Globo
não solta a mão de Tarcísio como "anti-Lula" e diz que Centrão e
Faria Lima também não
A
declaração de um cabisbaixo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) afirmando
que é "candidato à reeleição" após encontro com Jair Bolsonaro (PL)
foi recebida com desdém e incredulidade pela família Marinho, da TV Globo,
principal entusiasta na mídia liberal da candidatura anti-Lula do governador
paulista nas eleições presidenciais de 2026.
A
informação foi ignorada pelo Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo,
e escondida nas manchetes do site G1 e no jornal O Globo, que pinçaram outras
informações da curta entrevista de Tarcísio na saída de visita.
Primeiramente,
O Globo destacou a declaração de Tarcísio de que "redução de penas não
satisfaz Bolsonaro". Em seguida, em outra reportagem, o folhetim,
porta-voz político do clã Marinho, destaca que "Bolsonaro diz a Tarcísio
que mantém candidatura de Eduardo ao Senado e descarta futuro do filho como
presidenciável".
Ou
seja, um sinal de que Tarcísio está no páreo, já que Eduardo já sinalizou, sem
a anuência do pai, que só abre mão de concorrer ao Planalto por dois nomes:
Carlos e Flávio Bolsonaro. Os irmãos, no entanto, nem cogitam entrar na
disputa.
O G1,
site da Globo, foi na mesma linha e reportou que "após visita, Tarcísio
defende anistia para 'pacificar' país e diz que é 'triste' ver situação de
Bolsonaro", contribuindo para o cenário de vitimização de Bolsonaro. A
declaração sobre a reeleição em São Paulo aparece perdida no meio do texto.
A
Globo, então, escalou uma das suas "colonistas"- como diria o saudoso
Paulo Henrique Amorim - preferidas para mandar o recado a Tarcísio, de que sua
declaração foi ignorada e o consórcio com a mídia liberal e o centrão segue
apostando na candidatura dele como anti-Lula na terceira via.
Segundo
Andreia Sadi, "ninguém com poder de fato no Centrão ou entre empresários
que têm acesso a Tarcisio acredita na versão de que o governador de São Paulo,
Tarcísio de Freitas (Republicanos), desistiu de ser candidato à
Presidência".
Em sua
apuração de bastidores, a jornalista afirma que Tarcísio tirou o pé para
pressionar o ex-presidente a "enquadrar" o filho, Eduardo Bolsonaro,
e antecipar a campanha presidencial de Tarcísio. Ou seja, que a declaração de
Tarcísio não passou de um jogo de cena.
A
jornalista da Globo atribui a um "cacique do Centrão" a declaração de
que "o Bolsonaro que é problema para Tarcísio não é Jair, é Eduardo”. Por
esse motivo, os apoiadores da candidatura à presidência do governador paulista
estariam pressionando Bolsonaro a enquadrar o filho e "controlar seus
radicais".
"A
leitura, no entanto, é que Tarcísio já está riscando o chão, dizendo
"daqui eu não passo", por avaliar que já deu provas suficientes de
sua fidelidade, como a ida e discurso contra o STF no ato na Avenida Paulista,
e que agora precisa cuidar de seu próprio ambiente político e seu futuro
eleitoral, diz a colunista que, ressalta que Tarcísio trabalha "por uma
'anistia light', com redução de penas" - ou seja, pelo plano arquitetado
pela terceira via.
• Jeferson Miola: Tarcísio age para ser
ungido como o candidato bolsonarista
Nesta
segunda-feira, 29/9, o governador Tarcísio tinha uma agenda oficial em
Brasília. Assim como ele, os demais governadores do país foram convidados para
a solenidade de posse do ministro Edson Fachin na presidência da Suprema Corte.
Mais
que uma mero rito solene, a posse de Fachin teve um significado maior, o de
simbolizar a afirmação da justiça brasileira no momento em que nossa economia e
o STF são alvejados por ataques do governo Trump orquestrados por bolsonaristas
que atentam contra a soberania nacional desde os EUA em associação com agentes
estrangeiros.
Todos
governadores estiveram presentes pessoalmente ou foram representados pelos seus
vices no evento no STF – menos, entretanto, o capitão do Exército Tarcísio de
Freitas, governador do Estado que representa 21% da população e 31% do PIB
nacional.
A
“missão oficial” de Tarcísio em Brasília, custeada com dinheiro público, foi
uma visita de apoio e solidariedade ao líder da organização criminosa
recentemente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão.
