quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Globo não solta a mão de Tarcísio como "anti-Lula" e diz que Centrão e Faria Lima também não

A declaração de um cabisbaixo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) afirmando que é "candidato à reeleição" após encontro com Jair Bolsonaro (PL) foi recebida com desdém e incredulidade pela família Marinho, da TV Globo, principal entusiasta na mídia liberal da candidatura anti-Lula do governador paulista nas eleições presidenciais de 2026.

A informação foi ignorada pelo Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo, e escondida nas manchetes do site G1 e no jornal O Globo, que pinçaram outras informações da curta entrevista de Tarcísio na saída de visita.

Primeiramente, O Globo destacou a declaração de Tarcísio de que "redução de penas não satisfaz Bolsonaro". Em seguida, em outra reportagem, o folhetim, porta-voz político do clã Marinho, destaca que "Bolsonaro diz a Tarcísio que mantém candidatura de Eduardo ao Senado e descarta futuro do filho como presidenciável".

Ou seja, um sinal de que Tarcísio está no páreo, já que Eduardo já sinalizou, sem a anuência do pai, que só abre mão de concorrer ao Planalto por dois nomes: Carlos e Flávio Bolsonaro. Os irmãos, no entanto, nem cogitam entrar na disputa.

O G1, site da Globo, foi na mesma linha e reportou que "após visita, Tarcísio defende anistia para 'pacificar' país e diz que é 'triste' ver situação de Bolsonaro", contribuindo para o cenário de vitimização de Bolsonaro. A declaração sobre a reeleição em São Paulo aparece perdida no meio do texto.

A Globo, então, escalou uma das suas "colonistas"- como diria o saudoso Paulo Henrique Amorim - preferidas para mandar o recado a Tarcísio, de que sua declaração foi ignorada e o consórcio com a mídia liberal e o centrão segue apostando na candidatura dele como anti-Lula na terceira via.

Segundo Andreia Sadi, "ninguém com poder de fato no Centrão ou entre empresários que têm acesso a Tarcisio acredita na versão de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desistiu de ser candidato à Presidência".

Em sua apuração de bastidores, a jornalista afirma que Tarcísio tirou o pé para pressionar o ex-presidente a "enquadrar" o filho, Eduardo Bolsonaro, e antecipar a campanha presidencial de Tarcísio. Ou seja, que a declaração de Tarcísio não passou de um jogo de cena.

A jornalista da Globo atribui a um "cacique do Centrão" a declaração de que "o Bolsonaro que é problema para Tarcísio não é Jair, é Eduardo”. Por esse motivo, os apoiadores da candidatura à presidência do governador paulista estariam pressionando Bolsonaro a enquadrar o filho e "controlar seus radicais".

"A leitura, no entanto, é que Tarcísio já está riscando o chão, dizendo "daqui eu não passo", por avaliar que já deu provas suficientes de sua fidelidade, como a ida e discurso contra o STF no ato na Avenida Paulista, e que agora precisa cuidar de seu próprio ambiente político e seu futuro eleitoral, diz a colunista que, ressalta que Tarcísio trabalha "por uma 'anistia light', com redução de penas" - ou seja, pelo plano arquitetado pela terceira via.

•        Jeferson Miola: Tarcísio age para ser ungido como o candidato bolsonarista

Nesta segunda-feira, 29/9, o governador Tarcísio tinha uma agenda oficial em Brasília. Assim como ele, os demais governadores do país foram convidados para a solenidade de posse do ministro Edson Fachin na presidência da Suprema Corte.

Mais que uma mero rito solene, a posse de Fachin teve um significado maior, o de simbolizar a afirmação da justiça brasileira no momento em que nossa economia e o STF são alvejados por ataques do governo Trump orquestrados por bolsonaristas que atentam contra a soberania nacional desde os EUA em associação com agentes estrangeiros.

Todos governadores estiveram presentes pessoalmente ou foram representados pelos seus vices no evento no STF – menos, entretanto, o capitão do Exército Tarcísio de Freitas, governador do Estado que representa 21% da população e 31% do PIB nacional.

A “missão oficial” de Tarcísio em Brasília, custeada com dinheiro público, foi uma visita de apoio e solidariedade ao líder da organização criminosa recentemente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão.

O condenado em questão, Jair Bolsonaro, cometeu o crime nada trivial de tentativa de golpe de Estado, além de outros, pelos quais aguarda julgamento.

