O
complexo petroquímico iraniano - a espinha vertebral da economia política e da
resiliência da Revolução Islâmica
Com a
vitória do Irã diante da guerra de agressão de EUA e Israel contra o país,
muito se fala na estratégia de médio prazo do país. Neste artigo, vamos dar
seguimento na espinha vertebral do projeto de economia política da revolução
islâmica. Começamos abordando o setor de óleo e
gás e
no texto a seguir abordamos o complexo de produtos petroquímicos.
Ao
longo dos anos, a indústria petroquímica do Irã tornou-se um dos principais
pilares da economia do país; com abundantes recursos de gás, o objetivo de uma
cadeia de alto valor agregado e uma participação significativa nas exportações,
essa indústria desempenha um papel influente na criação de empregos, no
desenvolvimento regional e na industrialização do país.
Os
sites oficiais das empresas estratégicas da República Islâmica do Irã estão em
sua maioria bloqueados. Para não dar mais visibilidade para os domínios aliados
da monarquia e do sionismo, só citamos as fontes que são leais ao Eixo da
Resistência.
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Companhia Nacional de Petroquímica (NPC ou NIPC)
Subsidiária
do Ministério do Petróleo do Irã; é responsável pelo desenvolvimento e operação
do setor petroquímico iraniano.
Os
produtos incluem químicos, fertilizantes, polímeros, aromáticos, combustíveis e
hidrocarbonetos; opera múltiplos projetos em duas zonas econômicas especiais na
costa do Golfo Pérsico (Zona Econômica Especial Petroquímica e Zona Econômica
Especial/Energética de Pars).
A
NPC tem mais de 40 subsidiárias, sendo uma delas a RPC. Observemos os
produtos petroquímicos aplicados diretamente no aumento de fertilidade para a
preparação do solo e produção agrícola.
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Razi Petrochemical Company (RPC)
Também
conhecida como Zakaria Razi Chemical Company (ZRCC); Al Razi Complex; Zakaria
Al-Razi Chemical Company.
Empresa
petroquímica iraniana afiliada à National Iranian Petrochemical Company; produz
amônia, ureia, ácido sulfúrico, ácido fosfórico, DAP e enxofre.
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20 anos de desenvolvimento ininterrupto: os números de 2004
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Produção de fertilizantes
A Companhia Nacional de Petroquímica
fabrica um total de 1,8 milhão de toneladas de ureia e fosfatos de amônio
anualmente. Após a revolução, por iniciativa do Instituto de Pesquisa de Solos
e Água (SWRI) e
como resultado de análises de solo, tornou-se evidente a necessidade de um
plano abrangente para o desenvolvimento da produção de fertilizantes no país.
Consequentemente, foi incentivada a produção de fertilizantes, incluindo
micronutrientes, pelo setor privado.
Isso
levou à fabricação de uma gama de fertilizantes desde 1995. Mais de duzentos
pequenos fabricantes em diferentes partes do Irã receberam licenças para
produzir, no total, cerca de dois milhões de toneladas de fertilizantes
compostos NPK. Desde 1995, muitos fabricantes começaram a produzir
fertilizantes micronutrientes, como sulfato de zinco, sulfato de cobre, sulfato
de manganês, sulfato de ferro e ácido bórico. Diversas fábricas iniciaram
recentemente a fabricação de fertilizantes superfosfato (SSP ou TSP) em locais
onde há abundância de fosfatos de rocha de alta qualidade. Diversas unidades de
produção estão envolvidas na fabricação de vários tipos de materiais à base de
enxofre, como a ureia revestida com enxofre, cujo nome local é fertilizante
Sari.
As 200
unidades privadas de fabricação de fertilizantes empregam cerca de 40 mil
trabalhadores, direta ou indiretamente. No entanto, o número total de fábricas
com boa capacidade produtiva, com produção anual de cem mil toneladas de
fertilizantes de qualidade, não ultrapassa cinco, sendo as demais pequenas
produtoras.
A
produção total de fertilizantes minerais entre abril e setembro de 2004, por
todas as unidades de produção, totalizou 1.3 milhões de toneladas (Tabela 8).
