sábado, 20 de junho de 2026

Leonardo Attuch: Se Jaques Wagner é mesmo amigo de Lula, como diz, é ele quem tem que pedir para sair

O senador Jaques Wagner tem todo o direito à presunção de inocência. Esse é um princípio fundamental do Estado Democrático de Direito e deve valer para todos, inclusive para adversários políticos. Ele deve ter o direito de se defender, de apresentar suas explicações e de demonstrar, se for o caso, que não cometeu qualquer irregularidade no episódio envolvendo o Banco Master.

Mas uma coisa é a esfera jurídica. Outra, completamente diferente, é a esfera política. E, politicamente, a permanência de Jaques Wagner como líder do governo Lula no Senado se tornou insustentável.

A operação da Polícia Federal contra Wagner e seus familiares produziu um desgaste evidente para o governo. Não apenas porque Wagner é um senador do PT. Não apenas porque é um aliado histórico de Lula. Mas porque ele ocupa uma função estratégica: como líder no Senado, fala em nome do governo, negocia com bancadas, articula votações e representa o presidente em uma das Casas mais importantes do Congresso Nacional.

Nesse cargo, não basta ser inocente. É preciso também não se tornar um problema político para o governo que se representa. E Wagner, neste momento, virou um problema político para Lula.

Além disso, a entrevista que ele concedeu à Band foi também muito ruim. Ao usar sua amizade de 45 anos com o presidente Lula como argumento para permanecer na liderança do governo, Wagner deslocou o debate para o terreno errado. Essa não é uma questão de amizade. Não é uma questão de afeto pessoal. Não é uma questão de trajetória compartilhada. É uma questão de responsabilidade política.

Se Jaques Wagner é, de fato, amigo de Lula, é ele quem deveria tomar a iniciativa de entregar o cargo de líder do governo no Senado. Não para admitir culpa. Não para abrir mão de sua defesa. Não para se submeter a uma condenação antecipada. Mas para evitar que o presidente Lula, o governo federal e o projeto político que hoje enfrenta a extrema direita sejam arrastados para uma crise que não lhes pertence.

A manutenção de Wagner na liderança virou um presente para a oposição. É tudo o que os adversários de Lula desejam: um líder do governo sob investigação, sendo obrigado a se explicar, enquanto o Planalto tenta sustentar sua articulação política no Congresso e preparar a disputa pela reeleição.

Para quem apoia Lula, como é o caso do Brasil 247, essa não pode ser uma questão pessoal. O Brasil é muito mais importante do que Jaques Wagner. A reeleição de Lula é muito mais importante do que a permanência de qualquer aliado em qualquer cargo. E a defesa do atual projeto de desenvolvimento e inclusão social não pode ficar refém da biografia de ninguém.

Wagner tem uma história relevante. Foi governador da Bahia, ministro, dirigente importante do PT e interlocutor de Lula por décadas. Mas justamente por conhecer a dimensão da responsabilidade que carrega, deveria compreender que há momentos em que o único gesto possível é sair.

Sair para preservar o governo. Sair para não criar novos constrangimentos. Sair para não dar munição diária à oposição. Sair para permitir que Lula reorganize sua liderança no Senado com alguém que não esteja no centro de uma crise policial e política.

Diante do caso Wagner, o governo Lula, é preciso reconhecer, tem um ponto importante a seu favor neste caso: a Polícia Federal atua com autonomia. Não há blindagem política. Não há interferência indevida. Não há tentativa de sufocar investigação. Isso diferencia o atual governo do antecessor, de Jair Bolsonaro, e reforça o compromisso institucional com a apuração dos fatos.

Mas justamente por isso Wagner deveria compreender que sua permanência na liderança se tornou ainda mais difícil. Se a Polícia Federal tem autonomia para investigar, o governo também precisa ter autonomia política para se proteger dos efeitos de uma investigação que atingiu seu líder no Senado.

O PT tenta, corretamente, individualizar responsabilidades. Se houver qualquer revelação envolvendo Wagner ou qualquer outro aliado, a responsabilidade deve ser de quem eventualmente praticou atos irregulares, não do presidente Lula. Mas essa estratégia só será convincente se vier acompanhada de gestos políticos claros.

Não basta dizer que o caso é individual se o investigado continua ocupando uma posição de representação direta do governo.

Também é correto lembrar que o caso Banco Master atinge fortemente o campo bolsonarista, especialmente pelas relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e pelas cobranças relacionadas ao filme Dark Horse. É legítimo que o PT explore essas conexões e mostre à sociedade onde estão as relações mais comprometedoras no escândalo. Mas isso não elimina o problema Wagner. Uma coisa não anula a outra.

