Natação
e diabetes: 5 benefícios dos exercícios na água para a glicose e a saúde
Piscina
não precisa ser sinônimo apenas de natação. Caminhar dentro da água, fazer
hidroginástica ou realizar exercícios de resistência também são formas de
atividade física que podem contribuir para a saúde de quem vive com diabetes.
E
existe uma característica que torna os exercícios aquáticos especialmente
interessantes: a água diminui a carga exercida sobre as articulações e pode
facilitar os movimentos para pessoas que encontram dificuldade ou desconforto
para realizar determinadas atividades em terra.
Do
ponto de vista do diabetes, porém, o benefício não está simplesmente no fato de
estar dentro da piscina. É o exercício realizado ali que faz diferença.
A
American Diabetes Association (ADA) recomenda que a maioria dos adultos com
diabetes tipo 1 ou tipo 2 pratique pelo menos 150 minutos semanais de atividade
aeróbica de intensidade moderada a vigorosa, distribuídos por pelo menos três
dias da semana. Natação aparece entre as possibilidades de atividade física.
Mas o
que pode acontecer com o organismo durante os exercícios aquáticos?
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1. Os músculos passam a utilizar mais glicose
Quando
uma pessoa nada, caminha dentro da piscina ou pratica hidroginástica,
diferentes grupos musculares precisam trabalhar para produzir o movimento.
Durante
a atividade física, o músculo aumenta a captação de glicose para obter energia.
Além disso, o exercício pode aumentar a sensibilidade à insulina.
É por
isso que a glicose pode cair durante e também após determinadas atividades
físicas.
Esse
efeito, no entanto, não acontece da mesma maneira com todas as pessoas. No
diabetes tipo 1, por exemplo, a resposta da glicemia depende de fatores como
intensidade e duração do exercício, quantidade de insulina ativa, alimentação e
glicose antes da atividade.
A ADA
destaca que exercícios aeróbicos tendem a reduzir mais a glicose durante a
atividade, enquanto exercícios muito intensos podem, em determinadas situações,
provocar aumento temporário da glicemia.
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2. Exercícios na piscina podem ajudar a reduzir a hemoglobina glicada
Os
benefícios não aparecem apenas na glicose medida imediatamente depois do
exercício.
Uma
revisão sistemática com meta-análise publicada em 2023 avaliou 12 estudos
envolvendo treinamento aquático em pessoas com diabetes tipo 2. Os
pesquisadores encontraram redução média de 0,62 ponto percentual na hemoglobina
glicada após as intervenções.
A HbA1c
é um exame utilizado para avaliar a exposição média à glicose nos meses
anteriores. Além da melhora desse indicador, o estudo encontrou benefícios na
capacidade cardiorrespiratória, pressão arterial e capacidade funcional.
Uma
meta-análise mais recente, publicada em 2026, reuniu 11 ensaios clínicos
randomizados, com 335 participantes com diabetes tipo 2. Em comparação com
grupos sem exercício, a atividade aquática esteve associada a uma redução média
de 0,76 ponto percentual na HbA1c.
Os
autores, porém, observaram grande variação entre os estudos e destacaram a
necessidade de novas pesquisas.
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3. Caminhar dentro da piscina também conta como exercício
Aqui
está uma das principais curiosidades: quem não sabe nadar não precisa ficar de
fora.
Caminhada
dentro da piscina e exercícios realizados em pé na água também foram estudados
em pessoas com diabetes tipo 2.
Uma
revisão anterior, que reuniu nove estudos e 222 participantes, concluiu que
programas de exercícios aquáticos realizados durante pelo menos oito semanas
conseguiram reduzir a HbA1c. Quando comparados diretamente, os resultados sobre
a glicada não apresentaram diferença significativa entre exercícios aquáticos e
atividades realizadas em terra.
A
revisão publicada em 2026 chegou a uma conclusão semelhante: exercícios
aquáticos apresentaram resultados comparáveis aos exercícios realizados em
terra sobre o controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2.
Isso
amplia as possibilidades para quem não gosta de academia, não sabe nadar ou
procura outra maneira de se manter fisicamente ativo.
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4. A água reduz a sobrecarga nas articulações
Outra
vantagem está relacionada às características físicas da água.
A
flutuação reduz a carga sobre o corpo, enquanto a própria resistência da água
exige trabalho muscular para realizar os movimentos. Na prática, isso permite
combinar componentes aeróbicos e de resistência com menor impacto articular.
Essa
característica pode tornar a atividade aquática uma alternativa para algumas
pessoas com obesidade, redução de mobilidade ou desconforto articular.
A
revisão sistemática publicada em 2026 destaca justamente que obesidade, dores
articulares e limitações de mobilidade podem dificultar a adesão aos exercícios
realizados em terra e que a flutuabilidade da água reduz a carga sobre as
articulações.
Isso
não significa, porém, que exercícios na água sejam automaticamente indicados
para qualquer pessoa. A presença de complicações do diabetes ou outras
condições de saúde pode exigir avaliação individual antes do início da
atividade.
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5. Os benefícios vão além da glicose
Manter
uma rotina de atividade física pode trazer efeitos que vão muito além do número
mostrado no glicosímetro ou no sensor.
De
acordo com a ADA, atividade física e exercício estão associados a benefícios
sobre glicemia, fatores de risco cardiovascular, composição corporal,
mobilidade, capacidade física e bem-estar psicossocial em pessoas com diabetes.
Nos
estudos especificamente sobre exercícios aquáticos em diabetes tipo 2, também
foram observadas melhoras na pressão arterial e na capacidade
cardiorrespiratória.
A
escolha da atividade que a pessoa consegue manter ao longo do tempo também
importa. Natação, hidroginástica, caminhada, bicicleta ou musculação podem
fazer parte de uma rotina ativa. O exercício precisa ser adaptado às condições
clínicas, preferências e limitações de cada pessoa.
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Atenção à glicose antes e depois de entrar na piscina
Para
quem usa insulina ou medicamentos capazes de provocar hipoglicemia, existe um
cuidado adicional.
A
atividade física pode aumentar o risco de queda da glicose durante o exercício
e também algumas horas depois, porque a sensibilidade à insulina pode
permanecer aumentada após o término da atividade.
A ADA
recomenda que pessoas sob maior risco de hipoglicemia aprendam a acompanhar a
glicose antes, durante e depois dos exercícios e discutam individualmente
estratégias relacionadas à alimentação e ao tratamento.
Também
é importante ter uma fonte de carboidrato de rápida absorção disponível para o
tratamento de uma eventual hipoglicemia.
Para
quem utiliza sensor de glicose, bomba de insulina ou outro dispositivo, é
necessário ainda verificar as orientações específicas do fabricante sobre
contato com água, profundidade e tempo de imersão. Nem todos os dispositivos
apresentam as mesmas especificações.
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Natação pode baixar a glicose?
Pode,
principalmente quando a natação é realizada como uma atividade aeróbica
contínua. Mas não existe uma queda de glicose igual para todo mundo.
Em
pessoas com diabetes tipo 1, principalmente, duas sessões aparentemente
semelhantes podem provocar respostas diferentes dependendo da glicemia inicial,
insulina ativa, alimentação, duração e intensidade da atividade.
Por
isso, observar a própria resposta glicêmica é tão importante quanto escolher o
exercício.
E
talvez essa seja uma das vantagens práticas da piscina: não é preciso ser
nadador para começar. Hidroginástica, caminhada e outros movimentos realizados
na água também podem colocar grandes grupos musculares em atividade e ajudar a
construir uma rotina mais ativa.
Fonte:
Um Diabético

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