Tratamento
inovador aumenta chances de transplante de medula em idosos
Um
estudo brasileiro avaliou um novo regime de preparação para transplantes em
pacientes com 60 anos ou mais. A abordagem inovadora é considerada menos tóxica
para os idosos, aumentando as possibilidades de tratamento de leucemia mieloide
aguda e síndrome mielodisplásica para essa população.
O
trabalho foi apresentado por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita
durante a Reunião Anual da ASH (Sociedade Americana de Hematologia), que
aconteceu em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 9 de
dezembro.
A nova
estratégia utiliza radiação direcionada à medula óssea combinada com
quimioterapia de intensidade reduzida em pacientes idosos com leucemia mieloide
aguda ou síndrome mielodisplásica.
Para
realizar o estudo, foram selecionados 28 pacientes, muitos deles ainda doentes
no momento do transplante. Segundo o estudo, os pacientes idosos submetidos a
essa nova abordagem tiveram uma taxa de sobrevida de 50% em dois anos e taxas
relativamente baixas de complicações graves.
Segundo
Nelson Hamerschlak, coordenador do Departamento de Hematologia do Einstein, o
transplante de medula óssea em idosos é considerado um tratamento de risco,
pois aumenta as chances de complicações e de óbito -- principalmente, devido ao
uso de altas doses de quimioterapia ou radioterapia associado ao procedimento.
"Por
isso, há alguns anos, estabeleceu-se um novo tipo de transplante com toxicidade
reduzida, que faz com que você utilize menos doses [de quimio ou radio] para
tratar o idoso. Mas, ao utilizar menos doses, você tem mais chance de recidiva,
ou seja, da doença voltar ou mesmo de o paciente ser refratário [não responder
ao tratamento]", explica Hamerschlak à CNN Brasil.
"O
que nós estamos procurando é o melhor esquema para fazer um bom
condicionamento, ou seja, o preparo para o transplante em um idoso",
completa.
Em
parceria com a Case Western University, de Ohio, nos Estados Unidos, o Einstein
Hospital Israelita desenvolveu uma tecnologia chamada irradiação medular total,
em que a radiação é voltada especificamente para a medula óssea, deixando de
afetar outros órgãos vitais no idoso.
"Utilizando
um esquema de toxicidade reduzida com quimioterapia e irradiação medular total,
nós vimos que em pacientes com leucemia mieloide aguda acima de 65 anos houve
uma taxa de resposta de mais de 50% de cura, o que é um dado incrível para esta
idade", afirma Hamerschlak.
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O que é leucemia mieloide aguda e síndrome mielodisplásica?
A
leucemia é um tipo de câncer que envolve as células sanguíneas, principalmente
os glóbulos brancos, mas podendo afetar também as plaquetas e os glóbulos
vermelhos.
A
doença pode ser classificada em aguda (crescimento rápido) ou crônica
(crescimento lento) e, também, pelo tipo de célula acometida pelo câncer
(linfoide ou mieloide). A leucemia mieloide aguda é mais comum em adultos e tem
crescimento rápido.
O
tratamento para leucemia varia de acordo com o tipo do câncer. No geral, o
objetivo é destruir as células anormais para que a medula volte a produzir
células saudáveis.
Na
leucemia mieloide aguda, é indicada a indução de remissão com quimioterapia e
consolidação com quimioterápicos não utilizados anteriormente, com manutenção
feita em casos específicos. Em alguns casos com maior risco de complicações
graves, pode ser necessário o transplante de medula óssea.
Já a
síndrome mielodisplásica é um grupo de distúrbios relacionados nos quais as
células formadoras de sangue anormais se desenvolvem na medula óssea,
interferindo na produção das células sanguíneas saudáveis.
Posteriormente,
essas células podem se tornar cancerosas, transformando-se em uma forma de
leucemia.
O
tratamento também envolve quimioterapia e, em alguns casos, transplante de
medula óssea.
Fonte:
CNN Brasil

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