quarta-feira, 17 de junho de 2026

PF diz que Vorcaro bancou despesas e viagens para Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel de Ciro Nogueira

A Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma relação considerada "instrumental" com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), supostamente voltada ao atendimento de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

O caso ganhou novo desdobramento após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retirada do sigilo da investigação. Com isso, vieram a público documentos, fotografias e mensagens que, segundo a PF, sustentam a hipótese de uma relação marcada pela troca de benefícios entre o banqueiro e o parlamentar.

Play Video

De acordo com o relatório policial, Vorcaro teria custeado uma série de despesas pessoais de Ciro Nogueira, incluindo viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e voos privados. A investigação também reúne fotografias dos dois juntos em diferentes ocasiões e destinos no exterior, como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel, tradicional estação de esqui nos Alpes franceses.

Ao descrever o vínculo entre os investigados, a Polícia Federal afirma que a relação ultrapassava os limites de uma amizade pessoal. Segundo o documento, havia uma convergência de interesses que resultaria em benefícios mútuos.

"Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos", escreveu a PF no relatório.

Os investigadores apontam ainda a existência de supostas vantagens econômicas oferecidas ao senador. Entre elas, estariam a aquisição de participação societária por valor abaixo do mercado, pagamentos mensais de R$ 300 mil, a utilização de um imóvel pertencente a Vorcaro como se fosse do parlamentar e o custeio de despesas em viagens internacionais.

Um dos episódios destacados pela PF envolve uma estadia no Park Hyatt New York, hotel cinco estrelas cujas diárias ultrapassariam R$ 10 mil. Segundo o inquérito, o banqueiro teria arcado não apenas com a hospedagem, mas também com gastos em restaurantes de alto padrão e outras despesas atribuídas ao senador e à sua acompanhante.

A investigação também menciona a suposta disponibilização de um cartão destinado ao pagamento de despesas pessoais. Como parte das provas reunidas, os agentes localizaram uma troca de mensagens envolvendo um intermediário responsável pelos pagamentos.

Na conversa, o interlocutor pergunta a Vorcaro: "Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?"

Em seguida, o banqueiro responde: "Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths".

As fotografias anexadas ao inquérito mostram Vorcaro e Ciro Nogueira juntos em viagens e eventos sociais. Para a Polícia Federal, esse conjunto de elementos reforça a linha investigativa de que a relação entre ambos teria sido utilizada para favorecer interesses do Banco Master junto ao Poder Legislativo.

•        PF aponta que Vorcaro enviou R$ 350 mil em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria enviado R$ 350 mil em espécie ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) por meio de um voo executivo realizado entre São Paulo e Brasília. As informações constam em uma representação tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master.

A informação foi revelada originalmente pelo jornal O Globo. Segundo o documento da PF, o transporte do valor teria ocorrido em um jato da empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), aeronave que também era utilizada pelo empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado pelos investigadores como integrante de um esquema de fraudes no setor de combustíveis com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com a investigação, a suspeita surgiu a partir da análise de mensagens trocadas em 6 de agosto de 2025 entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado pela PF como operador financeiro do empresário. Nas conversas, os investigadores identificaram referências diretas a pagamentos relacionados ao senador piauiense.

<><> Conversas analisadas pela PF

Entre as mensagens obtidas pela PF, Vorcaro cobra a regularização de pendências financeiras e escreve: “Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”. Em resposta, Zettel relata dificuldades com uma transferência bancária e apresenta uma lista de valores pendentes.

Segundo o documento policial, nessa relação aparecem as expressões “Nota Ciro mais impostos 2” e “Espécie Ciro 350k”, referência que, para os investigadores, indica um pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo destinado ao parlamentar.

A PF sustenta que, após a troca de mensagens, Vorcaro orientou que fossem priorizados os pagamentos relacionados a Ciro Nogueira e a outros compromissos identificados como “galerias”.

<><> Voo entre São Paulo e Brasília entrou na mira

Os investigadores cruzaram a data das mensagens com informações prestadas pelo piloto Mauro Caputti Mattosinho, ex-funcionário da Táxi Aéreo Piracicaba. Em depoimentos e entrevistas concedidas anteriormente à imprensa, ele afirmou ter transportado um malote em um voo realizado no mesmo dia entre São Paulo e Brasília.

Segundo a representação da PF, o voo tinha entre os passageiros Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Os investigadores destacam que o piloto relatou ter ouvido diversas menções a Ciro Nogueira durante o trajeto.

De acordo com o documento, Mattosinho afirmou que o empresário perguntava repetidamente se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os aguardando”, circunstâncias consideradas relevantes pelos investigadores para estabelecer a conexão entre as mensagens e o transporte do malote.

<><> Suspeita de corrupção

Para a Polícia Federal, a análise conjunta das conversas e dos relatos sobre o voo reforça a hipótese de prática de crimes de corrupção ativa e passiva.

A representação afirma que o cruzamento dos elementos reunidos durante a investigação “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”. O material integra o conjunto de apurações relacionadas ao chamado caso Master.

Beto Louco é apontado como um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de fraudes no mercado de combustíveis. Atualmente, ele é considerado foragido da Justiça brasileira e, segundo a PF, tenta negociar um acordo de colaboração. Seu último paradeiro identificado pelos investigadores teria sido a Líbia, no norte da África.

<><> Uso frequente da aeronave

Ainda segundo a PF, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro indicam que o empresário utilizava com frequência o jato Gulfstream G150, identificado pela matrícula PR-SMG, para viagens de seu interesse.

Os investigadores também destacam que a aeronave integra o conjunto de equipamentos analisados na Operação Carbono Oculto. O objetivo é verificar a utilização dos voos em atividades relacionadas aos fatos apurados pela investigação.

