Luis
Felipe Miguel: Universidade e democracia
A
palavra “crise” anda hoje tão desgastada que a gente até reluta em usá-la.
Vivemos em crise permanente, de tudo, há tempos: crise climática, crise
econômica, crise do trabalho, crise da família, crise da verdade, crise dos
serviços públicos, crise do Estado, crise do multilateralismo… Está tão
normalizada a situação de crise que a palavra perdeu sua força.
E, para
piorar, sempre aparece alguém munido de algum manual de autoajuda empresarial
para nos lembrar que o ideograma chinês para “crise” é formado por “perigo” +
“oportunidade”. Acabamos com uma crise tão domesticada que ela parece ser nada
mais do que um estímulo para o crescimento e o progresso: a crise como “astúcia
oculta da natureza”, por assim dizer.
É com
relutância, portanto, que inicio esta fala evocando duas crises simultâneas que
nos afetam: a crise da democracia e a crise da universidade. Embora não
representem a mesma coisa, a relação entre elas não é de exterioridade. A
universidade, para florescer, precisa obviamente da democracia: precisa de um
ambiente de debate aberto, em que as certezas estimadas pelos donos do poder
possam ser questionadas.
Afinal,
a ciência, quando é bem-feita, tem o dom de incomodar. Seu papel é sempre o de
desestabilizar certezas e ampliar a complexidade de nossa visão, na contramão
de discursos fáceis e unilaterais. Uma tirada célebre de Millôr Fernandes diz:
“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Acredito que,
igualmente, a ciência só é ciência de verdade se está pronta a afrontar o
poder. Ela deve sacudir verdades estabelecidas sem medo de incomodar os
poderosos.
Portanto,
a universidade necessita de um espaço social em que a produção e a transmissão
do conhecimento não sejam cerceadas por qualquer tipo de veto. É de onde nasce
a exigência de autonomia universitário, que não é uma bandeira arbitrária, mas
uma derivação lógica de sua própria missão.
Ao
mesmo tempo, a democracia precisa da universidade. Precisa de um lugar para o
pensamento crítico, para o questionamento, para a construção coletiva de
alternativas. Um lugar que, dotado de seus próprios mecanismos de legitimação,
tenha forças para resistir às pressões do poder político, das religiões e do
mercado.
A crise
da democracia a que me refiro aparece no debate público, nas manchetes dos
jornais e em muito dos trabalhos de minha própria disciplina, a Ciência
Política, como sendo o crescimento do “populismo”. Não vou me aprofundar neste
debate, que é complexo e começa com a disputa sobre o conceito de populismo,
mas é importante ressaltar, para o percurso que pretendo trilhar aqui hoje, que
o sucesso de líderes autoritários como Donald Trump, Viktor Orbán, Jair
Bolsonaro, Javier Milei e tantos outros, por dentro das instituições da própria
democracia eleitoral, não é a crise – é apenas um de seus sintomas.
A crise
é melhor descrita como sendo a ruptura do equilíbrio instável que permitia o
funcionamento das democracias liberais, o equilíbrio entre o poder da classe
dominante e o poder popular que se manifestaria pelo voto. Em suma, o
compromisso democrático dava alguma voz aos dominados no processo de decisão e
incluía a promessa de que seriam feitas concessões a seus interesses.
A
partir do momento em que as classes dominantes endureceram a sua posição,
recusando cumprir sua parte neste compromisso, o arranjo democrático foi se
mostrando cada vez menos funcional. O que é chamado de “populismo” é apenas o
uso oportunista do profundo descontentamento que essa situação gerou, por parte
de empreendedores políticos.
Já a
crise da universidade se liga à redução de sua legitimidade diante do público –
que não é só dela, mas da educação em geral, da ciência e do pensamento
crítico.
Isso se
traduz em uma pressão crescente sobre a autonomia universitária, com
retrocessos que são evidentes pelo mundo afora. Quando falo da pressão sobre a
universidade e sobre sua autonomia, estou falando também, de forma mais geral,
daquilo que afeta a ciência e toda a expressão do pensamento crítico sobre o
mundo em que vivemos.
