Planserv
pode deixar servidores sem assistência em cirurgias cardiovasculares e
torácicas na Bahia
A
assistência médica especializada de alta complexidade pode sofrer impacto na
Bahia nos próximos dias. Beneficiários do Planserv — Assistência à Saúde dos
Servidores Públicos Estaduais — podem ficar sem atendimento em cirurgias
cardiovasculares e torácicas, após a cooperativa Cardiotórax comunicar
formalmente a intenção de suspender os serviços. A notificação, enviada em abril pela cooperativa, prevê prazo de até 90
dias para a efetivação da medida, caso não haja avanço nas negociações entre as
partes.
De
acordo com o documento, a decisão foi motivada por um cenário considerado
“insustentável” sob os aspectos técnico, operacional e econômico, com destaque
para a defasagem dos honorários médicos, que não são reajustados há
aproximadamente quatro anos, além da ausência de um canal efetivo de negociação
institucional.
A
cooperativa também aponta que o modelo atual de remuneração, com limitações e
tetos, tem impactado diretamente a organização do fluxo assistencial e
contribuído para o desgaste na condução das demandas. Segundo a entidade, esse
conjunto de fatores compromete não apenas a valorização do trabalho médico, mas
também a continuidade e a qualidade do atendimento, especialmente em
especialidades de alta complexidade.
A
advogada da Cardiotórax, Marina Basile, afirma que a tentativa de solução pela
via do diálogo foi priorizada. “Tentamos por diversos momentos fazer uma
interlocução amigável com o Planserv na expectativa de que pudéssemos ter
atendidos pleitos antigos de uma pauta necessária à boa assistência médica. No
entanto, ignorando todo o pleito de anos da cooperativa, o Planserv lançou um
novo edital com valores ainda mais defasados. Dessa maneira, só podemos
entender que não há interesse no diálogo, por óbvio”, disse.
O
presidente da cooperativa, o cirurgião Leandro Públio, reforça que a medida
ainda pode ser evitada, desde que haja avanço nas tratativas. “Temos buscado,
de forma contínua e respeitosa, retomar o diálogo com o Planserv para
alinharmos pontos importantes da nossa relação contratual. Apesar das diversas
tentativas de contato, ainda não obtivemos o retorno necessário para avançarmos
de maneira coordenada”, afirmou.
“Reconhecemos
as possíveis limitações de cada parte e reiteramos nossa total disposição para
construir uma solução conjunta, que beneficie a todos e preserve a qualidade de
nossa parceria. Permanecemos no aguardo de um posicionamento para que possamos
seguir com serenidade e clareza nos próximos passos”, completou o cirurgião
torácico.
A
cooperativa ressalta que a comunicação busca, prioritariamente, a readequação
das condições atuais, com foco na recomposição dos honorários e na revisão da
estrutura de atendimento. Segundo o documento, a medida se insere em um
movimento institucional voltado à reorganização da assistência especializada,
com atenção à sustentabilidade do sistema e à qualidade do cuidado prestado aos
beneficiários.
• Abrir empresa virou rotina entre
profissionais de saúde, mas gestão segue como desafio
A
abertura de empresas tem se tornado cada vez mais comum entre médicos,
dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais
da área da saúde. Em muitos casos, a contratação por pessoa jurídica (PJ) já é
uma exigência de hospitais, clínicas, operadoras de saúde e empresas do setor.
O que muitos profissionais descobrem apenas depois da formalização é que abrir
um CNPJ representa apenas o início de uma série de responsabilidades
administrativas, fiscais e jurídicas.
Embora
a constituição da empresa possa ser concluída em poucos dias, manter a
regularidade do negócio exige atenção permanente a questões como tributação,
emissão de notas fiscais, credenciamentos, contratos, alvarás e obrigações
junto a órgãos públicos e entidades reguladoras. A falta de conhecimento sobre
esses processos pode resultar em multas, atrasos de pagamentos, perda de
oportunidades profissionais e problemas com a fiscalização.
