'Ouviram
do Paraguaçu': verdadeira independência do Brasil começou em Cachoeira(BA)
A
verdadeira margem plácida que contribuiu para a independência do Brasil estava
na Bahia, mais precisamente em Cachoeira, onde o país ficou livre antes daquele
baratino no Ipiranga.
Elisa
não parava de fazer inúmeras selfies com o Rio Paraguaçu ao fundo.
Soteropolitana, pela primeira vez estava em Cachoeira. “Rio bonito, né? Calmo,
uma paz”, disse. Ela não sabe, mas ali mesmo, há 203 anos, essa paz não era uma
opção. Aquele rio borbulhava de conflitos armados e era bala para todo lado
entre brasileiros e lusitanos na primeira batalha pela independência do Brasil.
Foi ali que tudo começou, meses antes do tal piriri e do grito às margens do
Rio Ipiranga, no dia 7 setembro de 1822. “Você está dizendo que este rio é mais
importante que o Ipiranga sobre a independência?”, indaga Elisa. Sim, estamos.
Descer
a pirambeira e dar de cara, na entrada da cidade, com o arco azul com os
dizeres “Cachoeira heróica e monumento nacional” é como voltar no tempo e
recontar um pouco a história que os livros didáticos contam sem esta parte
crucial. Se todo trajeto da independência fosse, de fato, levado ao pé da
letra, até a abertura do hino nacional teria que recalcular sua rota fluvial. O
certo seria: “Ouviram do Paraguaçu as margens plácidas...”.
Se a
geração dos memes atualmente pode zoar Portugal, chamando os ex-colonizadores
de Guiana Brasileira, tudo se deve à Cachoeira. E começou ali, naquele rio. Foi
lá que o orgulho de ser brasileiro superou a soberania portuguesa nas nossas
vidas.
“Eu
gosto de dizer que o Paraguaçu é o personagem vivo na independência. Quando eu
recebo aqui a visita de alunos em excursões pela cidade, eu digo que, logo
mais, eles vão conhecer o personagem mais antigo e ainda vivo desta luta. Aí
apresento o Paraguaçu. É um ponto crucial a ser visitado, pois ali foi o ponto
de partida para a libertação, na batalha de 25 de junho de 1822”, relata o
historiador e especialista na história de Cachoeira, professor Fábio Batista.
Afinal,
porque o Paraguaçu foi o rio que conduziu a luta pela libertação de Portugal? A
história se encarrega de contar. Contudo, é preciso voltar um pouco mais no
tempo, quando Cachu tinha um nome quase do mesmo tamanho de D. Pedro I,
reconhecido como regente primeiramente no recôncavo: Vila de Nossa Senhora do
Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu. Era um local extremamente rico e
intelectualizado. Tão próspero que Portugal chegou a taxar a cidade com uma
quantia bem gorda para pagar a reconstrução de Lisboa, que sofreu um terremoto
em 1756. Desde este tempo, a turma de lá já não engolia muito os colonizadores.
“O
Recôncavo baiano, especificamente Cachoeira, respirou com a cosmopolita. Se
discutia nas praças autores iluministas, as ideias liberais e pensamentos
modernos. E o Rio Paraguaçu trazia isso, pois conectava a localidade com a Baía
de Todos-os-Santos e, consequentemente, com o mundo. Era uma região que
respirava ares globais”, conta Fábio.
E foi
pelo Rio Paraguaçu que chegaram baianos fugidos de Salvador, que viviam uma
verdadeira repressão do comandante português Madeira de Melo. Ele foi o
responsável pela execução da primeira mártir da independência, Joana Angélica,
no Convento da Lapa, em fevereiro de 1822. No dia 24 de junho daquele mesmo
ano, Cachoeira deu um basta. Na surdina, num salão secreto onde é hoje o
Hospital São João de Deus, lideranças políticas, militares e populares de
Cachoeira se reuniram para discutir a situação crítica de Salvador.
