segunda-feira, 15 de junho de 2026

De R$ 500 mil em dinheiro com o irmão a R$ 155 milhões de Vorcaro: o vídeo que volta a assombrar Alcolumbre

avi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, voltou ao centro do desgaste político envolvendo o Banco Master depois que um vídeo de 2022, com matéria jornalística sobre seu irmão, foi resgatado nas redes sociais. A reportagem mostra o caso da apreensão de quase R$ 500 mil em espécie em um carro ligado a Alberto Samuel Alcolumbre Tobelem, irmão do senador.

O vídeo voltou a circular após a revelação de que Alcolumbre teria recebido R$ 155 milhões de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, segundo a revista Veja. O senador nega a acusação e afirma que as informações são “absolutamente falsas”.

SAIBA MAIS: 30 milhões de dólares de Vorcaro a Alcolumbre explicam acordão com Flávio Bolsonaro para barrar CPI do Master

A circulação do registro adiciona pressão política a um caso que já envolve dinheiro, poder em Brasília e a tentativa de Vorcaro de negociar uma colaboração premiada com a Polícia Federal. O vídeo de 2022 não estabelece relação direta com o caso Banco Master, mas voltou ao debate público no mesmo momento em que o presidente do Senado passou a ser citado em uma nova frente do escândalo.

<><> Alcolumbre e o vídeo dos R$ 500 mil em dinheiro vivo

O caso envolvendo Alberto Alcolumbre foi noticiado pela Fórum em março de 2022, quando a Polícia Militar de São Paulo apreendeu quase R$ 500 mil em espécie durante abordagem a um Ford Fusion preto na avenida Olavo Fontoura, na zona norte da capital paulista.

À época, Alberto Samuel Alcolumbre foi chamado a depor após a PM encontrar o dinheiro no veículo. Segundo reportagens publicadas naquele período, o motorista apresentou uma versão sobre a origem da quantia, enquanto Alberto sustentou que o dinheiro era relacionado a honorários advocatícios.

Em reportagem publicada neste ano, a revista Piauí relembrou o episódio e registrou que o motorista teria dito à polícia que o dinheiro vinha de um grupo para financiar uma campanha política. Alcolumbre negou vínculo com o transporte dos valores ou com financiamento de campanha.

A retomada do vídeo tem força porque recupera um elemento de alto impacto público: dinheiro vivo em grande volume e a ligação do veículo ao irmão de uma das principais autoridades do Congresso. Embora o episódio seja anterior e distinto da apuração sobre o Banco Master, a volta do material às redes cria um novo constrangimento político para Alcolumbre.

<><> Fórum mostrou avanço da crise de Vorcaro na PF

A Fórum tem acompanhado os desdobramentos do caso Master e mostrou que Vorcaro tentou levar à Polícia Federal uma proposta de delação envolvendo políticos e operadores ligados ao banco. Em uma das frentes, a defesa de Daniel Vorcaro entregou proposta de colaboração à PF e à PGR, com anexos sobre tratativas mantidas pelo ex-banqueiro.

Depois, a crise ganhou novo capítulo quando a Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada de Vorcaro. É nesse ambiente de disputa sobre o alcance da colaboração que a menção a Alcolumbre, feita pela Veja e negada pelo senador, passou a ter peso político maior.

<><> Caso Vorcaro amplia pressão sobre Alcolumbre

A reaparição do vídeo ocorre em meio ao avanço das revelações sobre a relação de Daniel Vorcaro com políticos. O ex-banqueiro é personagem central do colapso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.

Segundo a Veja, Vorcaro teria transferido US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões, a Alcolumbre em uma conta no exterior. A revista afirmou que a operação estaria relacionada a uma demanda de interesse do Master. O senador rejeita a versão.

A Fórum tem mostrado que o caso Master não se limita ao colapso de uma instituição financeira. A investigação atingiu políticos do centrão e direita, empresários e operadores que orbitavam Vorcaro, além de expor a tentativa do ex-banqueiro de negociar delação premiada com a Polícia Federal.

O ponto central é a sobreposição política dos fatos. De um lado, Alcolumbre nega a acusação sobre o suposto repasse milionário atribuído a Vorcaro. De outro, um vídeo antigo sobre a apreensão de dinheiro vivo envolvendo seu irmão volta a circular e reacende um episódio já noticiado pela imprensa.

Não há, no material citado, prova de ligação entre a apreensão dos R$ 500 mil em 2022 e a acusação feita agora no contexto do Banco Master. O que há é uma nova pressão sobre o presidente do Senado no momento em que o escândalo Vorcaro passou a alcançar nomes centrais da política nacional.

