PF
diz que Vorcaro bancou despesas e viagens para Paris, Nova York, Lisboa e
Courchevel de Ciro Nogueira
A
Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma
relação considerada "instrumental" com o senador Ciro Nogueira
(PP-PI), supostamente voltada ao atendimento de interesses do Banco Master no
Congresso Nacional.
O caso
ganhou novo desdobramento após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal
Federal (STF), determinar a retirada do sigilo da investigação. Com isso,
vieram a público documentos, fotografias e mensagens que, segundo a PF,
sustentam a hipótese de uma relação marcada pela troca de benefícios entre o
banqueiro e o parlamentar.
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De
acordo com o relatório policial, Vorcaro teria custeado uma série de despesas
pessoais de Ciro Nogueira, incluindo viagens internacionais, hospedagens em
hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e voos privados. A
investigação também reúne fotografias dos dois juntos em diferentes ocasiões e
destinos no exterior, como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel, tradicional
estação de esqui nos Alpes franceses.
Ao
descrever o vínculo entre os investigados, a Polícia Federal afirma que a
relação ultrapassava os limites de uma amizade pessoal. Segundo o documento,
havia uma convergência de interesses que resultaria em benefícios mútuos.
"Tal
vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade,
uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de
interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos
envolvidos", escreveu a PF no relatório.
Os
investigadores apontam ainda a existência de supostas vantagens econômicas
oferecidas ao senador. Entre elas, estariam a aquisição de participação
societária por valor abaixo do mercado, pagamentos mensais de R$ 300 mil, a
utilização de um imóvel pertencente a Vorcaro como se fosse do parlamentar e o
custeio de despesas em viagens internacionais.
Um dos
episódios destacados pela PF envolve uma estadia no Park Hyatt New York, hotel
cinco estrelas cujas diárias ultrapassariam R$ 10 mil. Segundo o inquérito, o
banqueiro teria arcado não apenas com a hospedagem, mas também com gastos em
restaurantes de alto padrão e outras despesas atribuídas ao senador e à sua
acompanhante.
A
investigação também menciona a suposta disponibilização de um cartão destinado
ao pagamento de despesas pessoais. Como parte das provas reunidas, os agentes
localizaram uma troca de mensagens envolvendo um intermediário responsável
pelos pagamentos.
Na
conversa, o interlocutor pergunta a Vorcaro: "Só uma pergunta rápida... eh
pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até
sábado?"
Em
seguida, o banqueiro responde: "Sim. Depois leva meu cartão para St.
Barths".
As
fotografias anexadas ao inquérito mostram Vorcaro e Ciro Nogueira juntos em
viagens e eventos sociais. Para a Polícia Federal, esse conjunto de elementos
reforça a linha investigativa de que a relação entre ambos teria sido utilizada
para favorecer interesses do Banco Master junto ao Poder Legislativo.
• PF aponta que Vorcaro enviou R$ 350 mil
em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco
A
Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro,
controlador do Banco Master, teria enviado R$ 350 mil em espécie ao senador
Ciro Nogueira (PP-PI) por meio de um voo executivo realizado entre São Paulo e
Brasília. As informações constam em uma representação tornada pública nesta
terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André
Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master.
A
informação foi revelada originalmente pelo jornal O Globo. Segundo o documento
da PF, o transporte do valor teria ocorrido em um jato da empresa Táxi Aéreo
Piracicaba (TAP), aeronave que também era utilizada pelo empresário Roberto
Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado pelos investigadores
como integrante de um esquema de fraudes no setor de combustíveis com suposta
ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De
acordo com a investigação, a suspeita surgiu a partir da análise de mensagens
trocadas em 6 de agosto de 2025 entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel,
apontado pela PF como operador financeiro do empresário. Nas conversas, os
investigadores identificaram referências diretas a pagamentos relacionados ao
senador piauiense.
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Conversas analisadas pela PF
Entre
as mensagens obtidas pela PF, Vorcaro cobra a regularização de pendências
financeiras e escreve: “Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”. Em
resposta, Zettel relata dificuldades com uma transferência bancária e apresenta
uma lista de valores pendentes.
Segundo
o documento policial, nessa relação aparecem as expressões “Nota Ciro mais
impostos 2” e “Espécie Ciro 350k”, referência que, para os investigadores,
indica um pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo destinado ao parlamentar.
