sexta-feira, 19 de junho de 2026

Filho de Eduardo Cunha dirige gestora ligada à Planner, corretora investigada no caso Master

O empresário Felipe Dytz da Cunha, filho do ex-deputado federal Eduardo Cunha, é diretor de investimentos e um dos administradores da Redwood Asset Management, gestora de fundos de investimentos que integra o mesmo grupo econômico da Planner Corretora, alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio.

A Planner é investigada por suspeita de intermediar, em 2024, parte dos recursos aplicados pelo fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, no Banco Master. Segundo a PF, a corretora teria desempenhado, em tese, dupla função no esquema: “servir de anteparo ou álibi formal às irregularidades já em curso, e propiciar o aumento das taxas de corretagem, com potencial incremento da retribuição financeira aos operadores da fraude”.

Planner e Redwood são controladas pela holding B100 Controle e Participações e atuam conjuntamente em diferentes fundos, exercendo, respectivamente, as funções de administradora (responsável pelo funcionamento do fundo) e gestora (que escolhe onde o dinheiro será investido). Entre esses fundos estão estruturas vinculadas ao empresário Nelson Tanure, apontado pela PF como sócio oculto do banco de Daniel Vorcaro.

Levantamento do ICL Notícias identificou que ao menos três fundos associados a Tanure migraram para a estrutura formada por Planner e Redwood, em março e maio de 2026. São eles: Ilha de Patmos, Bordeaux e Estocolmo. Este último, segundo as investigações, teria sido usado por Tanure para injetar recursos no Banco Master.

O Bordeaux é hoje o maior fundo sob gestão da Redwood, com patrimônio de R$ 2,5 bilhões. Em seguida, aparece o Ilha Patmos, com R$ 1,8 bilhão. O Estocolmo ocupa o quinto lugar na lista, com R$ 894,2 milhões.

De acordo com registros da Junta Comercial de São Paulo, Felipe Cunha passou a integrar a Redwood em março de 2025. Além de exercer os cargos de administrador e diretor de investimentos, ele detém participação na gestora por meio da Altus Holding.

Por intermédio da Altus, Felipe Cunha também tem participação na RWP Tec Sistemas, outra empresa do grupo B100. Documentos da Junta Comercial de São Paulo indicam que ele figura como administrador da companhia desde sua constituição, em maio de 2025.

Procurado pela reportagem, Felipe Cunha afirmou que sua atuação no grupo B100 se restringe à Redwood e à RWP. “Não sou nem nunca fui empregado ou executivo da B100, e não participo de suas decisões”, observou.

Ele acrescentou que jamais exerceu qualquer função na Planner Corretora e que nunca manteve contato pessoal ou profissional, direto ou indireto, com Daniel Vorcaro, Nelson Tanure ou Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master e da própria Planner.

“Tampouco participei, em qualquer época, de negociação envolvendo o RioPrevidência, de forma direta ou indireta, fatos que inclusive antecedem a minha atividade na Redwood e que não possuo acesso aos acontecimentos relatados em mídia”, afirmou. Felipe e as empresas que administra não são investigados pela Polícia Federal.

Em resposta ao ICL Notícias, a B100 informou que a relação entre Redwood e Planner é “estritamente de prestação de serviços”, com segregação de equipes e estruturas. O grupo também afirmou que a gestora não realizou negócios com o Rioprevidência nem com o Banco Master.

<><> Rede de conexões

Antes da migração para a estrutura da B100, os fundos vinculados a Nelson Tanure — Estocolmo, Ilha de Patmos e Bordeaux — estavam sob gestão da MAM Asset, gestora do grupo Master, e administração da Trustee DTVM, empresa fundada por Maurício Quadrado após sua saída da Planner.

Segundo relatório da PF que embasou a operação contra a corretora, Quadrado discutiu com Daniel Vorcaro, em março de 2024, operações envolvendo letras financeiras relacionadas ao Rioprevidência. A conversa tratava da tentativa de inclusão do Banco Voiter — posteriormente rebatizado como Pleno e liquidado pelo Banco Central — entre as instituições habilitadas a operar com o regime próprio de previdência.

“Oportuno acrescentar que Maurício foi diretor da Planner Holding Financeira S/A (CNPJ 08.088.455/0001-12) entre 22/06/2020 e 03/12/2021, que fez a intermediação de R$ 510 milhões em aportes do RioPrevidência”, destacou a PF.