Flávio Bolsonaro deve dar explicações sobre suas relações com Vorcaro. Hugo Motta deve dar explicações sobre o empréstimo de R$ 22 milhões pedido à cunhada. Mas Jaques Wagner também precisa entender que, neste momento, sua presença na liderança do governo prejudica o presidente Lula. E prejudicar Lula, neste momento histórico, significa prejudicar o Brasil.

O país vive uma disputa decisiva. De um lado, está a tentativa de reconstrução democrática, de defesa da soberania nacional, de retomada de políticas sociais e de reposicionamento do Brasil no mundo. De outro, está a extrema direita, que já demonstrou desprezo pela democracia e segue tentando voltar ao poder com Flávio Bolsonaro.

Nesse contexto, não há espaço para vaidades pessoais, apego a cargos ou argumentos baseados em amizade. Se Wagner é amigo de Lula, deve demonstrar esta amizade de forma concreta. E, neste momento, ajudar Lula significa sair com dignidade. Sair para não colocar em risco um projeto político muito maior do que ele.

O sentimento de muitos apoiadores do presidente é claro: Wagner deve entregar o cargo. Não porque esteja condenado. Não porque tenha perdido seus direitos. Mas porque a política exige responsabilidade, senso de oportunidade e capacidade de colocar o coletivo acima do interesse individual.

O Brasil é maior do que Wagner. O projeto representado pelo presidente Lula é maior do que Wagner. E a reeleição é decisiva demais para ser colocada em risco por um constrangimento que pode e deve ser resolvido com um gesto simples: pedir para sair.

•        Lula ouve ministros sobre caso Wagner

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouviu ministros palacianos ao longo da quinta-feira (18) para avaliar o impacto político da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo a CNN Brasil, os encontros ocorreram no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Embora Lula ainda pretenda conversar pessoalmente com Wagner antes de tomar uma decisão formal, a avaliação predominante no Palácio do Planalto é que a permanência do senador na liderança do governo se tornou politicamente insustentável. A operação atingiu um dos aliados mais antigos do presidente em uma função estratégica para a articulação com o Congresso, ampliando o desgaste do governo federal em um momento sensível.

<><> Tendência é pela saída de Wagner

Uma ala do Planalto já defende abertamente a substituição de Wagner na liderança do governo no Senado. Para esse grupo, a crise deixou de ser apenas um problema pessoal do parlamentar e passou a afetar diretamente a imagem do Executivo e a capacidade de articulação política da gestão Lula.

Como líder do governo, Wagner fala em nome do Planalto, negocia com bancadas, defende pautas prioritárias e atua como um dos principais operadores políticos do presidente no Senado. Por isso, auxiliares avaliam que sua permanência no cargo tende a prolongar o desgaste e oferecer munição à oposição.

Lula conversou por telefone com Wagner ainda na quinta-feira, mas prefere aguardar uma reunião presencial para deliberar sobre o caso. O presidente tem compromissos no Sudeste nos próximos dias, e o encontro deve ficar para a próxima semana. Até lá, a tendência interna é que cresça a pressão por uma saída negociada.

<><> Operação surpreendeu o governo

Interlocutores do presidente afirmam que o Planalto estava preparado para rebater alegações sobre conexões do PT baiano com o caso Banco Master, mas foi surpreendido pela operação contra Wagner e seus familiares.

O senador foi alvo de busca e apreensão e é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master. Em nota, Wagner nega ter atuado em favor desta ou de qualquer outra instituição financeira.

A negativa, no entanto, não eliminou o desconforto dentro do governo. A leitura predominante é que, mesmo sem uma decisão judicial definitiva contra o senador, o custo político de mantê-lo na liderança passou a ser alto demais para o Planalto.

Após a operação da PF, o PT alinhou seu discurso para tentar conter danos. A principal orientação é individualizar qualquer revelação envolvendo Wagner ou outros aliados citados nas investigações, preservando o presidente Lula de uma associação direta com o caso.

A estratégia tem peso eleitoral. Lula disputa a reeleição neste ano e o partido quer evitar que a crise envolvendo um aliado histórico seja usada pela oposição para atingir o presidente.

Segundo a CNN Brasil, o PT decidiu que continuará usando o caso Banco Master em sua comunicação e nas redes sociais, mas com foco no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível adversário de Lula na disputa presidencial.

<><> Partido mira Flávio Bolsonaro

Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes petistas devem intensificar a divulgação de episódios envolvendo a visita de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o áudio em que o senador cobrava recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Também será lembrado que Flávio chamou Vorcaro de “mermão”, expressão que passou a ser explorada por aliados de Lula para reforçar a proximidade entre o senador bolsonarista e o banqueiro investigado.