Desse total, 979 mil toneladas foram produzidas pelas indústrias estatais, uma
redução de 5% em comparação com o ano anterior. O setor privado produziu 336
mil toneladas, um aumento de 28% em relação ao ano anterior.
Em
2004, 57% dos fertilizantes minerais, 80% dos pesticidas e 100% das sementes
foram produzidos nacionalmente, tanto pelo setor público quanto pelo privado.
20 anos
depois, o país se mostra uma potência absoluta na produção de fertilizantes e
derivados. Dentre estes, um insumo fundamental para a agricultura de
intensidade, a ureia.
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Ureia
O papel da região na produção de
ureia é
ainda mais importante. A ureia continua sendo o fertilizante nitrogenado mais
utilizado no mundo. Os países do Golfo foram responsáveis por 36% das exportações
globais de ureia entre 2023 e 2025, sendo o Irã e o Catar os maiores
exportadores, seguidos pela Arábia Saudita. Em 2025,
os principais importadores incluíram Índia,
Brasil, Austrália, Tailândia, Estados Unidos,
Turquia, Etiópia e África do Sul.
O
próprio Irã é um grande produtor e exportador de ureia. Embora a FAOSTAT relate
apenas exportações oficiais mínimas, a Associação Internacional de
Fertilizantes (IFA) estima que o Irã seja, na verdade, o maior exportador de
ureia da região do Golfo.
O
complemento da NPC e suas subsidiárias é um conjunto
de empresas de porte razoável que vão de 50 a 100 funcionários (salvo
exceções) e com produção diversificada, para além da amônia, ureia, nitrato de
potássio. Há muita diversificação produtiva e especialização para determinados
mercados.
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Cadeia de Produção na Indústria Petroquímica do Irã
A cadeia de produção petroquímica
consiste em três partes principais:
- a) Matéria-prima
Matérias-primas
como etano, metano, nafta e gás liquefeito de petróleo, extraídas de refinarias
e gás natural.
- b) Produtos
Químicos Básicos
Nesta
parte, a matéria-prima é convertida em materiais como etileno, propileno,
metanol, benzeno, tolueno e xileno, que são a base para a produção de materiais
subsequentes.
- c) Produtos
Finais e Derivados
Este
grupo inclui polímeros (como polietileno, polipropileno, poliestireno),
resinas, aditivos, fibras sintéticas e diversos solventes que são utilizados
diretamente em várias indústrias.
No
total, são 73 complexos do hub de óleo, gás e derivados. A República produz 103
produtos petroquímicos como os seguintes:
- Produtos
poliméricos: Polietileno pesado (PEAD) / Polietileno leve (PEBD e PEBDL) /
Polipropileno (PP) / Poliestireno (PS e EPS) / ABS e SAN / PVC e PET.
Esses
produtos são amplamente utilizados nas indústrias de embalagens, tubos e
conexões, peças automotivas, eletrodomésticos e fibras sintéticas.
- Produtos
químicos básicos: Metanol / Amônia / Ureia / Ácido nítrico / Formaldeído /
Butadieno.
Esses
materiais constituem a matéria-prima para muitas indústrias químicas,
farmacêuticas e agrícolas.
- Produtos
aromáticos: Benzeno / Tolueno / Paraxileno / Ortoxileno
Esses
compostos são usados para produzir
resinas, plásticos, solventes e fibras de poliéster.
- Intermediários e
Aditivos: Masterbatches / Antioxidantes / Estabilizadores UV /
Plastificantes / Lubrificantes
Os
aditivos desempenham um papel importante na melhoria das propriedades físicas e
químicas dos polímeros.
- Produtos
Especiais e de Engenharia
Incluindo
materiais especiais utilizados nas indústrias automotiva, eletrônica,
aeroespacial e médica, que geralmente possuem maior valor agregado.
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Linhas conclusivas
O
desempenho produtivo do Irã é proporcional à sua capacidade de defesa, de
alianças regionais e coesão interna. Podemos afirmar que o país se preparou
para a vitória diante de uma assimetria estratégica, onde a resiliência, por um
lado, e a excelência em outros setores geraram as capacidades necessárias para
enfrentar EUA e Israel simultaneamente.
