Entenda
como rede de supermercados se tornou produto de crédito consignado ligado ao
Banco Master, na Bahia
Investigações
da Polícia Federal (PF) apontam que a relação entre o líder do Governo no
Senado, Jaques Wagner (PT), e o ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, está
associada à rede de supermercados baiana Cesta do Povo e ao cartão de crédito
com benefício consignado CredCesta.
Tanto
Wagner quanto Lima foram alvos da 9ª fase da "Operação Compliance
Zero", deflagrada nesta quinta-feira (18). A ação investiga um suposto
esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Em
nota, Wagner afirmou ser inocente e negou atuação em favor do Banco Master ou
de outras instituições financeiras. Já Lira afirmou que sempre autuou dentro
dos limites da lei.
Conforme
as apurações da PF, Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia
quando participou do processo que levou à privatização da Empresa Baiana de
Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados, em 2018. Augusto Lima foi o
comprador da companhia, arrematada por R$ 15 milhões após duas tentativas
frustradas de leilão.
Em nota
enviada a editoria de Política do g1, em abril deste ano, Jaques Wagner
confirmou que conheceu Augusto Lima em 2017, quando era o secretário
responsável por conduzir a venda da empresa.
A
investigação da PF, porém, não aponta suspeitas sobre o leilão em si, nem sobre
favorecimento ao governo Rui Costa (PT). Os agentes apuram se o senador teria
atuado, em outro momento, em favor de interesses do banqueiro em projetos
ligados ao crédito consignado.
O
empréstimo passou a ser o principal eixo de expansão do CredCesta, criado a
partir da Cesta do Povo. Inicialmente voltado a compras de servidores públicos,
aposentados e pensionistas, o consignado foi incorporado, posteriormente, a
operações mais amplas no mercado financeiro, se tornando a porta de entrada do
Banco Master para operar na modalidade de crédito.
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Descontos na folha continuam
Contando
com a omissão e ou conveniência do governador Jerônimo Rodrigues, que apesar
das denúncias de irregularidades praticadas pelo grupo Master e em especial do
Credicesta, cuja omissão é comprovada, pois não se conhece qualquer medida
tomada para apurar sobre os descontos em folha dos servidores, mesmo após a
liquidação do banco e com o escândalo envolvendo Jaques Wagner, que se
aprofundada pela PF irá chegar a outros nomes do governo Rui Costa, onde
ocorreram as falcatruas.
Talvez
aí resida o medo do atual governador, de mexer na teia de aranha e fazer uma
apuração mais aprofundada, que poderá bater, quem sabe, na porta do seu
padrinho político, que ainda sencontra enredado com a compra dos respiradores
na época mais grave da Covid, cujos valores pagos a empresa que não entregou um
equipamento de amostra, cujos valores pagos jamais retornaram aos cofres
públicos.
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Empresa Baiana de Alimentos
A Ebal
foi uma empresa pública do governo da Bahia criada para atuar no abastecimento
alimentar e no comércio varejista de produtos básicos. Ela era a responsável
por operar a rede de supermercados Cesta do Povo.
A Ebal
foi colocada em leilão para a iniciativa privada em 2015, no governo de Rui
Costa (PT). Após dois leilões sem lances, a empresa foi arrematada em 2018,
pelo valor de R$ 15 milhões.
O
processo foi comandado pelo então governador Rui Costa, juntamente com Jaques
Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico.
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Cesta do povo
A Cesta
do Povo foi uma rede de supermercados criada pelo governo da Bahia, nos anos
1970, com foco em vender produtos básicos a preços mais acessíveis para a
população de baixa renda.
Durante
muitos anos, a Cesta do Povo teve presença forte no interior da Bahia e em
bairros populares de Salvador, mas começou a perder a força a partir dos anos
2000.
Quando
a administradora Ebal foi leiloada em 2018, a Cesta do Povo também foi vendida.
Augusto Lima adquiriu a rede de supermercados.
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CredCesta
O
CredCesta é um cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos,
aposentados e pensionistas, onde o pagamento das parcelas é descontado
diretamente da folha de pagamento. Apesar de atualmente operar em todo o
Brasil, ele surgiu na Bahia e tem forte ligação com a rede Cesta do Povo.
Com a
compra da Cesta do Povo, em 2018, Augusto Lima também adquiriu o Credcesta, que
na época era um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e
estaduais. O financiamento bancava a compra parcelada de servidores do estado
nos supermercados.
Entre
2019 e 2024, Augusto Lima atuou como sócio e CEO do banco Master, de Daniel
Vorcaro. Neste período, ele expandiu o CredCesta para além da finalidade
original de compra de gêneros alimentícios e o cartão se tornou a porta de
entrada do Banco Master para operar na modalidade de crédito consignado.
Segundo
um requerimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para
a quebra de sigilo bancário de Augusto Lima, a ampliação do Credcesta
transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou
pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e
outras instituições financeiras”.
De
acordo com as investigações, uma parte relevante desses créditos oferecidos a
aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía
recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.
Em
meados de 2025, já no meio da mais grave crise envolvendo o Banco Master, os
dois decidiram romper a sociedade. Augusto Lima ficou com o Banco Pleno, que
tem como origem o cartão de crédito consignado.
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Jaques Wagner
O foco
central desta fase da operação é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e
Augusto Lima. A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de
projetos de interesse do grupo financeiro do banqueiro.
Entre
as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta
legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o
grupo possui forte atuação justamente por meio do Credcesta.
Em
contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores suspeitam que
Wagner tenha sido beneficiado com:
• Propina:
-
repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada
ao enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o "Dudu" (secretário de
Meio Ambiente do governo da Bahia), e à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha.
• Imóvel de luxo:
- a
transação suspeita de um apartamento no Poeme Residence (unidade 1702),
localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador — área nobre da capital
baiana. O apartamento está avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, segundo a PF.
• Mordomias:
- o uso
frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows. Na
decisão, consta a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados
Unidos, no valor de mais de R$ 63 mil pagos pela empresa Reag Investimentos em
favor da família do senador.
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Leia nota de Jaques Wagner na íntegra
"O
senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não
foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O
parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém
a confiança na condução delas.
Cabe
esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do
parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer
outra instituição financeira.
Sobre
os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto
de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais
oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira
disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a
certeza de que a verdade prevalecerá".
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O que diz a defesa de Augusto Lima na íntegra
"As
diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma
vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para
esclarecer os fatos em apuração.
De todo
modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase
da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto
Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência,
responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema
financeiro e a administração pública".
• Consignados do Master somaram R$ 354
milhões na folha do Exército
Documentos
obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o Banco Master
movimentou cerca de R$ 354 milhões em empréstimos consignados descontados na
folha de militares e pensionistas do Exército entre outubro de 2020 e abril de
2026. Os registros revelam ainda que o credenciamento da instituição foi
renovado pelo Comando do Exército em janeiro de 2025, poucos meses antes de o
Banco Central decretar sua liquidação extrajudicial.
As
informações foram encaminhadas pelo Centro de Pagamento do Exército (CPEx) e
abrangem operações vinculadas ao Banco Máxima e ao Banco Master.
O pico
da operação ocorreu em 2022, quando os descontos ultrapassaram R$ 110 milhões
ao longo do ano. Em alguns meses, mais de 12 mil beneficiários tiveram parcelas
de empréstimos vinculadas ao banco descontadas diretamente em folha.
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Renovação antes da liquidação
Em 15
de janeiro de 2025, o Comando do Exército assinou um termo aditivo prorrogando
por mais dois anos o contrato de credenciamento do Banco Master para operar
empréstimos consignados junto a militares e pensionistas. A vigência foi
estendida até 14 de janeiro de 2027.
O ato,
posteriormente publicado no Diário Oficial da União, teve como fundamento o
Parecer Referencial nº 2/2024 da Consultoria Jurídica do Exército.
Menos
de um ano depois, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a
liquidação extrajudicial da instituição. Na decisão, a autoridade monetária
apontou comprometimento da situação econômico-financeira do banco, deterioração
da liquidez, infrações às normas do sistema financeiro e descumprimento de
determinações regulatórias.
A
proximidade entre a renovação contratual e a intervenção levanta
questionamentos sobre os critérios adotados pelo Exército para manter o
credenciamento da instituição. Em respostas a pedidos feitos via LAI, a Força
não apresentou documentos que demonstrassem eventual análise da situação
financeira do banco antes da assinatura do aditivo nem esclareceu quais
avaliações embasaram a decisão.
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R$ 110 milhões em um único ano
Os
dados do CPEx mostram a relevância da operação dentro da folha militar.
Em
2022, os descontos relacionados ao Banco Master somaram R$ 110,4 milhões.
Apenas em setembro daquele ano, o valor mensal chegou a R$ 10,5 milhões,
alcançando 12.778 CPFs.
Em
2023, os descontos totalizaram R$ 83,7 milhões. Já em 2024, o volume ficou em
aproximadamente R$ 41 milhões.
Ao
longo do período analisado, foram registrados mais de 30 mil contratos
vinculados ao banco, concentrados principalmente entre pensionistas e militares
veteranos. Os números indicam que a instituição mantinha participação
expressiva no mercado de consignados da Força.
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Repasses continuaram após a intervenção
Após a
liquidação extrajudicial, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato de
credenciamento do Banco Master e bloqueou a instituição para novas operações no
sistema de consignações.
Os
contratos já existentes, porém, permaneceram ativos. Segundo o CPEx, os
descontos continuariam sendo realizados nos contracheques dos militares e
pensionistas e os valores seriam repassados até a quitação dos empréstimos
contratados antes da intervenção.
A
reportagem questionou o Comando do Exército sobre os critérios utilizados para
renovar o contrato em janeiro de 2025, se houve análise específica da situação
econômico-financeira do Banco Master antes da prorrogação. Até o fechamento
desta reportagem, não houve resposta.
Fonte:
g1

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