Se a legislação brasileira fosse severa como as leis da Alemanha, Argentina, Canadá, França e Reino Unido, Bolsonaro e seus comparsas civis e militares seriam condenados à prisão perpétua. Dependendo dos agravantes, poderiam ser condenados até à pena de morte.

Apesar da abundância de provas produzidas pelos próprios criminosos, Tarcísio sustenta que não houve nada de ilegal na ação da ORCRIM que planejou inclusive o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes no plano de tomada violenta do poder.

Fiel ao extremismo bolsonarista, Tarcísio ataca o trabalho histórico do STF no julgamento dos golpistas e “exige” a anistia como único caminho para a “pacificação do país”.

Radicalizado como Eduardo Bolsonaro, na saída do encontro de quase três horas com o gângster-chefe e dois dos seus filhos, Tarcísio disse à imprensa que não aceita nem mesmo a proposta de anistia disfarçada de dosimetria.

A mensagem de Tarcísio com esta visita ao criminoso condenado no exato momento da cerimônia do STF é clara: entre democracia e golpe, ele fica do lado dos golpistas.

Com seu gesto, Tarcísio ganha pontos preciosos para ser ungido pelo clã de gângsteres como o candidato do extremismo em 2026 com apoio da direita, da Faria Lima, do rentismo, do agronegócio, das cúpulas fardadas, da lúmpemburguesia e setores significativos da mídia hegemônica.

O anúncio da sua candidatura à reeleição ao governo de São Paulo é um biombo que serve apenas para distrair a atenção, preservá-lo dos desgastes inerentes a uma candidatura antecipada, e, também, para manter o poder de influência crescentemente declinante do Bolsonaro no tabuleiro de 2026.

•        Tarcísio continua candidatíssimo em 2026. Por Denise Assis

Não se iludam. Tarcísio de Freitas será o candidato da direita em 2026. Ele não tem mais controle sobre essa decisão.

Na véspera de fazer uma visita ao inelegível e preso domiciliar Jair Bolsonaro, ele manteve encontros com integrantes da Faria Lima – ou seja, o mercado. A atitude é sintomática do quanto o seu nome já está atrelado ao projeto da direita, bem como do fato de ser constantemente mencionado pela mídia tradicional com o aposto “candidato à Presidência em 2026”.

As notícias veiculadas hoje (30/09) sobre a sua ida a Brasília dão conta de que ele pretende ficar recolhido. Aí, sim, reside uma verdade. Tarcísio se fechará em copas para “lavar o terno” até o final do ano.

Sabe que se expôs demais quando, ao discursar na Paulista, chamou o ministro Alexandre de Moraes de tirano. Tem plena consciência do quanto errou ao pedir aplausos para Donald Trump, no primeiro momento em que o presidente dos EUA impôs um tarifaço de 50% aos produtos brasileiros, em vez de se colocar ao lado dos empresários atingidos, de seu estado, certamente um dos mais afetados pela medida do governo estadunidense.

E, mais ainda, está ciente de que não conseguirá tirar das redes a sua imagem com o boné MAGA, registrada logo após o Brasil ser alvo de sanções, com a exigência política – sim, o tarifaço foi político – de que ou o Judiciário livrava Bolsonaro das acusações, ou as medidas avançariam, como avançaram, sobre os membros do STF.

Foram atitudes fortes, ultradireitistas, que agora o levam a tentar “lavar” a sua imagem. Tarcísio se enrolou cada vez mais. Bateu de frente com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, a dupla para quem é “anistia ampla ou nada”. Chegou a mencionar a dosimetria. Ficou mal com Ciro Nogueira, que queria uma definição logo do seu nome para a candidatura à Presidência, a fim de pegar carona nessa cauda de cometa como vice em sua chapa.

Sua escolha, na tarde de ontem, de não comparecer à posse do novo presidente do STF, Edson Fachin, para estar em confabulações com Bolsonaro e sua “famiglia”, foi mais uma tentativa de demonstrar para Eduardo Bolsonaro de que lado está. E, se tem esse interesse, é porque continua candidatíssimo.

O que ele faz é virar uma espécie de “carmelita descalço” nesse momento, penitenciando-se de seus erros – graças à pouca experiência política – a fim de que, até o final do ano, todos esqueçam as suas gafes e ele possa voltar “nos braços” da mídia e da Faria Lima.