Descontados
os fatores culturais e de trajetória histórica-estrutural, a dimensão
estruturante é a que pode ser reproduzida em outras potências médias, tal como
o Brasil. Só adicionando um “detalhe”: o Irã fez uma revolução nacional,
alcança a modernidade através de suas próprias instituições e forja sua
soberania no campo de batalha. O conceito estratégico (lembrando Golbery do
Couto e Silva) é passível de reprodução, desde que os setores com influência na
sociedade e manifesta vontade de transformação aceitem pagar o preço necessário
para tal.
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Disputa por recursos naturais desmascarou o mito do
destino manifesto dos EUA, avaliam analistas
Ao
podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que o mundo atravessa
uma catástrofe social e climática tão grave que os países centrais,
principalmente os EUA, já não estão mais interessados em justificar a expansão
e o seu domínio. Eles simplesmente fazem.
O
Destino Manifesto foi uma crença que ganhou muita força
nos EUA em
meados do século XIX, na qual os norte-americanos acreditavam que tinham uma
missão divina de expandir territorialmente, levando para outras regiões e
outros povos a civilização e o progresso, cumprindo, assim, a vontade de Deus.
Esse
conceito ideológico doutrinário se deu primeiro na expansão dos EUA para o
oeste. Depois, passou a incluir a América Latina e, finalmente, o mundo como um
todo, após os EUA se tornarem a principal potência do planeta no final da
Segunda Guerra Mundial.
Em
entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Roberto Moll
Neto, professor de história da América da Universidade Federal Fluminense
(UFF), explica que essa missão de "salvar o mundo" tem por trás objetivos materiais
muito claros,
sobretudo dos setores da burguesia estadunidense.
"Como
essa é uma perspectiva quase que identitária, muito difundida nos EUA e pelos
EUA, ela acaba servindo de elemento de legitimação para o alcance desses
objetivos materiais", afirma.
Ele
destaca, no entanto, que essa perspectiva de inferiorização do outro não
foi construída especificamente nos EUA e tem ligação com a perspectiva
colonialista, construída no centro do capitalismo, primeiramente na Europa e,
depois, apropriada pelos EUA.
"Porque
na medida em que se constrói essa perspectiva de diminuição ou inferiorização
do outro, isso acaba servindo para legitimar, inclusive com base no Destino
Manifesto, ou articulada ao Destino Manifesto, serve como elemento para
legitimar a expropriação de riquezas materiais em outros lugares do planeta, ou
a expropriação de trabalho barato sobre os corpos dos indivíduos em outros
lugares do planeta."
Com o
passar dos anos, a globalização chegou com força, fruto de uma perspectiva
econômica neoliberal, e a indústria estadunidense levou suas fábricas para
fora dos EUA, para países com mão de obra consideravelmente mais barata e
precarizada.
"Só
que isso teve um efeito rebote na economia dos EUA recentemente, a precarização
dos trabalhos, a diminuição de salários, a precarização da vida desse operário
branco estadunidense que tem a memória de uma vida muito confortável até os
anos 1960."
Neto
afirma que esse operário branco precarizado estadunidense foi uma das
bases de sustentação do governo Donald Trump, que enxergou esse problema e
passou a oferecer a esses trabalhadores "o sonho da
reindustrialização".
"Esse
sonho da melhoria da qualidade de vida vem também com o sonho dos EUA de serem
grandes no mundo novamente, serem a grande potência tecnológica. Então é isso
que está por trás dessa discussão da reindustrialização dos EUA", pondera
o analista.
O
conceito de Destino Manifesto vem fazendo menos sentido hoje do que já fez no
século XIX e ao longo do século XX, segundo Tatiana Poggi, professora de
história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do
Núcleo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Marx e o Marxismo (Niep-Marx) e
Laboratório de História Econômico-Social (Polis).
Ela
afirma que a justificativa de levar a civilização ou a democracia a povos
apontados como não civilizados vem sendo substituída pelo pragmatismo da corrida aberta por
recursos.
"Porque
é o nosso interesse, pelo menos as últimas intervenções. Por exemplo, Donald
Trump, em sua ameaça de invasão à Groenlândia, ao Canadá, ao canal do Panamá,
em todos elas, um argumento de Destino Manifesto não estava colocado ali. Era
simplesmente: 'Esses são os nossos interesses'."