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Além da abertura
Dados
do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam
que o Brasil ultrapassou a marca de 22 milhões de empresas ativas, refletindo o
crescimento da formalização e do empreendedorismo no país. No entanto,
especialistas alertam que abrir uma empresa é apenas uma etapa do processo e
que a gestão adequada continua sendo um dos principais desafios para garantir a
sustentabilidade dos negócios.
No
setor da saúde, a situação costuma ser ainda mais complexa. Dependendo da
atividade desenvolvida, o profissional pode precisar atender simultaneamente às
exigências da Receita Federal, prefeituras, conselhos de classe, Vigilância
Sanitária e instituições contratantes.
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Erros mais comuns
Entre
as dificuldades mais frequentes enfrentadas por profissionais de saúde que
atuam como pessoa jurídica estão a escolha inadequada do regime tributário, a
emissão incorreta de notas fiscais, atrasos no pagamento de impostos, a falta
de organização financeira, problemas relacionados a contratos e documentação
vencida para credenciamento em hospitais e operadoras.
A CEO
da Referência Gestão de Saúde, Catarina Lima, afirma que muitos profissionais
buscam orientação especializada apenas depois de enfrentar algum tipo de
problema.“Muita gente abre um CNPJ porque recebeu uma proposta de trabalho ou
porque a contratação exige pessoa jurídica. O problema é que, muitas vezes,
essa decisão é tomada sem que o profissional compreenda como funciona a
tributação, quais impostos precisará recolher, quais documentos deverá manter
atualizados e como será feita a emissão das notas fiscais”, explica.
Segundo
Catarina, a falta de planejamento pode gerar impactos financeiros
significativos ao longo do tempo. “Não é raro encontrarmos profissionais
pagando mais impostos do que deveriam por falta de uma análise tributária
adequada. Também vemos situações em que a emissão incorreta ou tardia de notas
fiscais acaba comprometendo o recebimento de honorários ou gerando dificuldades
no controle financeiro da empresa”, afirma.
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Credenciamento e contratos
Outro
desafio frequente está relacionado ao credenciamento junto a hospitais,
operadoras de saúde e demais instituições contratantes. O processo normalmente
exige a apresentação de documentos empresariais, certidões negativas, registros
atualizados e outras comprovações legais.
“Alguns
profissionais acreditam que, após a abertura do CNPJ, já estão aptos a prestar
serviços imediatamente. Na prática, existem processos de credenciamento que
exigem documentação organizada e atualizada. Quando isso não acontece, podem
surgir atrasos na contratação e até perda de oportunidades profissionais”,
ressalta Catarina.
Os
contratos também exigem atenção. Questões como remuneração, responsabilidades e
prazos de pagamento nem sempre recebem a devida análise antes da assinatura. “É
fundamental que o profissional compreenda exatamente quais são os seus direitos
e deveres. Um contrato mal elaborado ou uma obrigação fiscal não cumprida pode
trazer consequências importantes para a atividade profissional”, alerta.
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Gestão profissional
Para
especialistas, o avanço da pejotização no setor da saúde reforça a necessidade
de maior educação financeira e empresarial entre os profissionais. Embora a
formação acadêmica prepare médicos e outros profissionais para o exercício
técnico da profissão, temas ligados à gestão costumam receber pouca atenção
durante a graduação.
Para
Catarina Lima, a profissionalização da gestão é um passo cada vez mais
importante para quem deseja construir uma carreira sustentável. “O profissional
de saúde passou anos se preparando para cuidar de pessoas, não para lidar com
burocracia, legislação tributária, contratos e processos administrativos.
Tentar assumir sozinho todas essas responsabilidades pode gerar erros e
consumir um tempo precioso que poderia ser dedicado aos pacientes. Por isso,
contar com uma equipe especializada para cuidar da gestão permite mais
segurança, organização e tranquilidade para que o profissional exerça sua
atividade com foco no que realmente sabe fazer”, conclui Catarina Lima.
Fonte:
Por Carla Santana – assessora de imprensa

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