Estou
falando do avanço do obscurantismo, da ignorância satisfeita consigo mesmo, do
dogmatismo que se apresenta como manifestação de “princípios”, do negacionismo
científico que serve para sustentar crenças e atitudes a despeito de qualquer
evidência contrária. São movimentos que, obviamente, têm na direita seus
maiores proponentes, mas que – é preciso dizer – também encontram eco em alguns
setores da esquerda.
Nossa
autonomia, não custa esclarecer, nunca foi indisputada. Se a universidade e a
ciência em grande medida se emanciparam da religião e foram capazes de ganhar
graus de independência em relação ao poder político, a pressão do poder
econômico nunca refluiu. O modelo da universidade pública brasileira nos
concede algumas garantias – em comparação, por exemplo, aos Estados Unidos, em
que sub-áreas disciplinares inteiras, com inegável viés ideológico, são criadas
e prosperam na base do dinheiro grosso de fundações privadas. Ainda assim, como
bem sabemos, todas as brechas são utilizadas em favor do privatismo. O
subfinanciamento crônico, imposto em nome do fiscalismo míope que marca todos
os governos do Brasil das últimas décadas, independentemente da cor partidária,
serve de justificação para estes movimentos.
Nós já
conhecíamos tudo isso. Já conhecíamos as tentativas de asfixia material,
própria de governos neoliberais, que julgavam que o Brasil deve se acomodar a
um papel submisso nas relações internacionais e que, portanto, o investimento
na pesquisa é desnecessário. Já conhecíamos também, da ditadura militar,
governos que viam determinadas pesquisas como perigosas e tentavam suprimir
diversas correntes de pensamento. Já conhecíamos as tentativas de captura
privada de nossos espaços, projetos e pesquisas.
Mas nos
defrontamos, agora, com forças políticas que, além de tudo, têm ódio ao
conhecimento e veem sua própria sobrevivência vinculada à negação do pensamento
crítico e da ciência.
Há uma
distância entre quem tenta amenizar uma verdade inconveniente e quem faz como
fez Donald Trump, demitindo o responsável pelo órgão que divulgou estatísticas
sobre o desemprego nos Estados Unidos que contrariavam sua mitografia. Que foi
o que fez Jair Bolsonaro com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, quando foram divulgados os números do desmatamento. Eu vou voltar a
isso em seguida; é importante observar que ter que demitir o responsável por
uma pesquisa incômoda é uma demonstração de que, apesar de toda a campanha
negacionista, o discurso científico ainda guarda repercussão social.
Nós
tivemos, aqui no Brasil, a experiência dos governos de Michel Temer e de Jair
Bolsonaro, que fizeram o que puderam para destruir a pesquisa científica e o
ensino superior. Como sabemos, a vitória de Lula em 2022 serviu para nos dar
algum alívio, mas as forças do obscurantismo continuam muito ativas em
diferentes espaços de poder.
Em
comparação que vemos nos Estados Unidos agora, até que atravessamos bem nossos
quatro anos de provação. Uma parte da diferença se explica pela melhor
qualidade de nossas instituições – uma afirmação que não deixa de ser curiosa,
uma vez que, sobretudo na minha disciplina, a ciência política, éramos sempre
ensinados a mirar nos Estados Unidos como modelo a ser seguido, como exemplo
máximo de democracia consolidada e de liberdades liberais bem estabelecidas.
Mas
outra parte da explicação reside no fato de que lideranças autoritárias sempre
dobram suas apostas quando são reeleitas. Donald Trump segue os passos de
tantos outros, como Viktor Orbán, na Hungria, ou Recep Erdoğan, na Turquia.