•        30 milhões de dólares de Vorcaro a Alcolumbre explicam acordão com Flávio Bolsonaro para barrar CPI do Master

revelação, pela revista Veja, de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria recebido 30 milhões de dólares (o equivalente a R$ 155 milhões) de Daniel Vorcaro explica o grande acordo firmado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), antecipado pela Fórum em abril deste ano, para enterrar a CPI do Master.

A negociata voltou à tona na noite desta quarta-feira (29) com a manobra de Alcolumbre no Senado, que aprovou a toque de caixa pautas-bomba com custo fiscal estimado em até R$ 215 bilhões para causar impacto nas contas do governo e servir de discurso eleitoral para a campanha de Flávio Bolsonaro.

SAIBA MAIS: De R$ 500 mil em dinheiro com o irmão a R$ 155 milhões de Vorcaro: o vídeo que volta a assombrar Alcolumbre

A ação é parte do grande acordo entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro que teve início com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria e tenta enterrar a CPI do Master, que atinge o grupo político de ambos.

Na mais recente tratativa, os dois senadores ainda acordaram em barrar a PEC do fim da Escala 6×1 e impor a proposta bolsonarista, que destrói lei trabalhista e foi remetida à toque de caixa por Alcolumbre à CCJ do Senado.

<><> Os dólares de Vorcaro

Na edição desta sexta-feira (12), antecipada na noite anterior, a revista Veja revelou o repasse milionário a Alcolumbre que constaria na segunda tentativa de acordo para delação premiada do banqueiro, que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF), que notificou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (11).

Os 30 milhões de dólares pagos a Alcolumbre por Vorcaro teriam sido depositados em uma conta secreta no exterior e repassados ao presidente do Senado pelo apoio dado a uma demanda de interesse do dono do Banco Master, em transação que foi operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

A soma é superior aos 24 milhões de dólares prometidos pelo banqueiro ao clã Bolsonaro supostamente para financiar o filme Dark Horse, que conta a narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro (PL). Desse montante, cerca de 10 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões) teriam sido enviados ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos EUA.

A transação colocou o clã Bolsonaro na mira da PF. As transações financeiras realizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram feitas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, empresa que também movimentou R$ 20 milhões com o FIDC Gold Style, fundo administrado pela Reag Trust que é investigado por receber R$ 1 bilhão de empresas identificadas como parte do esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Alcolumbre também já havia entrado no radar da PF após a operação Zona Cinzenta, desencadeada pela PF em fevereirop e que teve como alvo Jocildo Silva Lemos, que foi indicado pelo presidente do Senado para a presidência da Amprev — Amapá Previdência.

Em 2024 e 2025, sob a gestão de Lemos, a Amprev realizou investimentos significativos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master — cerca de R$ 400 milhões no total — mesmo após alertas sobre os riscos da instituição e orientações contrárias de órgãos de controle. Esses aportes deixaram o fundo entre os mais expostos à crise do banco após sua liquidação pelo Banco Central.

<><> Grande acordo

O acordo costurado por Davi Alcolumbre para barrar a CPI do Master em abril deste ano provocou uma união imprevista entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo que condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e Flávio Bolsonaro (PL), ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência.

Alcolumbre rompeu e se irritou com Lula quando o presidente resolveu indicar o Advogado-Geral (AGU) da União Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Seu nome para o posto era de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), político mineiro que contou com sua imprescindível ajuda para sucedê-lo na Presidência do Senado em 2021.

No início do ano legislativo, após Lula vetar o PL da Dosimetria em ato simbólico no 8 de Janeiro, Alcolumbre se aproximou de Flávio Bolsonaro (PL) e iniciou as negociações que, em princípio, trocariam os votos necessários para barrar Messias no Senado pela retomada da “anistia” a Bolsonaro, que já se encontrava devidamente preso.

O escândalo financeiro no Caso Master, no entanto, ampliou a negociata. A ampla rede de relacionamentos de Daniel Vorcaro, que vai do “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP-PI) à contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, passando pela rede de influência do próprio presidente do Senado e do financiamento da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos), capitalizou o poder de barganha.

O avanço das investigações sobre a Faria Lima – que se estende a facções criminosas já conhecidas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC – causou pânico em Brasília. E foi ai que Alcolumbre resolveu ampliar o acordão com Flávio Bolsonaro, colocando no pacote o travamento da CPI do Master, que colocaria o escândalo financeiro em evidência em plena campanha eleitoral.

Assim como Flávio Bolsonaro e Alcolumbre, Moraes não tem interesse que o caso Master, que começa a sumir das manchetes, voltasse à tona com uma CPMI no Congresso.

Foi, então, que o presidente do Senado selou a imprevista união, distribuindo favores e promessas, típicos de sua postura, tanto a Moraes, quanto a Flávio Bolsonaro.

Com Flávio Bolsonaro, Alcolumbre manteve o acordo sobre a derrubada do veto da dosimetria, em troca dos votos para barrar Messias. E ampliou a tratativa, oferecendo uma ponte com Moraes e o STF, que será agora o responsável por “dosar” a pena, como relator do caso – ou seja, para calcular em quanto tempo a sentença de 27 anos e 3 meses de Bolsonaro será reduzida.

A adesão ao acordo também beneficia a fantasia de “moderado” de Flávio Bolsonaro, que vai usar a aproximação com o próprio Moraes para se mostrar como “o pacificador” à Faria Lima e à mídia liberal, além dos quadros do Centrão e da burguesia paulista, onde Michel Temer ainda tem influência.

Em troca, Flávio Bolsonaro teria se comprometido a atuar em prol de um novo mandato de Alcolumbre na Presidência do Senado, caso vença Lula e assuma o Planalto em 2027.

<><> Vorcaro aposta em Flávio Bolsonaro

Com a rejeição da segunda proposta para um acordo de delação premiada com a PF, o banqueiro Daniel Vorcaro aposta todas as suas fichas na eleição de Flávio Bolsonaro e no grupo político a quem deu sustentação para tirá-lo da prisão.

As “provas” anexadas pela defesa do banqueiro não trouxeram nenhuma novidade para os investigadores, que ainda se irritaram com a tentativa de blindagem de figuras como Ciro Nogueira (PP-PI), na primeira versão da tentativa de acordo, e mais recentemente do próprio Flávio Bolsonaro, a quem o banqueiro diz ter tido uma atitude “republicana” sobre os mais de 10 milhões de dólares enviados ao fundo Havengate supostamente para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Com a segunda recusa, Vorcaro deve perder o benefício da prisão na sala do Estado-Maior, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e ser mandato para o Complexo Penitenciário da Papuda, concretizando seu maior pesadelo.

Emparedado pela investigação e resistente a entregar os cúmplices do Centrão e do bolsonarismo, Vorcaro aposta em uma salvação pelo mesmo grupo político que tenta blindar para obter a prisão domiciliar e na eleição de Flávio Bolsonaro para se livrar definitivamente da cadeia – e do inquérito em torno do caso Master.

Para efeito imediato, o banqueiro aguarda a retomada do julgamento do pedido de prisão domiciliar do pai, Henrique Vorcaro, e do primo, Felipe Vorcaro, pela segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com Dias Toffoli se declarando impedido no julgamento, André Mendonça e Luiz Fux votaram contra o pedido. Gilmar Mendes pediu vista e pode votar para colocar os Vorcaro em prisão domiciliar.

Caberia, então, a Kássio Nunes Marques empatar em 2 a 2 o julgamento, beneficiando os réus. Caso isso ocorra, Daniel Vorcaro deve tentar um recurso para obter o mesmo benefício do pai e do primo.

A aposta em Nunes Marques é levada em conta especialmente após a atuação pró Flávio Bolsonaro do ministro como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, onde censurou a pesquisa que mostrava justamente o derretimento da pré-candidatura do senador diante da revelação do elo com Vorcaro.

Além disso, os dutos do dinheiro do Master beneficiaram diretamente o filho do ministro, o jovem advogado Kevin de Carvalho Marques, cujo escritório recebeu R$ 281 mil de consultoria financiada por Master e JBS em 11 transferências, segundo o Coaf.

<><> A espera das eleições

Caso a aposta em Nunes Marques e Gilmar Mendes dê certo, Vorcaro aguardaria o fim das investigações e o julgamento em um dos diversos endereços luxuosos que possui em Brasília, Belo Horizonte ou São Paulo.

Na mesma condição em que recebeu Flávio Bolsonaro após a primeira prisão, em novembro de 2025, monitorado pela PF, o banqueiro poderia auxiliar informalmente na campanha contra Lula.

Basta lembrar que via Fabiano Zettel, cunhado e pastor da Igreja Lagoinha, o grupo Master destinou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em 2022 – valores ínfimos diante dos 24 milhões de dólares prometidos ao clã supostamente para Dark Horse.

À época, Vorcaro ainda colocou um de seus jatinhos à disposição para Nikolas Ferreira (PL-MG) voar pelo Brasil em campanha para Bolsonaro.

Mesmo sob investigação, o banqueiro poderia fazer triangulações e usar da influência para beneficiar a candidatura do filho “01” do ex-presidente.

Caso o clã Bolsonaro retorne ao poder, Vorcaro poderia contar com a interferência, já denunciada até mesmo pelo ex “super” ministro da Justiça Sergio Moro (PL-PR), de Flávio Bolsonaro na Polícia Federal para trancar as investigações contra o Banco Master, que recebeu em 2019 o aval do Banco Central, sob a batuta de Roberto Campos Neto, para dar início à série de crimes contra o sistema financeiro e a favor de facções criminosas, como o PCC, que se tornou alvo dos investigadores.

 

Fonte: Fórum

 

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