O grupo B100 informou à reportagem que Quadrado “foi sócio relevante” da Planner Corretora até 2020, quando se desligou para fundar a Trustee DTVM. “A participação residual e minoritária que manteve foi integralmente recomprada pela B100 Controle. Desde 2020, não participa de qualquer decisão operacional, societária ou comercial da Planner. ”, ressaltou.

<><> Nelson Tanure já foi acionista da B100

A B100 informou ao ICL Notícias que Nelson Tanure foi, no passado, acionista minoritário da empresa por meio de veículos de investimento, mas que essa participação já foi encerrada. “A B100 não tem nem nunca teve qualquer relação societária ou comercial com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master”, acrescentou.

Sobre a Redwood, o grupo afirmou que a gestora presta serviços a fundos de investimento, sempre por escolha dos cotistas, “que têm liberdade para definir e trocar seus prestadores de serviço”. “As decisões de gestão são tomadas por instâncias colegiadas e a representação da sociedade se dá sempre em conjunto, nunca de forma individual”, acrescentou.

Além disso, segundo a B100, não houve negociação da Redwood com a Trustee, com a MAM “ou com qualquer instituição para transferência de fundos”. “Quando uma carteira migra, a decisão é do cotista”, informou. “O registro e o controle de cotistas competem à administração fiduciária do fundo, não à gestora”.

Em relação às operações envolvendo o Rioprevidência, a Planner reiterou que atuou exclusivamente na intermediação de parcela das operações, após regular credenciamento conduzido pela própria entidade, sem participar de análise, recomendação ou decisão de investimento. “Toda a documentação foi entregue espontaneamente às autoridades”.

“A prestação de serviço a fundos cujos investidores sejam associados a quaisquer nomes citados decorre de escolha dos próprios cotistas e está protegida por sigilo, não configurando relação da Planner com tais pessoas. A Planner não tem qualquer relação com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master”.

Procurada, a defesa de Nelson Tanure também negou qualquer relação societária do empresário com o Banco Master. “O empresário também esclarece que jamais promoveu qualquer operação de investimento em outros veículos que pudessem converter a dívida em participação, ainda que indiretamente, no mesmo Banco Master S/A”, acrescentou. A defesa de Tanure ressaltou ainda que decisões relacionadas a eventuais fundos estão acobertadas por sigilo fiscal.

•        Vorcaro pagava R$ 400 mil por mês à "Turma" por informações e ameaças

Relatórios preliminares da PF (Polícia Federal) indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Mater, usava intermediários para pagar R$ 400 mil por mês a um grupo formado por policiais, milicianos e bicheiros para a obtenção de informações sigilosas, monitoramento de investigações e intimidação contra pessoas consideradas desafetas do banqueiro.

As conclusões constam de documentos produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça-feira (16).

Segundo a PF, o grupo, conhecido como “A Turma”, era liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e atuava sob coordenação de Felipe Mourão, apelidado de “Sicário” nas conversas apreendidas pelos investigadores.

Ainda segundo as apurações, Felipe Mourão e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, eram os operadores financeiros responsáveis por parte dos pagamentos efetuados ao núcleo criminoso.

De acordo com a corporação, o grupo tinha como atribuições levantar informações sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sob sigilo, acessar dados em sistemas restritos e intimidar pessoas que ofereciam algum tipo de ameaça a Vorcaro. Ainda segundo a PF, o grupo continuou atuando ativamente mesmo após as deflagrações da primeira e da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Até o momento, os investigadores identificaram como integrantes do grupo os policiais federais Marilson Roseno da Silva, Sebastião Monteiro Júnior e Anderson Wander da Silva Lima, além do operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues. A PF afirma haver indícios de que o núcleo contava ainda com outros quatro a seis integrantes não identificados.

A investigação aponta que “A Turma” recebia R$ 400 mil por mês, que era dividido entre os integrantes. Segundo a PF, os recursos eram repassados pela empresa King Participações Imobiliárias Ltda., de propriedade de Felipe Mourão, após transferências de aproximadamente R$ 1 milhão mensais oriundas de empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, especialmente a Super Empreendimentos e Participações S.A.

