quinta-feira, 18 de junho de 2026

Controlar carboidratos é suficiente para manter o controle da glicose de quem tem diabetes? Especialistas respondem

A contagem de carboidratos transformou a rotina de muitas pessoas com diabetes. A estratégia trouxe mais flexibilidade alimentar e ajudou a ajustar melhor as doses de insulina. No entanto, surge uma dúvida frequente: controlar apenas os carboidratos é suficiente para manter o diabetes sob controle?

Segundo a endocrinologista Denise Franco e a nutricionista Juliana Baptista, a resposta é não. Embora os carboidratos tenham papel central no controle glicêmico, outros fatores também influenciam a saúde de quem convive com a condição.

<><> Como surgiu a contagem de carboidratos no tratamento do diabetes

A contagem de carboidratos começou a ganhar espaço nos anos 1990. Segundo Juliana Baptista, a estratégia foi publicada pela Associação Americana de Diabetes em meados de 1994 e 1995. No Brasil, a técnica passou a se popularizar com a chegada de tecnologias como bombas de insulina e sensores de glicose.

De acordo com Denise Franco, a contagem trouxe mais liberdade para pessoas com diabetes tipo 1. A proposta é permitir que a dose de insulina acompanhe a quantidade de carboidratos consumida em cada refeição.

Na prática, o médico define quantos gramas de carboidrato correspondem a uma unidade de insulina. A partir disso, a pessoa ajusta a dose conforme o que pretende comer.

<><> Contar carboidratos ajuda a evitar hipoglicemia e hiperglicemia

Segundo Juliana Baptista, a principal vantagem da técnica é evitar o uso de uma dose fixa de insulina para refeições diferentes.

Quando uma pessoa come mais carboidrato do que o habitual, a glicose tende a subir. Por outro lado, quando come menos e mantém a mesma dose de insulina, o risco de hipoglicemia aumenta. Nesse contexto, a contagem de carboidratos permite adaptar a insulina à refeição.

Além disso, a estratégia oferece mais flexibilidade alimentar e facilita a inclusão de diferentes alimentos no dia a dia.

<><> A técnica também pode ajudar quem não usa insulina

Embora seja mais conhecida entre pessoas com diabetes tipo 1, a contagem de carboidratos não se limita a esse grupo.

Denise Franco explica que a estratégia pode auxiliar mulheres com diabetes gestacional a distribuir os carboidratos ao longo do dia. Além disso, também pode ser útil para pessoas com diabetes tipo 2 que utilizam medicamentos orais.

Segundo a endocrinologista, a técnica ajuda a entender melhor o que representa excesso alimentar para cada pessoa. Afinal, aquilo que é exagero para um indivíduo pode não ser para outro.

<><> Carboidrato e caloria não são a mesma coisa

Um dos principais alertas das especialistas é que muitas pessoas passam a olhar apenas para os carboidratos e deixam de observar outros aspectos da alimentação.

Juliana Baptista explica que um alimento pode ter alto teor de carboidratos e poucas calorias. Da mesma forma, outro alimento pode conter poucos carboidratos e muitas calorias.

A nutricionista lembra que carboidratos e proteínas fornecem quatro calorias por grama. Já a gordura fornece nove calorias por grama. Por isso, alimentos ricos em gordura podem contribuir para ganho de peso mesmo sem alterar significativamente a contagem de carboidratos.

Além disso, o álcool também entra nessa conta. Segundo Denise Franco, cada grama de álcool fornece sete calorias e pode influenciar o peso corporal.

<><> Ganho de peso pode aumentar a necessidade de insulina

De acordo com Denise Franco, avaliar apenas a glicemia pode levar a interpretações incompletas sobre o tratamento.

Uma pessoa pode melhorar os níveis de glicose e, ao mesmo tempo, ganhar peso. Nesse cenário, o aumento da massa corporal pode exigir mais insulina para manter o mesmo controle glicêmico.

Além disso, o ganho de peso pode favorecer resistência à insulina e aumentar fatores relacionados ao risco cardiovascular. Por isso, controlar apenas a glicemia não é suficiente para avaliar a saúde de quem tem diabetes.

Segundo Juliana Baptista, quanto maior a massa corporal, maior tende a ser a necessidade de insulina.

<><> Proteínas, gorduras e fibras também fazem parte do tratamento

Outro ponto destacado pelas especialistas é que a alimentação não pode ser analisada apenas pelo teor de carboidratos.

As proteínas participam da manutenção da massa muscular, da cicatrização e de diversas funções do organismo. Já as fibras contribuem para o funcionamento intestinal e fornecem vitaminas e minerais.

Nesse contexto, uma alimentação equilibrada precisa incluir todos esses nutrientes em quantidades adequadas.

<><> Alimentos sem carboidrato também exigem atenção

Muitas pessoas acreditam que alimentos sem carboidratos podem ser consumidos livremente. No entanto, Denise Franco e Juliana Baptista alertam que isso não é verdade.

A linguiça foi usada como exemplo durante o episódio. Embora tenha quantidade mínima de carboidratos, ela contém gordura e calorias. Além disso, o excesso pode contribuir para ganho de peso e aumentar a necessidade de insulina.

As especialistas também explicam que proteínas e gorduras em excesso podem elevar a glicose algumas horas após a refeição. Em muitos casos, a elevação ocorre entre quatro e cinco horas depois do consumo.

<><> Nem toda alta da glicose está relacionada ao carboidrato

Juliana Baptista relatou o caso de uma paciente que apresentava elevação da glicose durante a tarde sem explicação aparente.

Após investigar os hábitos alimentares da família, a nutricionista descobriu que o feijão era preparado com bacon. Segundo ela, a simples mudança na receita ajudou a reduzir os picos glicêmicos observados horas depois das refeições.

O caso mostra que ingredientes ricos em gordura podem alterar o comportamento da glicose mesmo quando não modificam significativamente a quantidade de carboidratos consumida.

<><> Alimentação saudável continua sendo a base

Para Denise Franco, a alimentação é um dos pilares do tratamento do diabetes, independentemente do tipo da doença.

Por isso, a análise não deve se limitar à contagem de carboidratos. Também é necessário observar qualidade alimentar, quantidade de calorias, peso corporal, saúde cardiovascular e necessidade de insulina.

Segundo as especialistas, a contagem de carboidratos continua sendo uma ferramenta importante. No entanto, ela funciona melhor quando faz parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde.

 

Fonte: Um Diabético

 

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