O
condenado em questão, Jair Bolsonaro, cometeu o crime nada trivial de tentativa
de golpe de Estado, além de outros, pelos quais aguarda julgamento.
Se a
legislação brasileira fosse severa como as leis da Alemanha, Argentina, Canadá,
França e Reino Unido, Bolsonaro e seus comparsas civis e militares seriam
condenados à prisão perpétua. Dependendo dos agravantes, poderiam ser
condenados até à pena de morte.
Apesar
da abundância de provas produzidas pelos próprios criminosos, Tarcísio sustenta
que não houve nada de ilegal na ação da ORCRIM que planejou inclusive o
assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes no plano de tomada violenta
do poder.
Fiel ao
extremismo bolsonarista, Tarcísio ataca o trabalho histórico do STF no
julgamento dos golpistas e “exige” a anistia como único caminho para a
“pacificação do país”.
Radicalizado
como Eduardo Bolsonaro, na saída do encontro de quase três horas com o
gângster-chefe e dois dos seus filhos, Tarcísio disse à imprensa que não aceita
nem mesmo a proposta de anistia disfarçada de dosimetria.
A
mensagem de Tarcísio com esta visita ao criminoso condenado no exato momento da
cerimônia do STF é clara: entre democracia e golpe, ele fica do lado dos
golpistas.
Com seu
gesto, Tarcísio ganha pontos preciosos para ser ungido pelo clã de gângsteres
como o candidato do extremismo em 2026 com apoio da direita, da Faria Lima, do
rentismo, do agronegócio, das cúpulas fardadas, da lúmpemburguesia e setores
significativos da mídia hegemônica.
O
anúncio da sua candidatura à reeleição ao governo de São Paulo é um biombo que
serve apenas para distrair a atenção, preservá-lo dos desgastes inerentes a uma
candidatura antecipada, e, também, para manter o poder de influência
crescentemente declinante do Bolsonaro no tabuleiro de 2026.
• Tarcísio continua candidatíssimo em
2026. Por Denise Assis
Não se
iludam. Tarcísio de Freitas será o candidato da direita em 2026. Ele não tem
mais controle sobre essa decisão.
Na
véspera de fazer uma visita ao inelegível e preso domiciliar Jair Bolsonaro,
ele manteve encontros com integrantes da Faria Lima – ou seja, o mercado. A
atitude é sintomática do quanto o seu nome já está atrelado ao projeto da
direita, bem como do fato de ser constantemente mencionado pela mídia
tradicional com o aposto “candidato à Presidência em 2026”.
As
notícias veiculadas hoje (30/09) sobre a sua ida a Brasília dão conta de que
ele pretende ficar recolhido. Aí, sim, reside uma verdade. Tarcísio se fechará
em copas para “lavar o terno” até o final do ano.
Sabe
que se expôs demais quando, ao discursar na Paulista, chamou o ministro
Alexandre de Moraes de tirano. Tem plena consciência do quanto errou ao pedir
aplausos para Donald Trump, no primeiro momento em que o presidente dos EUA
impôs um tarifaço de 50% aos produtos brasileiros, em vez de se colocar ao lado
dos empresários atingidos, de seu estado, certamente um dos mais afetados pela
medida do governo estadunidense.
E, mais
ainda, está ciente de que não conseguirá tirar das redes a sua imagem com o
boné MAGA, registrada logo após o Brasil ser alvo de sanções, com a exigência
política – sim, o tarifaço foi político – de que ou o Judiciário livrava
Bolsonaro das acusações, ou as medidas avançariam, como avançaram, sobre os
membros do STF.
Foram
atitudes fortes, ultradireitistas, que agora o levam a tentar “lavar” a sua
imagem. Tarcísio se enrolou cada vez mais. Bateu de frente com Eduardo
Bolsonaro e Paulo Figueiredo, a dupla para quem é “anistia ampla ou nada”.
Chegou a mencionar a dosimetria. Ficou mal com Ciro Nogueira, que queria uma
definição logo do seu nome para a candidatura à Presidência, a fim de pegar
carona nessa cauda de cometa como vice em sua chapa.
Sua
escolha, na tarde de ontem, de não comparecer à posse do novo presidente do
STF, Edson Fachin, para estar em confabulações com Bolsonaro e sua “famiglia”,
foi mais uma tentativa de demonstrar para Eduardo Bolsonaro de que lado está.
E, se tem esse interesse, é porque continua candidatíssimo.