Com isso, PF estima que o grupo possa ter recebido cerca de R$ 9,6 milhões entre 2023 e 2025. Segundo mensagens apreendidas, em certas ocasiões, o banqueiro também recompensava os "funcionários" com bônus.

•        Hotéis e restaurantes pagos por Vorcaro a Ciro têm vinho de R$ 440 mil

Hotéis cinco estrelas e restaurantes com vinhos de milhares de euros estão entre os locais onde o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve as contas pagas por Daniel Vorcaro, segundo o relatório de investigação da Polícia Federal que teve o sigilo derrubado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça (16).

Entre as despesas registradas nos documentos da PF estão R$ 63,6 mil no restaurante La Soucoupe e R$ 58,5 mil no Le Tremplin. Os gastos ocorreram durante uma viagem à estação de esqui de Courchevel, nos alpes franceses, no início do ano passado.

Ambos os restaurantes oferecem carnes e frutos-do-mar. No La Soucoupe, é possível comer 125 gramas de caviar por até 440 (aproximadamente R$ 2.604). O Le Trempolin vende garrafas de vinho que chegam a 75 mil (R$ 444 mil na cotação de hoje).

Além dos restaurantes nos alpes, Vorcaro também pagou, segundo a PF, um jantar de Ciro Nogueira no restaurante Gigi em Paris, em abril de 2024. Na casa, 50 gramas de caviar do tipo beluga custam 650 (R$ 3.848).

Em junho do mesmo ano, Vorcaro arcou com a estadia de Ciro e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Lisboa. Conforme revelou a Folha, o valor total da hospedagem de Ciro foi de aproximadamente R$ 91,3 mil na cotação da data.

Na capital portuguesa, os políticos e o ex-banqueiro ficaram no Four Seasons Hotel Ritz, hotel cinco estrelas cuja suíte mais barata custa cerca de 1.400 (R$ 8.288).

No mês seguinte, Ciro participou do Lide Brazil Investment Forum, em Nova York. A investigação aponta que ele ficou hospedado por seis noites no Park Hyatt New York, em uma Suíte Royal. O custo total da hospedagem chegou a US$ 47.779,80, equivalente a cerca de R$ 245 mil na cotação do período.

A suíte onde o senador ficou hospedado é a segunda mais cara do hotel e tem 213 metros quadrados com vista para o Central Park. O preço não está disponível no site, mas estimativas feitas em sites de turismo indicam que, hoje, o quarto pode custar mais de US$ 15 mil (R$ 76,3 mil) por dia.

Daniel Vorcaro também organizou, de acordo com a PF, uma degustação privada de uísque e charutos na metrópole americana. O evento foi no Carnegie Club, teve cerca de 15 convidados e custou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões). O cardápio disponível no site do local apresenta charutos de até US$ 225 (R$ 1.145 na cotação de hoje) e garrafas de vinho que chegam a US$ 675 (R$ 3.435).

A tabacaria pede que os clientes se vistam no estilo business casual, em geral, composto por camisa social e calça, e não usem “roupas rasgadas ou danificadas, bonés de beisebol ou qualquer tipo de roupa esportiva”.

<><> Onde a PF diz que Daniel Vorcaro pagou as contas de Ciro Nogueira?

•        – Le Tremplin: restaurante em Courchevel, nos alpes franceses. Vende garrafas de vinho que chegam a 75 mil (R$ 444 mil na cotação de hoje).

•        – La Soucoupe: também nos alpes, restaurante onde é possível comer 125 gramas de caviar por até 440 (aproximadamente R$ 2.604).

•        – Gigi: restaurante italiano em Paris. O preço de 50 gramas de caviar do tipo beluga é 650 (R$ 3.848).

•        – Park Hyatt New York: a suíte Royal, onde Ciro Nogueira ficou hospedado, pode custar mais de US$ 15 mil (R$ 76,3 mil) por dia.

•        – Four Seasons Hotel Ritz Lisboa: hotel cinco estrelas cuja suíte mais barata custa cerca de 1.400 (R$ 8.288).

•        – Carnegie Club: tabacaria em Nova York onde Vorcaro organizou degustação de charuto para cerca de 15 convidados. O custou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões) segundo a PF. Não se sabe quanto desse valor foi direcionado a Ciro Nogueira

 

Fonte: ICL Notícias

 

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