No dia
seguinte, no dia 25 de junho de 1822, Cachoeira tornou-se oficialmente o
primeiro território livre de Portugal no país, na Casa de Câmara e Cadeia
Cachoeirana. Lá foi escrito o primeiro ato, após consulta popular, proclamando
o Príncipe D. Pedro I como Regente do Brasil e, consequentemente, livre dos
lusitanos. Contudo, enquanto era celebrada uma missa em comemoração, na Igreja
da Matriz, um navio português atracou e começou a bombardear Cachoeira e São
Félix. O combate, a primeira na luta pela independência, acabou também como a
primeira vitória brasileira, após três dias de intensa batalha.
“Como é
que eu nunca soube disso? Eu nunca mais vou olhar para o Paraguaçu com a mesma
paz ou com os mesmo olhos. Que rio cheio de história, né? Agora já sei porque
passou o São João e a cidade continua cheia desse jeito. Como é que a gente vem
aqui e ninguém fala isso?”, indaga Elisa, do início da matéria, após contarmos
esta historinha que os livros não contam. De fato, essa história precisa ser
contada. Ou melhor, visitada.
“É uma
liturgia cívica que temos muito forte em Cachoeira e São Félix. O Recôncavo
pulsa o 2 de julho, como Santo Amaro, Saubara com Caretas do Mingau, Itaparica,
Maragogipe… Mas aqui, o povo faz questão de perpetuar esta história pouco
contada desde o dia 1º de junho até a data final, no dia 2 de julho. Poderia se
tornar facilmente um roteiro turístico da independência, levar este espírito
cívico para outras pessoas”, conta Fábio Batista.
Lugar é
que não falta para visitar. E os cachoeiranos fazem questão de reviver esta
memória e comparecer aos festejos da independência, que começam desde o dia
primeiro de junho, com a levada dos mastros simbólicos para a Rua da Feira. O
samba come no centro. No dia 24, véspera do primeiro ato de independência e dia
do São João, São Félix e Cachoeira juntam sua cabocla e caboclo,
respectivamente, no mesmo lugar dos mastros. Mais samba de roda, lógico. É o
primeiro dia em que o casal se junta.
Diz a
lenda que eles namoram que é uma beleza. À noite, ninguém vai incomodar os
pombinhos. No dia 25, um desfile cívico, nos moldes do 7 de setembro, inclusive
com a presença do Exército, para levar os símbolos do 2 de Julho ao centro, mas
especificamente onde está a Casa de Câmara e Cadeia, para celebrar o ato que
desvincula o Brasil de Portugal. Adivinha: samba de roda, desfile, fanfarra e
tudo que o povo merece.
“Nasci
naquele casarão e nunca perdi uma festa da independência. Não sei como isso não
é reconhecido nacionalmente. Precisamos mostrar isso ao Brasil, como símbolo
maior da independência. Um turismo, desses com guias, trazer gente pra cá.
Trago todo ano minha família e amigos que nunca viram. Todos querem voltar”,
disse Maria do Socorro Santos, de 80 anos.
Socorro
segue sempre o mesmo ritual, assim como boa parte dos cachoeiranos. No dia 25,
ela arma as cadeiras na porta de casa, com comidinhas, licor e a família
reunida para ver o cortejo com os caboclos. Segue o mesmo ritual até os
festejos ao 2 de Julho. “Atualmente moro em Salvador, mas tenho minha casa aqui
para acompanhar o desfile todos os anos. Está no sangue cachoeirano”.
Para
quem quer conhecer a cidade histórica e primeira livre do Brasil, tem de tudo,
inclusive roteiros e passeios que visitam comunidades ribeirinhas e
quilombolas, como Belém de Cachoeira, distrito a 7 quilômetros do centro, que
também foram cruciais para a formação na formação dos batalhões patrióticos.
Chama atenção também o Quilombo Kaonge, talvez o único roteiro turístico com
imersão na história do lugar, chamado Rota da Liberdade.