O que
ele faz é virar uma espécie de “carmelita descalço” nesse momento,
penitenciando-se de seus erros – graças à pouca experiência política – a fim de
que, até o final do ano, todos esqueçam as suas gafes e ele possa voltar “nos
braços” da mídia e da Faria Lima.
Essa é
uma tática que lhe foi imposta pela conjuntura, pelo mercado e pela mídia.
Tarcísio de Freitas não tem mais querer. Será empurrado para uma candidatura ao
cargo maior da República, como única alternativa viável (?) da direita, que
precisa, sim, (já vislumbraram isso) de Tarcísio para a corrida.
E não
se espantem se, daqui por diante, a mídia tradicional começar a torcer por uma
amenizada nas penas dos “coitadinhos” do 8 de janeiro. Será mais uma das
estratégias para conquistar essa fatia do eleitorado: a do bolsonarismo, que
resiste e será levada – pela força da grana que ergue e destrói coisas belas –,
como cantou Caetano, a torcer por Tarcísio em 2026.
• Michelle ensaia campanha e divulga vídeo
após Tarcísio sinalizar que não quer enfrentar Lula
Rei
morto, rei posto. Michelle Bolsonaro (PL) seguiu a máxima da antiga monarquia
francesa nesta segunda-feira (29) após um cabisbaixo Tarcísio Gomes de Freitas
(PL-SP) anunciar que pretende disputar a reeleição em São Paulo em vez de se
lançar como candidato anti-Lula em 2026.
"Sou
candidato à reeleição, como eu tenho dito. Isso já está claro. Vim fazer uma
visita de cortesia, visitar um amigo", disse o governador, preferido do
consórcio da Terceira Via, formado pela mídia liberal, centrão e Faria Lima.
Michelle
Bolsonaro, que disputa com os enteados Flávio, Carlos e Eduardo o posto de nome
do clã para a Presidência, foi rapidamente às redes para ensaiar a campanha e
mostrar a viabilidade de seu nome para a disputa.
No
Instagram, a ex-primeira-dama, que já havia declarado ao jornal britânico
Telegraph que pode ser candidata em 2026 "como uma leoa" para
"cumprir a vontade de Deus" - sem indicar o cargo -, usou um vídeo do
novo aliado Ciro Gomes (PDT) para atacar Lula.
Ciro,
que já vem frequentando eventos da ultradireita bolsonarista, faz uma acusação
falsa e leviana dizendo que Lula usa a crise com o governo Donald Trump,
fabricado no clã Bolsonaro, para "encobrir o roubo no INSS".
À
noite, Michelle divulgou um vídeo na rede X em que usa o termo cunhado ao
jornal britânico para convocar as "leoas alicerçadas" do PL para
"Edificar uma Nova Nação" - em caixa alta.
A
frase, que remete ao livro recém lançado por Michelle em que detalha as
propostas para uma autocracia evangélica no Brasil, foi divulgada como um
ensaio de slogan de campanha.
"As
Mulheres são mais da metade da população e do eleitorado no Brasil. As Mulheres
de Bem representam quase a totalidade desses números. A VERDADEIRA mudança para
a melhoria da VIDA das pessoas no país VIRÁ pelas mãos e pelos CORAÇÕES
FEMININOS!", escreveu Michelle.
Presidenta
do PL Mulher, Michelle tem formado grupos nas regiões e tem no eleitorado
conservador feminino seu principal álibi para mostrar que é competitiva na
disputa presidencial.
• Ausência de Tarcísio em posse de Fachin
gera críticas até de governadores de direita: “falta de independência”
A
ausência do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos),
na posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin,
provocou reações negativas inclusive entre governadores de direita. Segundo
apurou o g1, colegas de partido e de espectro político avaliaram que a decisão
de não comparecer ao evento foi um erro estratégico e o deixou em posição
delicada no cenário nacional.
Dois
governadores do campo conservador afirmaram reservadamente que o paulista
deixou escapar uma oportunidade de se aproximar do Judiciário. Enquanto líderes
de diferentes estados prestigiaram a cerimônia em Brasília, Tarcísio preferiu
se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Um dos
governadores presentes classificou a postura de Tarcísio como um sinal de
submissão a Bolsonaro. “Tarcísio mostrou total falta de independência, faltou a
ele o sentimento de um homem público, que não pode misturar divergências
políticas com a institucionalidade do país”, afirmou.
Outro
colega reforçou que o governador paulista desperdiçou a chance de recompor
pontes com o Supremo. “Depois de fazer críticas duras ao STF, ele deveria
demonstrar que está aberto ao diálogo comparecendo à posse de Fachin. Ele acaba
se isolando”.