A PF
sustenta que, após a troca de mensagens, Vorcaro orientou que fossem
priorizados os pagamentos relacionados a Ciro Nogueira e a outros compromissos
identificados como “galerias”.
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Voo entre São Paulo e Brasília entrou na mira
Os
investigadores cruzaram a data das mensagens com informações prestadas pelo
piloto Mauro Caputti Mattosinho, ex-funcionário da Táxi Aéreo Piracicaba. Em
depoimentos e entrevistas concedidas anteriormente à imprensa, ele afirmou ter
transportado um malote em um voo realizado no mesmo dia entre São Paulo e
Brasília.
Segundo
a representação da PF, o voo tinha entre os passageiros Roberto Augusto Leme da
Silva, o Beto Louco. Os investigadores destacam que o piloto relatou ter ouvido
diversas menções a Ciro Nogueira durante o trajeto.
De
acordo com o documento, Mattosinho afirmou que o empresário perguntava
repetidamente se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os
aguardando”, circunstâncias consideradas relevantes pelos investigadores para
estabelecer a conexão entre as mensagens e o transporte do malote.
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Suspeita de corrupção
Para a
Polícia Federal, a análise conjunta das conversas e dos relatos sobre o voo
reforça a hipótese de prática de crimes de corrupção ativa e passiva.
A
representação afirma que o cruzamento dos elementos reunidos durante a
investigação “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e
ativa”. O material integra o conjunto de apurações relacionadas ao chamado caso
Master.
Beto
Louco é apontado como um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, que
investiga um esquema de fraudes no mercado de combustíveis. Atualmente, ele é
considerado foragido da Justiça brasileira e, segundo a PF, tenta negociar um
acordo de colaboração. Seu último paradeiro identificado pelos investigadores
teria sido a Líbia, no norte da África.
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Uso frequente da aeronave
Ainda
segundo a PF, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro indicam que o
empresário utilizava com frequência o jato Gulfstream G150, identificado pela
matrícula PR-SMG, para viagens de seu interesse.
Os
investigadores também destacam que a aeronave integra o conjunto de
equipamentos analisados na Operação Carbono Oculto. O objetivo é verificar a
utilização dos voos em atividades relacionadas aos fatos apurados pela
investigação.
O
relatório menciona ainda que Mauro Caputti Mattosinho declarou ter transportado
diversas vezes tanto Beto Louco quanto Mohamad Hussein Mourad, conhecido como
Primo, apontado pela PF como outro líder do esquema de fraudes no setor de
combustíveis investigado pela operação.
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Relação com aeronaves da TAP
A
representação também recupera declarações prestadas anteriormente por
Mattosinho a veículos de imprensa. Na ocasião, o piloto afirmou ter ouvido de
superiores na empresa que determinadas aeronaves operadas pela Táxi Aéreo
Piracicaba estariam ligadas ao presidente nacional do União Brasil, Antonio
Rueda.
Segundo
o relato reproduzido na investigação, haveria um grupo supostamente liderado
por Rueda responsável pela incorporação de um jato Gulfstream G200 à frota da
empresa. A aeronave teria sido utilizada em viagens nacionais e internacionais.
Antonio
Rueda já negou ser proprietário de aeronaves registradas em nome da Táxi Aéreo
Piracicaba. Em declarações anteriores, reconheceu ter utilizado um dos aviões
em uma viagem, mas afirmou que viajou como convidado e não revelou quem teria
custeado o deslocamento ou quem seria o proprietário da aeronave.
• PF aponta que Vorcaro pagou suítes de
luxo em Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira
A
Polícia Federal identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro,
controlador do Banco Master, custeou a hospedagem do presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI)
durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, no fim de junho de 2024. As
informações constam de material apreendido e analisado pelos investigadores.
Segundo
reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, documentos e mensagens examinados
pela PF apontam que Vorcaro organizou reservas para si e para os dois
parlamentares na capital portuguesa entre os dias 24 e 30 de junho daquele ano.
No período, Lisboa sediava eventos de grande repercussão política e jurídica,
incluindo o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido nos bastidores como
“Gilmarpalooza”, por ter o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar
Mendes entre seus principais organizadores.
De
acordo com a investigação, em 18 de junho de 2024, Vorcaro comunicou a um
auxiliar a necessidade de providenciar hospedagem para sua estadia e também
reservar dois quartos destinados a “Ciro e Hugo”. As acomodações teriam sido
feitas em suítes do hotel Four Seasons, um dos mais luxuosos da cidade.