Para
esse roteiro ficar como um verdadeiro mergulho no tempo, é sempre bom começar
na Casa de Câmara e Cadeia, onde existem peças importantes da independência e
onde o caboclo descansa no restante do ano. Depois, Igreja, da Matriz, seguido
pelo Hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Se sua
visita for durante o período de comemorações ao 2 de Julho, ainda tem a pira
que corre pelo Recôncavo até a chegada à Salvador, representando toda luta pela
independência que, ao contrário do que contam os livros, começou em Cachoeira.
Sem contar o samba quase centenário de Dona Dalva e os bares de reggae que
traçam diversas trilhas sonoras da independência. É uma visita que deveria ser
obrigatória para cada brasileiro.
E,
depois de percorrer suas ruas que respiram história, nada melhor do que sentar
num bar à beira do Rio Paraguaçu, abrir uma cerveja gelada e contemplar um rio
que não pede holofotes, mas os merece. Enquanto o Ipiranga virou símbolo
oficial, o Paraguaçu segue discreto, porém imenso, carregando nas águas a
verdade sobre onde o Brasil realmente começou a se libertar. Em Cachoeira, a
independência não foi encenada em meio a uma dor de barriga, mas foi vivida,
com luta, coragem e participação popular. Que os livros refaçam seus roteiros:
a independência começou aqui.
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Itaparica
Quem
toma uma cervejinha gelada na Praça Tenente João das Botas, em Itaparica, ou
compra um artesanato no Casarão local, não imagina que é um lugar bom para
turistar, mas crucial na independência da Bahia. Ali viveu um português que deu
nome à localidade e viveu seus dias naquele casarão que hoje é ponto turístico.
Este rapaz, mesmo lusitano, lutou ao lado dos brasileiros pela independência e,
graças a ele, a Bahia é pioneira em mais uma coisa: alguns historiadores
acreditam que foi em Itaparica que a Marinha do Brasil, sem vínculo com
Portugal, foi criada.
Tudo
graças a João de Botas. Muito antes das tropas portuguesas serem expulsas de
vez da Bahia, em 2 de julho de 1823, a Ilha de Itaparica já havia se tornado
símbolo da resistência patriótica. O episódio mais emblemático dessa luta
aconteceu em 7 de janeiro de 1823, quando um grupo de pescadores, marisqueiras
e combatentes locais conseguiu uma das primeiras e mais decisivas vitórias
contra os portugueses, numa batalha naval e terrestre travada com coragem e
criatividade.
João
teve um papel crucial ao enfrentar a nau lusitana, pois ele transformou navios
civis em militares, equipando-os com armamento e enfrentando os colonizadores.
Por isso muitos acreditam que ali nasceu a Marinha do Brasil, com navios
genuinamente brasileiros.
Outro
ponto crucial que vale a pena conhecer é o Forte de São Lourenço, também local
estratégico para os brasileiros. Contudo, nada se compara à Praia do Convento.
Além de ser linda, foi ali que uma das histórias mais fascinantes da
independência aconteceu. Historiadores acreditam que foi naquela região que
Maria Felipa deu uma surra de urtiga nos portugueses.
Mulher
negra, marisqueira e liderança popular da ilha, ela comandou um grupo de
mulheres que ficou conhecido por atacar navios portugueses e até incendiar
embarcações inimigas, além de aplicar “táticas de guerra” que envolviam surra
de cansanção. Maria Felipa entrou para a história não como exceção, mas como
símbolo da participação do povo negro, feminino e anônimo na conquista da
liberdade.
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Roteiro da Independência em Cachoeira
1.
Câmara Municipal de Cachoeira (Paço Municipal)
Foi
aqui que, no dia 25 de junho de 1822, a cidade proclamou apoio à Independência
do Brasil e rompeu com o governo português, antes mesmo do grito de D. Pedro no
Rio Ipiranga. Dica: visite o Salão Nobre, onde líderes locais e o povo selaram
o pacto independentista. Existem peças historicas no local.
2.