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Leitura política: olho em 2026
A
decisão de ignorar a posse de Edson Fachin foi interpretada por políticos
presentes ao evento como mais um indicativo de que Tarcísio pretende disputar a
Presidência em 2026, e não buscar a reeleição em São Paulo. Segundo um
governador, a visita exclusiva a Bolsonaro reforça a fidelidade ao
ex-presidente em busca de apoio eleitoral.
Ministros
e parlamentares ouvidos avaliaram que a ausência do grupo bolsonarista, bem
como de líderes do Centrão, foi articulada para evitar constrangimentos. Ainda
assim, governadores de direita compareceram, como Ronaldo Caiado (Goiás),
Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Eduardo Leite (Rio
Grande do Sul).
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Bastidores em Brasília
Embora
Tarcísio não tenha participado, seu secretário de Governo, Gilberto Kassab,
marcou presença na posse de Fachin. Kassab foi bastante procurado por políticos
e ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
• Irritado, Tarcísio convoca entrevista de
improviso para negar ação do "PCC" em bebidas com metanol
Irritado,
o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) convocou uma entrevista
coletiva de improviso no início da tarde desta terça-feira (30) após o governo
Lula anunciar uma série de medidas contra a comercialização de bebidas
batizadas com metanol que já deixaram 3 mortos em São Paulo.
Por
volta das 10h30, ao lado do ministro Ricardo Lewandowski (Justiça), que
anunciou a entrada da Polícia Federal (PF) no caso, Alexandre Padilha (Saúde)
chamou a atenção para a possível atuação de organizações criminosas na
adulteração das bebidas, que podem estar sendo distribuídas em outros estados.
O ministro ainda divulgou uma série de medidas tomadas pelo governo Lula junto
aos consumidores e profissionais de saúde.
Ao
perceber que o governo federal tomou à frente da questão, diante da inação no
Estado, Tarcísio enviou às 12h21 um comunicado para a "[entrevista]
coletiva com o detalhamento das medidas que estão sendo adotadas pelo Governo
do Estado de São Paulo no combate a intoxicação por metanol e investigação dos
envolvidos", iniciando a live automaticamente ao lado de Guilherme
Derrite, Secretário de Segurança Pública, e outras autoridades do Estado -
todos demonstrando claro constrangimento. Na agenda oficial, não havia nenhuma
alusão à entrevista.
Logo no
início, o governador citou dados recém divulgados pela CNN - sem consultar
sequer a base de dados do próprio governo paulista - e anunciou um
"gabinete de crise", sem detalhar qualquer ação que será tomada pelo
coletivo.
Em
seguida, mostrando extrema irritação, Tarcísio negou o envolvimento do crime
organizado na adulteração das bebidas, que estão provocando pânico no Estado e
gerando prejuízos ao comércio - já que os consumidores estão com medo de
consumir as bebidas.
"Tem-se
especulado sobre, e aí agora tem esse negócio em São Paulo, tudo que acontece é
PCC", disparou, dando chilique. "Tem especulado sobre a participação
do crime organizado nessa adulteração de bebida. Só para deixar claro, não há
evidência nenhuma de que haja crime organizado nisso", emendou, sem citar
a entrevista pouco antes de Padilha sobre as ações do governo federal.
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Fiscalização
O
governador ainda especulou sobre uma mudança na fiscalização realizada em 2016
durante o governo golpista de Michel Temer (MDB), que teria desligado o Sistema
de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE).
"Como
a gente tem falado é um problema estrutural. Vamos lembrar um pouquinho de
2016, quando houve uma modificação de uma instituição normativa da Receita
Federal do Brasil que tratava da questão dos selos de bebida. Se eu não me
engano, a instituição 1637 de 2016, que modificou a instituição normativa 1432
de 2013, que, de certa forma, fragilizou um pouco do controle sobre essa
questão, sobre essa área de bebidas no Brasil, foi retirada a obrigatoriedade
dos seus, etc", disparou, com conhecimento raso do que estava falando.
A
própria Receita Federal divulgou nota nesta segunda-feira (29) afirmando não
haver quaisquer relação "entre a criminosa adição de metanol em bebidas
destiladas disponibilizadas a consumidores com o desligamento do sistema de
monitoramento denominado SICOBE".
"O
controle de destilados, como vodka, gin, whisky etc. é usualmente feito pela
utilização de selos, que não têm relação, nem se confunde com o SICOBE. O
SICOBE controlava, preponderantemente, refrigerantes e cervejas", diz o
texto.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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