Filho
de Eduardo Cunha dirige gestora ligada à Planner, corretora investigada no caso
Master
O
empresário Felipe Dytz da Cunha, filho do ex-deputado federal Eduardo Cunha, é
diretor de investimentos e um dos administradores da Redwood Asset Management,
gestora de fundos de investimentos que integra o mesmo grupo econômico da
Planner Corretora, alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada
em maio.
A
Planner é investigada por suspeita de intermediar, em 2024, parte dos recursos
aplicados pelo fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro,
o Rioprevidência, no Banco Master. Segundo a PF, a corretora teria
desempenhado, em tese, dupla função no esquema: “servir de anteparo ou álibi
formal às irregularidades já em curso, e propiciar o aumento das taxas de
corretagem, com potencial incremento da retribuição financeira aos operadores
da fraude”.
Planner
e Redwood são controladas pela holding B100 Controle e Participações e atuam
conjuntamente em diferentes fundos, exercendo, respectivamente, as funções de
administradora (responsável pelo funcionamento do fundo) e gestora (que escolhe
onde o dinheiro será investido). Entre esses fundos estão estruturas vinculadas
ao empresário Nelson Tanure, apontado pela PF como sócio oculto do banco de
Daniel Vorcaro.
Levantamento
do ICL Notícias identificou que ao menos três fundos associados a Tanure
migraram para a estrutura formada por Planner e Redwood, em março e maio de
2026. São eles: Ilha de Patmos, Bordeaux e Estocolmo. Este último, segundo as
investigações, teria sido usado por Tanure para injetar recursos no Banco
Master.
O
Bordeaux é hoje o maior fundo sob gestão da Redwood, com patrimônio de R$ 2,5
bilhões. Em seguida, aparece o Ilha Patmos, com R$ 1,8 bilhão. O Estocolmo
ocupa o quinto lugar na lista, com R$ 894,2 milhões.
De
acordo com registros da Junta Comercial de São Paulo, Felipe Cunha passou a
integrar a Redwood em março de 2025. Além de exercer os cargos de administrador
e diretor de investimentos, ele detém participação na gestora por meio da Altus
Holding.
Por
intermédio da Altus, Felipe Cunha também tem participação na RWP Tec Sistemas,
outra empresa do grupo B100. Documentos da Junta Comercial de São Paulo indicam
que ele figura como administrador da companhia desde sua constituição, em maio
de 2025.
Procurado
pela reportagem, Felipe Cunha afirmou que sua atuação no grupo B100 se
restringe à Redwood e à RWP. “Não sou nem nunca fui empregado ou executivo da
B100, e não participo de suas decisões”, observou.
Ele
acrescentou que jamais exerceu qualquer função na Planner Corretora e que nunca
manteve contato pessoal ou profissional, direto ou indireto, com Daniel
Vorcaro, Nelson Tanure ou Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master e da
própria Planner.
“Tampouco
participei, em qualquer época, de negociação envolvendo o RioPrevidência, de
forma direta ou indireta, fatos que inclusive antecedem a minha atividade na
Redwood e que não possuo acesso aos acontecimentos relatados em mídia”,
afirmou. Felipe e as empresas que administra não são investigados pela Polícia
Federal.
Em
resposta ao ICL Notícias, a B100 informou que a relação entre Redwood e Planner
é “estritamente de prestação de serviços”, com segregação de equipes e
estruturas. O grupo também afirmou que a gestora não realizou negócios com o
Rioprevidência nem com o Banco Master.
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Rede de conexões
Antes
da migração para a estrutura da B100, os fundos vinculados a Nelson Tanure —
Estocolmo, Ilha de Patmos e Bordeaux — estavam sob gestão da MAM Asset, gestora
do grupo Master, e administração da Trustee DTVM, empresa fundada por Maurício
Quadrado após sua saída da Planner.
Segundo
relatório da PF que embasou a operação contra a corretora, Quadrado discutiu
com Daniel Vorcaro, em março de 2024, operações envolvendo letras financeiras
relacionadas ao Rioprevidência. A conversa tratava da tentativa de inclusão do
Banco Voiter — posteriormente rebatizado como Pleno e liquidado pelo Banco
Central — entre as instituições habilitadas a operar com o regime próprio de
previdência.
“Oportuno
acrescentar que Maurício foi diretor da Planner Holding Financeira S/A (CNPJ
08.088.455/0001-12) entre 22/06/2020 e 03/12/2021, que fez a intermediação de
R$ 510 milhões em aportes do RioPrevidência”, destacou a PF.