Isso
gera para nós uma sombra de incerteza, uma vez que o cenário para depois das
eleições de outubro próximo é bastante incerto. Tanto quanto Joe Biden nos
Estados Unidos, o governo Lula tem fracassado no objetivo de desinflamar a
extrema-direita e recolocar a disputa política nos trilhos da civilidade. E,
embora a gente tenha conseguido atravessar o quadriênio de Jair Bolsonaro, não
fomos capazes de esboçar qualquer reação a formas pesadas de boicote a nossas
atividades e de agressão à nossa autonomia, como a nomeação de interventores em
inúmeras instituições federais de ensino. O retorno da extrema-direita ao poder
nos colocaria em um cenário muito hostil.
Há
muitas dimensões da crise da universidade, interligadas entre si. Em cada uma
delas, vemos ameaças à sua autonomia.
(i) A
universidade é dispendiosa. Em situação de aperto fiscal permanente, de
políticas de austeridade e redução do Estado sempre renovadas, o orçamento da
universidade e da ciência é apresentado como excessivo, algo que pode e deve
ser cortado. Devemos formar mais estudantes com menos professores, devemos nos
adaptar a padrões de “produtividade” estranhos aos nossos próprios.
Devemos
gerar recursos, em vez de gastá-los: cobrar dos alunos, orientar nossas
pesquisas para os interesses do mercado, buscar mecenas privados. Ou nem tão
privados assim – hoje, mais de 7% do orçamento das universidades federais vem
de emendas parlamentares, o que obriga gestores universitários a ficarem
puxando o saco de políticos e premia ou pune as instituições pelo seu
desempenho nesta tarefa, que não tem nenhuma relação com qualquer medida de
qualidade acadêmica. Cada vez mais pesquisas são financiadas também por
emendas, em vez de chamadas das agências de fomento, o que compromete a
independência e a integridade do trabalho científico.
(ii) A
universidade é vista como inútil. Nós, das humanas, estamos acostumados a isso,
que considerem o nosso trabalho completamente desprovido de qualquer utilidade.
Não sei se alguém aqui teve a oportunidade de ver o famoso vídeo do Felca,
sobre a adultização de crianças na internet. A primeira parte é sobre
adolescentes e pré-adolescentes dedicados a ganhar dinheiro nas redes, que
reclamam de ter que ir à escola. Uma menina diz assim: “a escola atrapalha o
empreendedor”. É um negócio chocante.
Depois
um moleque, de uns 11 ou 12 anos, explica por que aula de filosofia não serve
pra nada. E ele vem com essa: se um ladrão entra na sua casa, não adianta
gritar “Aristóteles!” que ele não vai embora. A gente não sabe se ri ou se
chora diante disso. A conclusão parece óbvia, vamos trocar filosofia por aulas
de tiro.
Mas
agora as ciências da natureza e as carreiras profissionais cuja utilidade era
até então considerada inquestionável estão no mesmo balaio. Já acompanhei, por
acasos da vida e por dever profissional, grupos em que estudantes de ensino
superior eram estimulados a abandonar seus cursos para ocupar seu tempo
aprendendo a investir no mercado de criptomoedas. Hoje, não falta quem anuncie
que engenheiros e médicos serão substituídos pela inteligência artificial. Para
que gastar tempo e neurônios se formando, se fama e dinheiro são os objetivos
naturais de qualquer ser humano e o caminho para alcançá-los é sendo
influencer?
Estes
exemplos são no âmbito das mentalidades individuais. Há outro aspecto: a visão
de que um país como o Brasil tem uma posição fixa na divisão internacional do
trabalho e que, portanto, não tem sentido produzir conhecimento por aqui. A
universidade é um luxo desnecessário para um país como o nosso, já que sai mais
barato importar o conhecimento produzido nos Estados Unidos, na Europa, no
Japão ou na China.
Foi
essa compreensão que orientou a política do governo de Bolsonaro e Guedes,
assim como antes, de forma um pouco diferente, orientava o projeto de Fernando
Henrique de concentrar a pesquisa em meia dúzia de “centros de excelência” e
relegar o resto do sistema universitário ao papel de simples formador de mão de
obra.
