Nunes
Marques volta a blindar Flávio Bolsonaro em ação para suspender exibição de
Dark Horse nas eleições
Após
criar um novo regramento para tirar ações de propaganda eleitoral da relatoria
da ministra Estela Aranha e censurar a pesquisa Atlas que mostra o derretimento
de Flávio Bolsonaro (PL) após os áudios com Daniel Vorcaro, o presidente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, usou a mesma
prerrogativa em nova blindagem ao filho “01” de Jair Bolsonaro em processo que
visava impedir que o filme “Dark Horse” seja utilizado como instrumento de
propaganda eleitoral antecipada nas eleições presidenciais de 2026.
A ação
foi movida pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), vice líder do PT na Câmara, e
pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas.
Como representados, além de Flávio Bolsonaro, constavam Eduardo Bolsonaro e
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e suposto patrocinador do filme.
Na
representação foi pedida a suspensão da estreia de Dark Horse durante o período
eleitoral. A alegação é que o “lançamento pode funcionar como peça de
comunicação de enorme impacto em prol de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à
Presidência da República nas Eleições 2026”.
Como a
ação é sobre propaganda eleitoral, nas regras anteriores da corte, a relatoria
caberia à ministra Estela Aranha. Mas, Nunes Marques assumiu o caso e proferiu
decisão negativa nesta sexta-feira (12).
Na
justificativa, o presidente do TSE sinaliza que somente outros pré-candidatos à
Presidência poderiam fazer o pedido, alegando que “no presente caso, os
representantes não disputam eleição na circunscrição nacional, tendo em vista
que Rogério Correia de Moura Baptista é deputado federal e pré-candidato ao
mesmo cargo apenas no estado de Minas Gerais, ao passo que Marco Aurélio de
Carvalho, advogado, sequer alegou pretensão de concorrer nas Eleições 2026”.
“Nesse
contexto, portanto, ausente legitimidade ativa ad causam para ajuizar
representação por propaganda contra candidatos que concorrerão ao cargo de
Presidente da República, de circunscrição nacional”, alegou.
No
entanto, ainda não há candidaturas homologadas pela própria corte e todos os
postulantes ainda se apresentam como pré-candidatos.
“Com o
devido respeito à decisão proferida pelo presidente do TSE, ministro Nunes
Marques, que rejeitou o pedido para proibir a exibição do filme Dark Horse
durante as eleições, dela discordamos. A decisão tergiversa, sai pela tangente
e se vale de subterfúgio processual para não enfrentar o mérito da questão: o
possível uso de recursos ilícitos para viabilizar, em tese, um esquema
transnacional de lavagem de dinheiro e de promoção política de criminoso
condenado pelo Supremo Tribunal Federal, na seara criminal, como líder de
organização criminosa, com potencial de influenciar eleitores às vésperas do
pleito”, afirmam Correia e Carvalho em nota enviada à Fórum.
No
texto, o deputado e o advogado afirmam ainda que “também não procede a
tentativa de afastar a legitimidade parlamentar”.
“A
Constituição Federal estabelece que o deputado federal representa o povo
brasileiro, e não apenas a população do Estado pelo qual foi eleito. Além
disso, os fatos questionados possuem repercussão também em Minas Gerais, onde o
filme poderá ser exibido e produzir efeitos políticos e eleitorais”, dizem.
Com a
negativa, Rogério Correia e Marco Aurélio de Carvalho enviarão a ação à
Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet.
“Por
essa razão, acionaremos a Procuradoria-Geral da República para que analise os
elementos apresentados, manifeste-se sobre o caso e, entendendo presentes os
requisitos legais, provoque a atuação da Justiça Eleitoral, especialmente do
Tribunal Superior Eleitoral, a fim de que o mérito da questão seja finalmente
apreciado”.
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Leia a nota na íntegra
NOTA À
IMPRENSA
Com o
devido respeito à decisão proferida pelo presidente do TSE, ministro Nunes
Marques, que rejeitou o pedido para proibir a exibição do filme Dark Horse
durante as eleições, dela discordamos. A decisão tergiversa, sai pela tangente
e se vale de subterfúgio processual para não enfrentar o mérito da questão: o
possível uso de recursos ilícitos para viabilizar, em tese, um esquema
transnacional de lavagem de dinheiro e de promoção política de criminoso
condenado pelo Supremo Tribunal Federal, na seara criminal, como líder de
organização criminosa, com potencial de influenciar eleitores às vésperas do
pleito.
Também
não procede a tentativa de afastar a legitimidade parlamentar. A Constituição
Federal estabelece que o deputado federal representa o povo brasileiro, e não
apenas a população do Estado pelo qual foi eleito. Além disso, os fatos
questionados possuem repercussão também em Minas Gerais, onde o filme poderá
ser exibido e produzir efeitos políticos e eleitorais.