A tentativa do PT é deslocar o centro da crise para o campo adversário, sustentando que Flávio tem relações diretas com pessoas envolvidas em fraudes financeiras. Ainda assim, dentro do Planalto, a operação contra Wagner é vista como um problema próprio, que exige resposta política.

<><> Confiança pública, pressão privada

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner é “depositário de confiança”, mas disse que o partido apoia “todas as apurações envolvendo o Banco Master”.

“Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu Edinho.

O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também reforçou a “confiança” do partido em Wagner e criticou a tentativa de “equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros”.

Nos bastidores, porém, o tom é mais duro. Integrantes do governo avaliam que declarações públicas de apoio não significam garantia de permanência no cargo. A prioridade do Planalto passou a ser reduzir danos e evitar que a crise contamine ainda mais a relação com o Senado.

<><> Decisão de Lula pode reorganizar articulação

A eventual saída de Wagner abriria uma nova etapa na articulação política do governo. Lula precisaria escolher um nome capaz de dialogar com diferentes bancadas, defender a agenda do Executivo e reconstruir pontes no Senado em meio a um ambiente de tensão.

A substituição, porém, exige cautela. Wagner é um aliado histórico de Lula, ex-governador da Bahia, ex-ministro e uma das figuras mais influentes do PT. Uma troca brusca poderia ser interpretada como abandono de um quadro central do partido em meio à crise.

Ainda assim, a avaliação predominante no núcleo político é que a permanência do senador se tornou cada vez menos defensável. A conversa presencial com Lula deve definir o formato da solução, mas, no Planalto, a tendência hoje aponta para a saída de Wagner da liderança do governo no Senado.

•        Permanência de Jaques Wagner como líder do governo se tornou insustentável, avalia núcleo duro de Lula

A permanência de Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado passou a ser considerada insustentável por integrantes do núcleo duro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação ganhou força após a autorização, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Aliado histórico de Lula e uma das principais lideranças do PT, Wagner já enfrentava desgaste no Palácio do Planalto em razão de dificuldades na articulação política no Senado. A nova crise, porém, ampliou a pressão interna e levou auxiliares presidenciais a defenderem uma mudança no comando da liderança do governo na Casa.

<><> Crise deixa de ser apenas parlamentar

Até então, as críticas a Wagner estavam concentradas na condução da base governista no Senado e em derrotas recentes sofridas pelo governo. Interlocutores do Planalto avaliavam que a articulação precisava ser reforçada, especialmente em votações consideradas estratégicas para o Executivo.

Com a nova fase da investigação autorizada pelo STF, a situação passou a ser vista por setores do governo como mais delicada. A liderança do governo no Senado exige interlocução permanente com parlamentares, ministros, partidos da base e setores institucionais. Por isso, integrantes do núcleo político de Lula avaliam que a manutenção de Wagner no posto pode criar uma vulnerabilidade adicional para o Planalto.

<><> Aliado histórico sob pressão

Jaques Wagner é um dos nomes mais próximos de Lula desde os primeiros governos petistas. Ex-ministro, ex-governador da Bahia e figura influente no Senado, ele sempre foi considerado um quadro de confiança do presidente.

Essa relação histórica, no entanto, não tem sido suficiente para neutralizar o incômodo dentro do governo. A avaliação reservada é que Lula terá de ponderar entre a lealdade pessoal e política a Wagner e a necessidade de preservar a capacidade de articulação do governo em um momento sensível no Congresso.

<><> Planalto busca reorganização

Nos bastidores, a discussão já não gira apenas em torno da permanência ou saída de Wagner, mas também sobre o perfil de quem poderia assumir a função. O governo precisa de um líder com capacidade de diálogo com diferentes partidos, trânsito no Senado e força para reduzir derrotas em votações decisivas.

A eventual troca, porém, exige cuidado político. Uma substituição abrupta poderia ser interpretada como abandono de um aliado histórico em meio à crise. Por outro lado, a manutenção de Wagner no cargo tende a alimentar novas pressões internas e externas sobre o Planalto.

<><> Governo tenta conter danos

A avaliação predominante entre auxiliares de Lula é que o governo precisa agir para evitar que a crise contamine ainda mais a relação com o Senado. O Planalto sabe que terá pela frente votações relevantes e não pode correr o risco de ver sua base desorganizada em um ambiente de tensão política.

Para integrantes do núcleo duro do presidente, a situação de Wagner chegou a um ponto em que a permanência na liderança deixou de ser apenas uma questão de confiança pessoal. Tornou-se um problema político para o governo.

 

Fonte: Brasil 247

 

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