João
Filho: Escândalos fazem Flávio Bolsonaro despencar entre evangélicos
A
candidatura bolsonarista continua a sofrer as consequências das reportagens da
série Vaza Flávio. As profundezas do universo “Dark Horse”, nome do filme sobre
a vida de Jair Bolsonaro, estão ficando cada vez mais conhecidas e os
prognósticos são os piores para o bolsonarismo.
O
senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de
Janeiro, está despencando nas pesquisas. Só entre os evangélicos, por exemplo,
ele caiu nove pontos na pesquisa Genial/Quaest divulgada essa semana. O estrago
foi enorme. Também não era para menos. Quase todo dia aparece uma nova mutreta.
Já há material suficiente para a produção de “Dark Horse 2”.
Como o
Intercept Brasil mostrou em dezembro de 2025, a dona da produtora de “Dark
Horse”, Karina Ferreira da Gama, aquela que nunca havia produzido um
longa-metragem na vida, também tem uma ONG. E a organização, quem diria, tem um
contrato milionário com a prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes, do
MDB, para fornecer internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda da cidade.
Esse
contrato está sendo alvo de investigação policial e do Ministério Público sob
suspeita de superfaturamento, fraude em licitação e desvio de dinheiro público.
A entidade simplesmente não prestava os serviços contratados e emitia notas
frias para receber os pagamentos.
Nesta
semana, o Intercept divulgou que essa mesma ONG desviou uma verba milionária do
Sesi, como apontaram auditorias da Controladoria-Geral da União, a CGU. Não,
não se trata de “dinheiro privado” como gosta de dizer Flávio Bolsonaro. Os
valores desviados pelo esquema vêm de recurso público federal.
A CGU
identificou nos negócios da ONG com o Sesi problemas que o MP-SP está
investigando nos contratos com a prefeitura de São Paulo: superfaturamento e a
possibilidade de terem sido emitidas notas frias. As auditorias da CGU
revelaram que a ONG operava em um CNPJ sem capital social, que foi utilizado
para transferir a grana para uma rede de empresas de fachada.
O fio
puxado pelo Intercept não para de sair. Esse novelo é grande e muita coisa
ainda vai aparecer. Nesta semana, uma apuração da Folha de S.Paulo revelou que
o buraco da bandidagem é ainda mais embaixo e toca num ponto sensível da
narrativa bolsonarista: o crime organizado.
De
acordo com a reportagem, um mesmo fundo de investimento, chamado Gold Style,
fez transações com uma fintech apontada como “banco paralelo” do Primeiro
Comando da Capital, o PCC, a BK Bank, e com a empresa responsável por repasses
à produção de “Dark Horse”, a Entre Investimentos e Participações, ligada a
Daniel Vorcaro. Ainda que não se possa afirmar que existe uma relação direta
entre os bolsonaristas e o PCC, o fato é que Vorcaro mandou dinheiro pela Entre
Investimentos e Participações, que também negociou com o mesmo fundo de
investimento da facção.
Não
podemos esquecer também que, entre julho de 2022 e dezembro de 2025, a Entre
Investimentos enviou R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia
Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. As movimentações financeiras
envolvem alvos suspeitos de ligação com o PCC e com integrantes da máfia
italiana. O esquema funciona de maneira sofisticada, usando debêntures
sigilosas e uma rede de empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos
e dificultar o rastreamento das transações.
O
bolsonarismo comemorou os frutos provenientes do patético encontro entre Flávio
Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo americano
classificou o PCC e o Comando Vermelho, o CV, como grupos terroristas e isso
foi tratado pelos bolsonaristas como uma vitória resultante da visita ao
presidente dos EUA. De acordo com as leis estadunidenses, qualquer pessoa ou
empresa que atue nos Estados Unidos que enviar ou receber dinheiro de grupos
terroristas, ainda que indiretamente, está sujeita a penas criminais severas.
Daniel Vorcaro, o grande amigo e patrocinador de Flávio, já poderia ser
enquadrado pelas novas diretrizes antiterrorismo do governo americano. Não é
difícil de imaginar que isso possa acabar respingando na família Bolsonaro em
algum momento. Há ainda muita coisa a se puxar desse novelo.