Da
mesma forma, preocupa a restrição à possibilidade de qualquer cidadão provocar
as instituições competentes para análise de fatos de interesse público. A
apresentação de notícia de fato não exige prerrogativa especial, pois se trata
de exercício regular da cidadania e do direito de petição, pelo qual cidadãos,
advogados e representantes públicos podem levar informações às autoridades
competentes para que avaliem a adoção das providências cabíveis.
Foi
exatamente isso que ocorreu. A manifestação também foi apresentada por meio do
próprio sistema eletrônico institucional (SEI), ferramenta criada para garantir
transparência, participação social e acesso democrático às instituições
públicas. Ainda assim, não houve resposta quanto aos fatos narrados.
Por
essa razão, acionaremos a Procuradoria-Geral da República para que analise os
elementos apresentados, manifeste-se sobre o caso e, entendendo presentes os
requisitos legais, provoque a atuação da Justiça Eleitoral, especialmente do
Tribunal Superior Eleitoral, a fim de que o mérito da questão seja finalmente
apreciado.
>>
Rogério Correia, deputado federal (PT/MG)
>>
Marco Aurélio de Carvalho, advogado, coordenador do Grupo Prerrogativas
• Blindagem a Flávio Bolsonaro por parte
de Nunes Marques já preocupa o PT
O
deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e Marco Aurélio de Carvalho, advogado
e coordenador do Grupo Prerrogativas, anunciaram que vão acionar a PGR
(Procuradoria-Geral da República) para pedir análise sobre o filme Dark Horse,
após decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro
Kassio Nunes Marques, que rejeitou pedido para impedir a exibição da obra
durante o período eleitoral de 2026; as informações são da nota assinada por
Correia e Carvalho.
Na
manifestação, Correia e Carvalho afirmam discordar da decisão de Nunes Marques,
embora registrem respeito ao despacho do presidente do TSE. Segundo eles, a
decisão “tergiversa, sai pela tangente e se vale de subterfúgio processual para
não enfrentar o mérito da questão”.
O
pedido original buscava impedir que o filme Dark Horse, cinebiografia do
ex-presidente Jair Bolsonaro, fosse exibido durante o período eleitoral de
2026. A iniciativa foi apresentada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), entre eles o deputado Rogério Correia e advogados do Grupo
Prerrogativas.
A ação
apontava o risco de que a obra fosse utilizada como instrumento de propaganda
em favor da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). No entanto, ao rejeitar
o pedido, Nunes Marques não analisou o mérito das alegações apresentadas,
concentrando sua decisão em uma questão processual sobre a legitimidade dos
autores para propor a representação.
De
acordo com o contexto informado, o presidente do TSE afirmou ter seguido
entendimento já consolidado pela Corte Eleitoral, segundo o qual apenas
candidatos que disputam o mesmo cargo podem apresentar esse tipo de
questionamento. O ministro destacou que os autores da ação não concorrem à
Presidência da República nem participam da disputa eleitoral de âmbito
nacional.
Correia
e Carvalho contestam esse entendimento. Para eles, “não procede a tentativa de
afastar a legitimidade parlamentar”. A nota sustenta que a Constituição Federal
estabelece que o deputado federal representa o povo brasileiro, e não apenas a
população do Estado pelo qual foi eleito.
Os
autores também afirmam que os fatos questionados têm repercussão em Minas
Gerais, Estado pelo qual Rogério Correia foi eleito, uma vez que o filme poderá
ser exibido e produzir efeitos políticos e eleitorais também no território
mineiro.
Na
avaliação de Correia e Carvalho, a decisão restringe a possibilidade de
cidadãos provocarem instituições competentes para analisar fatos de interesse
público. Eles argumentam que a apresentação de notícia de fato não exige
prerrogativa especial, por se tratar de exercício regular da cidadania e do
direito de petição.
A nota
afirma ainda que cidadãos, advogados e representantes públicos podem encaminhar
informações às autoridades competentes para que sejam avaliadas as providências
cabíveis. Segundo os autores, foi exatamente esse o objetivo da iniciativa
apresentada ao TSE.
Correia
e Carvalho destacam que a manifestação também foi protocolada por meio do
sistema eletrônico institucional, o SEI, ferramenta criada para garantir
transparência, participação social e acesso democrático às instituições
públicas. Ainda assim, segundo eles, não houve resposta quanto aos fatos
narrados.
Ao
justificar a ida à PGR, os autores afirmam que pretendem pedir a análise dos
elementos apresentados, uma manifestação sobre o caso e, caso sejam
identificados os requisitos legais, a provocação da Justiça Eleitoral,
especialmente do TSE, para que o mérito da questão seja finalmente apreciado.
A
preocupação central apontada na nota envolve o possível uso de recursos
ilícitos para viabilizar, em tese, um esquema transnacional de lavagem de
dinheiro e de promoção política de criminoso condenado pelo Supremo Tribunal
Federal, na seara criminal, como líder de organização criminosa, com potencial
de influenciar eleitores às vésperas do pleito.
Fonte:
Fórum

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