(iii)
Por fim, a universidade é perigosa. As ciências incomodam porque o seu papel é
colocar em xeque o senso comum, isto é, fazer pensar criticamente sobre o mundo
que nos cerca e sobre as categorias que o governam. As ciências humanas, em
particular, fazem com que questionemos uma ordem social que tem na
naturalização de suas hierarquias e padrões de dominação um dos mecanismos
centrais para sua perpetuação. Lembro do que escreveu certa vez o cientista
político alemão Claus Offe: numa ordem estamental, em que as desigualdades eram
proclamadas abertamente, não havia necessidade de sociologia – ela surge com a
ordem liberal, que proclama uma sociedade de iguais, e seu papel é exatamente
mostrar a permanência das desigualdades por trás da aparência da igualdade.
Por
isso, o que incomoda nas ciências e na universidade é exatamente aquilo que põe
o dedo na ferida das desigualdades, que expõe seus mecanismos de reprodução, de
naturalização, de invisibilização. É o marxismo, um palavrão para os donos do
poder, que questiona a exploração, a alienação, o fetichismo, a noção de uma
“natureza humana” sem história. É o feminismo, alvo de uma enorme campanha de
desinformação (ou, porque não dizer, de difamação), são os estudos sobre
questões raciais e assim por diante.
Também
as ciências naturais se tornam alvos, na medida em que seus achados comprometem
práticas estabelecidas e colocam em risco as vantagens e lucros de determinados
grupos. No passado, isto levava a embates localizados (a campanha de décadas da
indústria tabagista para desacreditar as pesquisas que associavam seu produto a
graves problemas sanitários é o exemplo mais famoso, mas de forma nenhuma o
único).
Hoje,
está em questão a própria continuidade do modo de produção capitalista, já que
a evidência científica mostra que se está esgotando rapidamente a capacidade
que o planeta tem de suportar o regime de acumulação vigente. Levar a sério o
que diz a ciência exige uma mudança de rumo radical, em que alguns teriam que
abrir mão de seus ganhos e quase todos nós, de nossos hábitos de consumo mais
arraigados – motivo pelo qual muitos preferem negá-la.
A
universidade também incomoda por ser esse espaço de liberdade, de invenção, de
criatividade – e tudo isso sem perder seu rigor. Acredito que, nos últimos
tempos, o grande pecado da universidade brasileira foi ter mostrado que é capaz
de se democratizar sem perder a qualidade.
Este
ataque à universidade e à ciência tem como elemento central a deslegitimação
daquilo que oferecemos à sociedade. É uma verdadeira cruzada contra o capital
cultural.
A
deslegitimação do capital cultural e desautonomização dos campos intelectuais
convergem para a produção de um ambiente social em que o poder do capital
econômico é cada vez menos desafiado. Se a chamada pós-verdade, que é o
ambiente de debate em que não há mais nenhuma gradação de autoridade
epistêmica, transformou a atribuição de verdade discursiva num “livre mercado”
aberto aos “empreendedores” mais ousados, cumpre lembrar que todo mercado
responde à assimetria de recursos materiais.
Os
detentores do capital econômico partem, como sempre, com grande vantagem. São
eles os que lucram tanto com a retração da democracia liberal, que retira poder
das maiorias que só se expressam pelo voto, quanto com a perda de legitimidade
dos saberes especializados e da burocracia profissional.
E
temos, por fim, o anti-intelectualismo de uma parcela da esquerda, que hoje
assume novas formas, sem deixar de reproduzir as velhas – e curiosamente
reivindica para si os benefícios simbólicos do ambiente universitário ao mesmo
tempo em que busca desqualificá-lo.
A
crítica à ciência ocidental não foca apenas em seus efeitos nefastos, como a
degradação ambiental, a produção de armas com cada vez maior potencial
destruidor ou a crescente capacidade de controle de governos e corporações
sobre as populações – questões que se ligam ao ambiente social em que o fazer
científico se dá e aos interesses a que ele serve. A crítica se dirige aos
fundamentos da ciência como instrumento de leitura do mundo, negando, por
exemplo, o próprio método científico.
