Leonardo
Attuch: Se Jaques Wagner é mesmo amigo de Lula, como diz, é ele quem tem que
pedir para sair
O
senador Jaques Wagner tem todo o direito à presunção de inocência. Esse é um
princípio fundamental do Estado Democrático de Direito e deve valer para todos,
inclusive para adversários políticos. Ele deve ter o direito de se defender, de
apresentar suas explicações e de demonstrar, se for o caso, que não cometeu
qualquer irregularidade no episódio envolvendo o Banco Master.
Mas uma
coisa é a esfera jurídica. Outra, completamente diferente, é a esfera política.
E, politicamente, a permanência de Jaques Wagner como líder do governo Lula no
Senado se tornou insustentável.
A
operação da Polícia Federal contra Wagner e seus familiares produziu um
desgaste evidente para o governo. Não apenas porque Wagner é um senador do PT.
Não apenas porque é um aliado histórico de Lula. Mas porque ele ocupa uma
função estratégica: como líder no Senado, fala em nome do governo, negocia com
bancadas, articula votações e representa o presidente em uma das Casas mais
importantes do Congresso Nacional.
Nesse
cargo, não basta ser inocente. É preciso também não se tornar um problema
político para o governo que se representa. E Wagner, neste momento, virou um
problema político para Lula.
Além
disso, a entrevista que ele concedeu à Band foi também muito ruim. Ao usar sua
amizade de 45 anos com o presidente Lula como argumento para permanecer na
liderança do governo, Wagner deslocou o debate para o terreno errado. Essa não
é uma questão de amizade. Não é uma questão de afeto pessoal. Não é uma questão
de trajetória compartilhada. É uma questão de responsabilidade política.
Se
Jaques Wagner é, de fato, amigo de Lula, é ele quem deveria tomar a iniciativa
de entregar o cargo de líder do governo no Senado. Não para admitir culpa. Não
para abrir mão de sua defesa. Não para se submeter a uma condenação antecipada.
Mas para evitar que o presidente Lula, o governo federal e o projeto político
que hoje enfrenta a extrema direita sejam arrastados para uma crise que não
lhes pertence.
A
manutenção de Wagner na liderança virou um presente para a oposição. É tudo o
que os adversários de Lula desejam: um líder do governo sob investigação, sendo
obrigado a se explicar, enquanto o Planalto tenta sustentar sua articulação
política no Congresso e preparar a disputa pela reeleição.
Para
quem apoia Lula, como é o caso do Brasil 247, essa não pode ser uma questão
pessoal. O Brasil é muito mais importante do que Jaques Wagner. A reeleição de
Lula é muito mais importante do que a permanência de qualquer aliado em
qualquer cargo. E a defesa do atual projeto de desenvolvimento e inclusão
social não pode ficar refém da biografia de ninguém.
Wagner
tem uma história relevante. Foi governador da Bahia, ministro, dirigente
importante do PT e interlocutor de Lula por décadas. Mas justamente por
conhecer a dimensão da responsabilidade que carrega, deveria compreender que há
momentos em que o único gesto possível é sair.
Sair
para preservar o governo. Sair para não criar novos constrangimentos. Sair para
não dar munição diária à oposição. Sair para permitir que Lula reorganize sua
liderança no Senado com alguém que não esteja no centro de uma crise policial e
política.
Diante
do caso Wagner, o governo Lula, é preciso reconhecer, tem um ponto importante a
seu favor neste caso: a Polícia Federal atua com autonomia. Não há blindagem
política. Não há interferência indevida. Não há tentativa de sufocar
investigação. Isso diferencia o atual governo do antecessor, de Jair Bolsonaro,
e reforça o compromisso institucional com a apuração dos fatos.
Mas
justamente por isso Wagner deveria compreender que sua permanência na liderança
se tornou ainda mais difícil. Se a Polícia Federal tem autonomia para
investigar, o governo também precisa ter autonomia política para se proteger
dos efeitos de uma investigação que atingiu seu líder no Senado.
O PT
tenta, corretamente, individualizar responsabilidades. Se houver qualquer
revelação envolvendo Wagner ou qualquer outro aliado, a responsabilidade deve
ser de quem eventualmente praticou atos irregulares, não do presidente Lula.
Mas essa estratégia só será convincente se vier acompanhada de gestos políticos
claros.
Não
basta dizer que o caso é individual se o investigado continua ocupando uma
posição de representação direta do governo.
Também
é correto lembrar que o caso Banco Master atinge fortemente o campo
bolsonarista, especialmente pelas relações de Flávio Bolsonaro com Daniel
Vorcaro e pelas cobranças relacionadas ao filme Dark Horse. É legítimo que o PT
explore essas conexões e mostre à sociedade onde estão as relações mais
comprometedoras no escândalo. Mas isso não elimina o problema Wagner. Uma coisa
não anula a outra.
Flávio
Bolsonaro deve dar explicações sobre suas relações com Vorcaro. Hugo Motta deve
dar explicações sobre o empréstimo de R$ 22 milhões pedido à cunhada. Mas
Jaques Wagner também precisa entender que, neste momento, sua presença na
liderança do governo prejudica o presidente Lula. E prejudicar Lula, neste
momento histórico, significa prejudicar o Brasil.
O país
vive uma disputa decisiva. De um lado, está a tentativa de reconstrução
democrática, de defesa da soberania nacional, de retomada de políticas sociais
e de reposicionamento do Brasil no mundo. De outro, está a extrema direita, que
já demonstrou desprezo pela democracia e segue tentando voltar ao poder com
Flávio Bolsonaro.
Nesse
contexto, não há espaço para vaidades pessoais, apego a cargos ou argumentos
baseados em amizade. Se Wagner é amigo de Lula, deve demonstrar esta amizade de
forma concreta. E, neste momento, ajudar Lula significa sair com dignidade.
Sair para não colocar em risco um projeto político muito maior do que ele.
O
sentimento de muitos apoiadores do presidente é claro: Wagner deve entregar o
cargo. Não porque esteja condenado. Não porque tenha perdido seus direitos. Mas
porque a política exige responsabilidade, senso de oportunidade e capacidade de
colocar o coletivo acima do interesse individual.
O
Brasil é maior do que Wagner. O projeto representado pelo presidente Lula é
maior do que Wagner. E a reeleição é decisiva demais para ser colocada em risco
por um constrangimento que pode e deve ser resolvido com um gesto simples:
pedir para sair.
• Lula ouve ministros sobre caso Wagner
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouviu ministros palacianos ao longo
da quinta-feira (18) para avaliar o impacto político da operação da Polícia
Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Segundo a CNN Brasil, os encontros ocorreram no Palácio da Alvorada, residência
oficial da Presidência.
Embora
Lula ainda pretenda conversar pessoalmente com Wagner antes de tomar uma
decisão formal, a avaliação predominante no Palácio do Planalto é que a
permanência do senador na liderança do governo se tornou politicamente
insustentável. A operação atingiu um dos aliados mais antigos do presidente em
uma função estratégica para a articulação com o Congresso, ampliando o desgaste
do governo federal em um momento sensível.
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Tendência é pela saída de Wagner
Uma ala
do Planalto já defende abertamente a substituição de Wagner na liderança do
governo no Senado. Para esse grupo, a crise deixou de ser apenas um problema
pessoal do parlamentar e passou a afetar diretamente a imagem do Executivo e a
capacidade de articulação política da gestão Lula.
Como
líder do governo, Wagner fala em nome do Planalto, negocia com bancadas,
defende pautas prioritárias e atua como um dos principais operadores políticos
do presidente no Senado. Por isso, auxiliares avaliam que sua permanência no
cargo tende a prolongar o desgaste e oferecer munição à oposição.
Lula
conversou por telefone com Wagner ainda na quinta-feira, mas prefere aguardar
uma reunião presencial para deliberar sobre o caso. O presidente tem
compromissos no Sudeste nos próximos dias, e o encontro deve ficar para a
próxima semana. Até lá, a tendência interna é que cresça a pressão por uma
saída negociada.
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Operação surpreendeu o governo
Interlocutores
do presidente afirmam que o Planalto estava preparado para rebater alegações
sobre conexões do PT baiano com o caso Banco Master, mas foi surpreendido pela
operação contra Wagner e seus familiares.
O
senador foi alvo de busca e apreensão e é suspeito de ter recebido vantagens
indevidas do Banco Master. Em nota, Wagner nega ter atuado em favor desta ou de
qualquer outra instituição financeira.
A
negativa, no entanto, não eliminou o desconforto dentro do governo. A leitura
predominante é que, mesmo sem uma decisão judicial definitiva contra o senador,
o custo político de mantê-lo na liderança passou a ser alto demais para o
Planalto.
Após a
operação da PF, o PT alinhou seu discurso para tentar conter danos. A principal
orientação é individualizar qualquer revelação envolvendo Wagner ou outros
aliados citados nas investigações, preservando o presidente Lula de uma
associação direta com o caso.
A
estratégia tem peso eleitoral. Lula disputa a reeleição neste ano e o partido
quer evitar que a crise envolvendo um aliado histórico seja usada pela oposição
para atingir o presidente.
Segundo
a CNN Brasil, o PT decidiu que continuará usando o caso Banco Master em sua
comunicação e nas redes sociais, mas com foco no senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), apontado como possível adversário de Lula na disputa presidencial.
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Partido mira Flávio Bolsonaro
Nos
próximos dias, parlamentares e dirigentes petistas devem intensificar a
divulgação de episódios envolvendo a visita de Flávio Bolsonaro a Daniel
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o áudio em que o senador cobrava recursos
para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Também
será lembrado que Flávio chamou Vorcaro de “mermão”, expressão que passou a ser
explorada por aliados de Lula para reforçar a proximidade entre o senador
bolsonarista e o banqueiro investigado.
A
tentativa do PT é deslocar o centro da crise para o campo adversário,
sustentando que Flávio tem relações diretas com pessoas envolvidas em fraudes
financeiras. Ainda assim, dentro do Planalto, a operação contra Wagner é vista
como um problema próprio, que exige resposta política.
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Confiança pública, pressão privada
O
presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner é “depositário de
confiança”, mas disse que o partido apoia “todas as apurações envolvendo o
Banco Master”.
“Os
crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse
processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner
esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu Edinho.
O
secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também reforçou a “confiança”
do partido em Wagner e criticou a tentativa de “equiparar relações e falsamente
criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos
brasileiros”.
Nos
bastidores, porém, o tom é mais duro. Integrantes do governo avaliam que
declarações públicas de apoio não significam garantia de permanência no cargo.
A prioridade do Planalto passou a ser reduzir danos e evitar que a crise
contamine ainda mais a relação com o Senado.
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Decisão de Lula pode reorganizar articulação
A
eventual saída de Wagner abriria uma nova etapa na articulação política do
governo. Lula precisaria escolher um nome capaz de dialogar com diferentes
bancadas, defender a agenda do Executivo e reconstruir pontes no Senado em meio
a um ambiente de tensão.
A
substituição, porém, exige cautela. Wagner é um aliado histórico de Lula,
ex-governador da Bahia, ex-ministro e uma das figuras mais influentes do PT.
Uma troca brusca poderia ser interpretada como abandono de um quadro central do
partido em meio à crise.
Ainda
assim, a avaliação predominante no núcleo político é que a permanência do
senador se tornou cada vez menos defensável. A conversa presencial com Lula
deve definir o formato da solução, mas, no Planalto, a tendência hoje aponta
para a saída de Wagner da liderança do governo no Senado.
• Permanência de Jaques Wagner como líder
do governo se tornou insustentável, avalia núcleo duro de Lula
A
permanência de Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado passou a
ser considerada insustentável por integrantes do núcleo duro do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. A avaliação ganhou força após a autorização, pelo
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de nova fase da Operação
Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Aliado
histórico de Lula e uma das principais lideranças do PT, Wagner já enfrentava
desgaste no Palácio do Planalto em razão de dificuldades na articulação
política no Senado. A nova crise, porém, ampliou a pressão interna e levou
auxiliares presidenciais a defenderem uma mudança no comando da liderança do
governo na Casa.
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Crise deixa de ser apenas parlamentar
Até
então, as críticas a Wagner estavam concentradas na condução da base governista
no Senado e em derrotas recentes sofridas pelo governo. Interlocutores do
Planalto avaliavam que a articulação precisava ser reforçada, especialmente em
votações consideradas estratégicas para o Executivo.
Com a
nova fase da investigação autorizada pelo STF, a situação passou a ser vista
por setores do governo como mais delicada. A liderança do governo no Senado
exige interlocução permanente com parlamentares, ministros, partidos da base e
setores institucionais. Por isso, integrantes do núcleo político de Lula
avaliam que a manutenção de Wagner no posto pode criar uma vulnerabilidade
adicional para o Planalto.
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Aliado histórico sob pressão
Jaques
Wagner é um dos nomes mais próximos de Lula desde os primeiros governos
petistas. Ex-ministro, ex-governador da Bahia e figura influente no Senado, ele
sempre foi considerado um quadro de confiança do presidente.
Essa
relação histórica, no entanto, não tem sido suficiente para neutralizar o
incômodo dentro do governo. A avaliação reservada é que Lula terá de ponderar
entre a lealdade pessoal e política a Wagner e a necessidade de preservar a
capacidade de articulação do governo em um momento sensível no Congresso.
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Planalto busca reorganização
Nos
bastidores, a discussão já não gira apenas em torno da permanência ou saída de
Wagner, mas também sobre o perfil de quem poderia assumir a função. O governo
precisa de um líder com capacidade de diálogo com diferentes partidos, trânsito
no Senado e força para reduzir derrotas em votações decisivas.
A
eventual troca, porém, exige cuidado político. Uma substituição abrupta poderia
ser interpretada como abandono de um aliado histórico em meio à crise. Por
outro lado, a manutenção de Wagner no cargo tende a alimentar novas pressões
internas e externas sobre o Planalto.
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Governo tenta conter danos
A
avaliação predominante entre auxiliares de Lula é que o governo precisa agir
para evitar que a crise contamine ainda mais a relação com o Senado. O Planalto
sabe que terá pela frente votações relevantes e não pode correr o risco de ver
sua base desorganizada em um ambiente de tensão política.
Para
integrantes do núcleo duro do presidente, a situação de Wagner chegou a um
ponto em que a permanência na liderança deixou de ser apenas uma questão de
confiança pessoal. Tornou-se um problema político para o governo.
Fonte:
Brasil 247

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