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PF destaca preocupação com privacidade
As
mensagens analisadas pelos investigadores também revelam uma preocupação
expressa do empresário com a privacidade do encontro e com a segurança dos
participantes. Conforme a PF, Vorcaro orientou seu assistente a reforçar
medidas para impedir qualquer visualização do ambiente onde ocorreriam reuniões
e confraternizações.
Em um
áudio obtido pela investigação, o empresário afirmou: "Preciso muito que
você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no
lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em
frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá
dentro".
Na
mesma gravação, Vorcaro reforça a restrição de acesso ao local, declarando:
"Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na
lista."
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Operação Compliance Zero
A
revelação ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero,
conduzida pela Polícia Federal. Em maio deste ano, agentes cumpriram mandados
de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira, que também
preside nacionalmente o Progressistas (PP).
Entre
as suspeitas levantadas pelos investigadores está a existência de repasses
financeiros atribuídos a Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Segundo a PF,
o parlamentar teria sido beneficiário de pagamentos periódicos e de outras
despesas pessoais.
Os
investigadores apontam ainda indícios de que viagens em aeronaves privadas e
outros custos teriam sido assumidos por pessoas ligadas ao empresário. A
apuração busca esclarecer a natureza dessas relações e verificar se houve
eventual prática de ilícitos.
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Suspeita de pagamentos mensais
Conforme
a investigação, Felipe Vorcaro teria participado de uma parceria descrita pela
PF como relacionada a pagamentos mensais destinados ao senador. Os valores
teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente sido elevados.
No
relatório citado pela investigação, consta a informação de que Felipe teria
estabelecido uma articulação "ligada aos pagamentos mensais em favor do
senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de
que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500
mil".
Felipe
Vorcaro encontra-se preso atualmente, enquanto o Supremo Tribunal Federal
analisa se ele permanecerá detido ou poderá responder ao processo em liberdade
mediante medidas cautelares.
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Parlamentares ainda não comentaram
Até o
momento mencionado pela reportagem, Hugo Motta e Ciro Nogueira não haviam se
manifestado sobre o conteúdo das revelações. A Folha informou que ambos foram
procurados por meio de suas assessorias para comentar as informações.
Quando
foi alvo da Operação Compliance Zero, Ciro Nogueira negou qualquer
irregularidade relacionada às suspeitas investigadas pela Polícia Federal. As
apurações seguem em andamento e permanecem sob análise das autoridades
competentes.
Vorcaro
enviou 'emenda Master' a Ciro Nogueira, em 'convergência de interesses
ilícitos', diz PF
A
Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro encaminhou projetos
de lei ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em uma atuação que os
investigadores classificaram como uma “convergência de interesses ilícitos,
orientada pelo benefício mútuo”. As informações foram divulgadas após a
retirada do sigilo de documentos da investigação pelo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Segundo
a apuração, Vorcaro teria buscado exercer influência sobre propostas
legislativas com potencial de impactar diretamente setores de interesse de seus
negócios. Entre os temas citados pela PF estão a ampliação da cobertura do
Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investidores, a regulamentação do
mercado de carbono no Brasil e projetos relacionados à transição energética.
De
acordo com os investigadores, a relação entre o banqueiro e o senador envolvia
uma atuação coordenada para atender interesses comuns. A PF sustenta que Ciro
Nogueira utilizaria sua posição no Senado Federal para defender pautas de
interesse de Vorcaro, enquanto o empresário ofereceria contrapartidas
consideradas indevidas.
Em
trecho da representação policial tornada pública nesta terça-feira (16), a PF
descreve a dinâmica investigada:
“De um
lado, CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO atuaria no âmbito do Senado Federal, valendo-se
de sua posição institucional para exercer influência política e defender os
interesses do banqueiro. De outro, VORCARO ofereceria vantagens indevidas,
materializadas, entre outras formas, no pagamento periódico de valores
(‘mesada’), na aquisição de participações societárias com expressivo deságio,
bem como no custeio de viagens internacionais de elevado padrão e outros
benefícios econômicos.”
A
investigação aponta que os supostos benefícios concedidos ao senador incluiriam
pagamentos regulares, operações societárias em condições favoráveis e o custeio
de viagens internacionais de alto padrão. A PF considera que esses elementos
reforçam a hipótese de uma relação baseada em troca de favores e vantagens
econômicas.
Fonte:
Brasil 247

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