terça-feira, 16 de junho de 2026

Medicamento para câncer de pulmão tem eficácia de 55% em pacientes

Dados apontam que 55% de pacientes com câncer de pulmão CPNPC (não pequenas células) permanecem vivos e sem avanço da doença após 7 anos de tratamento com Lorbrena, medicamento da Pfizer para inibir mutações tumorais associadas a resistência a outros inibidores de ALK.

O medicamento foi testado em comparação com o Xalkori, que teve 3% de pacientes vivos sem avanço do câncer.

Além disso, uma análise atualizada com o mesmo período de análise mostrou que a mediana de sobrevida livre de progressão não foi atingida com o Lorbrena com razão de risco estimada em 0,19 (IC de 95%: 0,13-0,26), fator que representa a redução de 81% no risco de progressão da doença ou morte em comparação ao outro medicamento.

Os resultados completos do estudo foram apresentados no ASCO de 2026 (Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica), sediado em Chicago, nos Estados Unidos (EUA) e publicados de maneira simultânea na revista Annals of Oncology, em maio.

O líder clínico de oncologia global da Pfizer, Jeff Legos, relata que “embora não seja possível tirar conclusões definitivas entre estudos, essa parece ser a maior mediana de tempo de sobrevida livre de progressão já observada em câncer de pulmão.”

Além disso, a pesquisa também concluiu que o Lorbrena preveniu e controlou metástases cerebrais em 94% no risco de prevenção intra canceriana (IC) (razão de risco [HR] de 0,06; IC de 95%: 0,03-0,12) após os primeiros 30 meses.

A mediana de tempo até a progressão no sistema nervoso central não foi atingida com Lorbrena (IC de 95%: NA-NA) e foi de 16,4 meses (IC de 95%: 12,7-21,9) com Xalkori. No momento da análise, 44% dos pacientes do estudo CROWN permaneciam em tratamento com Lorbrena, comparado a 3% dos pacientes em tratamento com Xalkori.

Os perfis de ambos os medicamentos foram consistentes com os achados anteriores, sem novos sinais de segurança. Eventos adversos relatados com frequência pelos pacientes tratados com Lorbrena incluíram inchaço, ganha de peso, neuropatia periférica efeitos cognitivos alterações de humor, diarreia, falta de ar ou dificuldade para respirar, dor nas articulações, hipertensão, cefaleia, tosse, febre, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia.

Eventos de graus três e quatro entre todas essas causas ocorreram em 77% dos pacientes com Lorbrena e 57% dos que utilizaram Xalkori.

Outros efeitos colaterais levaram à descontinuação permanente de 5% dos pacientes de Lorbrena e 6% dos de Xalkori. Não houveram novos tratamentos interrompidos por efeitos colaterais do tratamento após os primeiros 26 meses com Lorbrena.

<><> O estudo

O CROWN é um estudo de Fase 3, randomizado, aberto e de duas frentes paralelas. Nelas, 296 pessoas com CPNPC avançado e ALK-positivo sem tratamento foram randomizadas para receber tratamento de monoterapia com Lorbrena (n=149) ou com Xalkori (n= 147).

O desfecho do estudo foi o tempo livre de progressão com base na BICR (Revisão Central Independente Cega), com um desfecho secundário de tempo livre de progressão global, que está com acompanhamento em andamento.

O Lorbena

Aprovado no brasil pena Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2020, inicialmente pra pacientes que não correspondiam a outros tratamentos para CPNPC avançado ALK-positivo. Posteriormente, em 2021, recebendo registro para tratamento de primeira linha no país e, em 2022, incorporado ao rol de cobertura obrigatória em planos de saúde.

A diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro, aponta que “até o início da década passada, havia opções limitadas para pacientes com alteração no gene ALK, mas o avanço da medicina de precisão possibilitou o desenvolvimento de terapias-alvo que atuam diretamente nas células tumorais.”

<><> O câncer de pulmão

É a principal causa de mortes por câncer no mundo. De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que ocorra cerca de 32 mil novos casos por ano no Brasil, se mostrando um dos tipos que mais causa mortes por câncer no país.

O câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) representa aproximadamente 75% a 80% dos cânceres de pulmão, 2,4 e tumores de ALK positivos ocorrem em cerca de 3% a 5% dos casos de CPNPC. 4 Aproximadamente 25% a 40% das pessoas com CPNPC avançado e ALK-positivo podem desenvolver metástases em até dois anos após o diagnóstico inicial, quadro associado a menores taxas de sobrevivência e que pode afetar profundamente a função cognitiva e qualidade de vida.

•        HCor testa pílula única para prevenir infarto e AVC

O Instituto de Pesquisa do Hospital do Coração (HCor) iniciou a busca por voluntários para participar de um estudo clínico inovador que pretende revolucionar o tratamento de doenças cardiovasculares. A pesquisa vai avaliar a eficácia de uma pílula única que combina diferentes medicamentos utilizados no controle da pressão arterial, colesterol e coagulação sanguínea.

O estudo, que deve incluir até 10 mil pacientes com acompanhamento durante quatro anos, também testará a ação da Colchicina, um medicamento com efeito anti-inflamatório. O principal objetivo é simplificar a rotina dos pacientes, permitindo que tomem apenas um comprimido para o tratamento de múltiplas condições cardiovasculares.

<><> Critérios de participação

Podem participar do estudo pessoas a partir de 45 anos que já enfrentaram complicações graves como infarto, derrame ou problemas relacionados à obstrução das artérias. A pesquisa será conduzida em diversos centros de pesquisa em diferentes estados brasileiros, não sendo necessário que os participantes se desloquem até São Paulo.

De acordo com Pedro Barros, pesquisador médico do HCor e coordenador do estudo, as doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço das mortes no mundo. "Temos várias intervenções que podem reduzir esse risco cardiovascular, mas quando o paciente precisa usar um número grande de medicamentos, isso é um desafio para a adesão", explica.

O conceito da polipílula surge como uma solução tanto para pacientes quanto para médicos. "A estratégia da polipílula, embora sejam medicamentos conhecidos, deve melhorar tanto a inércia do médico na prescrição do medicamento, mas também a adesão do paciente, obtendo aí o benefício completo na redução do risco cardiovascular", afirma Barros.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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