sexta-feira, 19 de junho de 2026

Jaques Wagner é suspeito de ter obtido vantagens e benefícios do Banco Master

A PF apura se Jaques Wagner atuou por interesses do Banco Master em troca de benefícios como repasses milionários, imóvel e uso de aeronaves, em meio a uma nova fase da Compliance Zero que mira suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o grupo de Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal (PF) deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero tendo como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

Segundo um jornal de grande circulação no país, a polícia apura a participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras, em um esquema que incluiria fraudes bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

Nesta fase, além de Jaques Wagner, também é investigado o banqueiro Augusto Ferreira Lima, aliado de Vorcaro e dono do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central do Brasil em fevereiro.

De acordo com as apurações, o foco desta etapa é a relação entre Wagner e Augusto Lima. Os investigadores analisam se o senador atuou em favor de projetos de interesse do Banco Master no Congresso, como a chamada "Emenda Master" e uma proposta que ampliava o limite do crédito consignado.

Em troca, a PF suspeita que o parlamentar tenha recebido benefícios indevidos, incluindo um apartamento, repasses que somariam R$ 3,5 milhões por meio de empresa ligada a familiares, além do uso de aeronaves e ingressos para shows. As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima.

Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (TSF), André Mendonça, que também determinou medidas cautelares como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.

Ainda segundo a mídia, os fatos investigados podem configurar corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A operação, iniciada em 2025, começou após indícios de que o Banco Master emitia títulos sem garantias adequadas, prometendo rentabilidade acima do mercado.

A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia, dentro de uma investigação sobre suspeitas de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Vorcaro foi preso na primeira fase da operação e o prejuízo potencial estimado chegou a R$ 12 bilhões. Com o avanço das fases, a investigação passou a abranger lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, espionagem, intimidação e uso indevido de informações sigilosas. Também entrou no radar o aporte bilionário do Banco de Brasília no Master e possíveis repasses a agentes políticos.

A operação já atingiu outros nomes de peso, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por supostos pagamentos ligados ao banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), no âmbito da apuração sobre investimentos do Rioprevidência em fundos associados ao Master.

•        PF vê atuação parlamentar de Wagner em pautas de interesse do Master

A Polícia Federal aponta a atuação parlamentar do senador Jaques Wagner (PT-BA) em pautas sensíveis ao Banco Master como um dos eixos da investigação que apura a relação entre o parlamentar, operadores da instituição financeira e empresas ligadas ao seu núcleo familiar.

A avaliação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a representação policial, Wagner teria mantido interlocução direta com Augusto Ferreira Lima, apontado como gestor ligado ao Banco Master e principal interlocutor privado do senador, sobre temas de interesse do grupo financeiro.

A PF cita três frentes principais: crédito consignado, Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Para os investigadores, essas pautas ajudam a compor o quadro de possível relação ilícita entre integrantes do banco e o senador.

A investigação não trata a atuação parlamentar de forma isolada. O documento relaciona esse eixo a outros dois pontos analisados pela PF: supostos pagamentos e repasses a empresas ligadas ao núcleo familiar de Wagner e a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por estruturas ligadas ao grupo econômico investigado.

No caso da atuação legislativa, a PF afirma que Wagner teria mantido interlocução com Augusto Ferreira Lima em temas relacionados à ampliação do mercado de crédito consignado, à tentativa de aprovação de mudanças envolvendo o FGC e à fiscalização da operação Master-BRB.

<><> MP do consignado

Um dos pontos citados pela Polícia Federal é a tramitação da Medida Provisória 1.106/2022, posteriormente convertida na Lei 14.431/2022. A medida tratava da ampliação da margem de crédito consignado e autorizava a contratação de empréstimos e financiamentos mediante crédito consignado por beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda.

A PF menciona, nesse contexto, a Emenda nº 30 apresentada por Jaques Wagner à MP. O documento oficial da emenda mostra que a proposta do senador não ampliava diretamente a margem do consignado, mas criava um teto para os juros cobrados nessa modalidade.

Pelo texto apresentado por Wagner, os juros de todas as modalidades de crédito consignado não poderiam exceder 300% da taxa média dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI). A proposta também previa que o Banco Central regulamentaria e fiscalizaria a regra.

Na justificativa da emenda, Wagner argumentou que o crédito consignado tinha risco menor de inadimplência e, por isso, poderia operar com taxas mais baixas. O texto afirmava que a limitação dos juros representaria redução de custo para o consumidor, mas ainda permitiria margem de lucro às instituições financeiras.

Apesar desse conteúdo formal, a PF cita a participação de Wagner na discussão da MP como elemento de correlação com interesses do Banco Master. Segundo a decisão, a atuação do senador ocorreu em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa associada ao núcleo familiar do parlamentar.

A BN Financeira aparece nos autos como uma das empresas citadas no eixo de pagamentos e repasses investigados pela PF. Em outra parte da decisão, os investigadores mencionam cobranças, boletos, notas fiscais, documentos a assinar e dificuldades financeiras envolvendo a empresa.

