Controlar
carboidratos é suficiente para manter o controle da glicose de quem tem
diabetes? Especialistas respondem
A
contagem de carboidratos transformou a rotina de muitas pessoas com diabetes. A
estratégia trouxe mais flexibilidade alimentar e ajudou a ajustar melhor as
doses de insulina. No entanto, surge uma dúvida frequente: controlar apenas os
carboidratos é suficiente para manter o diabetes sob controle?
Segundo
a endocrinologista Denise Franco e a nutricionista Juliana Baptista, a resposta
é não. Embora os carboidratos tenham papel central no controle glicêmico,
outros fatores também influenciam a saúde de quem convive com a condição.
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Como surgiu a contagem de carboidratos no tratamento do diabetes
A
contagem de carboidratos começou a ganhar espaço nos anos 1990. Segundo Juliana
Baptista, a estratégia foi publicada pela Associação Americana de Diabetes em
meados de 1994 e 1995. No Brasil, a técnica passou a se popularizar com a
chegada de tecnologias como bombas de insulina e sensores de glicose.
De
acordo com Denise Franco, a contagem trouxe mais liberdade para pessoas com
diabetes tipo 1. A proposta é permitir que a dose de insulina acompanhe a
quantidade de carboidratos consumida em cada refeição.
Na
prática, o médico define quantos gramas de carboidrato correspondem a uma
unidade de insulina. A partir disso, a pessoa ajusta a dose conforme o que
pretende comer.
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Contar carboidratos ajuda a evitar hipoglicemia e hiperglicemia
Segundo
Juliana Baptista, a principal vantagem da técnica é evitar o uso de uma dose
fixa de insulina para refeições diferentes.
Quando
uma pessoa come mais carboidrato do que o habitual, a glicose tende a subir.
Por outro lado, quando come menos e mantém a mesma dose de insulina, o risco de
hipoglicemia aumenta. Nesse contexto, a contagem de carboidratos permite
adaptar a insulina à refeição.
Além
disso, a estratégia oferece mais flexibilidade alimentar e facilita a inclusão
de diferentes alimentos no dia a dia.
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A técnica também pode ajudar quem não usa insulina
Embora
seja mais conhecida entre pessoas com diabetes tipo 1, a contagem de
carboidratos não se limita a esse grupo.
Denise
Franco explica que a estratégia pode auxiliar mulheres com diabetes gestacional
a distribuir os carboidratos ao longo do dia. Além disso, também pode ser útil
para pessoas com diabetes tipo 2 que utilizam medicamentos orais.
Segundo
a endocrinologista, a técnica ajuda a entender melhor o que representa excesso
alimentar para cada pessoa. Afinal, aquilo que é exagero para um indivíduo pode
não ser para outro.
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Carboidrato e caloria não são a mesma coisa
Um dos
principais alertas das especialistas é que muitas pessoas passam a olhar apenas
para os carboidratos e deixam de observar outros aspectos da alimentação.
Juliana
Baptista explica que um alimento pode ter alto teor de carboidratos e poucas
calorias. Da mesma forma, outro alimento pode conter poucos carboidratos e
muitas calorias.
A
nutricionista lembra que carboidratos e proteínas fornecem quatro calorias por
grama. Já a gordura fornece nove calorias por grama. Por isso, alimentos ricos
em gordura podem contribuir para ganho de peso mesmo sem alterar
significativamente a contagem de carboidratos.
Além
disso, o álcool também entra nessa conta. Segundo Denise Franco, cada grama de
álcool fornece sete calorias e pode influenciar o peso corporal.
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Ganho de peso pode aumentar a necessidade de insulina
De
acordo com Denise Franco, avaliar apenas a glicemia pode levar a interpretações
incompletas sobre o tratamento.
Uma
pessoa pode melhorar os níveis de glicose e, ao mesmo tempo, ganhar peso. Nesse
cenário, o aumento da massa corporal pode exigir mais insulina para manter o
mesmo controle glicêmico.
Além
disso, o ganho de peso pode favorecer resistência à insulina e aumentar fatores
relacionados ao risco cardiovascular. Por isso, controlar apenas a glicemia não
é suficiente para avaliar a saúde de quem tem diabetes.
Segundo
Juliana Baptista, quanto maior a massa corporal, maior tende a ser a
necessidade de insulina.
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Proteínas, gorduras e fibras também fazem parte do tratamento
Outro
ponto destacado pelas especialistas é que a alimentação não pode ser analisada
apenas pelo teor de carboidratos.
As
proteínas participam da manutenção da massa muscular, da cicatrização e de
diversas funções do organismo. Já as fibras contribuem para o funcionamento
intestinal e fornecem vitaminas e minerais.
Nesse
contexto, uma alimentação equilibrada precisa incluir todos esses nutrientes em
quantidades adequadas.
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Alimentos sem carboidrato também exigem atenção
Muitas
pessoas acreditam que alimentos sem carboidratos podem ser consumidos
livremente. No entanto, Denise Franco e Juliana Baptista alertam que isso não é
verdade.
A
linguiça foi usada como exemplo durante o episódio. Embora tenha quantidade
mínima de carboidratos, ela contém gordura e calorias. Além disso, o excesso
pode contribuir para ganho de peso e aumentar a necessidade de insulina.
As
especialistas também explicam que proteínas e gorduras em excesso podem elevar
a glicose algumas horas após a refeição. Em muitos casos, a elevação ocorre
entre quatro e cinco horas depois do consumo.
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Nem toda alta da glicose está relacionada ao carboidrato
Juliana
Baptista relatou o caso de uma paciente que apresentava elevação da glicose
durante a tarde sem explicação aparente.
Após
investigar os hábitos alimentares da família, a nutricionista descobriu que o
feijão era preparado com bacon. Segundo ela, a simples mudança na receita
ajudou a reduzir os picos glicêmicos observados horas depois das refeições.
O caso
mostra que ingredientes ricos em gordura podem alterar o comportamento da
glicose mesmo quando não modificam significativamente a quantidade de
carboidratos consumida.
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Alimentação saudável continua sendo a base
Para
Denise Franco, a alimentação é um dos pilares do tratamento do diabetes,
independentemente do tipo da doença.
Por
isso, a análise não deve se limitar à contagem de carboidratos. Também é
necessário observar qualidade alimentar, quantidade de calorias, peso corporal,
saúde cardiovascular e necessidade de insulina.
Segundo
as especialistas, a contagem de carboidratos continua sendo uma ferramenta
importante. No entanto, ela funciona melhor quando faz parte de uma estratégia
mais ampla de cuidado com a saúde.
Fonte:
Um Diabético

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