Os
procedimentos de validação da observação, controle de vieses e generalização
são acusados de positivistas e eurocêntricos, o que já trai a ideia de que nada
pode ser alçado à condição de patrimônio universal da humanidade: todos estamos
presos em nossas próprias tradições tribais.
Assim,
todo o conhecimento científico é relativizado em favor da valorização de
sabedorias tradicionais com inegável elemento místico. As universidades são
levadas a aceitar, cada vez mais, discursos religiosos, desde que vinculados a
religiões de matriz africana ou indígena. Está se tornando comum ver, por
exemplo, textos acadêmicos invocando misticismos que teriam a pretensão de
resgatar saberes de populações subalternas.
A
estrita divisão entre o fazer científico e o pensamento mitológico, que foi
fundamental para o avanço da ciência a partir da Idade Moderna, é rechaçada por
um discurso que se quer “decolonial” e emancipatório. Essa recusa do método
científico não está baseada em outra coisa que não um relativismo extremado,
que nega qualquer possibilidade de avanço na comprovação ou falsificação de
visões do mundo a partir da produção de dados reconhecíveis como legítimos por
todos.
Ao
receber pessoas de grupos mais diversos, a universidade ganha uma pluralidade
de perspectivas sociais que potencialmente enriquece tanto o ensino quanto a
pesquisa e a extensão.
Mas
isto não significa que ela deve abandonar os critérios que definem a
pertinência das contribuições a seus debates e singularizam os seus saberes
diante de outras formas de conhecimento que circulam no mundo social.
Um
discurso na moda, reproduzido sem cessar nas redes sociais, diz que a
universidade está cheia de arrogância e de preconceito de classe,
inferiorizando quem não conhece o autor X ou o autor Y e quem não lê em línguas
estrangeiras. Em suma, estigmatizando e afastando quem vem de espaços sociais
pobres, periféricos, sem acesso a determinados equipamentos culturais.
Eu
tendo a concordar. E há lugares em que as coisas são até piores – como cursos
que pretendem que os trabalhos sejam escritos em inglês, uma exigência
descabida por muitos motivos, cujo principal efeito é garantir sua elitização,
anulando os efeitos das políticas democratizadoras.
Mas há
uma diferença importante entre apontar a ausência de domínio de certas
ferramentas (bibliografia, leitura em outros idiomas) como falha constitutiva
do outro, que é o elitismo, e indicar que obter esse domínio é necessário. Que
faz parte do nosso metiê. Que não é uma frescura, é uma condição de excelência
do nosso trabalho.
Para
obtê-lo, é necessário esforço. E esse esforço vai, sim, ser diferenciado, mais
árduo para quem vem de ambientes sociais mais pobres, mais periféricos. Será
assim enquanto nossa sociedade for desigual.
Parece
que é difícil mudar a sociedade. Mas simplesmente rebaixar os critérios de
excelência acadêmica não muda nada – transforma diplomas em pedaços de papel
desvalorizados e continua excluindo do acesso aos saberes aqueles que já estão
excluídos.
A
universidade precisa ter mecanismos que permitam que as pessoas que nela
ingressam se assenhorem dos conhecimentos que ela produz. Não julgando que elas
são incapazes disso, não folclorizando-as ou reduzindo-as às suas
“excentricidades”, não enclausurando-as em guetos.
O
discurso na moda promove uma associação apressada entre iluminismo e
colonização. O que isso quer dizer? Que devemos abandonar o método científico?
Que devemos abrir mão dos ideais de universalidade, em vez de buscar realmente
realizá-los? Que a inclusão do outro, enfim, se vai fazer sempre sob o signo da
subalternidade, quando não do exotismo? Pelo contrário, a inclusão só é
inclusão de verdade se não reduz em um grama sequer os parâmetros de
excelência.
A
universidade dos sonhos não é fácil de alcançar: inclusão sem paternalismo,
excelência sem elitismo, diversidade sem guetificação, rigor sem autoritarismo.
Não tenho nenhuma fórmula para chegar até lá. Mas creio que é o ideal que deve
nos guiar.
Fonte:
A Terra é Redonda

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