O relatório menciona ainda que Mauro Caputti Mattosinho declarou ter transportado diversas vezes tanto Beto Louco quanto Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, apontado pela PF como outro líder do esquema de fraudes no setor de combustíveis investigado pela operação.

<><> Relação com aeronaves da TAP

A representação também recupera declarações prestadas anteriormente por Mattosinho a veículos de imprensa. Na ocasião, o piloto afirmou ter ouvido de superiores na empresa que determinadas aeronaves operadas pela Táxi Aéreo Piracicaba estariam ligadas ao presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.

Segundo o relato reproduzido na investigação, haveria um grupo supostamente liderado por Rueda responsável pela incorporação de um jato Gulfstream G200 à frota da empresa. A aeronave teria sido utilizada em viagens nacionais e internacionais.

Antonio Rueda já negou ser proprietário de aeronaves registradas em nome da Táxi Aéreo Piracicaba. Em declarações anteriores, reconheceu ter utilizado um dos aviões em uma viagem, mas afirmou que viajou como convidado e não revelou quem teria custeado o deslocamento ou quem seria o proprietário da aeronave.

•        PF aponta que Vorcaro pagou suítes de luxo em Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira

A Polícia Federal identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, custeou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, no fim de junho de 2024. As informações constam de material apreendido e analisado pelos investigadores.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, documentos e mensagens examinados pela PF apontam que Vorcaro organizou reservas para si e para os dois parlamentares na capital portuguesa entre os dias 24 e 30 de junho daquele ano. No período, Lisboa sediava eventos de grande repercussão política e jurídica, incluindo o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido nos bastidores como “Gilmarpalooza”, por ter o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes entre seus principais organizadores.

De acordo com a investigação, em 18 de junho de 2024, Vorcaro comunicou a um auxiliar a necessidade de providenciar hospedagem para sua estadia e também reservar dois quartos destinados a “Ciro e Hugo”. As acomodações teriam sido feitas em suítes do hotel Four Seasons, um dos mais luxuosos da cidade.

<><> PF destaca preocupação com privacidade

As mensagens analisadas pelos investigadores também revelam uma preocupação expressa do empresário com a privacidade do encontro e com a segurança dos participantes. Conforme a PF, Vorcaro orientou seu assistente a reforçar medidas para impedir qualquer visualização do ambiente onde ocorreriam reuniões e confraternizações.

Em um áudio obtido pela investigação, o empresário afirmou: "Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro".

Na mesma gravação, Vorcaro reforça a restrição de acesso ao local, declarando: "Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista."

<><> Operação Compliance Zero

A revelação ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Em maio deste ano, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira, que também preside nacionalmente o Progressistas (PP).

Entre as suspeitas levantadas pelos investigadores está a existência de repasses financeiros atribuídos a Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o parlamentar teria sido beneficiário de pagamentos periódicos e de outras despesas pessoais.

Os investigadores apontam ainda indícios de que viagens em aeronaves privadas e outros custos teriam sido assumidos por pessoas ligadas ao empresário. A apuração busca esclarecer a natureza dessas relações e verificar se houve eventual prática de ilícitos.

<><> Suspeita de pagamentos mensais

Conforme a investigação, Felipe Vorcaro teria participado de uma parceria descrita pela PF como relacionada a pagamentos mensais destinados ao senador. Os valores teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente sido elevados.

No relatório citado pela investigação, consta a informação de que Felipe teria estabelecido uma articulação "ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil".

Felipe Vorcaro encontra-se preso atualmente, enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa se ele permanecerá detido ou poderá responder ao processo em liberdade mediante medidas cautelares.

<><> Parlamentares ainda não comentaram

Até o momento mencionado pela reportagem, Hugo Motta e Ciro Nogueira não haviam se manifestado sobre o conteúdo das revelações. A Folha informou que ambos foram procurados por meio de suas assessorias para comentar as informações.

Quando foi alvo da Operação Compliance Zero, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade relacionada às suspeitas investigadas pela Polícia Federal. As apurações seguem em andamento e permanecem sob análise das autoridades competentes.

Vorcaro enviou 'emenda Master' a Ciro Nogueira, em 'convergência de interesses ilícitos', diz PF

A Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro encaminhou projetos de lei ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em uma atuação que os investigadores classificaram como uma “convergência de interesses ilícitos, orientada pelo benefício mútuo”. As informações foram divulgadas após a retirada do sigilo de documentos da investigação pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Segundo a apuração, Vorcaro teria buscado exercer influência sobre propostas legislativas com potencial de impactar diretamente setores de interesse de seus negócios. Entre os temas citados pela PF estão a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investidores, a regulamentação do mercado de carbono no Brasil e projetos relacionados à transição energética.

De acordo com os investigadores, a relação entre o banqueiro e o senador envolvia uma atuação coordenada para atender interesses comuns. A PF sustenta que Ciro Nogueira utilizaria sua posição no Senado Federal para defender pautas de interesse de Vorcaro, enquanto o empresário ofereceria contrapartidas consideradas indevidas.

Em trecho da representação policial tornada pública nesta terça-feira (16), a PF descreve a dinâmica investigada:

“De um lado, CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se de sua posição institucional para exercer influência política e defender os interesses do banqueiro. De outro, VORCARO ofereceria vantagens indevidas, materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de valores (‘mesada’), na aquisição de participações societárias com expressivo deságio, bem como no custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros benefícios econômicos.”

A investigação aponta que os supostos benefícios concedidos ao senador incluiriam pagamentos regulares, operações societárias em condições favoráveis e o custeio de viagens internacionais de alto padrão. A PF considera que esses elementos reforçam a hipótese de uma relação baseada em troca de favores e vantagens econômicas.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: