Cheng
Enfu & Yang Jun: A tríplice revolução chinesa
Para
além da tomada inicial do Estado, a revolução se sustenta na capacidade de
adaptação — uma dança estratégica entre a força e a persuasão, o visível e o
oculto, que define a sobrevivência do projeto socialista no século XXI...
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A conquista revolucionária do poder
A
primeira ação necessária para levar a revolução até o fim é “a derrubada do
poder vigente e a dissolução das antigas relações”. O objetivo principal e
a questão central consistem em tomar e consolidar o poder político; caso
contrário, o socialismo não pode ser estabelecido. Quanto à China, a fundação
da República Popular marca uma vitória decisiva do nosso partido na conquista
revolucionária do poder.
Contudo,
o fracasso da Comuna de Paris e a restauração do sistema capitalista na União
Soviética são motivos de séria reflexão. Mesmo após a tomada do poder, o PCCh
continuará enfrentando, ainda por muito tempo, os problemas de garantir a
segurança do sistema e a segurança ideológica, assim como a possibilidade de
que as forças burguesas retomem o poder.
Portanto,
a conquista revolucionária do poder permanece incompleta: “de certa forma, uma
restauração temporária também é um fenômeno recorrente e difícil de ser evitado
por completo”. Do ponto de vista nacional, “a classe exploradora, enquanto
classe, foi eliminada; mas a luta de classes continuará existindo por um longo
tempo, dentro de certos limites”.
Quanto
aos fatores internacionais, forças hostis do Ocidente intensificam sua luta de
classes nas esferas política e militar, recorrendo a métodos de “revolução
colorida” para ocidentalizar e dividir a China. Os Estados Unidos e seus
aliados consideram a China como sua principal concorrente ou “maior inimiga”,
e, sob a bandeira de um suposto reequilíbrio de poder na região da
Ásia-Pacífico, procuram restringir integralmente o desenvolvimento pacífico da
China nas áreas da ciência, da tecnologia e em outras mais.
Em
suma, o sistema socialista, após a tomada do poder, invariavelmente se vê
confrontado pelas contradições e conflitos entre a subversão e a
antissubversão, entre a evolução e a antievolução, além disso, suas
correspondentes lutas podem até se intensificar em determinadas condições. Para
defender os frutos da vitória revolucionária, devemos consolidar ainda mais a
nova ordem política, por meio da construção econômica, política, cultural,
social e de defesa nacional socialistas. Uma vez que a Conquista Revolucionária
do Poder tenha sido alcançada, esses elementos constituem o conteúdo vital do
poder do Estado.
Globalmente,
além dos Estados socialistas – chamados de “um grande e quatro pequenos”, em
referência à China, Coreia do Norte, Cuba, Vietnã e Laos –, os partidos
comunistas na maioria dos países continuam seus incansáveis esforços para
derrubar a velha ordem e estabelecer o novo poder político. No entanto, a
influência do socialismo mundial ainda é pequena quando comparada à do
capitalismo, e o socialismo permanece na defensiva em todo lugar.
A
tarefa global representada pela conquista revolucionária do poder ainda
enfrenta obstáculos gigantescos. Em meio à crescente globalização, o objetivo
estratégico de tomar e depois defender o poder do Estado exige que os partidos
comunistas da maioria dos países empreguem estratégias revolucionárias
adequadas e demonstrem um elevado grau de flexibilidade, a fim de responder a
situações que mudam rapidamente. Somente assim a classe trabalhadora mundial, e
o povo trabalhador em geral, poderão garantir uma verdadeira vitória na
conquista revolucionária do poder.
O
caminho revolucionário exige o uso flexível dos conceitos de “tomada violenta
do poder” e de “assunção pacífica do poder”. Na prática, os países socialistas
que garantiram a vitória inicial da Conquista Revolucionária do Poder vieram a
controlar o poder político por meio da revolução violenta. Uma certa corrente
da opinião pública considera a revolução violenta em termos absolutos, como o
único meio pelo qual o poder político pode ser tomado, equiparando-a, assim, à
conquista revolucionária do poder.
Marx de
fato afirmou que os objetivos dos comunistas “só podem ser alcançados pela
derrubada forçada de todas as condições sociais existentes”. No entanto,
embora Karl Marx e Friedrich Engels tenham declarado que “o proletariado não
pode conquistar o poder político (…) sem uma revolução violenta”, Marx também
observou que “onde a propaganda e o encorajamento pacíficos puderem alcançar
esse objetivo de forma mais rápida e com mais segurança, realizar uma
insurreição é loucura”.
Em
1886, no prefácio à versão de língua inglesa do primeiro volume de O
capital, Engels escreveu sobre Marx: “Deverá ser ouvida a voz de um
homem cuja teoria é, toda ela, resultado de uma vida inteira de estudos da
história econômica e da situação da Inglaterra, tendo concluído, desses
estudos, que, pelo menos na Europa, a Inglaterra é o único país onde a
inevitável revolução social poderá realizar-se inteiramente por meios pacíficos
e legais. Por certo, nunca se esqueceu de acrescentar ser pouco provável que as
classes dominantes inglesas se submetessem a essa revolução pacífica e legal
sem uma rebelião pró-escravatura”.
Além
disso, em sua carta para Richard Fisher, de 8 de março de 1895, Friedrich
Engels advertia: “Em minha visão, você não tem nada a ganhar defendendo a total
abstenção do uso da força”.[7] Pode-se perceber que os
conceitos de “tomada violenta do poder” e “assunção pacífica do poder” devem
ser utilizados com flexibilidade. Nos últimos vinte anos, o PCCh tem fornecido
um modelo de uso flexível desses dois métodos para assegurar a vitória na
conquista revolucionária do poder.
Resultados
revolucionários exigem o uso flexível dos conceitos de “luta aberta” e de “luta
clandestina”. Os partidos comunistas do mundo, em sua grande maioria,
encontram-se hoje legalmente estabelecidos como partidos de oposição aos
partidos burgueses que governam seus respectivos países. Com o advento da
globalização, dasociedade da informação e da sociedade em rede, a densidade das
comunicações humanas foi imensamente ampliada.
Se o
regime burguês monopolista não recorrer à política totalitária e à repressão
violenta, e se as estratégias dos partidos políticos da classe trabalhadora
estiverem corretas, estes partidos poderão expandir sua militância e influência
mais rapidamente e de forma ampla. Mas, na verdade, sempre houve a necessidade
de duas frentes de luta.
Como
escreveu Mao, “além do trabalho aberto, é preciso trabalho secreto para
respaldá-lo”. Especialmente quando os Estados capitalistas estão
empenhados em destruir a organização do partido comunista, o trabalho secreto
pode permitir que os comunistas preservem e acumulem suas forças de modo
eficaz, enquanto aguardam a oportunidade de tomar o poder.
Os
comunistas podem, por exemplo, ativamente criar e expandir empreendimentos com
fins lucrativos de diversas formas, sejam abertas ou veladas, a fim de fornecer
uma base econômica confiável para o desenvolvimento do movimento revolucionário
proletário. Uma vez que nas sociedades ocidentais os comunistas são
estigmatizados e marginalizados, e até mesmo vilipendiados e demonizados, eles
podem decidir pela fundação de um partido político que não leve o nome de
“partido comunista”, mas que, essencialmente, o seja.
Ao
encobrirem suas formas externas, podem ser capazes de realizar a conquista
revolucionária do poder no curto prazo. Isso se assemelha ao modelo de partidos
políticos da classe trabalhadora como o Partido Republicano do Trabalho e da
Justiça, que tem grande influência em Belarus. De modo aberto ou encoberto, por
meio da criação de editoras, emissoras de televisão, fóruns, jornais, sites e
outros meios de comunicação, bem como através de organizações e canais como
fundações, sociedades, escolas, bibliotecas e associações juvenis, os
comunistas cooperam para fortalecer a imagem pública do marxismo e do
socialismo científico, e promover vigorosamente a posição ideológica do partido
comunista.
O uso
flexível das noções de “independência” e de “união internacional” é um
princípio revolucionário. O espírito burguês transnacional, que determina a
lógica do capital privado, assegurou que a Conquista Revolucionária do Poder
pelo proletariado jamais se configurasse como um movimento estritamente
nacional, mas sim como uma causa internacional inspirada no lema: “Proletários
de todos os países, uni-vos!”.
Desde
1864, sucessivas organizações internacionais desempenharam um inestimável papel
progressista ao aprofundar a união das forças socialistas mundiais. Embora
tenham ocorrido dificuldades, elas se limitaram a formas específicas de união;
o princípio fundamental e o espírito da união internacional do proletariado não
podem ser negados. Esta união não tem apenas valor histórico, mas também
relevância para a nova era.
A
unilateralidade de negar por completo qualquer forma de união internacional, ao
mesmo tempo em que se enfatizam demonstrações isoladas de sucesso, reside na
separação entre “união internacional” e “independência”. Fato é que “a
autonomia e a independência estão contidas no próprio conceito de
internacionalismo”; ambas estão unificadas. Até mesmo a Constituição chinesa de
2017 enfatiza que o Estado deve promover a educação internacionalista junto ao
povo. Assim, não devemos desistir do espírito do internacionalismo
proletário, seja no discurso, seja na prática.
Algum
tipo de união internacional é indispensável. Como Marx nos lembrou: “A
experiência do passado provou que negligenciar a unidade fraterna que deveria
existir entre os trabalhadores de todos os países (…) acabará por puni-los –
levando ao fracasso comum de seus esforços isolados”. Mesmo em
circunstâncias adversas, a união internacional é possível em certa medida,
visto que no mundo de hoje os partidos comunistas de todos os países têm
trilhado o caminho revolucionário levando em consideração as suas próprias
características.
Assim,
a “independência” foi consideravelmente ampliada. Isso estabeleceu as bases
organizacionais para uma continuidade da união internacional, e criou as
condições ideológicas para que ela venha a florescer. Considerando a tendência
geral, “o futuro do socialismo mundial depende da ação conjunta e eficaz do
proletariado internacional”. Os partidos comunistas da maioria dos países
têm alcançado novas formas de união internacional, e esperam alcançar ainda
mais no future.
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A conferência de Bandung. Por Penildon Silva Filho
Setenta
anos depois, os princípios de Bandung ressurgem nos BRICS e na multipolaridade:
como a luta anticolonial do século XX ecoa no tabuleiro geopolítico atual,
desafiando a hegemonia ocidental...
Em 2025
comemoramos os 70 anos da Conferência de Bandung, na Indonésia, um marco na
geopolítica e nas ações dos países em processo de descolonização, de
fortalecimento de sua autonomia e soberania e de construção de uma lógica
pós-neocolonial. Hoje essa lógica ameaça decisivamente a lógica imperial, no
que podemos denominar de “Ecos de Bandung”.
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A gênese do sistema mundial moderno
A
consolidação dos Estados nacionais na Europa, por volta do século XIV, foi
acompanhada por um processo de expansão marítima e colonialismo que permitiu a
acumulação primitiva de capital. Este processo, fundamental para a posterior
Revolução Industrial, foi marcado pela violência extrema: o genocídio de
populações indígenas nas Américas, a destruição de civilizações complexas
(astecas, incas, maias), a escravização de indígenas e africanos. Esses foram
pilares fundantes da economia mercantilista europeia, e o colonialismo e o
neocolonialismo estão na sustentação do sistema capitalista.
A
independência formal das nações latino-americanas no século XIX não rompeu com
as estruturas de dependência. O caso do Brasil é emblemático: a manutenção de
uma monarquia ligada à coroa portuguesa, a economia agroexportadora escravista
e a substituição de Portugal pela Inglaterra como potência hegemônica ilustram
a transição para uma relação neocolonial. Esta relação foi consolidada pela
Doutrina Monroe, que estabeleceu a hegemonia dos EUA no hemisfério através do
controle econômico e de intervenções militares e políticas sobre os países da
América Latina.
Paralelamente,
o neocolonialismo do século XIX manifestou-se de diversas maneiras, dentre elas
na invasão e no saque da África e da Ásia. A Conferência de Berlim (1884-1885),
da qual nenhum representante africano participou, estabeleceu o princípio da “ocupação
efetiva” europeia, legitimando a conquista militar e a exploração econômica do
continente.
Na
Ásia, o “Século da Humilhação” chinês (1839-1949) exemplifica a subjugação por
múltiplas potências (Reino Unido, França, Japão, Rússia, Alemanha, EUA), que
impuseram tratados desiguais, concessões territoriais e esferas de influência.
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A conferência de Bandung
Realizada
em 1955, a Conferência de Bandung reuniu 29 países recentemente independentes
da Ásia e África. Seu principal legado foi a articulação de uma agenda comum
anticolonial e a proclamação dos “Dez Princípios de Bandung”, que se tornaram a
base filosófica e política do Movimento dos Não-Alinhados.
Esses
princípios eram: (i) Respeito pelos direitos fundamentais do homem e para os
fins e princípios da Carta das Nações Unidas. (ii) Respeito pela soberania e
integridade territorial de todas as nações. (iii) Reconhecimento da igualdade
de todas as raças e de todas as nações, grandes e pequenas. (iv) Abstenção de
intervenções ou ingerências nos assuntos internos de outro país. (v) Respeito
pelo direito de cada nação de defender-se, individual ou coletivamente, em
conformidade com a Carta das Nações Unidas.
(vi)
Abstenção de participação em acordos de defesa coletiva destinados a servir aos
interesses particulares das grandes potências. Abstenção por parte de qualquer
país de exercer pressões sobre outros países. (vii) Refutar-se de todo ato ou
ameaça de agressão ou do emprego da força contra a integridade territorial ou
independência política de qualquer país.
(viii)
Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos, tais como
negociações, conciliação, arbitragem ou composição perante tribunais, assim
como outros meios pacíficos, à escolha das partes, em conformidade com a Carta
das Nações Unidas. (ix) Estímulo aos interesses mútuos de cooperação. (x)
Respeito pela justiça e obrigações internacionais.
A
Conferência de Bandung foi um marco simbólico enorme. Pela primeira vez, nações
há pouco tempo colonizadas se reuniram sozinhas, sem a presença de suas antigas
metrópoles, para definir uma agenda comum e uma voz independente no cenário
mundial. Ela pavimentou o caminho para a criação formal do Movimento dos
Não-Alinhados em 1961 e representou o nascimento político do “Terceiro Mundo”,
não alinhado nem com a OTAN (EUA) nem com o Pacto de Varsóvia (URSS).
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Ecos de Bandung no século XXI
O fim
da Guerra Fria e a breve unipolaridade norte-americana, marcada pela ideologia
do “fim da história”, foram contestados no século XXI pela emergência de novos
polos de poder. Podemos considerar essa nova fase em que a Humanidade adentra
como uma fase dos “Ecos de Bandung”. A ascensão econômica e política da China,
a reestabilização da Rússia, o crescimento da Índia e a onda de governos
progressistas na América Latina (Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia,
Uruguai, Chile, México e outros) reconfiguraram o cenário global.
Neste
contexto, surgiram instituições que ecoam os princípios de Bandung. Os
BRICS,bloco econômico que promove a cooperação Sul-Sul, o multilateralismo e o
desenvolvimento sem as condicionalidades austeras do FMI, reuniu primeiramente
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, sendo que hoje foi expandido para
o BRICS+ e tem dezenas de países associados.
O Novo
Banco de Desenvolvimento (NDB), sob a liderança de Dilma Rousseff, simboliza
esta nova arquitetura financeira e a busca pela superação das instituições
resultantes do tratado de Bretton Woods, que estabeleceu o dólar como moeda do
comércio internacional, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial
(BM) como instituições que regulavam e ditavam a agenda econômica e financeira
internacional.
A
Organização de Cooperação de Xangai (OCX)é outra organização que é herdeira de
Bandung, e foca na segurança e cooperação regional, respeitando a soberania e
não-interferência, e hoje se torna uma plataforma de cooperação econômica muito
forte, a partir do projeto One Belt, One Road.
Tanto o
BRICS quanto a OCX adotam posições comuns em questões como a condenação da
interferência em assuntos internos de outros países, a busca da cooperação
econômica, a resolução de conflitos por meios pacíficos, o que são “ecos de
Bandung”.
A
política de invasão, ocupação e desestabilização no Iraque, os ataques ao Irã,
a contínua desestabilização do Oriente Médio pelos Estados Unidos e Israel, a
tentativa de anexação da Ucrânia pela Otan, o que ocasionou o conflito na
região com a Rússia, assim como a longa ocupação do Afeganistão, o
financiamento da oposição Síria que destruiu aquele país, e do mesmo modo a
destruição armada do regime líbio são estratégias da potência decadente (EUA)
para comprometer o processo de integração da região pela Nova Rota da Seda e
outras iniciativas.
A
crítica do Norte Global de que os países do Sul Global seriam um “clube de
autocratas”, onde muitos dos seus membros supostamente teriam regimes
autoritários e procurariam suprimir a dissidência política interna cai por
terra com o genocídio contra os palestinos em Gaza, as perseguições contra
universidades e intelectuais nos Estados Unidos, as sanções contra o Brasil
para defender de forma escancarada o grupo golpista de 8 de janeiro de 2023,
atacando a soberania brasileira.
Fica
claro também que o conflito na Ucrânia não termina apenas para manter uma
pressão contra a Rússia e dar escoamento aos armamentos da OTAN, garantindo a
produção da indústria bélica do Norte Global.
Estes
blocos, BRICS e OCX, não procuram replicar um modelo ideológico único
(socialista ou capitalista), o que os diferencia de blocos da época da Guerra
Fria. Eles respeitam os regimes internos na Economia e na Política, mas
defendem uma ordem multipolar baseada no direito internacional, na
autodeterminação dos povos e na cooperação económica mutuamente benéfica.
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Conclusão
A
Conferência de Bandung não foi um evento isolado, mas um momento culminante de
séculos de resistência anticolonial. Seus princípios de não-alinhamento,
autodeterminação e cooperação continuam a ressoar na atual reconfiguração
geopolítica. Compreender Bandung é, portanto, essencial para decifrar os
desafios e possibilidades da ordem global do século XXI.
Estamos
com a possibilidade de criar uma ordem de concertação mundial, onde o
desenvolvimento de um grupo de nações não precise depender da exploração de
outras. Esse empreendimento é complexo e não trivial para ser construído, mas
as bases para o mesmo passam pelo fortalecimento e pelo aprofundamento da
dinâmica dos BRICS, da OCX e de outras instituições regionais na busca por um
desenvolvimento de outra ordem.
A
progressiva consciência dos povos e seu protagonismo na arena internacional,
com Estados fortes que representem nações e não mais aglomerados econômicos,
pode indicar um caminho de inclusão social, sustentabilidade, equidade,
dignidade humana, respeito à diversidade e ao pluralismo.
Nessa
concertação de países soberanos, os desafios da transformação radical do mundo
do trabalho, que pode gerar a exclusão e miséria de milhões ou a ascensão
social de todos; a necessidade de uma transição energética e socioecológica e
de um mundo de paz dependerão necessariamente da construção de novos valores e
culturas. Dependerão de uma relação de integração no campo da educação, da
ciência, das trocas simbólicas e civilizacionais, e não apenas econômicas.
O papel
das Universidades nesse mundo em disputa, e da cultura e das artes se fazem
mais do que estratégicos, assim como a integração pela ciência para a
sustentabilidade do planeta. Por outro lado, os riscos de guerra se
intensificam, pois justamente num momento de declínio de impérios podem se
sobrepor ações desesperadas no sentido de impedir a mudança da ordem global.
Fonte: Monthly
Review -Tradução: Ricardo d’Arêde, em A Terra é Redonda

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