Hospital São João de Deus
O salão
do hospital serviu para reuniões secretas sobre a independência e foi sede da
formação da Junta de Governo Provisório, simbolizando o início de um governo
próprio e a organização da resistência. O hospital é um dos edifícios mais
antigos da cidade.
3.
Ponte Dom Pedro II
Uma das
mais icônicas do Brasil, liga Cachoeira a São Félix. Construída no século XIX,
oferece uma linda vista do Rio Paraguaçu e é símbolo de união regional. Dá
também para esticar em São Félix.
4.
Rio Paraguaçu e Cais
Foi
aqui, em 28 de junho de 1822, que aconteceu a primeira batalha armada entre
brasileiros e portugueses. O rio foi rota de fuga e chegada daqueles que
lutavam pela Independência. Contemplar o local do confronto com vista para São
Félix e o rio, é essencial para entender a geopolítica da época.
5.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Igreja
onde foi celebrada a missa solene após a aclamação de Dom Pedro. Um marco
espiritual da independência. Ele tem uma arquitetura colonial e importância no
enraizamento da fé católica na luta política.
6.
Samba de Roda de Dona Dalva – Terreiro de Samba Suerdieck
Dona
Dalva Damiana de Freitas é um dos maiores símbolos vivos da cultura
afro-brasileira. Seu samba é Patrimônio Imaterial da Bahia e do Brasil e tem
uma programação especial no período dos festejos da independência, geralmente
regado a cerveja e muita maniçoba. Samba de roda raiz, com resistência cultural
e sabedoria ancestral.
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O papel do Carmo e Pelourinho no 2 de Julho
À
noite, as ruas do Santo Antônio Além do Carmo e do Pelourinho estão repletas de
soteropolitanos e turistas que procuram diversão, comida, bebida, música.
Quantos deles devem saber que por aqueles espaços passou a tropa da resistência
durante as lutas pelas independência? É o que costuma questionar o historiador
Jaime Nascimento. "Tem gente de Salvador que não entende esse percurso,
tem gente que participa do 2 de julho e não sabe a história", lamenta ele.
O
historiador conta que os dois bairros do Centro Histórico não foram palcos de
combates e nem tiveram papeis mais ativos no circuito, como Pirajá, Lapinha e
Soledade. Eles representam a marcha que consolida a reconquista. "O
objetivo era chegar até a Câmara Municipal, que era o símbolo do poder. E nisso
a tropa da resistência não sabia ainda que os portugueses já tinham
evacuado", diz Jaime.
Rafael
Dantas, também historiador, explica que estes eram espaços ocupados pelos
portugueses na cidade e quem lutava contra eles ficava nas redondezas. "O
Carmo e o Pelourinho eram locais das vistas, onde se avistava a Baía de Todos
os Santos de forma estratégica", compartilha Rafael.
É no
Carmo, principalmente nas proximidades da Ladeira do Boqueirão, que ficam casas
decoradas com as cores da bandeira do Brasil em homenagem à data. As famosas
fachadas decoradas são destaques do cortejo e participam até mesmo de
premiações que elegem as melhores.
Chegando
ao Largo do Pelourinho, o destaque vai para a Igreja Nossa Senhora do Rosário
dos Pretos, onde o cortejo faz uma pausa. O motivo é uma homenagem que a
Irmandade dos Homens Pretos presta ao festejo ao depositar uma coroa de flores
no carro onde ficam a cabocla e o caboclo, logo após uma missa.
No
Largo Terreiro de Jesus, no Pelourinho, fica a Catedral Basílica de Salvador.
Antes Capela dos Colégio dos Jesuítas, ficou assim denominada após a expulsão
dos jesuítas, episódio importante da história do Brasil colônia.
Finalmente,
chega-se à Praça Municipal, onde está a Câmara Municipal. No Brasil, as câmaras
ocuparam importante papel durante o período colonial e perderam atribuições no
período republicano. É por isso que, nascida em 1549 junto com a cidade, a
Câmara Municipal de Salvador era um ponto de chegada tão cobiçado pela tropa de
resistência.
O local
foi o ponto final do desfile até a segunda metade do século 19. "O Campo
Grande não existia. Depois, ele foi urbanizado, virou Parque 2 de Julho, ganhou
um monumento em homenagem à independência e foi incluso no desfile",
explica Jaime Nascimento.
Confira
ao lado dicas de seis locais para visitar no Santo Antônio e no Pelourinho que
trazem história e charme para o trajeto do 2 de julho. De sebo/livraria, até
igreja e museu, passam também por locais onde comer. Nas próximas páginas,
encontre a história e as dicas que contemplam a parte final do percurso,
incluindo desvios no trajeto importantes para a história, como o Largo dos
Aflitos e o Convento da Lapa.
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Literatura e história na livraria de Gilberto
O
cortejo do carro dos caboclos vem pela Rua dos Perdões e Rua dos Adôbes e vira
à direita para subir a Ladeira do Boqueirão. Mas quem olhar adiante antes de
fazer a curva verá, no número 15, uma casa amarela com livros na porta. É o
sebo de Gilberto Carvalho de Freitas. Historiador, ele é um grande fã e
pesquisador da história do Brasil, fascinado pelos fatos que não estão nos
livros mais óbvios. Com tantos livros colecionados, ele resolveu abrir o
espaço ao público, há cerca de um ano e meio, vendendo e distribuindo
gratuitamente as obras. Ele conta que cerca de 30 livros por semana são
adotados por quem passa pela frente do local e se depara com as ofertas para
doação.
O
próximo passo de Gilberto será montar uma biblioteca nos fundos do casarão. O
nome será Biblioteca da Independência. No dia 2 de julho, livros sobre a
história da independência do Brasil na Bahia estarão expostos na fachada. Para
quem quiser conferir a coleção de Gilberto, a livraria/sebo fica na Rua dos
Adôbes, número 15, no Santo Antônio Além do Carmo.
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Encantos e tradições juntos na Rua Direita do Santo Antônio
O
charme da Rua Direita do Santo Antônio, principal via do bairro, se dá pelos
casarões tradicionais e ganha destaque no cortejo que passa por ali no dia 2 de
julho. Na data oficial, reúne uma multidão e tem até fachadas vivas e decoradas
como um espetáculo à parte. A rotina no restante do ano é de um bairro
residencial que vira palco de festas e point da boemia soteropolitana durante
os finais de semana.
O
monumento Cruz do Pascoal é um lembrete do legado histórico do bairro. Ainda
que tenha sido colocado ali no século 18 - portanto, antes da independência - é
considerado o primeiro oratório da cidade. Assim, o monumento foi uma das
testemunhas da passagem dos combatentes da independência.
Hoje,
andar pela Rua Direita provoca nostalgia nos moradores mais antigos, mas também
evoca um potencial maior a ser explorado no turismo. "Amo meu bairro, mas
falta o 2 de julho como antes. Acho que tem demanda, mas muitos meninos hoje
não querem mais participar", pondera a comerciante Andrea Carvalho, de 53
anos. "Tem muita história aqui que ninguém sabe, só os moradores
mesmo", acrescenta a costureira Cristina Silva, de 58.
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Comida de resistência no Zanzibar
O menu
do Zanzibar, restaurante focado na culinária afro-brasileira, sempre foi uma
homenagem à resistência africana. Por isso, quando passou a funcionar na Rua
Direita do Santo Antônio, cerca de 10 anos atrás, não podia ser um diálogo mais
oportuno. Desde então, o restaurante de 47 anos está posicionado em meio ao
percurso do cortejo da independência. No dia 2, a chef Ana Célia Santos
prepara, além da comida baiana e da comida africana, uma feijoada especial (em
alguns anos, também uma maniçoba) para esse dia.