Essa é uma tática que lhe foi imposta pela conjuntura, pelo mercado e pela mídia. Tarcísio de Freitas não tem mais querer. Será empurrado para uma candidatura ao cargo maior da República, como única alternativa viável (?) da direita, que precisa, sim, (já vislumbraram isso) de Tarcísio para a corrida.

E não se espantem se, daqui por diante, a mídia tradicional começar a torcer por uma amenizada nas penas dos “coitadinhos” do 8 de janeiro. Será mais uma das estratégias para conquistar essa fatia do eleitorado: a do bolsonarismo, que resiste e será levada – pela força da grana que ergue e destrói coisas belas –, como cantou Caetano, a torcer por Tarcísio em 2026.

•        Michelle ensaia campanha e divulga vídeo após Tarcísio sinalizar que não quer enfrentar Lula

Rei morto, rei posto. Michelle Bolsonaro (PL) seguiu a máxima da antiga monarquia francesa nesta segunda-feira (29) após um cabisbaixo Tarcísio Gomes de Freitas (PL-SP) anunciar que pretende disputar a reeleição em São Paulo em vez de se lançar como candidato anti-Lula em 2026.

"Sou candidato à reeleição, como eu tenho dito. Isso já está claro. Vim fazer uma visita de cortesia, visitar um amigo", disse o governador, preferido do consórcio da Terceira Via, formado pela mídia liberal, centrão e Faria Lima.

Michelle Bolsonaro, que disputa com os enteados Flávio, Carlos e Eduardo o posto de nome do clã para a Presidência, foi rapidamente às redes para ensaiar a campanha e mostrar a viabilidade de seu nome para a disputa.

No Instagram, a ex-primeira-dama, que já havia declarado ao jornal britânico Telegraph que pode ser candidata em 2026 "como uma leoa" para "cumprir a vontade de Deus" - sem indicar o cargo -, usou um vídeo do novo aliado Ciro Gomes (PDT) para atacar Lula.

Ciro, que já vem frequentando eventos da ultradireita bolsonarista, faz uma acusação falsa e leviana dizendo que Lula usa a crise com o governo Donald Trump, fabricado no clã Bolsonaro, para "encobrir o roubo no INSS".

À noite, Michelle divulgou um vídeo na rede X em que usa o termo cunhado ao jornal britânico para convocar as "leoas alicerçadas" do PL para "Edificar uma Nova Nação" - em caixa alta.

A frase, que remete ao livro recém lançado por Michelle em que detalha as propostas para uma autocracia evangélica no Brasil, foi divulgada como um ensaio de slogan de campanha.

"As Mulheres são mais da metade da população e do eleitorado no Brasil. As Mulheres de Bem representam quase a totalidade desses números. A VERDADEIRA mudança para a melhoria da VIDA das pessoas no país VIRÁ pelas mãos e pelos CORAÇÕES FEMININOS!", escreveu Michelle.

Presidenta do PL Mulher, Michelle tem formado grupos nas regiões e tem no eleitorado conservador feminino seu principal álibi para mostrar que é competitiva na disputa presidencial.

•        Ausência de Tarcísio em posse de Fachin gera críticas até de governadores de direita: “falta de independência”

A ausência do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), na posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, provocou reações negativas inclusive entre governadores de direita. Segundo apurou o g1, colegas de partido e de espectro político avaliaram que a decisão de não comparecer ao evento foi um erro estratégico e o deixou em posição delicada no cenário nacional.

Dois governadores do campo conservador afirmaram reservadamente que o paulista deixou escapar uma oportunidade de se aproximar do Judiciário. Enquanto líderes de diferentes estados prestigiaram a cerimônia em Brasília, Tarcísio preferiu se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Um dos governadores presentes classificou a postura de Tarcísio como um sinal de submissão a Bolsonaro. “Tarcísio mostrou total falta de independência, faltou a ele o sentimento de um homem público, que não pode misturar divergências políticas com a institucionalidade do país”, afirmou.

Outro colega reforçou que o governador paulista desperdiçou a chance de recompor pontes com o Supremo. “Depois de fazer críticas duras ao STF, ele deveria demonstrar que está aberto ao diálogo comparecendo à posse de Fachin. Ele acaba se isolando”.