O grupo
B100 informou à reportagem que Quadrado “foi sócio relevante” da Planner
Corretora até 2020, quando se desligou para fundar a Trustee DTVM. “A
participação residual e minoritária que manteve foi integralmente recomprada
pela B100 Controle. Desde 2020, não participa de qualquer decisão operacional,
societária ou comercial da Planner. ”, ressaltou.
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Nelson Tanure já foi acionista da B100
A B100
informou ao ICL Notícias que Nelson Tanure foi, no passado, acionista
minoritário da empresa por meio de veículos de investimento, mas que essa
participação já foi encerrada. “A B100 não tem nem nunca teve qualquer relação
societária ou comercial com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master”, acrescentou.
Sobre a
Redwood, o grupo afirmou que a gestora presta serviços a fundos de
investimento, sempre por escolha dos cotistas, “que têm liberdade para definir
e trocar seus prestadores de serviço”. “As decisões de gestão são tomadas por
instâncias colegiadas e a representação da sociedade se dá sempre em conjunto,
nunca de forma individual”, acrescentou.
Além
disso, segundo a B100, não houve negociação da Redwood com a Trustee, com a MAM
“ou com qualquer instituição para transferência de fundos”. “Quando uma
carteira migra, a decisão é do cotista”, informou. “O registro e o controle de
cotistas competem à administração fiduciária do fundo, não à gestora”.
Em
relação às operações envolvendo o Rioprevidência, a Planner reiterou que atuou
exclusivamente na intermediação de parcela das operações, após regular
credenciamento conduzido pela própria entidade, sem participar de análise,
recomendação ou decisão de investimento. “Toda a documentação foi entregue
espontaneamente às autoridades”.
“A
prestação de serviço a fundos cujos investidores sejam associados a quaisquer
nomes citados decorre de escolha dos próprios cotistas e está protegida por
sigilo, não configurando relação da Planner com tais pessoas. A Planner não tem
qualquer relação com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master”.
Procurada,
a defesa de Nelson Tanure também negou qualquer relação societária do
empresário com o Banco Master. “O empresário também esclarece que jamais
promoveu qualquer operação de investimento em outros veículos que pudessem
converter a dívida em participação, ainda que indiretamente, no mesmo Banco
Master S/A”, acrescentou. A defesa de Tanure ressaltou ainda que decisões
relacionadas a eventuais fundos estão acobertadas por sigilo fiscal.
• Vorcaro pagava R$ 400 mil por mês à
"Turma" por informações e ameaças
Relatórios
preliminares da PF (Polícia Federal) indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco
Mater, usava intermediários para pagar R$ 400 mil por mês a um grupo formado
por policiais, milicianos e bicheiros para a obtenção de informações sigilosas,
monitoramento de investigações e intimidação contra pessoas consideradas
desafetas do banqueiro.
As
conclusões constam de documentos produzidos no âmbito da Operação Compliance
Zero, que foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo
Tribunal Federal) na última terça-feira (16).
Segundo
a PF, o grupo, conhecido como “A Turma”, era liderado pelo policial federal
aposentado Marilson Roseno da Silva e atuava sob coordenação de Felipe Mourão,
apelidado de “Sicário” nas conversas apreendidas pelos investigadores.
Ainda
segundo as apurações, Felipe Mourão e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, eram
os operadores financeiros responsáveis por parte dos pagamentos efetuados ao
núcleo criminoso.
De
acordo com a corporação, o grupo tinha como atribuições levantar informações
sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sob sigilo, acessar
dados em sistemas restritos e intimidar pessoas que ofereciam algum tipo de
ameaça a Vorcaro. Ainda segundo a PF, o grupo continuou atuando ativamente
mesmo após as deflagrações da primeira e da segunda fase da Operação Compliance
Zero.
Até o
momento, os investigadores identificaram como integrantes do grupo os policiais
federais Marilson Roseno da Silva, Sebastião Monteiro Júnior e Anderson Wander
da Silva Lima, além do operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues. A PF
afirma haver indícios de que o núcleo contava ainda com outros quatro a seis
integrantes não identificados.
A
investigação aponta que “A Turma” recebia R$ 400 mil por mês, que era dividido
entre os integrantes. Segundo a PF, os recursos eram repassados pela empresa
King Participações Imobiliárias Ltda., de propriedade de Felipe Mourão, após
transferências de aproximadamente R$ 1 milhão mensais oriundas de empresas
ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, especialmente a Super Empreendimentos e
Participações S.A.