O
calvário da candidatura de Flávio Bolsonaro promete ser longo. Não se trata
mais apenas de explicar as rachadinhas com funcionários do seu gabinete quando
ele era deputado estadual do Rio de Janeiro. Agora, a família Bolsonaro tem que
explicar ao eleitor brasileiro — e, teoricamente, ao Departamento de Justiça
americano — como o dinheiro chegou aos EUA.
Até
aqui as investigações indicam um cinismo absoluto: enquanto os Bolsonaros
pregam o combate implacável ao crime organizado, seus aliados e operadores
dividem o mesmo balcão de negócios com ele. Mal posso esperar para ver como o
roteiro de “Dark Horse 2” irá explicar esse curioso capítulo.
• Flávio Bolsonaro lança candidatura em
meio à escândalo do Banco Master e investigações da PF
Partido
Liberal (PL) agendou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção nacional que
oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da
República. A escolha da capital paulista rompe com a tradição recente do grupo
de lançar candidaturas presidenciais no Rio de Janeiro e mira o maior colégio
eleitoral do país.
O
movimento ocorre enquanto a Polícia Federal investiga transações financeiras
que ligam o senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento de uma
cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro, com suspeita de evasão de divisas e
conexões com esquemas de lavagem de dinheiro.
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PL define data e local para lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro
A
direção nacional do PL tomou a decisão de sediar a convenção em São Paulo
levando em conta o peso eleitoral do estado e a avaliação de que ele concentra
um dos palanques mais sólidos da campanha de Flávio Bolsonaro. O senador deve
dividir o palco com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que
buscará a reeleição, além de lideranças como o presidente da Assembleia
Legislativa paulista, André do Prado (PL), e o deputado federal Guilherme
Derrite (PP-SP), ambos cotados para disputar o Senado.
O apoio
do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e a proximidade de Flávio com
setores empresariais e industriais do estado também pesaram na definição. O
calendário do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que as convenções
partidárias devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, e o PL optou por
abrir o período com o lançamento.
A
mudança de endereço em relação às candidaturas anteriores do grupo não é apenas
simbólica. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro avalia transferir sua estrutura
principal de Brasília para São Paulo, movimento que facilitaria agendas com o
empresariado, a Faria Lima, além da proximidade física com Tarcísio de Freitas
e Ricardo Nunes.
Parte
do núcleo duro da pré-campanha defende que a capital paulista, além de
concentrar o maior número de eleitores do país, favorece deslocamentos para
outras cidades. Até agora, Flávio havia optado por manter a estrutura em
Brasília para permanecer perto da família e do pai, em prisão domiciliar. A
possibilidade de mudança já foi comunicada à Polícia Legislativa, responsável
pela segurança do senador.
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O pano de fundo: as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O
lançamento da candidatura acontece sob a sombra de investigações que a Polícia
Federal conduz sobre transações financeiras do ex-banqueiro Daniel Vorcaro,
ex-controlador do Banco Master, para o suposto financiamento do filme Dark
Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Segundo
apurações da Polícia Federal, divulgadas pela Fórum, cerca de R$ 61 milhões
teriam sido repassados, a pedido de Flávio Bolsonaro, para o fundo de
investimentos Havengate, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto,
advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A avaliação
preliminar da corporação é que as operações podem configurar crime de evasão de
divisas, embora os investigadores avaliem que o caso precisa ser mais bem
apurado antes de qualquer conclusão definitiva.
O
rastro financeiro não para por aí. De acordo com a Polícia Federal, via Revista
Fórum, a empresa Entre Investimentos e Participações, intermediária nos
repasses ao filme, também movimentou R$ 20 milhões com o FIDC Gold Style, fundo
investigado por receber R$ 1 bilhão de empresas identificadas como parte do
esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O
emaranhado de conexões financeiras amplia o escopo das investigações e coloca a
candidatura de Flávio Bolsonaro em terreno juridicamente sensível antes mesmo
de sua oficialização. Há ainda uma terceira frente: o presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (União-AP) teria recebido US$ 30 milhões de Daniel Vorcaro em
meio a um acordo que visava barrar a CPI do Master no Senado, com suposto
envolvimento de Flávio Bolsonaro nas tratativas.
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Implicações políticas e jurídicas da candidatura em meio a escândalos
O
impacto das revelações aparece nas pesquisas eleitorais. Levantamentos da
Genial/Quaest, do Datafolha e do Nexus indicam queda nas intenções de voto de
Flávio Bolsonaro após o vazamento de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. Na
simulação de segundo turno captada pela Genial/Quaest em junho, Lula (PT)
aparece com 44% das intenções de voto contra 38% do senador, uma vantagem de 6
pontos. Em maio, os dois estavam empatados com 42% e 41%, respectivamente. Em
abril, Flávio chegou a aparecer numericamente à frente. Vale notar que o
primeiro levantamento a captar a queda do senador, da AtlasIntel, foi suspenso
pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
Para
além das urnas, a situação de Daniel Vorcaro lança luz sobre os interesses que
orbitam a candidatura. Segundo apuração da Fórum, o banqueiro aposta na eleição
de Flávio Bolsonaro e no apoio do grupo político que o ajudou a obter prisão
domiciliar para evitar a cadeia, especialmente diante da iminente rejeição de
seu segundo acordo de delação premiada pela PF e pela PGR.
A
aposta de Vorcaro inclui a influência de ministros do STF: Kassio Nunes Marques
já suspendeu uma pesquisa desfavorável ao senador, e Gilmar Mendes pode votar
pela prisão domiciliar de familiares do banqueiro, segundo a Revista Fórum. A
PF deve emitir parecer desfavorável ao acordo de delação, que tentou blindar
figuras como Ciro Nogueira (PP-PI) e o próprio Flávio Bolsonaro. Com a
rejeição, Vorcaro corre o risco de perder o benefício da prisão na
Superintendência da PF em Brasília e ser transferido para o Complexo
Penitenciário da Papuda. O cenário revela que o lançamento formal da
candidatura, marcado para 25 de julho, ocorre em meio a uma teia de interesses
jurídicos e políticos cujos desdobramentos ainda estão em aberto.
• Banco Master: PF acessa celular de
Cláudio Castro e provoca apreensão entre bolsonaristas
Polícia
Federal conseguiu desbloquear o celular usado por Cláudio Castro no dia a dia,
segundo informação publicada pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. O
aparelho estava protegido por senha, que não foi informada às autoridades.
O
telefone foi apreendido na residência do ex-governador do Rio de Janeiro em uma
das etapas das investigações que miram sua gestão. Ao todo, três celulares
foram recolhidos, sendo um deles inativo há anos e outro apenas com dez dias de
uso. Por isso, a atenção dos investigadores se voltou para o aparelho de uso
cotidiano.
Com o
desbloqueio, a PF iniciou a análise do conteúdo armazenado no celular. O
material pode conter mensagens, registros de chamadas, arquivos e outras
informações consideradas relevantes para as apurações em andamento.
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Investigações
A
frente mais recente envolve o Rioprevidência e o Banco Master. A investigação
apura aplicações bilionárias feitas pelo fundo previdenciário dos servidores do
Rio em produtos ligados ao banco de Daniel Vorcaro. Em maio, a PF cumpriu
mandados de busca no Rio e em Brasília, por determinação do Supremo Tribunal
Federal.
Segundo
a Agência Brasil, a operação mira aportes de R$ 3,6 bilhões em fundos ligados
ao Master. Os recursos têm origem no Rioprevidência, responsável por
administrar aposentadorias e benefícios de mais de 235 mil servidores ativos e
inativos do estado.
Castro
também aparece em outras frentes de investigação, como os casos da Fundação
Ceperj, das chamadas “folhas secretas”, da Fundação Leão XIII e da Refit,
antiga Refinaria de Manguinhos. As apurações envolvem suspeitas de
irregularidades administrativas, favorecimento empresarial, uso político da
máquina pública e pagamentos sem transparência.
No caso
da Ceperj, o Tribunal Superior Eleitoral tornou Cláudio Castro inelegível por
oito anos. Ele renunciou ao mandato antes do julgamento que poderia levar à
cassação. A defesa afirma que recorrerá e sustenta que os fatos discutidos não
influenciaram o resultado da eleição de 2022.
A
defesa do ex-governador nega irregularidades. Em notas anteriores, afirmou que
Castro sempre atuou dentro da legalidade, que os investimentos do
Rioprevidência seguiram trâmites técnicos e que não houve benefício pessoal ou
favorecimento indevido.
Fonte:
The Intercept/Fórum

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