sábado, 20 de junho de 2026

Queimação nos pés pode ser sinal de neuropatia diabética? Especialista explica quando investigar

Sentir queimação nos pés pode parecer apenas um desconforto passageiro. No entanto, para quem convive com diabetes, esse sintoma pode indicar alterações que merecem investigação. Entre as possíveis causas está a neuropatia diabética, uma das complicações mais frequentes associadas à condição.

O alerta foi feito pela podologista e especialista em pé diabético Andréa Costa, que atua há quase 25 anos na área, com foco em prevenção, educação em diabetes e cuidado com o idoso. Durante participação no DiabetesCast, ela respondeu dúvidas enviadas pela comunidade e explicou quais sinais exigem atenção.

<><> Queimação nos pés pode indicar neuropatia diabética

Ao responder a uma pergunta sobre queimação nos pés, principalmente na região do calcanhar, Andréa explicou que o sintoma pode levantar a suspeita de neuropatia diabética.

Segundo ela, a avaliação não pode considerar apenas o sintoma isolado. É necessário analisar o histórico da pessoa, o tempo de diagnóstico do diabetes, o controle glicêmico, a prática de atividade física e outros fatores relacionados à saúde.

“Já começa uma suspeita para uma neuropatia dependendo da condição clínica desse paciente, quantos anos de diabetes ele tem, qual é a rotina dele”, explicou.

Nesse contexto, a especialista destaca que qualquer alteração persistente deve ser comunicada à equipe de saúde responsável pelo acompanhamento.

<><> Dormência, choques e perda de sensibilidade também merecem atenção

Além da queimação, outras sensações podem indicar alterações nos nervos dos pés. Durante o episódio, Andréa relatou que alguns pacientes descrevem episódios de choques, formigamentos e sensações repentinas que surgem principalmente durante o repouso.

Segundo ela, esses sintomas podem estar relacionados a alterações circulatórias ou à própria neuropatia.

A apresentadora Delô também chamou atenção para outro sinal importante: a perda gradual da sensibilidade.

De acordo com Andréa, muitas pessoas se adaptam à redução da sensibilidade e deixam de perceber que algo está errado. Por isso, em alguns casos, a descoberta ocorre apenas quando já existe uma lesão instalada.

“E você não vai ter aquele alerta. O alerta só vai ser no momento da lesão”, afirmou.

<><> Pé diabético não significa necessariamente neuropatia

Uma dúvida comum entre pessoas com diabetes é se o diagnóstico de pé diabético significa que a neuropatia já está presente.

Segundo Andréa Costa, a resposta é não. Ela explicou que a neuropatia pode surgir ao longo dos anos, mas o desenvolvimento da complicação depende de diferentes fatores.

Entre eles estão o controle glicêmico, a alimentação, o peso corporal, a prática de atividade física e o acompanhamento regular com profissionais de saúde.

Nesse cenário, manter o tratamento adequado pode ajudar a retardar o aparecimento de complicações.

“Se você segue direitinho, tem controle glicêmico, atividade física e acompanhamento, a probabilidade de desenvolver vai demorar um pouco mais”, explicou.

<><> Diabetes tipo 1 também exige cuidados com os pés

Outra dúvida frequente abordada no podcast foi a relação entre diabetes tipo 1 e pé diabético.

Segundo Andréa, tanto pessoas com diabetes tipo 1 quanto aquelas com diabetes tipo 2 precisam cuidar dos pés diariamente.

“A partir do momento que você tem o diagnóstico, você vai ter que olhar com muito carinho para os seus pés”, afirmou.

Ela reforçou que não existe um tipo de diabetes mais ou menos perigoso quando o assunto são complicações nos pés. O risco está relacionado principalmente ao acompanhamento da condição e aos cuidados adotados ao longo do tempo.

<><> Quais sinais devem motivar uma avaliação profissional?

Durante a conversa, Andréa reforçou que sintomas persistentes nunca devem ser ignorados. Entre os sinais que merecem investigação estão:

•        Queimação nos pés;

•        Dormência;

•        Formigamentos;

•        Sensação de choque;

•        Dor nos pés durante a noite;

•        Perda de sensibilidade;

•        Alterações na temperatura dos pés;

•        Feridas que não cicatrizam;

•        Rachaduras recorrentes.

Além disso, ela recomenda buscar avaliação médica sempre que os sintomas fogem do padrão habitual.

“Na dúvida, busque ajuda e entenda por que isso está acontecendo”, orientou.

<><> O cuidado diário ajuda a prevenir complicações

Segundo Andréa Costa, a prevenção continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir o risco de complicações nos pés.

Ela recomenda observar os pés diariamente, verificar o interior dos calçados antes de usá-los, manter a hidratação da pele e realizar acompanhamento regular com profissionais capacitados.

A especialista também destaca a importância de não minimizar sintomas que parecem pequenos.

“Muitas vezes a gente tende a diminuir alguma coisa que foge do normal. Quando conseguimos identificar cedo, conseguimos tratar e acompanhar”, afirmou.

Para quem convive com diabetes, a atenção aos sinais do corpo pode fazer diferença na identificação precoce de alterações e na prevenção de lesões mais graves.

 

Fonte: Um Diabético

 

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