Com
isso, PF estima que o grupo possa ter recebido cerca de R$ 9,6 milhões entre
2023 e 2025. Segundo mensagens apreendidas, em certas ocasiões, o banqueiro
também recompensava os "funcionários" com bônus.
• Hotéis e restaurantes pagos por Vorcaro
a Ciro têm vinho de R$ 440 mil
Hotéis
cinco estrelas e restaurantes com vinhos de milhares de euros estão entre os
locais onde o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve as contas pagas por Daniel
Vorcaro, segundo o relatório de investigação da Polícia Federal que teve o
sigilo derrubado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça (16).
Entre
as despesas registradas nos documentos da PF estão R$ 63,6 mil no restaurante
La Soucoupe e R$ 58,5 mil no Le Tremplin. Os gastos ocorreram durante uma
viagem à estação de esqui de Courchevel, nos alpes franceses, no início do ano
passado.
Ambos
os restaurantes oferecem carnes e frutos-do-mar. No La Soucoupe, é possível
comer 125 gramas de caviar por até 440 (aproximadamente R$ 2.604). O Le
Trempolin vende garrafas de vinho que chegam a 75 mil (R$ 444 mil na cotação de
hoje).
Além
dos restaurantes nos alpes, Vorcaro também pagou, segundo a PF, um jantar de
Ciro Nogueira no restaurante Gigi em Paris, em abril de 2024. Na casa, 50
gramas de caviar do tipo beluga custam 650 (R$ 3.848).
Em
junho do mesmo ano, Vorcaro arcou com a estadia de Ciro e do presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Lisboa. Conforme revelou a Folha, o
valor total da hospedagem de Ciro foi de aproximadamente R$ 91,3 mil na cotação
da data.
Na
capital portuguesa, os políticos e o ex-banqueiro ficaram no Four Seasons Hotel
Ritz, hotel cinco estrelas cuja suíte mais barata custa cerca de 1.400 (R$
8.288).
No mês
seguinte, Ciro participou do Lide Brazil Investment Forum, em Nova York. A
investigação aponta que ele ficou hospedado por seis noites no Park Hyatt New
York, em uma Suíte Royal. O custo total da hospedagem chegou a US$ 47.779,80,
equivalente a cerca de R$ 245 mil na cotação do período.
A suíte
onde o senador ficou hospedado é a segunda mais cara do hotel e tem 213 metros
quadrados com vista para o Central Park. O preço não está disponível no site,
mas estimativas feitas em sites de turismo indicam que, hoje, o quarto pode
custar mais de US$ 15 mil (R$ 76,3 mil) por dia.
Daniel
Vorcaro também organizou, de acordo com a PF, uma degustação privada de uísque
e charutos na metrópole americana. O evento foi no Carnegie Club, teve cerca de
15 convidados e custou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões). O
cardápio disponível no site do local apresenta charutos de até US$ 225 (R$
1.145 na cotação de hoje) e garrafas de vinho que chegam a US$ 675 (R$ 3.435).
A
tabacaria pede que os clientes se vistam no estilo business casual, em geral,
composto por camisa social e calça, e não usem “roupas rasgadas ou danificadas,
bonés de beisebol ou qualquer tipo de roupa esportiva”.
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Onde a PF diz que Daniel Vorcaro pagou as contas de Ciro Nogueira?
• – Le Tremplin: restaurante em
Courchevel, nos alpes franceses. Vende garrafas de vinho que chegam a 75 mil
(R$ 444 mil na cotação de hoje).
• – La Soucoupe: também nos alpes,
restaurante onde é possível comer 125 gramas de caviar por até 440
(aproximadamente R$ 2.604).
• – Gigi: restaurante italiano em Paris. O
preço de 50 gramas de caviar do tipo beluga é 650 (R$ 3.848).
• – Park Hyatt New York: a suíte Royal,
onde Ciro Nogueira ficou hospedado, pode custar mais de US$ 15 mil (R$ 76,3
mil) por dia.
• – Four Seasons Hotel Ritz Lisboa: hotel
cinco estrelas cuja suíte mais barata custa cerca de 1.400 (R$ 8.288).
• – Carnegie Club: tabacaria em Nova York
onde Vorcaro organizou degustação de charuto para cerca de 15 convidados. O
custou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões) segundo a PF. Não se
sabe quanto desse valor foi direcionado a Ciro Nogueira
Fonte:
ICL Notícias

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