<><> Emenda sobre o FGC

A segunda frente apontada pela PF envolve a PEC 65/2023, proposta que trata do regime jurídico do Banco Central. Dentro dessa tramitação, os investigadores destacam a Emenda nº 11, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que tratava do Fundo Garantidor de Créditos.

A emenda propunha incluir na Constituição regras sobre o FGC, prevendo que o fundo seria regulado por resolução do Conselho Monetário Nacional e exerceria função pública. O ponto mais sensível era a elevação da garantia para até R$ 1 milhão por pessoa física ou jurídica.

Na leitura da PF, o tema era de interesse do Banco Master. A investigação descreve uma sequência de contatos envolvendo Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete de Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima.

Segundo a decisão, em 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda, Augusto Ferreira Lima fez uma chamada de voz para Jaques Wagner. A ligação durou 9 minutos e 19 segundos. Logo depois, Augusto teria enviado ao senador o link da emenda.

A PF também afirma que, em 27 de agosto de 2024, após um encontro presencial, Augusto reenviou o link da mesma emenda a Wagner. Para os investigadores, essa sequência de contatos reforça a hipótese de que o senador não seria apenas destinatário passivo de informações, mas um interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado.

Um dos trechos mais sensíveis citados na decisão envolve a operação de venda do Banco Master para o Banco de Brasília.

Ao reproduzir elementos obtidos durante a investigação, o ministro André Mendonça menciona uma mensagem enviada por Augusto Ferreira Lima a Jaques Wagner em 29 de março de 2025.

Na conversa, ao explicar detalhes da operação envolvendo o BRB, Augusto escreveu ao senador:

“Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”

Para o ministro, em análise preliminar, a frase possui relevância investigativa.

“Em juízo perfunctório, a frase indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, registra a decisão.

O documento também afirma que Augusto Ferreira Lima mantinha fluxo constante de informações com o senador sobre assuntos ligados ao Banco Master.

Segundo a PF, foram identificadas mensagens e compartilhamentos de conteúdos relacionados ao rating da instituição, estrutura acionária, operações empresariais, à PEC 65/2023, à negociação envolvendo o BRB, requerimentos apresentados no Senado e até discussões sobre uma eventual CPI do Master.

Na avaliação registrada na decisão judicial, a constância dessas comunicações sugere uma relação que extrapolaria uma convivência social comum.

<><> Master-BRB

A terceira frente citada pela PF envolve a operação de potencial aquisição do Banco Master pelo BRB. O tema aparece nos autos tanto no eixo da atuação parlamentar quanto em conversas relacionadas a pagamentos pendentes envolvendo a BN Financeira.

Segundo a investigação, Augusto Ferreira Lima teria atribuído dificuldades em pagamentos ao insucesso da operação Master-BRB. Para a PF, esse ponto conecta a crise do banco e as tratativas empresariais do grupo a cobranças feitas por pessoas ligadas ao entorno do senador.

A operação com o BRB é tratada pela Polícia Federal como um dos assuntos de interesse do Master nos quais teria havido interlocução com Wagner. O documento menciona atuação parlamentar voltada à fiscalização e ao controle da possível aquisição da instituição financeira pelo banco público de Brasília.

Ao reunir esses elementos, a PF tenta construir um nexo entre três dimensões da investigação: supostas vantagens econômicas, relações financeiras envolvendo empresas do entorno familiar do senador e atuação parlamentar em pautas de interesse do Banco Master.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Jaques Wagner informou que não irá se manifestar neste momento.

•        PF liga empresa da família de Wagner a repasse de R$ 3,5 milhões

A Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa associada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), em uma das frentes da Operação Compliance Zero que investiga gestores e operadores ligados ao Banco Master.

O repasse consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas cautelares e diligências no âmbito das investigações. Segundo a Polícia Federal, o valor foi transferido pela PKL One Participações S.A., empresa apontada como integrante do núcleo empresarial de Augusto Ferreira Lima, um dos principais investigados no caso.

A BN Financeira ocupa papel de destaque na apuração. De acordo com a decisão, a empresa aparece em um dos três principais eixos investigados pela PF, que busca esclarecer pagamentos, repasses financeiros e relações comerciais envolvendo pessoas ligadas ao entorno familiar do senador baiano.

Os investigadores afirmam que as evidências reunidas vão além da transferência de R$ 3,5 milhões. A decisão relata a existência de diálogos extraídos de aparelhos apreendidos nos quais Eduardo Mendonça Sodré Martins teria cobrado Augusto Ferreira Lima sobre pagamentos pendentes relacionados à BN Financeira.

Segundo a representação policial, as conversas fazem referência a boletos, notas fiscais, documentos que precisariam ser assinados e dificuldades financeiras enfrentadas pelos envolvidos. Em uma dessas tratativas, Augusto Ferreira Lima teria atribuído os atrasos ao insucesso da operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), negociação que acabou se tornando um dos episódios centrais da crise enfrentada pela instituição financeira.

Para a Polícia Federal, a transferência de R$ 3,5 milhões não pode ser analisada de forma isolada. A investigação aponta que o repasse ocorreu em meio a uma sequência de cobranças e discussões financeiras envolvendo a BN Financeira, o que levou os investigadores a aprofundarem a análise sobre a origem dos recursos, a finalidade econômica da operação e os serviços eventualmente prestados para justificar a movimentação.

A própria decisão destaca que a PKL One Participações está associada ao Credcesta e ao núcleo empresarial de Augusto Ferreira Lima. Por essa razão, a Polícia Federal pediu buscas em endereços vinculados à empresa para apreender contratos, documentos contábeis, comprovantes de transferência, registros de pagamento e comunicações internas que possam esclarecer a natureza da relação financeira mantida com a BN Financeira.

Os investigadores afirmam que o objetivo é verificar a causa jurídica da transferência milionária e identificar se houve efetiva contraprestação pelos valores movimentados.

Outro elemento que chamou a atenção da Polícia Federal foi a descoberta de planilhas armazenadas no celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador ligado ao grupo investigado.

Segundo a decisão, os arquivos continham registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, de acordo com a investigação, corresponderia a Eduardo Mendonça Sodré Martins. Os lançamentos somariam mais de R$ 2,34 milhões e teriam sido realizados por intermédio de estruturas societárias interpostas.

A PF sustenta que esses registros reforçam a necessidade de aprofundar a apuração sobre o fluxo financeiro envolvendo empresas e pessoas ligadas ao entorno de Jaques Wagner.

Ao justificar as medidas de busca e apreensão, a investigação afirma que a BN Financeira aparece de forma recorrente nas comunicações analisadas e que os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de esclarecer a origem dos recursos recebidos, a natureza dos serviços prestados e a eventual existência de vínculos financeiros mais amplos entre o grupo investigado e pessoas ligadas ao senador.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Jaques Wagner informou que não irá se manifestar neste momento sobre os fatos apontados na investigação.

Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal nem julgamento sobre o mérito das acusações. As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.

•        PF aponta apartamento de luxo como possível vantagem a Jaques Wagner

A Polícia Federal identificou a compra de um apartamento de alto padrão em Salvador como um dos principais indícios da suposta relação entre gestores do Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA). A suspeita consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas cautelares e buscas no âmbito da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, a investigação encontrou elementos que apontariam para a aquisição da unidade 1702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliada em aproximadamente R$ 2,45 milhões, por meio de estruturas financeiras e societárias ligadas ao grupo investigado. A apuração busca esclarecer se o imóvel teria sido destinado ao senador ou a integrantes de seu núcleo familiar.

De acordo com a representação policial, em novembro de 2024 Jaques Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima, apontado como um dos principais operadores ligados ao Banco Master, informações detalhadas sobre o empreendimento. Entre elas, o contato do corretor responsável pela venda, a identificação da unidade desejada e o valor do imóvel.

A investigação afirma que, após receber as informações, Augusto Ferreira Lima acionou Valério Marega Júnior, identificado nos autos como “Valério Fundos”, para tratar da operacionalização da compra. A PF sustenta que a aquisição acabou sendo realizada com a participação de outros operadores ligados ao grupo investigado.

Os investigadores afirmam que a compra formal do imóvel foi realizada pela empresa Epítome S.A., utilizando recursos provenientes de estruturas vinculadas ao grupo econômico sob investigação. Para a Polícia Federal, a operação apresenta características compatíveis com ocultação do beneficiário final do imóvel.

<><> Tratativas continuaram após operação

Um dos pontos destacados pela PF é que as negociações envolvendo o apartamento teriam continuado mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a decisão, mensagens encontradas pelos investigadores mostram que, em maio de 2025, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima uma solicitação recebida de um filho ou filha referente à reforma do imóvel. A mensagem pedia dados do proprietário formal da unidade para emissão do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento necessário para a realização das alterações arquitetônicas.

A mensagem reproduzida nos autos dizia:

“Para emitir esse RRT são necessários dados do proprietário: nome completo, CPF, endereço atual completo com CEP, endereço da obra. Consegue esses dados?”

No dia seguinte, segundo a PF, Augusto Ferreira Lima encaminhou ao senador o contato de David Lopes Monteiro, apontado como um dos operadores envolvidos na estrutura investigada.

Para os investigadores, a troca de mensagens reforça a hipótese de que o imóvel estaria formalmente registrado em nome de terceiros, enquanto o beneficiário real seria outra pessoa.

<><> Relação de proximidade

A decisão também menciona outros elementos usados pela Polícia Federal para demonstrar a proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima.

Entre eles estão conversas sobre deslocamentos em aeronaves particulares, contatos com pilotos, encontros presenciais e o fornecimento de ingressos para shows internacionais destinados a familiares do senador.

A PF afirma ainda que a relação entre ambos teria extrapolado o campo pessoal e alcançado temas de interesse do Banco Master, incluindo discussões sobre crédito consignado, alterações relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e movimentações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A investigação segue em andamento. Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem julgamento sobre o mérito das acusações.

 

Fonte: Sputnik Brasil/ICL Notícias

 

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