<><> Leitura política: olho em 2026

A decisão de ignorar a posse de Edson Fachin foi interpretada por políticos presentes ao evento como mais um indicativo de que Tarcísio pretende disputar a Presidência em 2026, e não buscar a reeleição em São Paulo. Segundo um governador, a visita exclusiva a Bolsonaro reforça a fidelidade ao ex-presidente em busca de apoio eleitoral.

Ministros e parlamentares ouvidos avaliaram que a ausência do grupo bolsonarista, bem como de líderes do Centrão, foi articulada para evitar constrangimentos. Ainda assim, governadores de direita compareceram, como Ronaldo Caiado (Goiás), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

<><> Bastidores em Brasília

Embora Tarcísio não tenha participado, seu secretário de Governo, Gilberto Kassab, marcou presença na posse de Fachin. Kassab foi bastante procurado por políticos e ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

•        Irritado, Tarcísio convoca entrevista de improviso para negar ação do "PCC" em bebidas com metanol

Irritado, o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) convocou uma entrevista coletiva de improviso no início da tarde desta terça-feira (30) após o governo Lula anunciar uma série de medidas contra a comercialização de bebidas batizadas com metanol que já deixaram 3 mortos em São Paulo.

Por volta das 10h30, ao lado do ministro Ricardo Lewandowski (Justiça), que anunciou a entrada da Polícia Federal (PF) no caso, Alexandre Padilha (Saúde) chamou a atenção para a possível atuação de organizações criminosas na adulteração das bebidas, que podem estar sendo distribuídas em outros estados. O ministro ainda divulgou uma série de medidas tomadas pelo governo Lula junto aos consumidores e profissionais de saúde.

Ao perceber que o governo federal tomou à frente da questão, diante da inação no Estado, Tarcísio enviou às 12h21 um comunicado para a "[entrevista] coletiva com o detalhamento das medidas que estão sendo adotadas pelo Governo do Estado de São Paulo no combate a intoxicação por metanol e investigação dos envolvidos", iniciando a live automaticamente ao lado de Guilherme Derrite, Secretário de Segurança Pública, e outras autoridades do Estado - todos demonstrando claro constrangimento. Na agenda oficial, não havia nenhuma alusão à entrevista.

Logo no início, o governador citou dados recém divulgados pela CNN - sem consultar sequer a base de dados do próprio governo paulista - e anunciou um "gabinete de crise", sem detalhar qualquer ação que será tomada pelo coletivo.

Em seguida, mostrando extrema irritação, Tarcísio negou o envolvimento do crime organizado na adulteração das bebidas, que estão provocando pânico no Estado e gerando prejuízos ao comércio - já que os consumidores estão com medo de consumir as bebidas.

"Tem-se especulado sobre, e aí agora tem esse negócio em São Paulo, tudo que acontece é PCC", disparou, dando chilique. "Tem especulado sobre a participação do crime organizado nessa adulteração de bebida. Só para deixar claro, não há evidência nenhuma de que haja crime organizado nisso", emendou, sem citar a entrevista pouco antes de Padilha sobre as ações do governo federal.

<><> Fiscalização

O governador ainda especulou sobre uma mudança na fiscalização realizada em 2016 durante o governo golpista de Michel Temer (MDB), que teria desligado o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE).

"Como a gente tem falado é um problema estrutural. Vamos lembrar um pouquinho de 2016, quando houve uma modificação de uma instituição normativa da Receita Federal do Brasil que tratava da questão dos selos de bebida. Se eu não me engano, a instituição 1637 de 2016, que modificou a instituição normativa 1432 de 2013, que, de certa forma, fragilizou um pouco do controle sobre essa questão, sobre essa área de bebidas no Brasil, foi retirada a obrigatoriedade dos seus, etc", disparou, com conhecimento raso do que estava falando.

A própria Receita Federal divulgou nota nesta segunda-feira (29) afirmando não haver quaisquer relação "entre a criminosa adição de metanol em bebidas destiladas disponibilizadas a consumidores com o desligamento do sistema de monitoramento denominado SICOBE".

"O controle de destilados, como vodka, gin, whisky etc. é usualmente feito pela utilização de selos, que não têm relação, nem se confunde com o SICOBE. O SICOBE controlava, preponderantemente, refrigerantes e cervejas", diz o texto.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

Nenhum comentário: