolina (na verdade, foram o item que mais subiu em toda a cesta de inflação,
exceto o combustível para aquecimento).
Um
pacote de café moído que custava US$ 4,30 (R$ 21,80) em 2020 já estava em US$
6,32 (R$ 32) dólares em 2024, e agora está em US$ 9,61 (R$ 48,67) e rumo aos
US$ 10 (R$ 50). As formas mais baratas de café foram as mais afetadas,
prejudicando os americanos mais pobres.
As
exportações do Brasil foram desviadas para a Europa, com a Alemanha
ultrapassando os EUA como maior importador de grãos brasileiros ao longo de
2025, amortecendo em certa medida o impacto para os consumidores europeus.
Com
eleitores americanos indignados enfrentando preços mais altos nos
supermercados, em novembro do ano passado Trump assinou uma ordem executiva
permitindo que grãos de café (junto com outros alimentos como bananas e carne
bovina) escapassem de suas tarifas.
Para
muitos, o café expôs uma falha na política tarifária da Casa Branca. Trump
disse que impôs tarifas contra países que estavam "prejudicando a
América" — mas, possivelmente, o domínio do Vietnã na produção de café é
simplesmente resultado do que economistas chamam de "vantagem
comparativa" (principalmente clima e baixos custos de trabalho), e não de
práticas desleais.
Trump
também afirmou que tarifas ajudariam a trazer a indústria de volta ao país —
mas isso é em grande parte irrelevante no caso do café, que exige clima
subtropical.
Foi
preciso um colapso das importações e um aumento de preços para que uma lição
bastante previsível se tornasse clara.
O caos
no transporte marítimo global também desempenha seu papel. Navios transportando
esses grãos vietnamitas para a Europa agora precisam contornar o sul da África
para evitar a ameaça de militantes houthis no Estreito de Bab al-Mandab, no
extremo sul do Mar Vermelho, entre o Iêmen e o Chifre da África. Essa rota é
cerca de 6,4 mil km mais longa do que era antes de 2024.
E novas
regras da União Europeia contra o desmatamento, previstas para entrar em vigor
ao longo de 2026 e 2027, também estão tendo impacto.
Para
exportar café para a Europa, fornecedores vietnamitas e brasileiros em breve
terão de fornecer as coordenadas GPS de suas plantações. Autoridades da UE
usarão imagens de satélite para verificar se os grãos não vêm de áreas que eram
floresta nos últimos cinco anos. A política vem sendo adiada repetidamente, mas
o custo para os agricultores já está aumentando.
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Café 'premium'
Mas
aqui está o ponto mais interessante sobre o atual choque do café. Até agora, os
consumidores continuam pagando mais. A demanda é o que economistas chamam de
inelástica, ou seja, não responde aos sinais de preço.
"Vimos
que, apesar dos preços altos, as pessoas adoram tomar café", diz Lavazza,
em Turim. "Não vemos nenhuma queda significativa em termos de volume nos
principais países."
Em uma
era de preços mais altos, ele diz que é importante reconhecer que há
"diferentes maneiras de abordar o café" — como aumentar a produção de
extração a frio (cold brew), cada vez mais popular.
De
forma geral, a crescente popularidade do cold brew entre os jovens pode ser
vista como um exemplo de "premiumização", em que empresas tornam seus
produtos mais sofisticados para justificar preços mais altos.
Outro
exemplo é a rede anteriormente conhecida como Blank Street Coffee, fundada em
Nova York e desenvolvida por ex-investidores de capital de risco. Os baristas,
que vendem bebidas elaboradas com temas de frutas e bolos, são incentivados a
se conectar com clientes como "embaixadores da marca".
A
empresa utiliza essa experiência para justificar preços mais altos.
E
algumas cafeterias se tornaram tão sofisticadas que abandonaram o café
completamente. Em vez disso, o matcha tem ganhado espaço entre clientes mais
jovens. A cor verde esmeralda da bebida atraiu a geração do TikTok, e o teor
mais suave de cafeína do chá verde em pó agrada consumidores preocupados com a
saúde que valorizam um bom sono.
A Blank
Street reformulou sua marca no ano passado, retirando a palavra
"coffee" do nome e adotando uma tonalidade verde.
E a
China está indicando um possível caminho para esse mercado. A Luckin Coffee,
fundada em Pequim, disputa com a Starbucks o título de maior rede de café do
mundo. A Luckin se desenvolveu como uma empresa de tecnologia, com dados
extremamente detalhados sobre como as preferências dos clientes mudam ao longo
do dia e conforme o clima.
Eles
também sabem exatamente quando os celulares dos clientes estão dentro do
alcance de um quiosque. O café é servido de forma personalizada, permitindo
escolher níveis de açúcar e proporções entre café e leite, com recomendações
acionadas pelo sol ou pela chuva. As lojas não são projetadas para permanência,
mas para entrega rápida de café, pedido por aplicativos. A Luckin está se
expandindo para os EUA.
E, no
outro extremo do mercado, a rede britânica Greggs conseguiu manter preços
baixos por meio de automação. A rede usa máquinas suíças bean to cup para
preparar parte do café. Um latte comum custa cerca de 2,40 libras (R$ 16), bem
abaixo de outras cafeterias no Reino Unido. Ela é agora a maior rede de café do
país, com mais pontos de venda do que a rival Costa.
Em
essência, essa é uma história com duas faces.
Por um
lado, há um tsunami na cadeia de suprimento — envolvendo problemas climáticos e
tensões geopolíticas — pressionando os preços para cima.
Por
outro lado, há um público apaixonado por café disposto a pagar os custos
extras.
O
aumento dos preços das commodities é mais relevante nos supermercados do que
nas cafeterias, que agora vendem experiências, e não apenas bebidas.
E os
preços devem permanecer elevados, mesmo que as safras no Brasil e no Vietnã se
normalizem e o preço do café diminua um pouco.
Esse
"latte grande" de R$ 34 pode ter chegado para ficar.
• Reino Unido vai banir menores de 16 anos
das redes sociais e avalia restringir chats de inteligência artificial
O
primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira
(15/6) que vai proibir menores de 16 anos de usar as principais plataformas de
redes sociais, incluindo TikTok, Facebook, Instagram e X, o antigo Twitter.
Aplicativos de mensagens como o WhatsApp não serão afetados.
Crianças
e parte dos adolescentes também não poderão mais fazer transmissões ao vivo nem
conversar com estranhos em aplicativos de jogos. A regulamentação deve ser
implementada até o Natal, com efeitos práticos previstos para o início de 2027,
segundo o primeiro-ministro.
O
governo britânico também informou que avalia a adoção de toques de recolher
noturnos para interromper o que chamou de "uso infinito da internet".
A medida poderia ser aplicada não apenas a menores de 16 anos, mas também a
adolescentes de até 18 anos.
As
autoridades também estudam impor restrições ao uso de chatbots de inteligência
artificial por essa faixa etária. Mais detalhes deverão ser divulgados em
julho.
Em
comunicado à imprensa, Starmer descreveu a segurança online das crianças como
"um dos maiores debates da nossa época". Segundo o governo britânico,
a decisão foi tomada após a realização de uma pesquisa na qual cerca de 90% dos
pais apoiaram a idade mínima de 16 anos para o acesso às redes, enquanto 85%
afirmaram que os riscos superam os benefícios.
"É
por isso que vamos acabar com um sistema que está falhando com nossas crianças
e tomar medidas ousadas para dar a cada criança o melhor começo de vida
possível", disse o primeiro-ministro.
Ele
afirmou ainda que as redes impedem as crianças de fazer a lição de casa, ler,
brincar com os amigos e ir para a cama em um horário adequado. "Isso pode
não parecer muito, mas são atividades que ajudam uma criança a se desenvolver e
se tornar um adulto", disse.
Starmer
acrescentou que "não será fácil" implementar as mudanças e que
algumas empresas de tecnologia querem que as pessoas acreditem que as coisas
são "imutáveis".
"Sim,
é difícil legislar, regulamentar e fiscalizar", disse. Mas, segundo o
primeiro-ministro, foi justamente por isso que o governo "ouviu as
pessoas" e aprendeu com a experiência de países como a Austrália.
A
Austrália implementou a primeira proibição total do mundo ao uso das redes por
menores de 16 anos em dezembro de 2025, e interlocutores do governo britânico
descrevem o plano do Reino Unido como "uma versão aprimorada do modelo
australiano".
"Não
estamos apenas propondo uma proibição", afirmou Starmer, mas "indo
além", com "ações pioneiras" voltadas também para serviços de
jogos e plataformas de transmissão ao vivo.
As
mudanças também abrangerão plataformas que permitem que estranhos entrem em
contato com qualquer criança "sem qualquer verificação", explicou.
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YouTube critica medida
O
YouTube criticou a proposta, afirmando que ela pode empurrar crianças e
adolescentes para "serviços anônimos e menos seguros".
"Investimos
em experiências guiadas por especialistas e adequadas à idade, além de
proteções padrão para adolescentes, há mais de uma década, e continuaremos a
fazê-lo", disse um porta-voz da empresa.
"O
YouTube é um recurso vital para jovens, educadores e pais. Proibições
generalizadas afastam as crianças dessas experiências selecionadas,
supervisionadas e benéficas."
Starmer
foi questionado por jornalistas sobre uma possível reação do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, à medida. Em resposta, afirmou ser "fã de
tecnologia e inteligência artificial" e rejeitou a ideia de que seja
impossível conciliar inovação tecnológica e proteção de crianças e
adolescentes.
"Não
me digam que é impossível", disse, referindo-se à capacidade das empresas
de desenvolver mecanismos de proteção para menores de idade. As companhias de
tecnologia "sabem muito bem" que têm responsabilidade nessa área,
acrescentou.
Nigel
Farage, líder do Reform UK, principal partido de oposição ao Labour, de
Starmer, afirmou que a proibição é "bem-intencionada", mas
"improvável de funcionar", diante da popularidade das redes virtuais
privadas, conhecidas como VPNs.
As VPNs
permitem conexões privadas e seguras à internet e podem ser usadas para
contornar mecanismos de verificação de idade ao ocultar a localização e a
identidade do usuário.
Farage
também argumentou que as verificações de idade podem levar à "introdução
da identidade digital por vias indiretas". Como alternativa, defendeu o
uso de dispositivos voltados para crianças, com funcionalidades limitadas.
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Como funciona a proibição na Austrália
Após a
implementação da proibição na Austrália, menores de 16 anos deixaram de poder
criar novas contas, e os perfis já existentes foram desativados.
Crianças
e pais não são punidos por descumprirem as regras. As penalidades recaem sobre
as empresas responsáveis pelas redes sociais, que podem ser multadas em até
49,5 milhões de dólares australianos, equivalentes a cerca de R$ 177 milhões,
em casos de violações graves ou recorrentes.
Segundo
as autoridades australianas, as plataformas devem adotar "medidas
razoáveis" para impedir o acesso de menores de idade, recorrendo a
diferentes tecnologias de verificação etária.
Essas
tecnologias podem incluir documentos de identidade emitidos pelo governo,
reconhecimento facial ou de voz e sistemas de "inferência de idade",
que analisam o comportamento online de uma pessoa para estimar sua faixa
etária.
As
plataformas não podem se basear apenas na idade declarada pelos usuários nem
aceitar a confirmação dos pais como prova da idade dos filhos.
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A situação do Brasil
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declarou que considera adotar
medidas semelhantes às implementadas na Austrália e às discutidas no Reino
Unido, mas, por enquanto, não há uma proibição do uso de redes sociais por
menores em vigor no país.
"Vamos
ser cada vez mais duros porque, se o Estado não agir, a gente não controla as
chamadas plataformas digitais, que, de rede social, não tem nada. Pouco social
e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo, muita jogatina e muito pouco
social", disse o presidente em visita a Barcelona, na Espanha há dois
meses.
Atualmente,
contas de usuários menores de 16 anos devem estar vinculadas a seus
responsáveis legais, sendo exigido o consentimento dos pais ou responsáveis.
A
legislação também determina que as plataformas ofereçam configurações de
privacidade adequadas à idade e adotem medidas para evitar mecanismos que
incentivem o uso compulsivo dos serviços.
Entre
eles estão sistemas de recompensas aleatórias, como caixas de brindes
("loot boxes") e técnicas de perfilamento ou personalização voltadas
a aumentar o engajamento dos usuários.
Com
isso, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a aprovar uma
legislação específica voltada à segurança online de crianças e adolescentes.
Fonte:
BBC News

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