"A
gente faz um prato mas rápido, porque as pessoas querem uma comida prática e
forte para sair para continuar o trajeto", explica. O movimento é intenso
a partir do meio-dia. Desde que está no local, ela acredita que o cortejo do 2
de julho tem chamado mais atenção e atraído mais participantes do que vinha
acontecendo antes. "Acho que uma rota turística teria demanda, então
deveria ter. Hoje em dia, tem aumentado muito o cotejo, então, é interessante
que se fortaleça". O restaurante fica no nº 60 e a feijoada será servida a
partir de 12h no dia 2.
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Resistência na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Marco
da cidade de Salvador, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo
do Pelourinho, faz parte da história das lutas pela independência. Quem explica
é o historiador Jaime Nascimento. "A cidade estava tomada pelos
portugueses e a resistência se dava através dessas instituições. A Irmandade
dos Homens Pretos era a principal. Eram nesses locais que as pessoas se reuiam,
se organizavam, para ver como poderiam resistir", diz Jaime.
A
Irmandade dos Homens Pretos é também chamada de Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário dos Pretos, representada pela igreja de mesmo nome. O local, tido como
a primeira irmandade para negros em Salvador, é símbolo de resistência deste
povo. "Todos os anos, quando o cortejo do 2 de julho passa, para na porta
da Igreja para que a Irmandade coloque uma coroa de flores no carro dos
caboclos", acrescenta o historiador Jaime Nascimento. O espaço é aberto
para visitação, que custa R$10. O funcionamento é de segunda à sexta, das 8h às
16h45 (com pausa de 11h45 às 13h), e aos sábados, das 8h às 11h45. O telefone é
(71)984529415.
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Espaços de surpresas no Museu da Gastronomia
Do lado
esquerdo do Largo do Pelourinho, para quem está virado para a Fundação Casa de
Jorge Amado, está o Museu da Gastronomia. Gerido pelo Senac, o local tem
entrada gratuita e vários espaços para visitação, como o Restaurante História e
Sabor, o Salão São Salvador e o próprio museu. Uma caixinha de surpresas! Neste
último, o visitante mergulha na história da gastronomia brasileira a partir de
influências como europeia e africana, aprendendo sobre variados ingredientes.
No restaurante, a comida é a quilo e o funcionamento é de segunda à sexta, das
11h30 às 15h30.
O Salão
São Salvador é uma surpresa. Nele, a Sala das Armas contém garruchas e espadas
usadas na defesa da cidade de Salvador nos séculos 18 e 19. Na Sala das
Bandeiras, estão as representações de todas as bandeiras que o Brasil teve ao
longo da história, incluindo a do Império, que marca o início da monarquia no
país a partir da declaração de independência, em 1822. Este espaço funciona de
segunda a domingo, das 8h às 16h20. O local estará funcionando no dia 2 de
julho.
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Comida tradicional e o famoso Arroz de Hauçá no Restaurante Axego
Se
apresentando como o restaurante mais tradicional do Pelourinho, o Axego é mais
uma excelente pedida para a pausa do almoço durante o cortejo do 2 de julho.
Tem mesas externas e internas para o cliente escolher a preferência e um
cardápio vasto com opções de petiscos como casquinha de siri, caldo de sururu e
carne de fumeiro com fritas ou vinagrete e farofa. O destaque nos pratos
principais vai para o Arroz de Hauçá, o prato mais famoso da casa, que leva
carne seca e camarão e foi adaptado pelo chefe Manoel Pereira. Manoel fundou o
restaurante e, ao falecer em 2021, a família deu continuidade ao negócio.
Típica
da Bahia, a comida tem raízes na culinária africana. Vai ser servida no 2 de
julho, que é o dia do ano com mais movimento, como garantem os proprietários do
Axego. Dobradinha e carne do sol também costumam fazer sucesso nessa data. O
restaurante abrirá às 10h com serviço de cerveja e o almoço sairá a partir das
11h30. O endereço é Rua J. Castro Rabelo, número 16, Pelourinho.
Fonte:
Correio

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