A
especialista destaca que o mundo atravessa uma catástrofe social e climática
tão grave que os países centrais, principalmente os EUA, já não estão mais
interessados em justificar a expansão e o seu domínio. Eles simplesmente fazem.
"Eu
não vejo os países, não só os EUA, mas outros países, se preocupando em se
mostrar como figura civilizada que está levando algo de bom para o lugar. Eu
acho que é uma busca, uma perseguição pelos seus interesses. Eu vejo muito mais
uma expansão pela via realista […]. Hoje em dia, eu não vejo os países se
preocupando com soberania local e respeitar limites."
Poggi
frisa que um reflexo dessa tendência é que empresas de tecnologia, bilionários
e grandes conglomerados financeiros vêm mostrando de forma cada vez mais
aberta que o interesse deles não está na preservação da humanidade.
"Eles
já desistiram até deste planeta, vêm apostando em sobrevivências
interplanetárias, conquistas interplanetárias, que, obviamente, não é algo para
salvar a humanidade, é para salvar um grupo de superseletos, no qual a imensa
maioria de nós não se inclui", afirma a especialista.
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Fechamento de Ormuz expõe fragilidade dos gargalos
marítimos e pressiona China por novas rotas
O
fechamento do estreito de Ormuz expôs a vulnerabilidade dos gargalos marítimos
globais e levou analistas chineses a defender mais escoltas, rotas alternativas
e corredores terrestres para proteger o fluxo de energia diante de tensões
geopolíticas crescentes.
A
interrupção da navegação no estreito de Ormuz revelou a vulnerabilidade
dos principais gargalos marítimos globais e levou analistas chineses a
defenderem medidas mais robustas de proteção das rotas
de energia.
Para
especialistas como Lu Ruquan, do Instituto de Pesquisa Econômica e Tecnológica
da CNPC, consultado pelo South
China Morning Post, o conflito no Oriente Médio abalou a cadeia global de
suprimentos e exige que Pequim fortaleça capacidades de escolta, respostas
a emergências e garantias de
segurança em
pontos críticos.
Lu
afirmou, em artigo recente, que o fechamento do estreito desde março
interrompeu o transporte de petróleo, gás e fertilizantes, pressionando preços
e elevando a inflação — que nos EUA chegou a 4,2% em maio, o maior nível
em três anos.
O
anúncio de um acordo de paz entre EUA e Irã, que prevê a reabertura imediata do
estreito e a suspensão do bloqueio naval norte-americano, trouxe algum alívio ao quadro. O
esboço divulgado por Washington indica que Teerã se compromete a garantir
passagem segura por 60 dias e a dialogar com Omã e outros países do
Golfo sobre a administração futura da hidrovia.
Para o
analista, porém, a crise reforça que corredores energéticos se tornaram
focos centrais de tensões geopolíticas, com impacto direto na estabilidade do
fornecimento, nos fluxos comerciais e na resiliência das cadeias de
suprimentos.
A
Marinha chinesa acumula quase duas décadas de experiência em escoltas no golfo
de Áden, mas especialistas como Ma Bo, da Universidade de Nanjing, afirmaram à
mídia asiática que as ameaças atuais, como drones, minas, mísseis
antinavio, exigem mais do que frotas maiores, mas uma ampliação da consciência
situacional,
pontos de abastecimento no exterior e sistemas coordenados de evacuação e
resposta.
Ainda
segundo Ma, o Ártico e o Cabo da Boa Esperança seriam opções marítimas
viáveis para
substituição das rotas prejudicadas na crise, mas a proteção fundamental virá
dos corredores terrestres, como o oleoduto China‑Mianmar, o corredor de Gwadar
e as ligações energéticas pela Ásia Central e Rússia.
Embora
a China importe cerca de 70% do seu petróleo por via marítima, o país tem
conseguido amortecer choques graças às reservas estratégicas, à expansão de
oleodutos e a uma matriz elétrica baseada em carvão e renováveis. Ainda assim,
analistas alertam que depender de uma única rota ou região representa risco
crescente.
Fonte:
Por Bruno Lima Rocha, na Opera Mundi/Sputnik Brasil

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